Pensamentos estranhos

* Em dias frios, quando eu passo por um outdoor e uma pessoa está com pouca roupa (lingerie, biquini, shortinho), meu primeiro pensamento é algo como “Ela deve estar com frio”. Depois eu me corrijo “Quando a foto foi tirada, não estava frio”.

* Nas madrugadas de muita chuva, eu acordo preocupada se naquele momento as pessoas estão ficando desabrigadas.

* Quando eu ouço o termo “maior banda do mundo”, sempre imagino um palco cheio de gente, com centenas de cantores, guitarristas, baixistas…

* Eu me preocupo que certos produtos supérfluos essenciais do nosso dia a dia deixariam de existir em caso de guerra/ fim do capitalismo/ invasão alienígena: “Eu sentiria falta do sabão de PH neutro pra lavar o rosto antes de dormir” ou “Como daria banho na Dúnia sem as petshops?”

* Quando vejo Lost ou qualquer filme com pessoas-perdidas-no-meio-do-nada, na hora do beijo eu sempre penso que os dois devem estar com um baita mau hálito. Deve ser por isso que as pessoas não se beijavam muito na ilha de Lost.

* Quando estou vendo um filme sem áudio mas com legenda, fico traduzindo as legendas em português para o meu (limitadíssimo) inglês.
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A mente masculina

Resolvi reunir aqui tudo o que meus anos de experiência, as histórias que passei, que ouvi e que li (dentre elas o blog do Cafa) neste tópico sobre a mente masculina. Será ao mesmo tempo óbvio e esclarecedor. Para as muitas leitoras que chegam a este blog querendo saber de que diabos os homens gostam, enjoy.

Os homens classificam as mulheres em duas categorias muito simples: as sérias e as dadeiras. As sérias são aquelas que têm um alto conceito e às vezes nem ficam sabendo. Porque o homem pode não estar preparado/a fim de ter um relacionamento sério, então não chegam nem perto delas. As dadeiras têm um conceito péssimo e teoricamente não merecem respeito. Ao mesmo tempo, eles estão sempre atrás delas porque querem muito receber o que elas estariam distribuindo.

Reza a lenda que os homens conseguem distinguir entre um e outro tipo nos primeiros minutos de conversa. Uma mulher classificada como séria pode futuramente cair pra categoria dadeira; já uma dadeira ser promovida a séria é tão raro quanto gringo casar com prostituta e levar pra fora do país. É aí que as coisas se complicam para nós, mulheres. Mulheres não conseguem ser tão inflexíveis. À medida em que o tempo passa, um homem sem chances pode subir no conceito – é feio mas é legal, é ciumento mas é companheiro, usa mocassim de bolinha sem meia mas… (não consegui pensar em algo pra compensar isso). Já com os homens, isso nunca acontece. Se com o tempo a dadeira se mostra legal, no máximo ele nota que ela tem qualidades – dadeira legal, dadeira com bom gosto musical, dadeira inteligente – mas isso não significa que ele a levará à serio.

Depois de tanto amor livre, anticoncepcionais, AIDS e Paulo Coelho as coisas não mudaram? Parece que não. Tudo isso é extremamente machista. Se você, homem, leu e achou tudo uma besteira, que não acontece, que já se apaixonou e assumiu uma moça bem liberal, por favor comente. Nossa fé na humanidade espera para ser restituída.

Michael Jackson

Minha primeira reação foi achar que era brincadeira. Eu sempre me perguntei até que ponto foi justo ele ser banido do jeito que foi. Aí a gente começa a pensar no que é pedofilia… e começa a achar que foi sim. Não sei. O fato é que é inevitável gostar das músicas de Michael Jackson. Pra quem viveu os anos 80, então!

Michael Jackson – You Are Not Alone
http://www.mp3tube.net/play.swf?id=5f542797c6a7699812cc3a6ea1d66a1a

(Desculpem tantas edições para um mesmo post. É que não conseguia decidir que música colocar!)

