Patada

Eu rejeito a idéia de que a intimidade acabe com a gentileza. Sim, ela faz com que tomemos mais liberdades, não sejamos tão polidos. Mas daí ser estúpido é uma história bem diferente. Quando neguinho vem de grosseria de graça, trabalho com as seguintes hipóteses:

Algum problema nosso

Eu não sou fã de DR, e mesmo pessoas que têm DR acabam não discutindo certos assuntos. Então, esse clima de que existe algo e não é dito, um evento que não foi perdoado nem conversado pode gerar uma vontade de agredir sem ter nenhum canal. Um belo dia o assunto vem mais ou menos à tona e a gente recebe uma patada.

Algum problema dele

Ninguém é perfeito e a felicidade alheia às vezes nos faz mal. Não precisa ser algo tão evidente quanto namorar a paixão da amiga; pode ser algo bem simbólico, como ter muitas oportunidades quando o outro está sem rumo ou ter questões bem resolvidas na área problemática do outro. Então só o fato de estar feliz faz o outro se sentir frustrado e a gente recebe uma patada.

Eu não “me dou ao respeito”

Dependendo de como e onde, eu passo a imagem de uma pessoa tranqüila, boazinha e disposta a ajudar. E tem gente que não pode ver muro em branco e quer pixar, não pode ver bunda e quer chutar. Pura e simplesmente porque ela está ali. Neguinho acha que quando a vida vai mal, é válido maltratar os outros porque amigo é pra essas coisas. Ou seja, o que a gente ganha em ser amigo dessa gente é patada.
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Um, dois, três, testando!

Assim que entrei no twitter tomei conhecimento do Gengibre. Me cadastrei e nunca usei. Deve ser porque acho minha voz chatinha. Aí esses dias li que o site pertence ao Cazé e me deu vontade. Como estou lendo Hamlet, peguei aquela famosa citação. Gravei quase 10 vezes, é difícil!

Não, essa não sou eu. Coloquei o video porque Som & Fúria foi tãããão legal, e a leitura de Hamlet idem. Agora sim, euzinha lendo.

http://www.gengibre.com.br/templates/cherryplus/flash/gengibre_fp.swf

Minha versão é mais complicada, de uma edição de mil novecentos e bolinha que pertenceu ao meu avô.

10 vantagens de ser anônimo

Não sei porque tanta gente se degladia para ficar famoso. Receber quilos de atenção requer toneladas de preocupação. Ser anônimo é mais fácil de ser e de manter. Abaixo, o ranking das 10 vantagens do Anonimus Way of Life.

10- Ninguém vai fazer tatuagem em sua homenagem.
Eu já acho que as pessoas fazem tatuagem de maneira irresponsável… fico imaginando a minha cara de tacho se alguém resolvesse fazer uma comigo. Quanto maior, pior. Isso sem falar nas tatuagens de rosto, que geralmente ficam ruins. Prefiro ser eternizada simbolicamente, uma coisa mais no coração, ok?

9- Você pode ir tranqüilamente para os lugares. Sempre.
Se você quiser sair de pijama para o quintal, pode. Se quiser correr de moleton, pode. Assistir pré-estréia em shopping lotado? Pode também. Tudo pode pra quem é anônimo. A não ser que você queira impressionar alguém em particular, não tem problema nenhum em sair pouco normal por aí. A obrigação de ser lindo e simpático o tempo todo deve ser um saco.

8- Ninguém vai te jogar na cara as besteiras que você disse há mais de 10 anos.
Teve uma época em que eu era vegetariana ardorosa, queria conhecer mestres e acreditava em ONGs. E não havia mal nenhum nessas crenças, porque combinavam com a minha vida e a minha idade. Mudei gradualmente de idéia e não doeu em ninguém. Seria um saco se me cobrassem por ter dito e não dizer mais.

