A Oportunidade

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Uma das cenas mais tocantes do Mente Brilhante é quando, já maduro, aparece um professor que vem lhe oferecer a Nash aquela honraria que ele sonhou a vida inteira. Tantas coisas já haviam acontecido, e a convivência com os seus delírios era um fato consumado. Então ele se vira pra uma pessoa qualquer e lhe pergunta se aquele professor que estava lá existia mesmo. Eu acho que quando A Oportunidade – que para cada um tem um nome e simboliza alguma coisa – aparecer, se um dia ela me aparecer, vou precisar fazer a mesma coisa.

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Kefir e generosidade

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Uma vez uma amiga disse que tinha uns kefir, que eram tipo uns bichinhos transparentes que a gente criava em água com açúcar mascavo. No dia seguinte, a gente bebia aquela água, que tinha gosto de cerveja choca, e ela fazia um bem danado. Ela me deu alguns copinhos de kefir. Pus os bichos num vidro de biscoitos e naquela época fazia o meu própria açúcar mascavo com rapadura ralada. Era um açúcar realmente de primeira e em uma semana minha população de bichinhos tinha triplicado. Ela me disse que era assim mesmo, que a graça é que eles cresciam e estimulavam a generosidade. Consegui alguém pra minha primeira “fornada” de bichinhos, talvez para a segunda, aí chegou uma época que não tinha mais pra quem dar o vidro de biscoito era pouco pra eles. Isso sem falar que era cerveja choca demais. Naquela época eu fazia pão integral (vejam, segunda indicação do quão prendada e naturalista eu era) e descobri que aquela água era ótima, afinal já era fermentava. Mas era muito pão, muito bicho, muita água. Comecei a usar os próprios bichos de adubo pra minha grama em frente de casa. Criei um tópico numa comunidade de kefir no orkut perguntando o que as pessoas faziam com o excesso de bichos. Foi aquele silêncio eloquente, eu falei o que ninguém tinha coragem. A população de bichos começou a ficar tão grande e eu tão culpada por não conseguir distribuir que parei. Depois soube que isso aconteceu com mais gente que criava kefir.

Eu li em algum lugar, acho que dito pelo Osho, que generosidade não é isso que a gente pensa, de se programar pra ser bom. Que a gente pensa generosidade meio como: tenho dez reais, vou aí separar cinquenta centavos, um real, cinco reais e dar pra alguém. Dito assim, dar aos outros dói, faz falta. A verdadeira generosidade seria um transbordamento, quando o sujeito sente que tem demais e ainda lhe sobra. Tive o privilégio de conhecer algumas pessoas generosas na minha vida, e realmente elas distribuíam sem sentir, porque eram elas próprias a encarnação do conhecimento – ou beleza, ou doçura, ou arte – e lhes saía pelos poros. Então, muito mais do que ter deizão e doar, acho que ser generoso se parece mais com os kefir nos potes de biscoito.

Solitária

Não precisava saber de tudo, como eu sei, pra adivinhar que ela tem passado os dias deprimida. A cara, as roupas, os gestos, o sumiço, tudo denuncia que as últimas semanas não foram fáceis. Há um certo momento que dizemos para nós mesmos que não dá, que é preciso fazer as coisas, então voltamos a fazer as coisas. Mas isso não quer dizer que estamos felizes, é apenas uma desistência da própria vontade de sumir. Era nesse momento que ela estava. Eu tento poupá-la da obrigação de ser gentil comigo e me dar carona e não consigo. Ela é gentil demais para se negar e eu diria até que esse é um dos seus problemas. Eu sei até o que ela acha que não sabe, porque as informações acabam chegando nos meus ouvidos sem que eu mesma busque. Durante todo trajeto, completo os silêncios: falo do meu telhado, das minhas vendas, dos meus projetos, minha da última apresentação… Céus, como as pessoas me suportam? Antigamente quem sabe que lhe dissesse para pararmos em algum lugar e que ela falasse. Mas atualmente, diante das minhas amigas que sofrem por amor, me sinto como ouvi de um estudante de medicina: “Eu detestava plantão de pronto socorro. Chega uma pessoa que sofreu acidente de carro e ela está tão quebrada, mas tão quebrada, que você não sabe o que fazer primeiro. Do dente ao dedinho do pé. Você não sabe que trata da perfuração do pulmão, da fratura exposta no fêmur, da parada cardíaca…”. Eu não sei o que dizer, não sei como reagir diante de minhas amigas com mais de trinta e que nunca namoraram. Não sou dessa geração de amores líquidos, a minha variava menos. Eu poderia arriscar uma lista de “defeitos” que atrapalham a vida amorosa delas mas, ao mesmo tempo, também não acho que quem está namorando seja tão mais perfeito. Sem dizer que eu acho que ninguém ouviria conselhos amorosos de alguém que não tem se mostrado hábil para arranjar alguém. Mas a minha solidão é diferente, ela não me dói. Não sei se por eu ter a segurança de um dia ter sido a escolha de alguém ou se por me ver sozinha há pouco tempo – o que quereria dizer que o desespero não me bateu por pura questão de tempo. Talvez não haja o que dizer. Se estivesse nas minhas mãos, eu lhes jogaria namorados como confetes, até todas ficarem felizes. Ao invés disso, penso em Eleanor Rigby.

