Pela primeira vez… férias!

Estou sempre aqui, dia sim dia não, faça chuva ou sol. Mas estava cansada, meio pensando no que fazer, se continuaria ou não o blog, e aí recebi uma notificação do FB me punindo com um mês sem poder postar. “Mas o que tem a ver com o blog“, você dirá, mas tem que lembrar que o post vai parar lá e é parte dos meus parcos acessos. Parar de postar sempre me deixou com medo, aquela história de não se afastar para não perceberem que você não faz a menor falta… Mas tenho andando meio enlouquecida na vida real e vai ser bom pra mim dedicar minha energia a ela. Não sei o que será de mim em trinta dias. Espero que vocês sintam a minha falta. Beijo!

O farol

farol

Eu me via como o único habitante de uma ilha que tem apenas um farol. Podia fazer o que quisesse durante o dia – embora as opções sejam poucas e solitárias – mas sempre com o compromisso de, aconteça o que aconteça, acender a luz à noite. Uma luz solitária no alto de uma torre pra se manter sempre acesa e avisar pessoas que nunca vejo e nem ao menos sei quem são. Às vezes olho para o mar negro e penso ter visto algo na água, e fantasio que alguém passou por ali e viu aquela luz, e que foi importante, e com essa impressão me aqueço nos meus dias. Mas na maior parte do tempo o mar é tão vasto e o silêncio tão grande que nem disso consigo me convencer. São noites e noites que, olhando para trás, eu poderia não ter vindo – mas eu vim. Com chuva, com sol, com machucado, feliz ou infeliz, sem nenhum patrão pra cobrar minhas faltas ou elogiar minha constância, tenho subido na torre e acendido a luz, apenas por entender que é o papel que me cabe num mundo onde muitos viajam de navio, enquanto eu estou sempre aqui.

Mas se crer um acendedor de farol ainda é muita coisa, é pretensão demais. Eu sou apenas um louco com uma vela trancado no quarto. O único navio que vê aquela luz é o que tem dentro dos meus olhos. E estou ficando sem fósforos.

Uma imagem de sucesso

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Eu havia passado meses conversando com ele e finalmente nos encontraríamos pessoalmente, na feirinha da Benedito Calixto. Meio que de forma automática eu mudei quando ele chegou, assumi uma persona de mulher que queria ser interessante. Andamos pela feira, mostrei coisas que me chamaram atenção, fiz observações cultas, ri civilizadamente. Depois fomos almoçar e já haviam se passado algumas horas e acho que esgotei meu repertório. Até que num momento que eu estava rindo, ele falou que “agora sim”, que aquela era quem ele tinha vindo conhecer. Ele me disse que me achou uma pessoa tão chata enquanto estávamos na feira que já havia inventado uma desculpa para fugir depois do almoço. E eu entendi porque parecia estragar tudo quando decidia conquistar alguém.

Acho que a noção de que é preciso projetar uma imagem de sucesso vai até sumir com o tempo, de tão cotidiana que vai se tornar, faz parte do viver virtual. Eu sou de outra geração e condeno mentalmente quando vejo pessoas postando roupas que nunca vestem, fazendo caras e bocas, falando como se fosse um sucesso um trabalho que elas praticamente pagam pra fazer. O problema com a imagem, me parece, é que só controlamos a emissão – acho que a maioria das pessoas faz tanto sucesso quanto eu tentando jogar charme.

Balança desregulada

No post passado eu levei tanto tempo construindo o argumento astrológico que depois não consegui chegar no que eu queria dizer, que é a questão da tomada de decisões. Todos nós, de certa forma, somos como balanças desreguladas e o grande tchans da maturidade é conhecer esses limites e saber lidar com eles. Podemos chegar a isso de uma maneira astrológica, como por exemplo dizer que a pessoa tem um Saturno que influencia fortemente a Lua, o que lhe dá pessimismo e tendência a encarar tudo como desamor; mas também é possível chegar analisando os próprios padrões e como a nossa história coloriu a lente com que olhamos o mundo. Há poucos dias eu soube de uma recém formada, filha de uma conhecida, que passou na primeira etapa de uma seleção de emprego disputadíssima. Eu a conheço e pensei: claro que passou. Eles tinham diante de si uma jovem que teve acesso não apenas ao de melhor em termos de educação e do que o dinheiro pode comprar, mas também de amor, suporte, oportunidade de errar. A quantidade de fantasmas e dores que eu (e a maioria da população) tinha quando me sentava diante de uma avaliação dessas pesava de uma maneira que os próprios contratantes não tinham noção.