Tomar pé na bunda é ruim, publicamente deve ser pior ainda. Não dá pra sair de casa com a cara inchada e nem ir pra uma festa esquecer. Pior ainda deve ser acompanhar as notícias do ex. Ler que ele saiu, foi pra balada, curtiu – “Fulana já é passado, Beltrano fica com uma morena”. Se a gente é anônimo, só fica sabendo essas coisas através dos amigos (da onça).

Feliz de quem nunca passou por uma crise ou nunca lutou contra o efeito sanfona. Não tenho minha versão rica por aí, porque não aconteceu. Sem dizer que eu vivi os anos 80, o que rende fotos ridículas a qualquer mortal. Infelizmente, não existe plástica e malhação que façam com que a gente fique com cara de 15 aos 30.

5- Ninguém vai fotografar as suas celulites ou cara de sono e publicar por aí.
Você vai fazer um programinha qualquer, batem foto sem autorização, pegam o pior ângulo e publicam. Aí todo mundo olhando aquilo que nem você sabia direito o que tinha. Vai ser chamada de baranga só por ser normal. É pra acabar com a pessoa.

4- Ninguém vai achar deplorável você fazer coisas que todo mundo faz.

Quem nunca falou mais alto, foi injusto, pagou mico, vomitou ou fez em público alguma coisa que não devia? Eu, comportada do jeito que sou, já fiz. E tenho que jurar que fiz, porque isto está registrado apenas na lembrança de alguns. Se quero pagar um mico, ninguém está nem aí pra gravar correndo e mandar pra alguém. Minha vergonha é minha, só minha.

3- Ninguém que odeia você vai ganhar publicidade por causa disso.
Vamos combinar que ninguém passa incólume pela vida, sem criar algum desafeto. Imagine que alguém que te deteste comece a contar um monte de coisas – sejam elas mentirosas ou verdadeiras de uma maneira maldosa – sobre você e receba destaque por isso. Que ódio.

2- Ninguém vai investigar o seu passado.
Pra situação, a gente se apresenta da maneira que acha mais conveniente. Seria péssimo não ter contrôle sobre as minhas próprias informações. O meu passado é meu, não diz respeito à ninguém. Eu ficaria enloquecida de ter minha vida discutida por quem não tem nada a ver comigo.

1- Ninguém vai ficar magoadinho ao descobrir que você não é da maneira como idealizam.
Fã deve ser legal, assim como deve ser um saco. É uma admiração que você não fez nada para ganhar; assim como deve ser fácil perder. Como corresponder à altura o afeto de um desconhecido, que acha que te conhece e ao mesmo tempo não sabe nada sobre você? Acho responsabilidade demais.

A falta que o 2 me faz

Numa madrugada qualquer, vi uma entrevista que mudou minha vida. Era com uma numeróloga – ela era meio antipática e indicou um site pessoal inútil. O tchã-nã-nãs foi quando o entrevistador perguntou que benefícios a numerologia trouxe a ela, além da profissão.

– Eu era uma pessoa muito impaciente, e sofria muito com o atraso das coisas. Eu sempre fui do tipo que a fila do lado anda mais rápido, os prazos expiram, tudo que podia atrasar sempre atrasava comigo. Com a numerologia descobri que isso é falta de 2 no nome, que faz com que as coisas atrasem justamente pra pessoa trabalhar esse aspecto da ansiedade.

Saí da TV e fui correndo calcular o meu nome. Batata: eu também não tenho o 2 no nome! Ahá, agora sim, TUDO SE ENCAIXA! Depois neguinho acha que eu sou louca. Veja só o que me aconteceu ontem: depois de suportar o atraso de meia hora no dentista, ele me perguntou se eu não tinha feito as radiografias. “Fiz sim, onde você mandou, há um mês”. Ligaram pro laboratório e descobriam que minhas radiografias foram parar em outro dentista chamado Marcos. “Você tem que apostar na Mega Sena, porque em todos esses anos de carreira, isso só tinha me acontecido uma vez”. Não é sorte não, doutor, é carma. É a falta que o 2 me faz*.
*O título é referência ao engraçadíssimo A falta que o Palm faz. Não deixem de ver/ ouvir!