Poupança

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Cinquenta, sessenta? Era difícil dizer a idade dele. Professor de educação física, desses que nunca havia parou de cuidar do corpo e puxar ferro quando nem era modinha. Os mais novos o acusavam, quando perto de gente discreta, de “obsoleto”. Mas também podia ser apenas inveja, porque alguns alunos não queriam fazer a série com qualquer outro. Eu, que fazia musculação só pra constar, fazia com ele porque era do meu horário mesmo. Naquele dia, o primeiro após um feriadão, ele estava cabisbaixo, o que nunca acontecia. Foi inevitável perguntar o que é que ele tinha.

-Lembra que eu te falei que tinha o casamento do meu filho?

Claro que eu lembrava, ele estava eufórico há meses. Não era surpreendente que ele um dia tivesse tido filhos, mas até então ninguém sabia da existência. Foi um casamento na juventude, mulher foi morar em outra cidade, levou o filho pra longe, perderam contato, essas coisas. Apesar de tudo, o rapaz o procurou agora, já adulto, queria o pai no casamento, entrando no altar. Ele ficou animado, não esperava, depois de uma vida afastado receber um convite daqueles.

-Não fui. Foi esse fim de semana e eu não consegui ir.

Era muito simples, bastava comprar a passagem e ir. Não se preocupou, há anos ele tinha uma poupancinha. No mês que sobrava, colocava dinheiro lá e pronto, nem olhava. Aí ele me conta que vive com uma mulher há anos, coisa que eu acho também que ninguém sabia. Uma vez eu fui numa balada de dança de salão, ou seja, de gente velha que gosta de dançar e lá estava ele; a sensação de vê-lo caçando foi a mesma de abrir a porta do banheiro e ver o avô pelado. Então, pra mim ele era um eterno “na pista”.

-Aí eu fui comprar passagem e não tinha mais nada na poupança. NADA. Ela gastou todo meu dinheiro, torrou anos de economia.

-Mas como assim, pelamordedeus, ela gastou tudo? O que essa mulher fez com o dinheiro, comprou um carro, jóias, você nunca desconfiou de nada?

Pior que ela não tinha gastado em nada demais. Ele brigou, pressionou, chorou, falou do desastre e que não teria como explicar pro filho, onde tinha ido parar o dinheiro. Ela gastou tudo ao longo do tempo, em besteira: uma roupa aqui, um salão mais caprichado ali… Ele estava arrasado, sem coragem de ligar pro filho. Não sei se ligou. E, caso tenha ligado, se o filho entendeu.

Mutilação

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Me disseram que todo grande autor – ou artista – é um mutilado. Neste sentido aqui:

Eu também já fui inteiro e, então, as coisas para mim pareciam naturais e confusas, estúpidas como o ar; acreditava ver tudo, quando na realidade só via a casca. Se você se reduzir à metade de si mesmo, eu lhe asseguro, meu rapaz, passará a compreender coisas que estão além da inteligência comum dos cérebros inteiros. Terá perdido metade de si e do mundo, mas a metade que restar será mil vezes mais profunda e mais preciosa. E então você desejará que tudo seja partido e despedaçado à sua imagem, porque a beleza e a sabedoria e a justiça só existem naquilo que é feito aos pedaços.

