Sintonia imediata – continuação

Já que a Ni pediu, vou contar o resto da história:

Na segunda-feira seguinte, eu estava me alongando e o André passou pela musculação claramente procurando alguém. Eu fingi que nem era comigo. Ele falou AHÁ! e disse que sabia que eu ia fazer cara de pouco caso quando o encontrasse. Foi ótimo- eu ri da cara dele, ele me apresentou a sua Senhoura, falamos um pouco dos velhos tempos; foi uma amizade que voltou a entrar na minha vida. Eu tinha enviado o link do meu blog pro André – que leu e ficou todo cheio. Olha a prova de que eu tinha razão no que disse: um dia desses ele encontrou a Chris no shopping e ela fingiu que não o conhecia…

Por que ele não me reconheceu? Não sei, ele me disse que eu estava diferente de alguma forma, que o cabelo mudou. Ninguém dá importancia quando eu falo do aparelho, mas ele deixou o meu rosto um pouco mais fino. Outra parte interessante da história é que o André foi colega de trabalho do Luiz antes mesmo de nos conhecermos. Um certo momento ele me perguntou: “Você ainda está casada com o Luiz? Quanto tempo já faz?” Quando contei isso pro maridão, ele ficou indignado – “Como assim, AINDA?”

Hehehehehe! Quando a vida nos reserva surpresas divertidas, elas podem ficar ainda mais divertidas!

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Estou morrendo de saudades, me liga vai…

Lembra dos tempos em que me ligava e rapidinho eu aparecia em sua casa para saciar aquela sua vontade? Ainda lembro dos dias em que me pegava fervendo com seus olhos de desejo e logo podia sentir seus lábios e dentes me mordendo toda.

Bom vou te dar mais uma chance. Ligue para qualquer uma das minhas casas: Champagnat é 3339-0003 e no Ecoville é 3373-3535. Escolha o endereço mais próximo e ligue já, estou morrendo de saudades. Tenho pressa em saborear aqueles momentos inesquecíveis.

Assinado: Pizzaria Originalle.

Esse papel apareceu na minha caixa de correio. Realmente, bastante original.

Sintonia imediata

Naquela época, eu andava com a Chris. Ela era daquelas pessoas que conversam com todo mundo, fazem favores, são disponíveis 24h e tudo mais. Eu, pra variar, só falava o básico e com poucas pessoas. Durante uns meses fomos monitoras de uma matéria e ela era aquela que conversava com todos os alunos, fazia favores, etc. Do meio desses alunos, tinha um – o nome dele era André – muito inteligente e que me chamou atenção por fazer relatórios dentro das normas e ao mesmo tempo com humor. Não sei direito como, logo nos tornamos grandes amigos. Ele era a única pessoa da turma dele com quem eu conversava; a Chris nunca entendeu como, nunca conseguiu ser muito amiga dele e sempre morreu de ciúmes.

Durante todos esses anos o André tem feito parte da minha lista de e-mails. Algumas vezes tentei excluí-lo e ele dizia que, apesar de nunca me escrever nada pessoal, gostava muito de receber notícias minhas. E não é que há alguns dias eu o encontrei na academia? A parte mais engraçada disso é que ele não me reconheceu, apesar de até ter feito uma aula comigo! E por essas coincidências do destino, pela primeira vez em anos ele me mandou um e-mail pessoal: queria saber quando eu estaria na minha exposição, pra finalmente conversarmos. Assim como fiz com o Ale (que não me reconheceu na mesma academia), joguei na cara que fazemos academia juntos e que ele vai ter que descobrir sozinho quem sou eu!

Às vezes a vida nos reserva surpresas divertidas! 😀

Supersaudável

Vocês já perceberam que a saúde, hoje em dia, é uma coisa inatingível? Acabei de voltar do supermercado e penso nisso sempre que vou lá – olho para a sessão de horti-fruti e penso que deveria comer mais e variados legumes, que deveria saber prepará-los de maneiras apetitosas, que deveria comer mais em casa e que deveria variar mais minha opção de frutas. Tudo bem que eu cozinho péssimamente, que se eu compro um pouco mais de comida ela estraga porque quase sempre almoçamos fora. Em algum lugar dentro de mim, existe uma cobrança: há um jeito correto de se alimentar, que não é o meu.