Dia de São João

Aqui em Curitiba, ninguém liga pra isso. Ninguém sabe que dia 13 de junho é dia de Santo Antônio (e meu aniversário), dia 24 é dia de São João e dia 29 é dia de São Pedro e São Paulo (e aniversário do meu irmão). Ninguém sabe que esses dias são os mais importantes no calendário de festas. Aqui não se tira férias em junho, crianças não brincam com buscapé e não tem festas noite afora. Aqui ninguém sabe que junho é um mês todinho festivo, pra todas as idades. Aqui só tem umas festinhas sem sal que as escolas organizam. E antes chegavam ao cúmulo de tornar isso uma festa julina.

Minha época de festas juninas de verdade é tão recuada que eu era quase uma criança de colo. Mas ficou pra sempre a lembrança de um período alegre e luminoso. A única coisa que presta no São João curitibano é o pinhão.

Me empreste, eu preciso, eu quero

Uma dessas pessoas que faz pós sabe-lá-deus-porquê me procurou. Essa psicóloga (ops!) cismou que eu deveria ajudá-la fornecendo livros, já que ela precisa de material ligado às ciências sociais. Na primeira vez, ela me abordou perguntando “que livros de Antropologia eu tenho”. Eu disse que nenhum (só xerox), o único livro de Antropologia da casa é O Crisântemo e a Espada do Luiz. Em tom de quem não acreditou no que eu disse, ela ressaltou o quando está precisando de ajuda – porque não tem tempo, não sabe lidar com o computador, não sabe fazer referência bibliográfica, porque não consegue bibliografia e outras queixas do mesmo nível. Dentro do que ela estava precisando dizer no trabalho, recomendei O Normal e o Patológico, de Canguilhem.

Outro dia, fui abordada da seguinte maneira:

Me empreste o livro sobre cultura da Ruth Benedict. Aquele que tem cultura no título, não sei o quê de Cultura.

(explicação sobre não possuir esse livro porque não era uma autora relevante para mim. Aliás, nem para qualquer trabalho de Antropologia escrito nas últimas décadas)

Eu preciso do livro para o meu trabalho. Eu pesquisei e esse livro tem o que eu quero. Eu não vou comprar porque já gastei muito dinheiro no Canguilhem e não posso gastar* com mais um. Sem falar que o Canguilhem é muito profundo e difícil de usar.

– Faça o seguinte, então: vá na Biblioteca da UFPR e procure o livro lá. Aí você seleciona as partes que precisa e xeroca.

(cara de quem não gostou)
Ser legal dá nisso, neguinho acha que está escrito Idiota na minha testa.
* viajar pro exterior todo ano é muito caro.

Sex and the city – o livro

Como gosto de ler e gostei da série Sex and the City, meu irmão me deu o livro de presente de aniversário. Antes da página 20, já estava à procura da etiqueta de troca. Na série elas estão sempre cercadas de marcas e lugares badalados, mas no livro a ênfase é diferente. Elas são essas marcas e lugares. No livro tudo gira em torno de locais e status. Para a autora, Nova York gerou mulheres tão ricas, independentes e consumistas, que elas estão condenadas a serem solteiras. Até aí vá lá. O que me irritou é a glamurização da vida cercada de drogas, dinheiro e sexo casual.

Depois do chá-de-panela, e depois de dar um telefonema ao novo namorado, Mr. Big, Carrie foi ao Bowery Bar. Samantha Jones, a produtora de filmes quarentona, estava lá. A melhor amiga de Carrie. Às vezes.

Como não tinha etiqueta de troca (meu irmão tem essa péssima mania), continuei lendo. Aí vi que não era nada disso, o livro traça um retrato sincero do estilo de vida dessas pessoas. E sabemos que a sinceridade é a coisa mais cruel que existe.

– Já estamos de saída – disse Samantha – Vamos precisar encontrar um novo programa.