Italo Calvino/ Visconde partido ao meio

Ainda estou pensando.

Passeio

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Eu sempre levo a Dúnia para passear, desde sempre. Ela foi parar no adestramento, principalmente, porque levou um certo tempo pra se acostumar com a corrente. Ela se jogava no chão, eu tinha que arrastar o cachorro pelo pescoço, era uma sessão. Aí, apesar dela ter vindo adestrada por um sargento do exército e o certo seria ela andar ao meu lado, jamais na minha frente, ele mesmo me disse para não ser rigorosa nisso com ela, porque era um cachorro que já vinha com uma tendência a não gostar de sair. Nossos passeios é ela que comanda, cheirando com paixão todos os matinhos e comendo inesperadamente lixo como se não tivesse nada em casa. Então, vejam, ela sai desde que pôde sair, e isso já faz mais de dez anos. Tinha dias que eu saía pra ter aula às 7:30 da manhã e chegava pra lá das 18h, cansada, irritada e com vontade de ir ao banheiro. A caminho de casa já ia me programando para não levar a Dúnia para passear, estava me arrastando demais e merecia aquela folga. Aí ela me via da esquina e começava a ficar eufórica no portão e eu não tinha coragem de deixar pra lá e entrar em casa. Às vezes chove o dia inteiro e abre um tempinho seco no fim da tarde e corro pra sair com ela, nem que seja só pra dar uma volta na quadra. Isso tudo é pra provar pra vocês que foram poucas vezes, de verdade, que ela não saiu, e sempre foi por motivos próximos ao apocalipse zumbi. E não é que apesar de tudo isso a bicha chora cada vez que se aproxima o horário de saída, como se ela lutasse dia a dia por isso?

Curtas do estado civil

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E quando você acha a pessoa uma linda, bacana, espiritualizada e tals, mas depois de cada encontro tem que se deitar no sofá e dormir umas duas horas?

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Ter vida social tem se tornado ainda mais difícil para mim depois que descobri o Gaspari. O placar deve estar nuns vinte a zero numa relação Ler o Gaspari x Qualquer outro programa fora de casa.

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Novos tipos de declaração de amor: você me interessa mais do que o Gaspari. Você me entretém mais do que o Gaspari. Gosto mais de estar com você do que com o Gaspari.

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Mas nem tudo são flores: desde que comecei a ler sobre a ditadura, tenho pesadelos com ela. Vou nos lugares – uma casa na região do Araguaia, na prédio que nem conheço da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – e encontro as poças de sangue frescas no chão, cadáveres ao lado, procuram por pessoas que eu sei que já estão mortas.

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Meu aparelho de DVD não abria nem com pé de cabra, e como a opção de consertar um aparelho sem uso há anos e que nem existe mais locadora pra isso, me livrei. Coloquei no Lixo Que Não é Lixo e sumiu num instante. Até aí beleza. O problema é que ele abriu um espaço, que completei com livros, aí o lugar onde os livros estavam ficou vazio e…

Os deuses estão vendo

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Meu ex era plastimodelista e montava modelos de uma escala bastante pequena. No seu imenso capricho, ele pintava detalhes ínfimos que mal se viam na ponta dos dedos, e quando montados num modelo pronto, menos ainda. E quando eu lhe disse que ninguém veria aquilo, ele já tinha uma resposta na ponta da língua: um tal escultor fez estátuas que ficavam no topo de um templo, lá no alto olhando para o púlpito. E para cada uma delas, ele fazia um ser de corpo inteiro, em todas as dimensões. Aí lhe falaram da inutilidade de esculpir aquelas figuras completas – já que estava ficariam no alto e de costas para a parede, não era mais prático fazer apenas a frente, já que o que tinha atrás ninguém veria mesmo? “Os deuses estão vendo”. A Suzi conta uma história que acho deliciosa e sempre quis contar, mas nunca achei as luzes piscantes o suficiente para dar o destaque que ela merece. Seu filho estava no colégio, os amiguinhos todos burlando as regras para conseguir alguma coisa. E ela disse para o seu filho não fazer aquilo, que o que os amiguinhos faziam era errado e que ele deveria fazer direito. “Mas se está todo mundo fazendo errado e só eu vou fazer direito, isso quer dizer que eu vou me dar mal sempre”. Ela teve que concordar que sim, ele faria certo porque era o certo e ele iria se dar mal sempre. Esses dois casos são, para mim, a essência mais pura da ética.

