Limpezas

Os livros de Feng Shui aprovam, os de decoração de ambientes também. Há os que dizem que emagrece, limpa a alma, treina o desapêgo. Enfim, todos aprovam. Quanto a mim, posso dizer que é quase como uma coceira. Peguei o hábito com a minha mãe, mas confesso que sou muito mais do que ela. Estou sempre fazendo limpezas.

Diminuí minha lista no orkut, que hoje tem 29 amigos (deveria ter 31, se a Darlene e o Carlos não tivessem se orkuticidado :X). Minha lista no msn tem 18 – em pouco tempo terá 17, pois estou prestes a apagar um certo viciado em Lost que nunca entra… Na minha casa, com as minhas roupas, com as minhas coisas também é assim. É só parar de usar alguns meses que começo a doar, jogar fora, dar para alguém que goste, me livrar. A única coisa que eu realmente não me desfaço é de livro. Adoro livros. Adoro meus livros.

Até hoje, nenhum ex membro das minhas friendlists reclamou. Alguns tem milhares de pessoas na lista – se eles notarem que alguém sumiu, nem saberão que sou eu. Outros, devem investigar e perceber que foram embora numa chacina geral, que não foi nada personalizado. Outros devem se ofender – acho.

Com muito contragosto tinha adicionado a professora de yoga da academia. Ela não gostava quando eu (raramente) ia nas aulas, mal falava comigo e tudo mais. Alguém me explica com que finalidade essa criatura foi no meu orkut e me adicionou? Hoje nos encontramos na recepção e ela não respondeu ao meu “oi meninas”. Ou seja, talvez nosso relacionamento tenha diminuído de “oi” para ___.

Como dizem os livros de Feng Shui, decoração, organização e tudo mais: fazer limpezas periódicas têm inúmeras vantagens.

PS: Não esqueci da foto da Dúnia. Estamos com problemas com a bateria da maquina fotográfica. Assim que der, coloco a foto da minha neguinha aqui. :o)

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… E a Jo-Aninha se foi

Quando a Flávia implodiu o blog dela, eu perguntei o por quê e ela me disse que estava ocupada e que não tinha o que dizer. Eu respondi – fala disso mesmo, de não ter o que dizer, de estar correndo com a faculdade…

Acho que agora, só agora, entendi bem o que ela quis dizer. Eu acesso meu blog todo dia, todo dia penso em algo pra escrever. Mas, quando chego aqui, estou tão cansada que nada parece ser importante o suficiente. Não apenas para escrever – para pensar. Talvez faça algum sentido essa coisa de ter que ser rico pra filosofar – são tantos problemas, tantas coisas imediatas e rotineiras pra fazer, que sobra pouco cérebro pra altas considerações sobre a vida.

Assim como num filme do Monty Phyton alguém explode de tanto comer, eu ainda posso explodir de tanto ler. A coisa chegou a tal ponto que minha mesa de cabeceira está dividida em livros de entrada e de saída. Claro que os de entrada são mais de 10 e há níveis intermediários de saída. Dois comentários sobre ler livros acadêmicos:

1. Eles são técnicos, logo, chatos. Tento fingir pra mim mesma que vou me divertir, pra modificar a programação mental e ver se a tarefa fica mais leve. Logo nas primeiras linhas, penso: divertido merda nenhuma, eu preferia ler outra coisa!. Não é à toa que os 10 livros da entrada estão começados.

2. Ler pra pesquisa estraga todo o prazer de ler. É uma quase uma leitura dinâmica. Eu não tenho tempo de curtir e entender o que o autor fala. Estou lá com um objetivo específico, atrás de informações específicas. Acho, uso e vou pra outro. É uma prostituição livresca, mas sem orgasmo.

E só pra não dizer que não falei da Dúnia: ela está bem. Fica sentadinha esperando abrir a porta, fica na casinha enquanto abrimos o portão pro carro sair. Só que isso dela só obedecer a mim começou a encher um pouco o saco…

Inté!

