Aftas

Eu adquiri grande know how nesse assunto na época em que usava aparelho. Eu tinha 1 afta por mês; às vezes, quando estava me curando de uma na frente, surgia uma atrás. Levando em conta que eu usei aparelho durante 3 anos, dá pra ter idéia da quantidade de aftas que eu tive. Diziam pra mim que eu tinha muita acidez, que eu era estressada, que eu me alimentava mal… mas a culpa era do aparelho mesmo, porque bastou tirar que eu parei de ter tanta afta.

Agora, minhas teorias particulares sobre aftas:
* aftas nascem em feridinhas na boca. Depois fica aquela coisa das bactérias se alimentarem continuamente dos tecidos – que é a própria afta;
* aftas perto dos lábios pioram com o batom;
* aftas pioram com açúcar;
* o ciclo de uma afta dura mais ou menos uma semana, independente do que você passe nelas. Testei os melhores remédios de afta e descobri que nenhum fazia minhas aftas curarem mais rápido. Sendo assim, é melhor usar os que doem menos.

Tem um remédio pra afta chamado Gengilhone, uma pomada. Um dia, estava de saco cheio de sentir dor, e resolvi eliminar os intermediários e colocar um gengibre na boca. Funciona. Nesse momento em que escrevo, estou com um no lábio. No começo arde, mas depois anestesia a boca que é uma beleza. E é antiséptico também.

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Amigos e exposições

Antes eu era meio tímida na hora de anunciar que eu estava com uma nova exposição; hoje, saio falando pra todo mundo porque sei que é uma das minhas poucas chances de mostrar que eu não faço fontes ou velas. Depois de verem meus trabalhos, ao invés das fontes, as pessoas passam a me pedir cópias do Pensador de Rodin (humpf). Saio por aí convidando todo mundo que eu conheço, mas minha experiência já mostrou que quem realmente vai é aquele amigo do amigo que você convida só por educação. É uma sessão convidar os amigos, vou mostrar o por quê:

Eu já fiz exposição de 2 meses e meio e essa minha última foi prorrogada por 15 dias, mas nada disso importa: independente de quanto tempo dure a exposição, dali 2 semanas do término, as pessoas me procuram – ” Eu me programei pra ir lá nessa quarta, qual é mesmo o horário?”. Este ano eu bati o meu recorde, pois teve um que apareceu lá imediatamente no primeiro dia após a desmontagem. O item horário é outra coisa séria: não importa fazer em um local que fica aberto de segunda à sábado durante 12 horas – as pessoas vão querer passar lá no domingo.

E por falar em local, o melhor é fazer num bem central. Porque se o amigo mora lá perto, passa por lá todo dia ou almoça do lado, existe uma pequena possibilidade dele ir. Digo isso porque sei que se a exposição fica num lugar muito longe (algo acima de duas quadras), eu posso ter absoluta certeza de que ele não vai. Têm aqueles que só querem ir se eu for junto – e é uma verdadeira tortura pra um artista estar do lado de um conhecido olhando suas obras. Ou pior: querem que eu fique o dia inteiro lá, parada, pra quando ele passar – uma tortura pra qualquer pessoa que respire. Com todos esses percalços, ainda tem gente que não sabe porque eu não faço vernissage! Veja bem: aquele maravilhoso comes e bebes com garçom é pago pelo próprio artista.

Depois de tudo acabado, têm aqueles que (provavelmente pra compensar que não foram) ficam perguntando a cada mês – ” E aí, quando vai ser a próxima exposição?”, como se exposição fosse feira livre, algo que tem toda hora…

Um imóvel não é um lar

Hoje assisti um daqueles programas de vendas que eu adoro, o Imóveis na TV. Adoro ficar babando com os apartamentos de 260 mil reais, que tem até sensor de impressões digitais pra fazer o elevador sair do lugar; por outro lado, é bom ver que argumentos eles usam pra convencer a gente a comprar terrenos lá na pqp ou de metragem minúscula. Eu já passei pela experiência de procurar aquele lugar pra morar. Gamar nos imóveis caros é facílimo e dá a impressão que tudo custa, no mínimo, 10 mil reais a mais do que a gente pode. O sonho vai ficando menor à medida em que da gente conhece os imóveis e fica menor ainda quando descobre de quantos detalhes é feita uma casa. Logo no meu primeiro dia na minha casa, eu percebi que tapetinhos de banheiro são itens essenciais. Assim como um kit básico de costura.

Tirando aquele topo da piramide que se muda pra um lugar pré-decorado, tudo é feito muito aos poucos. Até hoje tenho na minha sala de jantar uma mesa de plástico que pertencia aos meus sogros. A gente acha que cada mês vai fazer uma coisa, mas aí um troço estraga, um cano arrebenta e um vazamento surge: pronto, lá se foi o plano de fazer aquela super compra linda. Como fazer? A gente empilha uns livros no canto e coloca uns quadros no chão e finge que tudo está no seu lugar.

Tem casas que são mais bonitas incompletas, porque elas parecem com seus donos – e não aquela mesa de vidro com espelho e aparador que todo mundo têm. Que bom se toda casa conseguisse refletir aquele ar de casa nova, onde tudo é essencial e personalíssimo. Não gosto daqueles lugares que você pode tirar a pessoa que mora ali e substituir por outra que está tudo bem. Assim como na vida, eu acho que as regras foram feitas para serem quebradas. Num imóvel, isso pode ser a derrubada de uma parede, fazer da sala de estar uma grande lan house ou até mesmo não ter sala de estar. Um lar, pra mim, deve ser um pedaço de seu dono, refletir quem ele é. E nem todo dono precisa de uma grande mesa de vidro com espelho e aparador.

Inimizade?

Imagine: uma amiga terminou com o namorado de anos e passou a querer conversar comigo o tempo todo. Na faculdade, nos meios virtuais, queria encontros, saídas, visitas. Eu, a antipática que não conversava com ninguém durante e depois da aula; eu, com casa, marido e cachorro. Depois que briguei com ela, num primeiro momento ela deixou de entrar no elevador se eu estivesse nele, depois tentou apelar pra amigos comuns, até que enfim desistiu.

Vou confessar uma coisa: a minha mágoa tinha passado há muito tempo. Eu não voltei atrás porque vi que estar sem mim fazia muito bem a ela. Pra não ficar perto de mim, ela sentou do outro lado da sala; passou a conversavar com as pessoas, arranjou outros amigos e quase um namorado. Era uma boa pessoa, precisava ter amigos, precisava sair pra aproveitar a vida. Eu não a queria mal, mas estou em outro ritmo. Eu não podia oferecer o que ela precisava. Idem para aquele amigo que não ia a lugar nenhum em Curitiba se eu e o Luiz não o levassemos.

Às vezes a gente faz mais bem pra uma pessoa estando longe dela.