Dois comentários sobre Mindhunter

Mindhunter-3ª-temporada

Não vou entregar nada, mas esta segunda temporada de Mindhunter está ainda melhor do que a primeira. Vi algumas críticas por aí, várias questões foram levantadas, mas a que mais me tocou foi a questão da responsabilidade. Você não mobiliza o governo, levanta fundos, ganha crachá e funcionários sem ter consequências. Engrenagens são movidas, expectativas são criadas, responsabilidades pesam. A série se arrasta no tempo para nos deixar claro o quanto é difícil manter as suas posições enquanto os dias passam. Todo mundo achando besteira, o que parecia tão redondo de repente perdeu a eficácia, chega um momento que até o que era muito sólido parece ter sido só um sonho. É a treva, o inferno astral, o momento decisivo na vida em que nada e ninguém te apóia, e é só você tentando manter seu projeto fora d´água enquanto o resto do corpo já está imerso. Será que passa de qualquer maneira, será que o grande prêmio será perdido?

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Este é mais pessoal: certo ou não, o que me fez ver a série foi um post que dava um perfil psicológico para cada um dos personagens, de acordo com a escala MBTI. O teste havia bombado no Facebook, todo mundo postando, e nas três ou mais vezes que fiz (quando fico psica gosto de esgotar todas as possibilidades) o resultado foi sempre o mesmo. Eu e o agente Ford seríamos INFJ. O resultado diz que é um tipo raro. Aí você vê que existem grupos de facebook, vídeos, guias, tudo o que você pode imaginar de INFJ. Além de ter posts extremamente chatos, as pessoas ficam brigando entre elas, julgando que nem todos ali merecem ser INFJ. Enfim, só pra dizer que qualquer coisa no mundo que ofereça uma etiqueta que diga que as pessoas são raras e especiais é motivo de disputas e brigas. Nem que seja um mero teste de Facebook, nem que seja algo que as pessoas nem sabem se existe.

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Pega sim

rogar praga

Acredito que, fora os Jogos Olímpicos da vida, o que alimenta o esporte são os entusiastas. Não estou falando do jovem que ainda pode ser atleta, estou falando de adultos. Tem os que realmente disputam os primeiros lugares, que submetem todo seu tempo, alimentação e rotina para serem os melhores. São pessoas que só de olhar pra eles dá pra saber, têm o físico moldado. Fora essa meia dúzia, as outras centenas que estão competindo querem mais é superar a si mesmas, um pretexto pra viajar e boas lembranças. São pessoas que tiram do próprio bolso para pagar passagem, comprar equipamentos especiais, as roupas, as taxas de inscrição, hotéis, e a única coisa que ganham é a oportunidade de tirar fotos. A moça dessa história é uma delas. Imaginem o susto: uma mulher que ela não faz ideia de quem era, competindo com ela, começou a desejar em voz alta que ela iria “se machucar e se arrebentar”. “Mas não pegou em mim, graças a Deus!”. Pegou sim, disse nossa amiga em comum. “Mas minha terapeuta de constelação disse que se eu me mantenho positiva não pega!”. Não conheço um que me convença que essa tal de constelação é boa, impressionante. “Pegou sim”, disse a amiga, “tanto pegou que você está pensando em parar de competir”. Minha teoria sobre o que pega e o que não pega: não é à toa que a praga é sempre uma frase afirmativa dita em voz alta. Praga que se preze é dita na cara da pessoa. Pega porque entra pelo ouvido, vira lembrança, é mastigada. Não teria pegado se:

-E aquela louca na competição, que ficou desejando que você se machucasse?

-Desejando que eu…? Ah, verdade. Doida. Tinha esquecido.

Livro natural

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Depois que chove e finalmente consigo tirar a Dúnia de casa, já sei que me espera um passeio mais demorado do que o habitual. Parece que a chuva abre possibilidades novas e ela se atira sobre os matinhos e cantos com mais entusiasmo, como se ali estivessem informações novas e deliciosas. Talvez a Dúnia já esteja bem ceguinha e eu nem sei, porque ela sempre foi um cachorro olfativo. Trajetos longos nada significavam pra ela se não fosse possível parar a todo instante para cheirar. Antes essas paradas me deixavam impaciente depois comecei a pensar que, visto de fora, também não tem o menor sentido que eu coloque diante do meu rosto uma tela branca cheia de fileiras pretas e fique parada. Ficar deitada na casinha e latir para quem passa é apenas a parte visível do universo da Dúnia, a parte que tenho acesso. Também tenho visto os chefs, e qualquer matinho eles já colocam na boca, provam as coisas cruas, pegam o camarão que foi pescado na hora, arrancam a cabeça, descascam e comem aquela carne transparente. Eu só consigo pensar numa água saindo da torneira, meia hora de molho com um pouco de água sanitária, quem sabe uma panela cheia de óleo quente. Claro que é nisso que eu penso, eu já coloquei alecrim em molho sugo e só soube que fica ruim porque comi. O dom que eu tenho é o de vir aqui e contar essas coisas, e contar tantas coisas, pequenas e fugidias, que vocês se iludem de que elas são mais importantes do que as de outros. Assim como o que sabe matemática vira o sabichão no colégio, o domínio da linguagem escrita dá a poderosa sensação de inteligência. Eu adoraria poder penetrar na magia do cheiro dos matinhos molhados.