Perfil

Ela fazia o tipo atenciosa e gentil. Conhecia todos pelo nome, estava sempre sorrindo e disposta a ajudar. Era verdadeiramente católica e não falava mal de ninguém. Tanto que chegou a ir num congresso e não nos contou que alguém tinha comido alguém em pleno alojamento. Era daquele tipo de extrovertido que ignora qualquer clima ruim no intuito de fazer novos amigos. Estava sempre colocando desconhecidos na conversa; não podia ver alguém no cantinho sem ir trazer pra perto. Em qualquer tempo – e aqui faz mais chuva do que sol – ela era sempre uma boa pessoa.

Se hoje eu não tenho muito traquejo social, imagine antes. Sabia o nome de umas dez pessoas na faculdade inteira, porque o resto não me interessava. Era mais fácil me ouvir rosnar do que dizer bom dia quando meu dia não estava bom. Dizia com todas as letras que odiava cheiro de cigarro, sendo que a maioria dos meus colegas era fumante. Assistia às aulas e ia embora. Tinha fama de inteligente, mas só ia bem nas matérias interessantes. Quando achava a aula uma perda de tempo, levava um livro. Em resumo, eu era um bicho antisocial.

Minha amiga nunca entendeu como eu podia ter amigos sinceros, admiradores e até mesmo um bom conceito; sendo que ela às vezes era chamada de sonsa. Pra falar a verdade, nem eu entendia. Só há pouco tempo percebi que, ao se colocar como uma pessoa difícil, a gente transforma nossa amizade num prêmio. Sempre penso nisso quando leio os comentários mau humorados do @cardoso.

Últimos livros

Tenho sentido dificuldade de escrever aqui. Ironicamente, acho que um dos motivos é que eu tenho lido muito. Como se eu estivesse gastando minhas histórias com o vocabulário (e imaginação) alheios. Peguei quase ao mesmo tempo, todos na biblioteca:

Um certo capitão Rodrigo

Foi engraçado, porque me dirigi diretamente ao catálogo e antes que pudesse folhear, me perguntaram que livro eu queria. Pedi Érico Veríssimo e ouvi que os livros ficavam ali, “mas apenas o mais antigos, porque os novos estão entre os mais lidos”. Estranhei tanta popularidade, pensei que fosse por causa de algum vestibular. Quando vi, tinha sido levada à estante de Luís Fernando Veríssimo.

Resolvi dar uma nova chance ao Érico por causa deste post. A edição que emprestei tinha uma introdução interessante sobre o ato de escrever, numa hipotética conversa do autor consigo mesmo de épocas diferentes (um recurso que o próprio Milton também gosta muito de usar). Lembrei bastante do Crônica de uma morte anunciada, por ser um livro que a gente não se pergunta o quê e sim como acontece o fim. Achei o Capitão apaixonante e fiquei com aquele gostinho de quero mais para ler O Tempo e o Vento.

Budapeste

Terminei agora há pouco. Outro que peguei motivada por um post do Milton. Lia um capítulo e parava. É uma leitura que absorvente e depois eu precisava de um pouco de ar. Com relação à forma e construção da narrativa, é genial – o que me desanima bastante com a adaptação dele em filme. Certos livros têm na maneira de descrever a sua beleza, não tem jeito. Basta pensar no crime que A insustentável leveza do ser fez com o livro.

Sobre a história, ela gira toda sobre o tema do duplo – uma vida dupla, uma cultura dupla, o que é ser o duplo do outro. Fiquei bastante mexida com a questão da obra, do reconhecimento, da questão autoral. Acho que todo artista já se sentiu meio ghost writer. Lembro de David Shayne, em Tiros na Broadway, angustiado com a questão: a quem você ama, a mim ou à minha obra?