E encontraram. O Baby Dolls Lounge. Boate de strip-tease em TriBeCa. Não houve jeito de fazer Barkley sair do pé de Samantha, portanto o deixaram ir junto. Além disso, ele tinha maconha. Fumaram no taxi, e quando saíram no Baby Doll Lounge, Sam agarrou o braço de Carrie (Sam quase nunca fazia isso) e disse:

– Eu realmente quero saber como vai seu romance com Mr. Big. Não sei se ele é o homem certo para você.

Carrie precisou pensar se queria responder ou não, porque sempre pintava esse clima entre ela e Sam. Logo quando ela estava feliz com um homem, Sam vinha com essas dúvidas como se enfiasse um pé-de-cabra entre dois pedaços de madeira. Ela disse:

– Sei lá, acho que sou louca por ele.

Sam replicou:

– Mas ele realmente te valoriza? Sabe o valor que eu sei que você tem?

Carrie pensou: “Algum dia a Sam e eu vamos dormir com o mesmo homem, as duas juntas, mas não hoje”.

Sim, as personagens são bem diferentes no livro. O livro é uma mistura de histórias e pessoas, não está centrado na figura das quatro amigas. Na série misturaram profissões, reuniram histórias, retiraram o excesso de drogas. Pasmem, até mesmo o sexo – casual, bissexual, grupal, e várias coisas pra qual nem existem termos – foi retirado. Ou seja, as amigas que amamos e nos identificamos não tem nada a ver com as personagens do livro.

-Somos todos umas porras de uns gênios – disse Carrie. E seguiu para o banheiro. Foi preciso passar por uma minúscula fresta entre dois palcos e depois descer um lance de escadas. O banheiro tinha uma porta de madeira cinza que não fechava direito e azulejos quebrados. Ela pensou em Greenwich. Casamento. Filhos.
Ainda não estou pronta, pensou.
Subiu as escadas, tirou as roupas, subiu no palco e começou a dançar. Samantha a olhava fixamente, rindo, mas quando a garçonete se aproximou e educadamente lhe disse para descer, Sam havia parado de rir.

As personagens tem um certo ar de auto-destruição. Eu, que sempre fui responsável até demais, não tenho empatia por elas. Em meio a tudo isso, Mr. Big parece ser o mais sensato. O que explica o porquê de sua relação com a Carrie não engrenar nunca.

No dia seguinte, Mr. Big ligou às 8 horas. Ia jogar golfe. Parecia tenso.

– A que horas você chegou em casa? – perguntou ele – Aonde você foi?

– Não cheguei muito tarde. – disse ela – Fui ao Bowery. Depois a um outro lugar. O Baby Doll Lounge.

– Ah, é? Fez alguma coisa diferente por lá?

– Não, acho que não – disse Carrie, fazendo aquela vozinha infantil que usava quando queria amansá-lo. – E você?
– Recebi um telefonema hoje de manhã – disse ele – Alguém me disse que te viram dançando sem blusa no Baby Doll Lounge.
– Ah, foi? – disse ela – Como sabiam que era eu?

– Sabiam.
– Está zangado?
– Por que não me disse? – indagou ele.
– Está zangado?

– Estou zangado por não ter me contado. Como é que pode não ser sincera com alguém que esteja namorando?
– Mas como é que eu sei se posso confiar em você? – indagou ela.
– Acredite, eu sou o único cara em quem pode confiar.

E desligou.
(pág 118 – 120)

Um minutinho da sua atenção

Escrever em blog é isso, pedir um minutinho só de atenção. Um texto curto, uma idéia banal, nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou mudar a vida de ninguém. Até colocar o Google Analytics (dica da Anne), eu jurava que só meia dúzia de amigos passavam por aqui. Só depois descobri que a grande maioria é silenciosa. Quando ultrapassei pela primeira vez a marca dos 100 leitores, achava que era sorte, um fenômeno temporário. Mas isso tem se repetido. São vocês!

Obrigada pela sua atenção, querido leitor!