O que há de melhor

Para Tere

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Eu queria ter braços gigantescos para te abraçar, e com eles acabar com toda dúvida e tristeza. Que dentro desse abraço você pudesse não pensar, ou que pensando tivesse apenas pensamentos bons. Que a maldade do mundo não te alcançasse e que todos que te olhassem pudessem te ver com os meus olhos, que te querem tão bem.

Camille

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Quem é fã de Camille Claudel geralmente detesta Rodin. Do ponto de vista de quem a adora, inclusive pelas acusações da própria, ele foi um monstro que sugou o seu talento. Não consigo ver a coisa dessa forma. Primeiro porque ela tinha esquizofrenia, o que é muito sério. Assim como não dá pra encarar a depressão como tristezinha que basta lavar uma louça, qualquer visão romântica sobre esquizofrenia cai por terra nos primeiros cinco minutos dentro de uma instituição psiquiátrica. Isso, por si só, já é bastante forte. Outro ponto importante é o fato dela ser uma mulher apaixonada. Levanto aqui todas as críticas ao modelo de feminilidade que arduamente construído, incucado na nossa cabeça, tão útil a eles e tão difícil para nós – falo da tendência feminina de largar tudo em prol do seu macho. Noto essa tendência em mim, nas minhas amigas, em todas as mulheres apaixonadas. O sujeito sabe muito bem o que quer, quais são seus desejos, seus objetivos, seu norte. A gente, fêmea pessimamente condicionada, também sabe, ou não sabe, ou sabe marromeno e nesse plano existe uma suíte bem bonita com um neon piscando Amor. Ele tem o dele e não abre mão; como a gente sente que ele vai e vai mesmo, acaba sendo o lado que cede o que for possível para manter a relação. Aí o que nos acontece? Camille.

Protesto

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Tem um meme antigo, do tempo que essa palavra nem existia que dizia: Vou xingar muito no twitter. Era inspirado neste vídeo. O meme ri da inutilidade que é ficar reclamando em redes sociais e é justamente essa minha atitude – tenho me queixado muito no twitter contra o frio. Cada dia é uma figura trágica diferente e realmente tem sido difícil segurar o mau humor quando penso em me programar pra vestir camadas de casacos em OUTUBRO. Já lavei e guardei tudo quando deu uma esquentadinha e tenho me recusado a tirar os casacos de lá. Então tenho usado sempre um ou dois, de pura teimosia. Não faz mais que duas semanas, estava tão de saco cheio de minhas calças jeans, que saí de vestido. Vestido com cachecol, casaquinho e meia calça, mas ainda assim vestido. Quando vejo dois adolescentes andando timidamente juntos e ela está lindamente de pernas de fora, sempre penso: “Está na fase da conquista, né? Depois passa…” O cara às vezes até estranha e pergunta se a gente está com frio: “´magina, essa meia calça é super quentinha!”Mentira, meia calça passa vento. Ou seja eu saí agasalhada, mas nem tanto. Estou com saudades de deixar minhas pernas de fora, dos meus vestidos, das minhas saias.

Foi um protesto silencioso. E inútil. E estou pensando em repetir amanhã.