Rua XV pra ONU ver

Com a conferência do sobre o meio ambiente da ONU, a cidade ficou toda enfeitada e cheia de turistas. Japoneses de ternos identicos correndo pela rua atrás de um ônibus; estações tubo decoradas, outdoors de boas vindas e até mesmo folhetos de prostituição com inglês macarrônico. No primeiro dia, fiquei quase 30 min olhando as novidades.

Bondinho da XV, onde eu e milhares de crianças já estacionamos enquanto os pais faziam compras.

Mapão com a cidade toda. Eu moro perto desse retângulo branco achatado, tá vendo?

No coração da Boca Maldita – painéis com informações históricas e climáticas do Paraná


Painéis, flores, fotos, cachoeira e sons de pássaros, no meio da rua.

Banho de água fria

Estava me sentindo o máximo por estar adiantada em 3 meses de trabalho na minha dissertação.

Hoje, soube pelo meu orientador que minha análise está superficial. Não, ele não me jogou isso na cara; bastou ele ler alguns trechos da tese absolutamente genial que ele escreveu em 3 meses – e tem umas 400 páginas. Tem coisas que só a experiência trás. Outras, como o talento, nada substitui.

Agora estou aqui, do tamanho de uma mosca, recolhida na minha insignificância como teórica. 😦

Taí a prova:

Viu como eu sou do bem? 😛

Introverted (I) 52.94% Extroverted (E) 47.06%
Intuitive (N) 63.64% Sensing (S) 36.36%
Feeling (F) 63.33% Thinking (T) 36.67%
Judging (J) 58.54% Perceiving (P) 41.46%

INFJ – “Author”. Strong drive and enjoyment to help others. Complex personality. 1.5% of total population.

Take Free Jung Personality Test
personality tests by similarminds.com

Elogio involuntário

Hoje, logo após a aula de Body Balance:

– Teu nome é Giovanna, né?
– É.
– Você fez mesmo Ballet, como a Janine disse?
– Sim.

– Ah… a Janine logo percebe quando alguém fez ou não Ballet. É que ela tem um apreço especial por bailarinas.
– E você, já fez Ballet?
– Não.

AHHHHH, que delícia! Alguém que fez Ballet achou que eu poderia também ter feito! Essa é para lembrar nas noites tristes de inverno! 😀

Velha

Eu tenho uma relação ambígua com essa coisa de ficar velha. Por um lado, gosto de enganar os outros por aí, que me vêm na universidade e acham que passei no vestibular há poucos anos. Por outro, às vezes, quando engano demais, tenho vontade de dizer – Escutem aqui, sou mais velha do que vocês. Quando vocês chegarem na minha idade

Sinto como se finalmente estivesse alcançando a idade que sempre tive. A adolescência foi uma tortura – eu nunca gostei de Uhus (aquele gritinhos) de gente que acha que tem que agitar a galera. Alias, grupos em geral é uma coisa que não faz o meu estilo. Sempre fui mais de conversas tranqüilas, lugares tranqüilos. Essa ansiedade de ser O Popular e de achar que estar em casa numa sexta à noite é ruim (ia dizer que é coisa da adolescência, mas nem sempre passa) sempre fizeram com que eu parecesse uma ET entre os demais. Com o aumento da faixa etária, cresce o número de ETs.

Ao mesmo tempo que os anos deixam claro algumas rejeições e criam algumas manias e intransigências, estou mais flexível em algumas coisas. Antes tudo era muito preto ou branco – hoje, reconheço muitos tons de cinza. Esses dias estava à beira da piscina e estava tocando funk. Antes, me sentiria na obrigação de ter uma opinião formada sobre o assunto, falaria da massificação e coisificação… hoje só acho engraçado. Tem um monte de coisas que eu era contra e hoje nem sei o por quê. Às vezes me parece que estou ficando amoral. Ou acomodada. Antes tinha firmes opiniões; hoje não sou contra, nem a favor, muito pelo contrário.

Cartão de visita

Finalmente fiz meu cartão de visita. Nome artistico definitivo, endereço definitivo de site, layout definitivo no site (graças a Flávia), telefone celular definitivo (e não mais aquela porcaria de Vivo). O Luiz, que toda vida teve cartão, me fez fazer o número mínimo, 500. Eu achei que era pouco.