Xamã, a história de um médico do século XIX

Eu peguei e quase não peguei. Me proponho a ler autores de best seller e ao mesmo tempo os rejeito. Não sabia que era parte de uma trilogia, que começa com O Físico. É um bom livro mesmo. Sem inovações mas com uma história bem feitinha e envolvente. Fiquei com a impressão de que todas as gerações da trilogia se debatem com as mesmas questões: o desejo de fazer o que é correto, que obriga o sujeito a entrar em conflito com a sociedade. Tenho o meu lado Birobidjan e me identifiquei. Não consegui terminar o livro porque quando fui à biblioteca renovar, tinha esquecido a carteirinha dentro do Budapeste. Mas terminarei assim que esbarrar nele de volta.

Bigodim feminino

Parece que tem homem que curte pêlo em tudo quanto é lugar, de pernas ao sovaco, passando por você-sabe-onde. Mas o que eu realmente nunca tive notícia foi de homem curtir mulher de bigodinho. O que pra gente são só alguns pêlos pretinhos, pra eles é o fim do mundo. Descobri isso praticamente no mesmo dia. Foi assim:

Eu estava andando com um amigo meu, e ele resolveu passar num posto de gasolina perto da casa dele para comprar umas balas. Na hora de pagar, a menina do caixa praticamente jogou o troco na cara dele. Quando saímos, ele me contou que ela era uma ex-ficante. Ele passou muito tempo dando em cima, até ela ceder. Só que quando eles ficaram, ele reparou “que ela tinha uns pelinhos pretos no canto dos lábios, que chegavam até a encostar a bordinha da boca”. Ele não conseguia se livrar daquela imagem e não a procurou mais. Achei a história engraçada, e quando comentei com o meu irmão sobre os pelinhos pretos em cima do lábio, ele falou ” Pára de falar isso porque eu estou ficando enjoado. Ele teve toda razão de não ficar mais com ela. Que nojo, não sei nem como ele foi capaz de beijar alguém assim”.

Ou seja, os homens têm uma reação exagerada em relação a esses pêlos. Mesmo mulheres com poucos pêlos podem sofrer desse mal, especialmente se quiserem adotar um visual branquelo. Digo isso porque quis morrer, virar pó e sumir no dia em que o Luiz se queixou de um pelinho meu. Por outro lado, não sei o que fazer quando noto alguma amiga assim. Pior: não é incomum a amiga comentar que tem esses pelinhos A não ser que você seja feminista contra imagem-corporal-irreal-machista-opressora, meu conselho é: se você acha que tem uns pelinhos, é porque tem buço. Depile. Cêra quente, alguns minutinhos na cozinha e você será outra. Quem sabe vá pro lixo a única coisa que te mantém encalhada.

Trajeto

Eu não gostaria de me teletransportar para os lugares. Sou contra parar de andar de ônibus, parar de caminhar pelas ruas. Gosto do ritual de colocar o braço pra fora da janela e tentar adivinhar o clima do dia inteiro, por mais que isso me faça errar a roupa muitas vezes. No ônibus, faz parte olhar as pessoas e pensar enquanto a paisagem muda lá fora. Melhor do que acelerar o passo, só o prazer de desacelerar quando está sobrando tempo. Conversas soltas costumam ser das mais interessantes, com pessoas que nunca saberemos quem são. Centenas de vidas, de histórias e contingências unidas por um trajeto e um horário. Será que um dia elas se cruzarão? O futuro grande amor pode estar atravessando a rua naquele mesmo instante.

É preciso andar pelas ruas, se perder por elas, descobrir outros mundos há poucas quadras de onde a gente sempre anda. Nelas a gente aprende a avaliar mais as expressões do que roupas na hora de pedir ajuda. Ou nós viramos a ajuda, de caminhos a histórias tristes. Há o velho dilema de dar esmolas ou não – por mais que eu tente padronizar um comportamento, a cada pedido eu sinto uma coisa diferente. Quem vê o mundo através do vidro – por ser rico ou protegido demais – não sabe de tudo isso. Nas épocas boas, o trajeto é uma antecipação da felicidade, é o prazer de estar vivo. Quando o lugar de chegada e de saída são ruins, o trajeto é a única coisa que nos mantém.