E isso se estende pra vida pessoal. Uma pessoa completamente saudável certamente não nasceu de uma família desestruturada. Ou seja, todos aqueles que não tinham uma família-margarina reunida no café-da-manhã certamente não pode ser totalmente sã. Por mais que se desconheça a infância de alguém, é fácil saber que ele é um adulto traumatizado: basta ver se o dito cujo tem problemas de relacionamento. Você não adora estar com a família, conhecer gente nova e ir pra balada? Afastem-se, ele tem um trauma, é quase um leproso social! Mesmo sem declarar (ou perceber), somos todos cristãos: julgamos a sanidade de alguém pela sua popularidade – ser saudável é amar o próximo.

O irônico de tudo isso é que colocar a saúde tão inacessível nos torna cada vez mais paranóicos. Sempre prontos pra ir num psicólogo, porque temos traumas pra resolver. Pra acreditar em Segredos, porque existe por aí uma fórmula pra ser feliz e eu não estou usando. Mas quem sou eu pra dizer alguma coisa? Eu sou apenas uma problemática que não gosta de proximidade; certamente estou dizendo isso porque me recuso a lidar com meus traumas…

Graur!

Um lado meu é muito sociável e é capaz de atrair a simpatia das pessoas aonde quer que vá. Se tiver um tantinho de abertura, eu consigo preencher o silêncio no meio de várias pessoas desconhecidas. Posso ir numa festa sozinha e sem conhecer ninguém que eu não tenho medo – caso eu não consiga falar com ninguém, eu sou louca o suficiente pra me divertir sozinha. A vida me lançou pra tantas coisas diferentes – de profissões a faculdades, tentativas, culturas e pessoas – que adquiri traquejo pra ser agradável e lidar com várias situações. Uma pessoa assim certamente estaria predestinada a popularidade…

Mas não. O outro lado de mim é selvagem e arisco. Ele recusa a popularidade e suporta a presença de seres humanos durante pouco tempo. Basta alguém manifestar o desejo de me ver com muita freqüencia para ele rugir de ódio. Por isso me mantenho sempre com poucos amigos – tenho certeza que, em pouco tempo, acabaria estraçalhando a horda de pessoas que me adoram. E volta e meia faço isso com algum amigo que se aproxima demais da jaula, porque pessoas carentes me irritam MUITO. E, como selvagem, sou incapaz de ser agradável por pura conveniência social. Como nos filmes, meu lado adora chocar quando deveria socializar.

Já tentei matar, já tentei ser só selvagem. Com os anos fui me conformando à idéia de ser quem eu sou. Nos damos bem, conheço meus limites. Nunca serei popular e jamais serei falsa…

Depilação

É uma verdadeira iniciação feminina. Não há mulher que não tenha se deparado com as questões: clareio, depilo ou raspo? Cêra ou aparelho? Em casa ou profissional? Durante muito tempo eu achei que não teria de passar por isso, porque quase não tinha pêlos até certa idade. Aí um belo dia você está com a perna escura, bucinho, uma penugem debaixo do braço, pêlos que aparecem no biquíni. Aí não tem como ignorar os fatos – você é mulher e peluda.

Tirar os pêlos não é natural e os bandidos não apenas insistem em crescer, como crescem ainda mais rápido no verão. Em tese, eu acho que clarear os pêlos seria a coisa mais natural. E era assim que eu pensava lá no começo, quando ainda resistia à idéia de arrancar o mal pela raiz. A resistência durou pouco; aquela prova do toque do clareador é só pra ver se a gente vai morrer de choque anafilático. Porque não há mulher que não sinta vontade de coçar, correr pela sala ou matar um gato com aquilo pinicando as pernas.

Digo tudo isso porque aqui, nesse instante, está gelado como nos bons tempos de inverno curibano. Menos de 10 graus. E nessas condições, a depilação é ainda pior: fica gelado ficar com as partes peludas expostas e fica mais dolorido porque os poros se contraem. Por esses motivos, na minha solteirice, eu deixava a mata crescer livre, leve e solta quando fazia frio. Afinal, os pêlos não existem pra aquecer?