Meninas

Quando o pessoal do twitter começou a comentar que era o fim do mundo Crepúsculo ter levado o MTV-MA de melhor filme, logo pensei que as meninas que fazem ballet comigo estavam vibrando naquele momento. E estavam mesmo. Afinal, foi através delas que eu descobri que a série do Crepúsculo é a nova moda dos adolescentes, e que fala de vampiros românticos. Descobri que os vampiros as deixam atentas aos sites de fofoca, wallpapers no celular e downloads dos livros em inglês – coisas que a gente nem sonhava na minha época. Em compensação, a revista ainda é Capricho.

Eu lembro de ter ouvido na minha adolescência que todas as adolescentes eram lindas. Claro que eu não acreditava em nada disso e me achava horrível. Claro que se eu dissesse isso a elas, elas não acreditariam porque se acham horríveis. Mas elas são todas lindas. A pele, o corpo, o sorriso, o jeito que uma menina tem nessa idade é único. Por mais bonita e conservada que uma mulher seja, ela nunca parece ter voltado aos 15 anos.

Eu tenho idade pra ser mãe delas – e nem precisaria ter engravidado na infância pra isso. Não adianta tentar disfarçar, não adianta tentar me comparar. Fora o ballet, as únicas coisas que posso dividir com elas são lembranças. Pra uma época em que cada ano faz toda diferença, eu sou da distante vida adulta. Elas ainda não sabem que insegurança não tem idade. Perto delas eu sinto cada um dos meus 32 anos de experiência.

Conviver com meninas gera um sentimento estranho: me sinto velha com elas e menina com a minha geração.

Eu não nasci pra ser popular

Antes eu tinha a ilusão de que para ser popular a pessoa deveria ter um charme e uma conversa mais mais do que os outros. Eu achava que era por isso que meu irmão era popular e eu não. Mas estava olhando a questão de uma maneira simplista – ser muito bacana ajuda, mas a essência do popularidade está muito mais na energia que você dispende com os outros. Se a amizade é uma planta que precisa ser regada, somente profissionais conseguem ter um jardim muito grande. Ser popular exige atenção e cuidado constante.

Os Blogueiros Curitibanos, por exemplo. Seria uma ótima oportunidade para me tornar popular. Gente jovem, disponível e simpática que faz questão de convidar publicamente quem está on. Além de se reunirem religiosamente em frente ao Bob´s do Estação às 19h nas sextas, estão sempre indo a cinemas, bares, programas culturais. Se quisesse fazer muitos amigos de uma vez, era só ir lá. E quem disse que eu vou? Fico com preguiça porque está frio, porque está de noite, porque não estou com humor. Aí percebo que na realidade eu não tenho a menor vontade de conhecer novas pessoas. Que o fato de vivermos na mesma cidade e termos blogs não faz com que eu me sinta parte deles. O que me leva a concluir que entre a humanidade e meu casulo, tenho preferido o último – que, dentre outras vantagens, não tem cheiro de cigarro.

Como estar sempre cercado de pessoas sem querer pular em cima do pescoço delas? Porque pessoas são assim: invadem espaços, sentem ciúmes, disputam por migalhas, projetam sentimentos, enfrentam ruídos na comunicação o tempo todo. Pessoas populares fazem vista grossa ou não percebem o que se passa ao redor? Nem uma coisa nem outra: quem realmente gosta de gente, se sente vivo em meio a essas coisas. Em ser colocado na arena, ser solicitado em questões que nem deveriam lhe dizer respeito, a constante exposição, ser ferido e retaliar, o espaço íntimo reduzido. É um jogo político, uma conquista de territórios. Às vezes ser popular é como jogar War.

Popularidade dá trabalho. E eu sou uma pessoa preguiçosa.

Segurar as pontas

Segurar as pontas, agüentar a barra, engolir seco. É a coisa mais simples e mais difícil de se fazer. Teoricamente, basta sentar e esperar que o tempo deixe as coisas assentarem e a dor diminuir. E quem é capaz de ficar quieto no seu canto quando está com dor? A gente é traído, chifrado, humilhado, passado para trás, enganado e é muito duro voltar pra casa e encarar que o prejuízo sozinho. Sempre penso no caso da menina Eloá: se o ex-namorado tivesse se conformado em deixar passar, duvido que em algumas semanas ele já não teria esquecido dela. Mas não, ela tinha que pagar por ele estar sofrendo e deu no que deu. Isso separa normais dos psicopatas: eles não deixam barato.