Não é. Mais de 500 oportunidades pra deixar a timidez de lado e desavergonhadamente dizer que sou escultora, que sou ótima, que sou talentosa e t’aqui meu cartão.

Acho que vai durar até o ano 2016.

Desamparo aprendido

É uma experiência cruel. Apenas li a respeito, embora tenha trabalhado 1 ano com a Caixa de Skinner.

Um rato saudável é colocado na caixa. Então, em intervalos variáveis previamente estabelecidos, o controlador da caixa ativa a função de choque. Todo o chão da caixa, feito por uma grade, dá um choque no rato com uma intensidade que também pode ser controlada.

De início, o rato procura uma saída. Ele começa a procurar explicações, por assim dizer. Ele começa a acreditar que algo que ele faz seja o causador do choque. Para isso, se baseia em coincidências. Ele tende a atribuir que o último comportamento anterior ao choque foi o causador. Se estava perto do vidro, evita chegar perto do vidro; se estava no lado esquerdo da caixa, evita ir para o lado esquerdo. Todos os seus comportamentos tem por objetivo evitar a dor do próximo choque.

Mas o próximo choque é inevitável. Assim, as primeiras tentativas de evitar os comportamentos nocivos se mostram inuteis. Assim como as segundas, as terceiras, as quartas… Como resultado da experiência, o rato pára de buscar uma solução. Ele fica inerte na caixa, sem realizar qualquer movimento, sem procurar quaquer saída. A este triste estado a que o rato fica reduzido dá-se o nome de desamparo aprendido.

Desamparo aprendido é o completo desânimo quando todas as tentativas se mostraram infrutíferas. É usado para explicar comportamentos depressivos. Depois que eu li sobre o desamparo aprendido, nunca mais esqueci. Ele explica muitas desistências na nossa vida, muitas tristezas, o fim de muitas coisas. Antes mesmo de começar, o ratinho estava fadado ao fracasso, porque tudo o que fizesse seria inútil. O difícil é saber, nos desamparos aprendidos da vida, quando insistimos no insolúvel ou na direção errada.

Eu, Maria Cândida Chaud


Je suis une femme. Il est assez.

Este é o about me do meu bogus, o único bogus que criei até hoje. Amanhã ou depois essa experiência completaria uma semana – não completará porque darei terminate assim que escrever este post. Era carnaval e eu estava entediada. Comecei a me perguntar se seria capaz de criar um bogus perfeito, um bogus que fosse capaz de conquistar a minha friendlist sem levantar suspeitas de que sou eu.

Estou cansada demais do orkut e cansada demais de tanto trabalhar pra levar essa experiência adiante. Tenho certeza de que conseguiria tudo a que me propus. Este perfil, em menos de uma semana, tem 58 amigos, 7 fãs, 100% de gelinhos e carinhas e faz parte de 56 comunidades, 2 delas moderadas. Ela tem na sua friendlist dois amigos meus – Moya e Gab. E troca scraps com mais dois – Bob e Rômulo.

Como dá pra ver em cima, meu bogus fala francês. Eu (ainda) não sei um pingo de francês – tudo o que ela diz é por causa do Babel Fish. Fui confundida com francesa e até convidada pra ir num show do U2. Recebi muitos convites pra conversar no msn. Dei pitacos na comunidade Lost, sendo que nem propaganda sobre a série eu vi. Fui participativa nas comunidades de São Paulo e disse por aí que moro no Sumaré.

Se fosse dar umas dicas de como criar o bogus perfeito, daria essas:
1- Crie um bogus que tenha haver com você, pero no mucho.
Ser mulher e tentar virar homem é complicado; assim como ser heavy e fazer uma patricinha. Tem que ter uma certa empatia.
2- Descubra a maneira como você escreve e mude um pouco.
Eu sou perfeccionista ao extremo com digitação – meu bogus vivia comendo algumas vírgulas.
3- Coloque uma foto convincente.
Gente linda ou feia demais fica na cara. Famosa nem se fala.
4- Seja coerente.
Ninguém é eclético demais. Em geral, quem ouve uma banda, ouve outra parecida. Por aí vai. Colocar axé ao lado de música erudita não dá. Por isso, para ser coerente é preciso ter…
5 – Conhecimento.
Não adianta dizer que mora numa cidade que nem conhece. Dizer que toca e não saber ler partitura.