(Propus pro maridão essa teoria e ele não me deixou colocar a Operação Mata Virgem em prática. Homens, humpf!)

Cinco coisas legais pra fazer em Curitiba

Ela me passou esse même que tem um tema muito bom: escrever sobre 5 programas legais na sua cidade. Afinal, quem melhor pra indicar o quê fazer do que alguém que mora num lugar? Sempre quando vejo a Ópera de Arame e o Memorial Ucraniano do Parque Tingüi como bons programas pra se fazer em Curitiba, penso o quanto esses guias não são confiáveis. No primeiro caso, porque a Ópera é um parque grande e sem graça, e a estufa é muito pequena e decepcionante; no caso do Memorial, porque pra se chegar lá a gente tem que cruzar o parque todo – dentre as churrasqueiras, cachorros de rua e gente feia – pra chegar numa construção sem graça que não tem nada pra ver.

Deixa pra lá, agora vamos ao meu Top 5 curitibano:

Rua XV de novembro: fica bem no centro, é onde tudo acontece. É o famoso calçadão que o Jaime Lerner criou. Se você seguir pelo calçadão de cima abaixo, vai ver de tudo um pouco: começa na Praça Santos Andrade, com o prédio da Universidade Federal e o Teatro Guaíra. Passa por várias construções históricas, shoppings populares, banquinhos, floreiras, restaurantes. Aí você chega na Boca Maldita, onde tem estátua-viva, artesanato, cantores, manifestações políticas, o prédio do HSBC (onde tem a apresentação de natal) e todas as coisas mais importantes da cidade. O passeio termina na Praça Osório, onde tem as deliciosas feirinhas temáticas (Páscoa, Natal, Junina, etc), onde se vende comida e artesanato. Visitar Curitiba sem ir à XV é não visitar Curitiba.

Feirinha do Largo da Ordem: acontece desde que eu me entendo por gente, todo domingo de manhã. São quilometros de feirinha, que reunem o melhor do melhor do artesanato curitibano. A prefeitura faz uma seleção rigorosa dos trabalhos, pra que ela tenha produtos variados e realmente artesanais. Têm brinquedos, roupas, plantas, discos, bijoux, comida, incenso… não há nada de interessante que não tenha lá. É impossível passar por ali sem ter vontade de comprar alguma coisa. Isso sem falar das lojas das imediações, que ficam abertas e vendem coisas igualmente diferentes.

Restaurante Jagannatha: Curitiba só tem dois restaurantes indianos, e o Jaga é um deles. Só que ele tem a característica de ser um restaurante védico indiano, ou seja, ele é hare-krishna. Nenhuma comida leva carne, alho ou cebola. Como toda comida indiana, ela cheira maravilhosamente bem e você come aquelas coisas deliciosas sem ter a menor idéia do que causa aquele gosto. O ambiente é bem decorado e os preços acessíveis. O dono do restaurante é um argentino figuraça. Embaixo tem uma loja de produtos indianos. Fica perto do Shopping Müeller, dá pra estacionar lá. O endereço é Rua Paula Gomes, 123.

Museu do Olho: ir pra lá tem muitas vantagens. O próprio museu já é um daqueles passeios que levam o dia inteiro. No primeiro fim de semana do mês a entrada (5 reais) é grátis. Sempre tem umas 5 exposições ao mesmo tempo e raramente a gente consegue ver tudo. Sem falar do próprio museu: o túnel lá embaixo, subir na parte do olho, o espelho d’água, o pátio das esculturas. Atrás do museu virou ponto de encontro pra donos de cachorros, que soltam seus bichanos por ali. Pertinho também é o Bosque do Papa, um lugar muito tranqüilo, com as casinhas polacas e doces típicos.