Quando novos, somos todo instinto e como a situação nos parece. Tudo dizia que não era uma boa hora de falar, mas você não se segurou e foi lá e disse tudo; tudo indicava que era melhor aguardar o desenrolar dos acontecimentos, mas você vai lá e precipitou uma situação só porque não suportou a incerteza, e por aí vai. A maturidade vem quando você percebe que não é porque você está sentindo que é o certo ou a melhor coisa a se fazer. Eu diria pra pessoa de Saturno/Marte que ela sempre vai sofrer decidindo, ou seja, não é porque ela não se sente segura que está errado; diria pra pessoa Saturno/Lua que ela provavelmente está interpretando a atitude do outro de uma perspectiva mais pessimista do que real. Se você, como eu, ia nas entrevistas suada porque pegou ônibus, desconfortável porque precisou vestir algo mais caro do que o seu normal, se sentindo despreparada porque não pode fazer curso de línguas quando era criança e nem as especializações que queria, ansiosa porque cada fracasso correspondia a mais um mês de contas apertadas, ou seja, se a balança que dentro de você não têm o equilíbrio perfeito para o sucesso, a única saída para a felicidade é agir apesar de você.

vai com medo

Should I stay or should I go?

mars

De um certo ponto de vista, Saturno e Marte representam energias opostas no mapa: Saturno diz não vá e Marte nem dá tempo para dizer nada. Em geral, tendemos a detestar a energia de Saturno, que nos torna tão prudentes e temerários que arrisca nunca sairmos do lugar, porque nunca é o momento certo, nunca está bom o suficiente. Mas, ao mesmo tempo que Marte dá coragem e iniciativa, o que nos dá sensação de juventude e otimismo, também é possível fazer isso de maneira tão despreparada que estraga as oportunidades e vira puro desperdício de energia. As duas energias são tão necessárias que Marte encontra sua melhor expressão em Capricórnio, signo governado por Saturno. Estrutura com energia é a melhor combinação possível.

(Posts astrológicos: estou falando de mim e não quero dar na vista. Seguimos.)

Sabe outra coisa que combina estrutura e energia? Esportes. Na astrologia védica qualquer relação entre os dois planetas demonstra afinidade com atividade física – claro que para afirmar que a pessoa pode ser um atleta profissional é preciso levar em conta outros fatos, como a sexta casa por exemplo. No esporte, você tem um conjunto rígido de regras, limites que te dizem o que fazer e até onde ir (Saturno), e daí vence o que consegue colocar a maior habilidade, força, energia (Marte) no seu desempenho.

Em astrologia nada é puro, nenhum aspecto dá 100% de resultados desejáveis ou indesejáveis. Os mesmo aspectos que podem gerar uma tremenda vida profissional podem ser os que estragam a vida amorosa ou a saúde. Essa história de uma energia que quer ir e outra que puxa o freio de mão acaba sendo difícil nas tomadas de decisão. A pessoa não fica em paz com seus impulsos, fica culpada se vai, culpada se fica, ela se perde em duas tendências e não sabe qual o seu timming. Às vezes a vida é sobre saber ouvir seu próprio coração, mas em outras é se dar conta de que aquele processo é demais pra ele e que os seus impulsos são confusos.

Festa da turma

festa idosos

Eu nunca fui numa festa de ex-formandos, nem quando foi logo em seguida de termos nos formado, ou seja, nem quando ainda não havia se transformado num evento potencialmente depressivo. Aí quando recebi o convite para ir na próxima de vinte anos de formada (mas já?), eu quis mostrar que sou uma pessoa melhor. Tudo dentro de mim disse que não queria ir, mas eu me deixei adicionar no grupo de whats (oh lord, mais um grupo) e ver no que ia dar. Quando vi a fotinho e mensagens novas, já me incomodei. Aí fui olhar as fotos dos membros e juro que não reconheci pelo menos as cinco primeiras fotos, podia jurar que nunca vi na vida. Uma delas provavelmente nem a mãe conhece mais depois de tanto botox e preenchimento. Depois reconheci: alá, aquela que logo no primeiro ano tentou me ferrar num trabalho em grupo porque não me passou os dados; alá, aquela que eu achava super legal de longe e na primeira vez que eu lhe dirigi a palavra foi um nojo comigo; olha, essa eu até gostava, mas não lembro do nome; Fulana, ok; alá, aquela que era da turma descolada e abortou… Mas embora ver as fotos de pessoas que eu gostaria de jamais ter me lembrado não tenha me feito bem, também me questionei: sou um ser humano tão ruim assim, que só se fixa nas piores lembranças? Aí apareceu gente comemorando, que bom vê-los, etc. Que bom por que, sen or, iluminai-me. Surgiu lista de contatos. Aí alguém falou mais uma frase alegre sobre ser bom ver todo mundo de volta e um corajoso com DDD de São Paulo saiu logo em seguida. Achei afrontoso e segui o exemplo.

