Cansei!

Cansei total e irrestrito. Sabe quando você se estressa tanto e de tal maneira que a energia gasta? Tentei de todas as maneiras provar o que, a rigor, não deveria precisar ser provado. Tentei provar meu valor, minha maturidade, minha sinceridade. Tentei me fazer ser vista. Me dediquei de corpo e alma. Torci e sofri feito uma condenada. Até que bastou. Se der ótimo e se não der ótimo também. Assim como a chuva lá fora, tudo pra mim são fatos da natureza e, como tal, nada posso fazer para interferir.

Espero um dia me tornar sábia o suficiente pra ficar plácida sem ter que passar pelo calvário.

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Risos e lágrimas

Eu conheci uma mulher que quando sentia dor, ria de nervoso. O que era muito problemático, por mais que antecipadamente ela dissesse pras pessoas que isso acontecia. Ela tinha um problema grave de coluna, e no dia em que foi pra faca, as costas dela travaram quando ela estava agachada. Ela começou a rir muito, a chorar de rir, e dizia que não conseguia se levantar. É claro que demorou muito pra levarem a sério e chamarem a ambulância.

Às vezes eu me sinto um pouco como essa mulher. Na minha ânsia de funcionar normalmente, quando estou deprimida continuo falando com as pessoas, continuo contando piadas – e algumas vezes sou até mais engraçada do que o usual, numa tentativa de ficar feliz vendo as pessoas à minha volta felizes. Assim como a tal mulher, eu já tentei avisar pra várias pessoas que funciono assim quando estou mal e não adiantou nada. Eu digo que estou mal e não me levam à sério. E pior: acham que fazendo piada eu volto ao normal. Me vêem como uma boba alegre que não tem direito a dias ruins.

Àqueles amigos que percebem que quando eu chego ao ponto de dizer “não estou bem”, é porque a coisa está muito séria, deixo aqui meu agradecimento e amizade eternos.

Longo caminho

Nem todos os homens que eu desejei e que não olharam pra mim, porque preferem as loiras, ou porque detestam mulheres de cabelos curtos… Dos que me deram chance mas que não me ligaram, ou que me trocaram por outras, ou que não se envolveram, ou que sumiram… Nem a passagem dos anos com todos os seus fios brancos, as gordurinhas na barriga, as dietas, as roupas que perdi, as marcas no rosto, as texturas da pele…

Nada, NADA fez tanto mal pra minha auto-estima do que esse 1 ano que me dediquei à dança. Hoje acho que qualquer menina de 15 anos é mais bonita do que eu, só porque ela tem 15 anos. Olho pra uma mulher na rua e não sei dizer mais o quão mais magra, mais bonita, mais atraente, mais charmosa ou mais feminina do que ela eu sou. Estou me sentindo velha e sem atrativos. Tanta terapia e tanto esforço do Luiz jogados fora.

Sim, eu sei. Aquele lugar não tem me feito bem.

Síndrome de Lar Doce Lar

Eu sempre gostei de decoração, por isso a-do-ro o Lar Doce Lar. Quando não vejo pela TV, acesso o site e tudo. Só que esse quadro me dá um efeito colateral péssimo, que o Luiz já se acostumou: fico achando minha casa feia, e saio por aí á caça de algum modo de arrumá-la. Hoje, por sorte, tinha uma estante de plástico que compramos de manhã, pra dar jeito na bagunça da nossa área de serviço semi-descoberta.

E por falar em semi-descoberta, que tempinho lazarento o de Curitiba nesse fim de ano. Pra cada dia bonito, duas semanas de chuva e frio. Ninguém agüenta mais. Minha garganta dói, chove horrores e minha casa não é linda. Só wii fit salva!

Cadê a Dna Fleuma?

Cresci ouvindo falar e tentando imitar a tal da fleuma britânica. Nem demais, nem de menos. Responder uma ofensa com desapaixonada elegância. Ouvir uma piada e rir sem fazer escândalo. Gesticular pouco, resolver as coisas no olhar. Sim, eu ainda admiro a fleuma britânica.

Por que diabos alguém que cresceu querendo ser britânico virou esse bicho escandalosamente grandiloqüente que vos fala – que usa hipérboles o tempo todo, que toca nos amigos, que faz caras/bocas/mímicas quando conta alguma coisa, que chora desesperadamente, que gargalha e pula de alegria, que acompanha o ritmo de músicas boas mesmo que em locais públicos e tantos outros gestos exagerados- é o que eu não entendo.

Noite negra

Praticamente 1 semana. Foi o tempo que eu saí do meu estado feliz e bem humorado de sempre pra entrar e permanecer numa longa noite, com choros e dúvidas. Meu primeiro sapão em relação a dança. Eu sabia que não seria fácil, eu sabia que existem favoritismos e critérios injustos em qualquer atividade. Eu sabia, mas sofri como se não soubesse. Nem eu pensava que sofreria desse jeito.

No meio desse período, pra tentar espairecer, eu li Cinco pessoas que você encontra no céu. Acho que foi pior. Normalmente seria apenas um livro interessante, mas ler aquilo bem quando eu duvidava das minhas escolhas teve o mesmo efeito da Menina que roubava livros, senão pior. Me acabei de chorar e me perguntar o que estava fazendo da minha vida.

Não há respostas. Engoli o sapão, porque vi que não tem maneira mais filosófica de encarar as injustiças do que reconhecer seu caráter injusto. Não sei o que estou fazendo da minha vida. Só sei que, fora essa última semana, ela tem sido divertida.

Crítica

Eu desconfiava – as teorias têm razão. Todo sistema exclui a crítica quando ela começa a ficar muito intensa. Já senti isso na pele muitas vezes. Quando eu era estudante daquele-curso-cujo-nome-não-falo, eu era sempre a mais crítica. Em relação aos professores, ao conteúdo das matérias, as atitudes dos meus colegas, às expectativas da profissão. Minha mãe dizia que só de olhar pra mim dava pra ver se eu tinha estágio ou não: nos dias de estágio, colocava roupas sérias e escuras; nos dias sem estágio, saía colorida, colocava camisa de futebol, ficava à vontade. Não deu outra: saí do curso de nunca exerci a tal profissão.

Agora não me estresso mais. Que bom que existe a adolescência, aquela época mágica que a gente acha que muda o mundo. Hoje, quando tudo começa a incomodar, mudo eu.