Dúnia em serviço militar

{Decidi escrever este post depois de receber e-mails de cerca de 35% dos nossos leitores -ou seja, da Flávia}

Quando o adestrador me disse que até poucos anos atrás teve um vira-lata bem parecido com a Dúnia, percebi que foi amor à primeira vista. A Dúnia entrou no carro dele bem feliz e também estava muito feliz quando fomos visitá-la na segunda. Aliás, fico meio desgostosa em pensar que ele fica muito feliz no hotel, no adestrador… e talvez o lugar onde ela fique menos feliz seja aqui. Bem, deixa pra lá…

Ela estava reinando lá. O local é nos fundos de uma fábrica, e tem um amplo gramado onde ela fica solta. Há outros cachorros, com quem ela tem contato apenas visual – eles são grandes e ficam presos. Tem um canil de cachorro grande só para ela; vê-la segura de si deitada dentro do canil dela mostrou claramente o quanto ela estava à vontade naquele ambiente.

Foi engraçado. O adestrador ensinou muitas coisas úteis – a não pular assim que encontra alguém, a esperar sentada, a sair e entrar quando é chamada, a deixar de fazer qualquer coisa quando ouve não. Quando chegou a nossa vez de nos aproximarmos, a Dúnia não se jogou, não deu mordidinha, sentou e atendeu todos os meus nãos. Com o Luiz, ela fez a festa! Se jogou, mordeu, fez manha, não atendeu… enfim, foi desmoralizante. Engraçado pacas!

O Luiz não foi o único a ser desmoralizado. Quando ela estava no canil, o adestrador decidiu nos mostrar algo. Chamou; a Dúnia saiu do canil e quando chegou perto, virou pra outra direção e deu as costas. O adestrador ficou como um bobo, chamando de tudo quando é maneira enquanto o cachorro simplesmente sumia de vista. Ele disse – “é a primeira vez que ela faz isso desde que chegou aqui!”. Eu e o Luiz nos olhamos e dissemos – “Essa é a Dúnia que eu conheço!”

Quinta-feira ela está aí. Vamos comprar uma casinha pra ela e mudar o sistema de alarme. Estou morrendo de saudades da minha Dúdu. Agora, além de achar fofinho todo vira-lata que vejo pela frente, dei pra ficar namorando o pastor alemão do vizinho. O jeito que ele senta com as orelhas pra cima, como deita, como fica encolhido pra receber festinha do dono… é tudo muito Dúnia. Mas observo tudo de longe; ao contrário do que acontece comigo, ele não lembra de ninguém da família quando eu chego perto.

Pesadelos

Tive uma noite cheia de pesadelos. Não lembro dos dois primeiros; no terceiro eu estava no aeroporto com a minha mãe e vi um avião explodir logo depois de decolar. Todos entram em pânico, saem correndo, e resolvemos seguir a multidão. Vamos para uma escada que desce e tem uma placa escrito saída. Aí descemos, descemos… eu vou ficando ansiosa porque percebo que estamos cada vez mais fundo, debaixo da terra. É um abrigo anti-aéreo.

Acordei e procurei um floral pra me acalmar. A resposta para esse pesadelo é muito simples – hoje eu tinha um encontro com o meu orientador. O pesadelo não era apenas porque ele iria me dar o primeiro feedback sobre o que eu escrevi da minha dissertação, e sim porque sempre tenho pesadelos antes de ter orientação.

Além de tudo, meu orientador é psicanalista. Ele riu quando falei dos pesadelos e disse que sei que isso é algo comigo, não com ele. Digo que sim. Claro que não é com ele. Eu o adoro e saio alegre, saltitante e inspirada depois de cada orientação.

Ele gostou do material e disse que eu escrevo muito bem. Agora é mãos a obra pra terminar a outra metade.