Por todos os poros

bitch you ok

Comentei por alto que deixei de tomar refrigerante. A decisão era apenas o refrigerante, mas sem querer entrei de dieta também. Eu tomava junto com as refeições e cortei qualquer bebida, porque na realidade o ideal é não beber quando se come. Como resultado, minha fome diminuiu. Também estou fazendo uma limpa profunda em casa, com direito até a me desfazer das últimas esculturas, mexer em coisas que estão aqui desde a época que me mudei. Também tomei umas decisões, tudo meio amarrado ainda, mas só de decidir já passei dias terríveis. Sabe quando você tem até sonhos terríveis? No da noite passada a minha mãe me dizia que eu devia ir embora, que na natação todo mundo me detesta, aí eu chegava perto das pessoas e todos me detestavam mesmo. Enfim, chegou um ponto que eu já não sei o que é falta de açúcar, crise dos quarenta, energias mexidas, governo bosta, medos justificáveis. Só sei que está duríssimo e já nem tento entender o motivo das lágrimas quando elas vêm.

A engrenagem

Uma vez eu vi uma frase que dizia que o grande mal da humanidade é a sua incapacidade de mudar o rumo das coisas, e acho que é verdade. Enquanto está no começo e somos inconscientes, tudo bem, mas depois nos tornamos o Nostradamus português da piada que olha a casca de banana no chão e decreta que irá escorregar. Somos o carro que vai em direção ao muro e as pessoas discutem dentro dele, ao invés de simplesmente puxar o freio ou rodar o volante. Os exemplos são inúmeros durante a história e basta ver a nossa incapacidade de interromper a destruição do planeta. Uma vez que a engrenagem é posta em movimento, ao invés de interromper o ciclo, vivemos todo tipo de desgraça até que a energia se esgote. Os que tentam alertar e cortar o caminho, ou seja, trazer de volta à normalidade, são punidos. Depois que tudo passa, as pessoas olham para trás e dizem: como isso foi acontecer, era tão óbvio!

É disso que fala o documentário O Assassino Confesso (Netflix). Um homem com problemas mentais começa a confessar tudo quanto é assassinato e vira o maior serial killer dos EUA. É criada uma força tarefa, casos do país inteiro procuram a confirmação dele, reportagens de TV, estudos de caso. O que é mentira, o que é verdade, o que é má fé, o que é incompetência– nada fica claro. Psis vão adorar, mas é imperdível pra qualquer um que goste de uma boa história.

Curtas de conclusão de conversinhas

conversinhas

Estava cedo, quente, mas ao mesmo tempo com nuvens e eu e o cobrador do tubo começamos a falar do tempo. Do tempo, fomos para crise hídrica. Ele me disse que, apesar de ter chovido bastante das últimas semanas, os reservatórios estão secos. Provavelmente – concluímos – um acumulado de tantos anos que estamos beirando seca e ela nunca chega a se tornar racionamento. Ele:

-Eu tenho uma passageira que passa lá por cima, por… como é mesmo no nome daquele rio, que é usado pra desovar corpos? Passaúna!

.oOo.

Parei de tomar refrigerante há poucas semanas e, invariavelmente, as pessoas me recomendam água com gás para aplacar a vontade. Aí eu digo que desta vez estou sendo rigorosa, porque já fui viciada em coca e fui pro matte leão, pra me libertar do matte leão, fui pra gengibirra e… quando chega nesse ponto da conversa, sempre sou interrompida com:

-Hum, gengibirra! Mas é que gengibirra é uma delícia mesmo.

.oOo.

Passei na frente de uma loja que anunciava ter filtro de barro. Quis saber do vendedor que tinha na frente se havia vela, e é claro que tinha. Ele me mostrou dois tipos na prateleira, o tradicional que custava R$ 9,90 e a de carvão ativado, super ultra-blaster filtrante, por R$ 19,90.

-Me dá a tradicional mesmo. Não precisa de tudo isso, eu pretendo usar água da torneira e não da poça d´água.

Quando eu comecei a dançar…

desfocada

… aquilo pra mim era tão forte, como um chamado, que a vida universitária se tornou imediatamente insuportável. Havia nascido e me criado ali, e de repente ficar sentado tempo demais incomodava, aquele amontoado de citações não fazia sentido, ler dava preguiça. Dei as costas a um lugar onde sabia exatamente como me mover e me destacar pra entrar num mundo onde eu era inexperiente e velha ao mesmo tempo. Mas era tão forte e tão apaixonado que eu só podia ter um talento muito especial que me faria superar todos os obstáculos. Às vezes os obstáculos me pareciam ser meus próprios professores, que não superavam políticas internas para me defender e me dar o destaque que eu merecia. Demorei muito tempo para parar de me sentir injustiçada e entender que um chamado forte não quer dizer que você será um grande talento naquilo.