Filme com lobos

Uma senhora me contou que um dos seus filhos teve uma locadora. Um dia, ele comentou que tinha chegado um filme muito bom com o Kevin Costner, e ela deveria passar na locadora e pegar. Ela passou lá e o filho não estava. Falou com o funcionário:

– Olá, vim pegar um filme que meu filho me recomendou, ele disse que é muito bom. Mas eu não lembro o nome. Só sei que era alguma coisa com lobos; uma tal de transa com lobos, alguma coisa assim.

O funcionário lhe entregou uma fita. Ela voltou para casa e começou a assistir. Disse que o filme começava com dois homens vindo do horizonte, montados a cavalo. Eram fortes e um deles era um moreno barbudo (“bem másculo”). Depois de cavalgarem bastante, eles pararam e tiraram a parte de cima da roupa (“Na certa estavam com calor, depois de cavalgar tanto”). Ambos eram fortes e estavam suados. Trocaram algumas palavras, começam a se olhar (“de um jeito meio estranho”), e deram beijaço na boca.

Nesse instante o filho dela invadiu a sala, furioso. Disse que ela fazia ele passar vergonha diante dos próprios funcionários. Que todos estavam comentando o filme que a mãe dele tinha acabado de levar. Ele levou a fita e ela nunca mais soube o qual era o lance com lobos…

Compilação de músicas dos anos 80

Senti um aperto no peito, fora de brincadeira. Ouvir essas músicas foi como estar de novo na parte de baixo do beliche, de madrugada, com fone de ouvido do walkman plugado no meu micro system supermoderno – ele tinha 2 caixas de som destacáveis, com um longo fio de quase 1 metro enrolado atrás – ouvindo a Rádio Ouro Verde FM Easy. Perto da meia noite, eles escolhiam uma música pra traduzir.
Essa foi só a primeira parte. Tem a parte 2, 3 e 4.

Fala na cara

Eu me achava direta e fã de pessoas diretas. Achava que com aquelas muito diplomáticas, a gente nunca sabe direito onde está pisando. Que diplomacia era apenas um eufemismo para falsidade. Aquela pessoa que dissesse que é do tipo que fala na cara conquistava a minha confiança automaticamente. Hoje sou a favor do WD-40, do KY, do Bob Esponja e tudo que torna a vida mais fácil. O falar na cara me soa mais como um prazer sádico. Pra exemplificar o que quero dizer, senta que lá vem a história:

Estudei em colégio estadual da 8º série ao 3º ano. No mesmo ano em que entrei, entrou a Ana. Acho que estudamos 4 anos juntas, conversamos algumas vezes, mas não chegamos a ser amigonas. Mesmo porque, ser muito amiga da Ana teria sido perigoso pra mim. Ela tinha vindo de algum lugar, algum interior. Um dia ela virou comentário por estar com a perna peluda; noutro, porque falou sobre sexo de maneira séria. Era como se ela tivesse vindo de outro planeta; ela era diferente e na adolescência ser diferente é sempre ruim.

No extremo oposto estava a Elaine. Acho que a minha amizade com a Elaine surgiu do simples fato de termos que formar fila por ordem alfabética. Ela tinha o cabelo colorido, batom colorido e era extrovertida. Eu admirava sua espontaneidade. Graças à popularidade da Elaine, eu fiquei sabendo que os meninos do colégio fizeram uma votação secreta pra escolher a Menina Mais Bonita – de cada turma, de cada ano e do colégio inteiro. Como uma coisa leva à outra, pouco tempo depois surgiu outra votação, desta vez da Menina Mais Feia.
Estávamos no recreio, numa turminha. Ana se aproximou e a Elaine disse para ela:
– Ana, você sabia que os meninos fizeram uma votação da Menina Mais Feia do colégio?
– Sabia sim.
– (rindo) Você tirou primeiro lugar!
Ana disse algo e se afastou. Eu sei que isso acabou com ela, porque ela faltou a aula no dia seguinte. Assim como acabou o que eu sentia pela Elaine:
– Por que você disse isso pra ela!?
– Porque é verdade, ela precisava saber.
– Não, ela não precisava!
Minha teoria é que, quem gosta de dizer as coisas na cara, gosta mesmo é de ver a cara dos outros desmanchar.