Quase ninguém mata quando está com dor. O mesmo não se pode com relação a cair matando em um monte de comida. Ou dar pro primeiro que aparece. Como sofrer sem acabar a saúde, auto-estima, conta bancária, amizades e tudo o que importa? Corre-se o risco de cair no ciclo das cagadas sucessivas. Dizem que tem a ver com maturidade, educação, inteligência emocional. Eu não sei ao certo. Seja lá o que for, quem consegue segurar sua própria dor tende – ironicamente – a ser mais feliz do que quem não consegue.

12 de junho

Hoje é dia dos namorados. Pra quem tem companhia, é uma data feliz. Pra quem não tem, às vezes serve apenas pra gente se sentir o último dos mortais, o sozinho, o encalhado. Por causa disso, reservei esse video fofinho pra hoje. Como disse o @alessandro_m quando o recomendou, duvido que você não dê um sorrisinho:

Encontro no São Braz

Eu não tinha nem 18 anos e estava voltando da faculdade. Era uma tarde agradável e eu estava sentada no fundo do ônibus, quase vazio. Quando o ônibus estava próximo do meu ponto, um senhor falou para a mulher que estava ao lado dele:

– Olha só esses prédios. Essa região aqui é muito chique, só gente rica vive aqui.

Pouco depois, eu me levantei e apertei a campainha pra descer. Quando ia para a porta, quis olhar para o homem que me chamou de rica; e ele também quis ver a rica e nossos olhares se cruzaram. Eu era apenas uma menina e ele um homem de mãos calejadas. Ele devia ter mulher, filhos e talvez netos, enquanto eu cursava uma faculdade disputada. O trabalho dele era pesado e mal remunerado, do tipo de recebe ordens de universitários como eu. Adivinhei que ele deve ter começado a trabalhar cedo, pra ajudar a pagar as contas, e seus filhos também. Poderia contar que aqueles anos foram difíceis pra minha família… – mas seja lá o que eu passei, não era nada estranho ao que ele mesmo já havia vivido. Se um de nós tinha mais méritos para viver num lugar legal, esse alguém não era eu.

Então eu senti vergonha.

Confraria dos Mestres

Gênios. Pessoas estudiosas, que entendem tudo sobre a área. Que passam o dia lendo e adoram. Que possuem uma visão superior, teóricos natos sobre o assunto. É assim que os que fazem mestrado parecem àqueles que nunca chegaram perto. Como pessoa que já fez, eu posso garantir: sim, existe esse tipo de gente. Mas eles não chegam à 2% dos alunos. Nem todo gênio se dá ao trabalho de fazer mestrado e quase nenhum mestre é gênio.

A grande maioria dos alunos de mestrado é formada de pessoas comuns. Geralmente elas já tinham algum vínculo com a faculdade; já sabiam o que escrever no projeto pra agradar a um determinado professor. Às vezes nem precisam disso, porque o próprio professor as procura com a idéia pronta. Tem também profissionais com anos de experiência e que trazem importantes questões. Uma massa cada vez maior de recém-formados que vêem no mestrado uma forma de fugir do desemprego. Em todos os grupos, gente que nunca gostou de estudar mas está lá unica e exclusivamente pra ficar com um curriculum melhor.

No meio do caminho, muitas coisas acontecem. Tem os que casam, que mudam de área, que ficam com horários ruins por causa do emprego, que desistem, que se decepcionam, que empurram com a barriga, etc. Isso sem falar em problemas com orientador, dificuldade em escrever, escrever algo vergonhosamente ruim, pagar alguém para escrever – porque tem gente que entra sem disposição pra se esforçar e segue até o fim no seu propósito. No fim das contas, o título de mestre de todas as tribos fica iguaizinho.

Quando ganham o título, todos gostam de fingir que mestrado é sinônimo de genialidade.