O velho chato do cinema

CINEMATECA

É uma dessas lembranças que de vez em quando nos invade e nem sabíamos que estava lá:

Morávamos eu, meu irmão e minha mãe. Eu sempre fui preguiçosa com relação a ir ao cinema, enquanto os dois estavam sempre de olho na programação de um dos três cinemas da Fundação Cultural. Eles decidiam que filme ver e eu ia junto, normalmente com um dos dois. Vi muito filmes-feitos-em países-sem-rede-de-esgoto, como gostávamos de definir, assim como também vi muita coisa boa. Embora não combine nem um pouco com o tipo de filme que víamos, lembro que naquela vez estávamos assistindo Truman Show. E ele estava lá. Ele, o velho chato do cinema. Assim como nós, ele estava sempre de olho na programação. Não sei se era coincidência e ele gostava de ir nos mesmos horários que a gente, ou se o cara simplesmente estava lá sempre. A gente fazia o possível para evitar ficar perto dele, mas o cara também era chegado em sentar no meio. O comportamento dele era sempre o mesmo. Lembro que no Truman Show era aquela parte que Truman está atravessando o mar pra chegar até o “Boni”, todo mundo emocionado diante da TV. Aí o velho chato se vira pra gente e “quanta baboseira, né?” e começa a discursar contra o cinema americano. Na hora era ruim, depois a gente lembrava dele e ria.

Camus e a moralidade

Nas primeiras vezes que eu vi falarem em comunismo e socialismo nas discussões na internet, eu não achei que fosse sério. Achei que fosse um comunismo entre aspas, com muitas críticas, um comunismo como forma simplificada de definir algo como um humanismo, um desejo maior por justiça social, algo do gênero. Porque me parece totalmente inviável que se abrace o comunismo não apenas após as experiências da URSS ou da China, mas porque mudamos muito profundamente nesses anos. E essa mudança me parece exemplificada no que esta professora diz sobre o afastamento de Camus do círculo de intelectuais franceses:

Não eram apenas os intelectuais franceses. Este senso de sacrifício algumas vezes recaía apenas sobre a costas dos outros mas que muitas vezes implicava a submissão da vida a um ideal. Somente ele explica Olga, Marighella e tantos outros que lutaram empunhando bandeiras. A ideia de sacrifício também estava presente na postura intolerante da esquerda que achava o governo Jango conciliador demais. Quando a situação ficou insustentável, o governo paralisado e o cheiro de golpe no ar, essas esquerdas ficaram felizes porque acreditavam que uma crise intensa poderia desencadear o levante da classe operária que eles tanto sonhavam. Hoje a gente tende a dar razão ao Camus, porque somos mais carpe diem, a vida é uma só. etc. E de vida em vida, vimos muita gente morrer e o mundo ideal nunca chega.

Ontem foi o pior dos dias: nunca fomos tão rapidamente do luto à baixeza

Ontem foi o pior dos dias. Primeiro, houve a tragédia com o time da Chapecoense, vitimando jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas do excelente, simpático e organizado clube catarinense. Só se falava nisso, a comoção foi mundial. Pois enquanto todos os olhos estavam voltados para a Colômbia, enquanto a Rede Globo botava o país para chorar com edições de alta temperatura emocional, ratos de todas as espécies — deputados gaúchos, deputados federais e senadores, todos juntos, ao mesmo tempo — aproveitaram-se para deitar e rolar.

Leia na íntegra ->

Orelhadas

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Os cobradores conversando no tubo:

-Ele é viúvo, me mostrou aqui a fotos das seis mulheres. Eu disse pra ele se arrumar, arranjar uma coisa séria, quem tem seis não tem nenhuma.

 

O cobrador pro motorista:

-Quem me contou foi a Feinha. A Feinha, sabe as cobradoras? A mais feia delas, a Feinha. Foi ela quem me disse que a Liane foi demitida. A Liane, aquela que é bem louca. A que matou o velho. Ele tomou viagra e morreu.

 

Uma amiga para a outra:

-A gente se chama de Potinho porque nós dois somos tatuados, aí quando cremarem nossos corpos só vai sobrar a tinta da tatuagem, viraremos dois potinhos.