Homens – manual de instruções da Polaquinha

Aviso: Se você quer ler A Polaquinha, não sabe e quer continuar sem saber o que acontece no livro, esqueça este post.
Faz muitos anos que eu li o conto A Polaquinha (1985) de Dalton Trevisan, o clássico autor antisocial curitibano (foi um pleonasmo, eu sei). Hoje Dalton Trevisan seria acusado de preconceito e provalmente não teria conseguido publicar um conto com esse nome. Ouvi dizer que há muitos anos atrás o termo polaquinha tinha uma conotação negativa, a mesma dada no livro. De qualquer maneira, a história é o seguinte: depois de algumas experiências, a jovem Polaquinha vira prostituta. Quando ingressa no ofício, sua cafetina lhe ensina as frases básicas para lidar com os clientes. Essencialmente, as frases mágicas são:

Você é o primeiro – do dia, no caso. Mesmo com prostitutas, os homens gostam de pensar que são exclusivos.

Nunca fiz nessa posição. Foi você que inventou? – uma tática clássica. Lembra daquelas meninas fofinhas que conquistavam todos os meninos se fazendo de frágeis, enquanto perto delas você parecia uma caminhoneira? Mesma coisa.

Uau, como é grande! – dispensa explicações.

Espetáculo do Curso Oficina Mix – Joinville 2009

Ueba, olha só o que eu achei! Nos primeiros minutos, eu apareço várias vezes mas nem minha mãe me encontraria sem ajuda: eu estou com um boá vermelho no canto esquerdo na coreografia Broadway, passo correndo com uma bandeira amarela, fico em fila vestida de marinheira, na hora do círculo com os braços estou à direita e sou das primeiras a sair e depois ajudo a empurrar a escada. No resto do video eu não apareço porque estou cantando nas pontas ou dançando na platéia.

É isso. Deu pra matar um pouco a curiosidade?

Offtopic: No início do video toca o instrumental da música oficial do Festival de Dança de Joinville. É uma música detestavelmente grudenta e brega. Passei 10 dias ouvindo isso em todos os lugares e não consigo evitar de cantar o refrão “pra dançar, dançar, dançar e ser feliz/ Festival de emoções do meu país!”. Eu a odeio tanto que às vezes acho que a amo!

Jeitinho doce (de comer)

Eu fiquei totalmente estupefacta quando descobri que meus irmãos mais novos furavam o Babaloo pra chupar o recheio antes de colocar na boca. Isso torna o Babaloo um chiclete comum. Assim como o modo certo de comer bolacha recheada é separando as faces, pra comer uma com recheio e outra sem. Uma vez meu espírito investigativo me levou a separar todos os recheios numa grande bola. Não façam sem a supervisão de um guloso! Como tudo na vida, até pra comer doce existem algumas controvérsias: o Bis deve ter o waffer separado ou a embalagem desenrolada até a metade? O bombom deve ter a tampinha retirada ou só mordido? O Ferreiro Rocher deve explodir nos dentes ou ser apertado com a língua?

Aprendi em Salvador, ainda no pré-primário, a importância do jeito certo de comer. As pessoas mais antigas no mundo sem dúvida lembram que o Chokito tinha um papelão por debaixo do chocolate, o que deixava a embalagem mais durinha. Um dia eu estava na escola e pedi uma mordida do Chokito de uma colega:

– Me dá uma mordida?
– Tudo bem, mas você vai ter que comer o papel.
– Pra quê?
– Porque o chocolate vem com esse papel embaixo pra comer.
– Mas eu não quero comer o papel!
– Se você não comer, depois vai sobrar mais papel pra mim.

Diante de um argumento tão lógico, eu mordi os dois. E a menina ficou me olhando, pra se certificar de que eu não ia cuspir o papelão fora.