Shopping Estação: eu não poderia deixar de colocar um shopping, porque esse é o programa mais curitibano que existe. Os curitibanos não saem do shopping. Como disse uma vez o Ale, se shopping passasse a ser proibido, os curitibanos construiriam shoppings subterrâneos. O que distingue o Estação é que ele é arejado, tem tunel de água, bichinhos de planta e é todo bonitinho. As lojas lá são o de menos. Lá dentro tem o Museu do Perfume, que muita gente aqui não conhece mas é um programa imperdível. Ele faz uma história dos odores, fala um pouco da fabricação do perfume e na parte de cima tem as propagandas antigas. É o máximo, eu me matei de rir todas as vezes que fui lá.

Agora passo o même para uma Belorizontina orgulhosa, pr’ Aquele que não tem o que dizer nas montanhas, para o mestre cuca Aleatório, os paulistanos dos Criadores de Imagens. E vamos ver o que mais gente tem a dizer sobre Curitiba: Alessandro Martins e Catatau.

Muda hostilidade

Sabe quando alguém não gosta de você mas ninguém percebe isso? Pra todo mundo vocês são amigos, mas você percebe que no fundo a pessoa não vai com a tua cara? Você se sente pisando em ovos, não gosta de encontrar a pessoa, mede as palavras quando tem que falar com ela, mas todo mundo que tudo entre vocês é super legal? Pior: quando você tenta dizer isso pra alguém, você fica parecendo paranóico?

Pois é.

PS: Esta é a postagem 300. This is Sparta!!!! \o/

O que um grande crítico de arte fala sobre arte

{Eu sou Zé Ninguém; quando falo mal da arte contemporânea ou da importância do mercado ninguém me dá crédito. Por isso reproduzo – com prazer – trechos dessa entrevista, que confirma o que eu sempre pensei}

O australiano Robert Hugles, de 68 anos, é o mais conhecido crítico de arte vivo. Por três décadas, ele foi editor da revista americana Time. Dono de um estilo tão erudito quanto implacável, produziu ensaios brilhantes e também ficou famoso por destruir reputações (….)

Veja: Por quê? (a influência de Duchamp sobre a arte contemporânea foi libertadora mas também catastrófica)
Hughes: Porque ser o pai dessa bobagem chamada arte conceitual não é uma distinção de que se orgulhar. Para compreender o tamanho do estrago, basta dizer que sem ele hoje não haveria as chamadas instalações, aquelas obras tolas em que o espectador é convidado a passar por túneis e outros recursos infantis. Ou precisa ler uma bula de remédio para entender o que o artista quis dizer.

Veja: Nos últimos anos, obras de grandes artistas atingiram preços astronômicos nos leilões. O que explica que se paguem 104 milhões de dólares por uma tela de Picasso?
Hugues: Francamente, não consigo imaginar uma boa razão. Os preços se tornaram tão obscenos e sem sentido que, a meu ver, só podem ser resultado de algum tipo de doença social. As pessoas que se sujeitam a pagar tanto por um quadro são movidas por motivações ridículas, como ostentar prestígio e poder. Não compactuo com essa insanidade.

Veja: Não há arte que valha tanto assim?
Hugues: Para mim, nem a maior obra-prima. A supervalorização atende aos interesses de certos marchands e colecionadores, mas é danosa para a arte. Passa-se a se valorizar um artista ou tendência em função de seu cacife no mercado, e não da importância de suas realizações. Além disso, sua transformação em bem de consumo de luxo muitas vezes dificulta que um dia o grande público possa contemplá-las no museu.

Veja: Nas últimas décadas, o interesse pelas artes plásticas parece ter diminuído – desde sua saída da Time, por exemplo, a revista não tem dado o mesmo destaque ao tema. A arte perdeu a sua centralidade?
Hugues: É triste, mas o fato de as pessoas terem obsessão pelos altos preços pagos por quadros famosos não significa que elas queiram saber algo mais sobre a arte em si. Ela passou a ser vista apenas como um item a mais no entretenimento, como as atrações de cinema ou TV. E também a ser avaliada com base nos mesmos parâmetros. Fala-se de um artista não por sua relevância, e sim pelo valor que suas obras atingem – como se fosse o orçamento milionário de um filme. Ou por sua popularidade – como se fosse o índice de audiência de um programa. É uma visão distorcida.

Entrevista: Robert Hugues – O guardião da arte
Revista Veja, edição 2005 – ano 40 nº16
25 de abril de 2007