Curtas pra reclamar

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Existem duas etapas sobre decidir escrever, uma fácil e a outra difícil. A fácil é “Vou escrever um livro sobre X”. A difícil é tudo o que vem em seguida.

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Um lado meu gosta de flamenco mas outro… pelamordedeus, vocês sabiam que existem outras formas de cultura?

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Existe um caso de amor entre grãos de arroz e aparelho.

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Em algum lugar das regras de etiqueta internéticas facebookianas, deveria estar escrito que não se atualizam eventos do facebook diariamente. Pra isso existe blog.

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Baladas perdem a graça para comprometidos. E festas de casamento – descubro agora – perdem a graça para solteiras quando não há perspectiva de homens interessantes. Crente comigo não dá, MESMO. Sorry.

Um conselho sobre uma paixão no divã

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De acordo com ela, o psi se entregou porque numa sessão ela comentou de uma música obscura de uma banda mais obscura ainda, e na sessão seguinte ele citou uma outra música da mesma banda, o que mostrou que ele anotou, pesquisou em casa e também ouviu. Foi a demonstração que faltava para se convencer de que o psi estava interessado nela. O que eu faço, ela me perguntou. Eu tenho uma teoria sobre ser confidente (e, por consequência, conselheira): o bom confidente é aquele que não gosta de ouvir confidências. Nunca pergunto, e depois que sei, nunca me interesso em voltar ao assunto e nem ouvir o final da história. Eu não quero ouvir segredos e os segredos que pulam na minha frente. Mas já que fui colocada nessa posição, tive que perguntar se, caso sim, o que ela sentia por ele. Sua resposta foi um vago “ele é legal, bonitinho, a idade regula”. Meu conselho foi algo que hoje faz com que eu me sinta meio Violet Crawley, mas fez sentido pra ela, que me agradeceu e disse que foi mesmo a melhor escolha. Eu lhe disse: então não vá. Porque um cara legal e bonitinho pra ter um caso você encontra facilmente, já um bom psicólogo…

Curtas de é sério isso?

é sério isso

Sim, tudo pretexto pra usar essa foto maravilhosa.

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Fui puxar papo com a mocinha do caixa da padaria. Ela tinha várias tatuagens coloridas num braço e uma Frida em preto e branco no outro. Perguntei se ela ia colorir a Frida também e a mocinha fechou a cara. Conversei com uma amiga e descobri algo importante: jamais pergunte se uma tatuagem preto e branca vai ficar colorida. Aparentemente todo mundo pergunta isso e é um saco. Nem toda tatuagem ficará colorida, óquei?

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Como classificar quando você insiste em marcar um café com uma amiga que diz que te ama, só porque sabe que ela vai ter que inventar uma boa desculpa?

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Dia desses cheguei em casa carregada de compras. Havia um carro quase enfiado na garagem. Fiquei preocupada, achando que era alguma má notícia que teria que ser dada pessoalmente. Cumprimentei a moça no carro, que me virou a cara. “O que você está fazendo estacionada na minha garagem?” “Oh, meu Deus, é sua garagem? É que eu estava esperando meu filho (sair da clínica do vizinho). Quer que eu tire meu carro?”. Deveria ter aproveitado e oferecido um chá.

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Com muito pesar, estou bebendo a última Gengibirra da minha adega. Meu supermercado parou de vendê-la. Não sei o que farei do meu vício. Eu subiria o morro pra comprar Gengibirra. Me sinto uma alcoólatra em pleno anos 20.

Velhinha

A decadência do corpo não é nada divertida, mas sempre acho que vou gostar de ser velhinha. A gente não sabe, na verdade, como vai lidar com a perda da juventude, especialmente da beleza, até acontecer. Não cheguei lá, mas pelo andar da carruagem, acho que sou do time que vai deixar cair. Não por ser contra as plásticas em si, mas por não conseguir me imaginar submetendo meu corpo a violência de ser cortado, esticado e a longa recuperação. Poucos dias em casa já me colocam louca, quanto mais passar meses sentindo dor, esperando desinchar, etc. A velhice cheia de rugas tem uma dignidade que me atrai. Adoro o foda-se que velhinhos bem resolvidos têm pra tudo. E passar ao lado de uma obra ou um grupo de homens sem ter que apertar o passo ou fazer cara de poucos amigos sem dúvida será um alívio.

I´m alright now

Caro Ernani,

Uma vez me disseram que deveríamos fazer boas obras, ser bons com as pessoas, porque teríamos mais gente para interceder por nós do outro lado. Achei estranho e até mesmo egoísta pensar em fazer o bem para os outros pensando numa futura intervenção. Posso pensar em muitos motivos para ajudar os outros e nenhum deles passaria pela noção de que precisaria de alguém para interceder por mim. Pois bem: a tua preocupação gratuita comigo me remete a essa possibilidade e me faz um bem danado. Eu começo a pensar que se consigo que pessoas tão distantes torçam por mim é porque cometi alguns acertos. Digo isso porque em algum lugar, acho que errei demais. Se não tivesse errado, minha vida não estaria uma bagunça, minha casa não estaria vazia, meu futuro não estaria incerto. Não faz sentido, eu sei, mas é um pensamento que não consigo evitar.