Eu não sei porque a vida me levou até a dança. Penso isso muitas vezes enquanto olho meus colegas, gente que chegou a menos tempo e me ultrapassa, gente que se identifica com as fotos de quando está de figurino, gente que se torna uma versão muito maior de si mesmo quando a música começa. É estranho pensar que às vezes estamos numa atividade em função de todo entorno e não da atividade em si. Perdi as contas de quantas vezes aquela aula me salvou. Eu danço porque a vida me deu esse presente, porque se eu realmente tivesse talento ele se converteria na minha obrigação. Eu acho que a vida me queria pegando aquele ônibus, aquele horário, e que encontre a cobradora que vende docinho no tubo. A vida acha que eu devo estar no meio daquelas pessoas caladas e cansadas enquanto o ônibus faz curva em ruas escuras. As ruas por onde eu ando e jamais andaria, as pessoas que eu conheço e jamais cruzariam o meu caminho. Eu visto figurino apenas para servir de mágica e conseguir assistir aos espetáculos por dentro. Foi a vida quem quis assim, só não sei o porquê.

Eu do futuro

futuro

Eu confiei na mulher forte que eu seria no futuro. A Eu do Futuro lidaria com as situações difíceis tais como elas se apresentam. Saberia lidar com prestadores de serviços e suas respostas ambíguas, sua necessidade de sempre renegociar e os imprevistos de cabeça fria. Não ficaria de mau humor com a simples ideia de passar num cartório, já teria superado a sensação de que são lugares sufocantes e associados a situações infelizes. A Eu do Futuro vive num apartamento antigo, janelas ensolaradas e decoração personalíssima, de um bom gosto todo seu – só não sei como e onde ela foi parar lá. A Eu do Futuro tem fé nas suas capacidades, sabe que dias difíceis não duram para sempre e que, por mais sem saída que a situação se apresente, ela será forte o suficiente para dar a volta por cima. Minha Eu do Futuro aprendeu a pedir ajuda, por mais que também saiba que no fundo somos todos sozinhos. A Eu do Futuro é tão sábia quanto algumas pessoas que ela teve o privilégio de conhecer e se faz digna dessa linhagem.

Eu só não sei onde está essa mulher, esse futuro está sempre recuando – era aos vinte quando eu era adolescente, aos trinta quando cheguei aos vinte, etc. A do presente chora de pavor diante das mudanças inevitáveis, arrasta decisões até o último minuto na esperança de que as coisas sumam ou se resolvam sozinha, espera milagres que nunca vêm. A do presente aceitaria de bom grado que um Ser Divino ou uma mala de dinheiro resolvesse todos os seus problemas num passe de mágica. A do presente não viu nenhuma das promessas de futuro brilhante se realizar. No presente, eu só gostaria de ficar com a cabeça debaixo das cobertas até toda tempestade passar.

The Good Place

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O único defeito de The Good Place é que não se pode dizer direito o porquê se deve assistir. Eu pedi no meu twitter a indicação de uma série leve, estava esgotada com a época das eleições. Me mandaram vê-la e achei que ver um pouco sobre um lugar bom era tudo o que eu precisava. Olha que cenário, que ideia bacana, que bobinha, foi ficando. Mas já a recomendei para gente que não está com o mesmo espírito e desistiram logo nos primeiros. Mas as pessoas que não desistiram, que cederam à minha insistência de dar uma chance à série, se tornaram fãs tão apaixonados quanto eu. Tenho muitas séries no meu currículo e odeio fazer podiuns, mas ela certamente está entre aquelas que classifico como ter uma experiência. Minha preocupação era que o autor tivesse se colocado desafios tão grandes que depois não conseguisse continuar à altura. Mas valeu cada minuto, ela só fica melhor, melhor, melhor. E terminou lindamente. Levarei The Good Place comigo para sempre.

Choradores

lenço

Eu lembro que a Regina Casé tinha um programa temático que mostrava a vida de desconhecidos, acompanhava o que eles estavam vivendo, tudo de forma muito leve. Aí um dia eles foram atrás de pessoas fazendo mudanças. Não lembro quantas histórias eram, mas tinha gente empacotando, indo ao aeroporto, fazendo festas de despedida. Lembro de um caso em particular, acho que de uma moça que estava indo pro Japão. Ela contou sem dramas o que estava vivendo, que sem dúvida tinha a ver com a necessidade de ganhar dinheiro. Eu era muito jovem quando passou o programa, então aquela mulher contou que ia embora num tom normal e eu achei que estava tudo normal. No final do programa teve até um mea culpa, a Regina disse que quando pensaram no tema não tinha noção do quanto era difícil, que não havia nada de leve e divertido em sair fisicamente de onde você está para saltar no vazio. O que ficou para mim do programa foi a Regina Casé ao lado da moça, se acabando de chorar. Por ela, por toda aquela solidão, a solidão que a moça não podia se permitir sentir.