Pimentão

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Eu sempre classifiquei as pessoas em legais e aquelas que dizem que tomate e pimentão têm pele. Eu adoro pimentão e sou macho, como do verde.  Problema de quem reclama que ele não digere bem. Só que me informaram que a pele dele não faz bem, não apenas nesse sentido de deixar a pessoa conversando com o pimentão o dia inteiro – não era o meu caso, e mesmo se fosse, e daí? Best friends – e sim naqueles órgãos da gente que estouram e levam a pessoa pro hospital correndo pra fazer faxina por dentro. Me disseram que lá fica cheio de semente de uva e casca de pimentão. Essa informação veio junto com a de que tirar a pele do pimentão é muito fácil, é só colocar no fogo. Ok, pimentão no fogo. Coloquei, deu umas estaladinhas e continuou tão inviável de tirar pele como sempre foi. Como estou calejada, fui no youtube em busca de um tutorial e claro que lá ensina a tirar pele de pimentão. É só deixar direto no fogo até ele ficar todo preto e tampar pra que comece a desidratar. Fiz, faço. Mas devo dizer que me sinto muito mal. O método é simples e funciona bem, mas o legume fica moralmente abalado. A gente tira a pele e toda vontade de viver do pimentão. É uma violência. A gente pega um legume durinho, verde, bonito, cheiroso e resistente, uma verdadeira força da natureza. Aí coloca o coitado no fogo, estalando, cozinhando. De bonitão ele se torna uma pasta esmilinguida, um corpo torturado e aquoso que não merece nem o nome de tomate, quanto mais de pimentão. Pra tirar a pele tiramos tudo dele, toda fímbria, a consistência, o formato, tudo o que o caracteriza. Faço, mas faço sentindo aquilo como um mal. Faço para poder comer pimentão pra sempre e sem que achem peles dele dentro de mim. Mas aquilo talvez nem mereça mais o nome de pimentão. Aquilo está para o pimentão como o achocolato está para o chocolate, como o cabelo de chapinha está para o cabelo oriental. Acabo com ele para continuar a comer. É um amor destrutivo.

Curtas de uma sabedoria rasteira

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Vocês não sabem, mas a profissão de vitrinista é muito ruim. Não estou falando da dificuldade de elaborar as vitrines e sim o quanto é chato vestir manequim. Eu faço isso só de vez em quando e como xingo.

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Tem um texto ótimo do filho do Mário Prata, em que ele conta de um papo onde o viúvo lamenta que não tenha fotos da mulher tal como era, que a gente tem mania de tirar fotos quando está bonito na festa e não tira justamente do mais corriqueiro, com o cabelo do dia a dia, no lugar onde sempre vai, com o gesto mais característico. Acho que esse é um dos grandes atrativos das fotos antigas, com filmes.

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Aquela gordura do azulejo do banheiro sai bem fácil com palha de aço.

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Amiga, antes de sair de férias, estava com uma intuição fortíssima de que seria demitida e contou pra mãe. “Filha, se for pra você ser demitida, você vai e pronto”. No fim, foi mesmo, fecharam a filial. Adoro gente quem tem algo prático e simples pra dizer. Olha que o padrão feminino entende que ser amiga é ficar histérica junto.

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Alguns precisam de vídeos de gatinhos para restabelecerem sua fé na humanidade. A minha reage muito bem vendo vídeos com Darcy Ribeiro.

Rigor

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Eu vi que tenho que me controlar, senão acabo virando fiscal de colegas de flamenco. Fico doida quando tem férias: somos avisados semanas de antecedência, por todos os meios possíveis; somos avisados durante as férias; somos avisados dias antes; somos avisados no dia. E todo ano aparece uma: Nossa, não sabia que tinha aula hoje, saí de casa despreparada, já marquei compromisso, etc. Ou tem aqueles que simplesmente faltam. Eu sou daquelas loucas que nunca falta, que se atrasa alguns minutos todo mundo acha que morreu, porque não é possível. Além de ser uma das minhas muitas características TOCs, é lição aprendida nos tempos de dureza. Eu fazia faculdade e tive que deixar inúmeros cursos interessantes passarem porque não tinha dinheiro. Os que tinham que viajar e pagar mensalidade, claro que nem pensar; o mais triste é quando o curso era gratuito e eu não tinha dinheiro para ônibus e lanche. Quem sempre teve grana acaba não tendo noção disso, que o gasto de transporte e comida, somado a outros, pesa. Então eu sei que nem sempre conseguimos unir tempo, dinheiro e possibilidade para fazer algo. Quando posso, quero aproveitar ao máximo – e me irrita quando as pessoas não têm noção do que estão desperdiçando.

Nimbus

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O acúmulo de informações faz com que não sejamos mais quem éramos antes, ou seja, há uma parte inevitável de conhecimento – será que dá pra chamar de sabedoria? – que o tempo nos traz. O problema é que converter a informação em ação é outra coisa. Muitas vezes, eu me sinto apenas o Nostradamus português – “vou a escorregaire naquela casca de banana!” Às vezes saber é tão inútil quanto assistir as nuvens escurecerem. Vai chover, dizemos, e a natureza segue em frente.