 

Eu estou bem, como expressa com perfeição esta canção do Pizzarelli. Eu acordo cedo e saio logo da cama. Sempre tenho algo a fazer de manhã, de maneira de estar às 7h a caminho de algum lugar. Tenho, invariavelmente, longos trajetos a pé. Levo a Dúnia para passear todos os dias e coloco roupinha para ela não passar frio à noite. Eu passo no correio, no banco, na farmácia, no supermercado, na biblioteca, na lavanderia, no posto de gasolina. No meio da manhã às vezes tomo um cappuccino numa padaria cara e de atendimento lento. Falo com todos os que encontro nos lugares, com qualquer um que me retribua o olhar. Eu chego no horário nos meus compromissos, ou mais cedo. Tenho sempre na bolsa um livro, que na verdade só é lido quando estou fora de casa. Nos dias de muito frio, passei quase todos como mesmo casaco e uma calça deliciosamente quente e confortável que eu fiz, mas não tenho me descuidado. Todo banho, pinto as unhas, arrumo o cabelo, me visto com o esmero. Combino os brincos com a roupa. Uso muito um cachecol vermelho e preto, muito fofinho, que me dá a sensação de abraço. Peguei para mim uma almofada de cachorro (fiz para vender) pelo mesmo motivo. Tenho aceitado todos os convites que posso, tenho ido para casa de amigos onde nunca estive, tenho entrado em contato com as pessoas. Fui assistir o jogo do Brasil numa casa cheia de gente, onde quase todos me eram completos estranhos. Fui a uma churrascaria. Fui no trabalho de um amigo de uma amiga, só porque era caminho.

 

Entre um compromisso e outro, eu me pego esquecida e até me divirto. Num dia vou no computador, ou começo a costurar, ou levo o cachorro pra passear, e aquilo me preenche e sinto que está tudo bem. Aí no dia seguinte nada disso, em que dose for, é capaz de tirar o peso. Sinto como se fosse uma bad trip. O processo chega e fico presa nele. Não há o que fazer enquanto dura. Já tentei rezar, já tentei pensar, já tentei me distrair. Parece que independe do que eu faça. Independe, até, do que acontece ao meu redor. Hoje passei quase o dia inteiro muito mal, achei que não conseguiria, que teria que pedir socorro pra alguém. Minha primeira noite sem ter ninguém me esperando depois do flamenco. Deixei as luzes acesas e foi só sair de casa e olhar pro céu que o peso passou. Pudera, foram umas doze horas. Quando cheguei, tão tarde, sorri para as luzes mesmo ciente de que fui eu quem as acendi. Melhor ainda: cheguei em casa faminta, e aproveitei para comer dois sanduíches. Tem sido raro eu sentir fome, tenho simplesmente esquecido de comer. Como porque me obrigo, porque está no horário. Se você soubesse o quanto sou gulosa, teria noção do absurdo. Minhas roupas estão todas grandes, sambando no corpo, caindo. Devo ter perdido uns três quilos, não tenho coragem de me pesar. Sei que meu rosto está uma caveirinha.

Mas eu não choro antes de dormir. O que tenho feito é viver os dias, um de cada vez, à espera.

Precisar não precisa

Comprar pela internet é uma experiência interessante. Há meses não sei mais o que é comprar roupa em loja, nem olho mais. Em compensação, o Ali Express faz mais sucesso do que o google no meu navegador. A única coisa que eu não compro pelo site é sapatos, mais por eles serem taxados quando chegam no Brasil do que por qualquer outra coisa.

 

Aí você precisa de peça específica, vê a roupa, quer tê-la. Vai mudar sua vida, será essencial no seu dia a dia, vocês se tornarão as melhores amigas. Espera ansiosamente os descontos ou o dia mais adequado do cartão e compra. Aí demora. Antes, minhas compras levavam pouco mais de um mês pra chegar; com o aumento do volume (o carteiro me disse que eles estão de “xing-ling” até o teto) e a greve dos correios no meio do caminho, agora tem levado uns três meses.

 

Três meses pra uma roupa que era essencial. Você não sai pra comprar outra porque, afinal, já comprou. Mas também não está usando. Quando a roupa finalmente chega, você nem lembra mais do porque de tanto furor. De lá pra cá, usou as roupas velhas sem o menor problema. Prova de que, no fundo, nem precisava.