O que será que será

Eu era leitora assídua do blog do Rafael Cortéz até ele começar com a história do Loreno. Aí passei a ir raramente, só dando uma passada de olhos nos posts. Até que ontem eu li isso o Breve Tratado Sobre Cannes parte 1 e voltei a gostar do Cortéz. Além de ter me identificado com o que ele falou sobre a vontade de ficar só, achei muito corajoso alguém dizer que estava nas baladas mais disputadas do mundo e não se sentiu bem lá dentro. Assim como achei muito bacana o texto do Alessandro Martins (o homem, o blogueiro, o mito) sobre a abolição da mulher pelada*. São textos que não falam o que se deve falar – dizer que vai pra uma super balada e se sente mal ou que olha uma coelhinha da Playboy e acha artificial é pedir pra ser achincalhado.

A questão do que faz um artista tornou-se importante pra mim nos últimos anos. E vejo qualquer forma de expressão só é relevante se ela diz algo. E quando você diz algo – e não meramente repete o que deve ser dito – sempre há os que ridicularizam. O que faz alguém se expor apesar de tudo? Uma necessidade interna, uma coragem externa, uma grande auto-confiança, uma dose de exibicionismo? O talento beira à louca, à contestação? Seja lá o que for, eu quero.

*Isso sem entrar nos textos do Cracatoa, lindos e tão autorais.

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Sonho de bailarina

Acontece todo dia: alguém que fez ballet quando era criança resolve voltar a dançar depois de velha. Quando digo velha, quero dizer acima dos 20 anos. Basta não ser mais criança pra se sentir gorda dentro de um collant. As ex-bailarinas chegam tímidas na aula e saem frustradas ao ver o quanto esqueceram. Quando crianças, faziam aula todo dia e participaram de várias apresentações. Os anos se passaram e quando chegou a época do vestibular elas escolheram outras carreiras – na grande maioria das vezes, por pressão da família. O ballet tornou-se lembrança boa, um projeto não concluído. Ex-bailarinas sentem que deixaram para trás uma parte importante de si mesmas, e que tudo poderia ter sido diferente se tivessem lutado mais pelo sonho.

O que elas não sabem é que não havia carreira esperando por elas na idade adulta. O ballet na infância é um projeto: pais orgulhosos querem ver sua princesinha no palco. O investimento pra ter uma filha fazendo aula de ballet é muito grande: as escolas são caras, exige-se muitas horas de prática, o gasto com roupas e sapatilhas é grande e aumenta mais ainda com as apresentações. Esse investimento dificilmente terá retorno financeiro, porque (pelo menos no Brasil) é muito raro receber pra dançar e quando isso acontece não chega a cobrir os custos. Para entrar nas poucas companhias de dança- melhor ainda se forem internacionais – a bailarina precisa ser mais do que boa. Quem não se destaca com menos de três anos já não está entre os talentosos. Pra ser especial, é preciso ter biotipo e consciencia corporal muito acima da média. Para explicar melhor: todo mundo que faz ballet, levanta a perna mais alto do que quem não faz; mas poucos nasceram pra colocar a perna ao lado da orelha. Todo mundo que faz ballet aprende a dar uma ou duas piruetas, mas nem todo mundo chegará a 32 fouttes.

Ao mesmo tempo, é triste crescer apaixonado por uma atividade e ter que mão dela porque é necessário ganhar dinheiro. Quem teimosamente se mantém na área, deve se conformar em trabalhar muito, ganhar pouco e tirar do próprio bolso pra conseguir mostrar seu trabalho. Acho que se as pessoas tivessem noção dessa realidade, não se sentiriam tão mal de terem abandonado o ballet um dia.

MSN – Muitos Sem Noção

Começou de mansinho. Antes eu abria meu MSN junto com o orkut, e ficava online. Depois comecei a entrar offline e logo depois ficar on. Até que um dia olhei para o meu MSN e senti um desânimo muito grande e não entrei. E raramente entro. Quando entro, fico offline e saio offline mesmo. Peguei ojeriza. Fale comigo por todos os outros meios virtuais, menos pelo MSN.

Meu trauma começou por causa de um ex-amigo. Ele era do tipo que ficava o tempo todo online e deprimido. Ou só mostrava o lado deprimido pra mim e era legal com o resto da humanidade, não sei. Só sei que eu mal entrava e o cara já vinha me contar que estava down. Um dia ou outro vá lá, mas, poxa, se está tão mal assim sai do MSN e vai chorar! Claro que eu fiquei com vontade de bloquear, mas pra piorar a minha situação ele conhecia um site onde dava pra ver quem nos bloqueou no MSN. Ele o verificava com uma certa freqüencia e ficava (mais) chateado quando via que estava bloqueado. Ou seja, nem bloquear o fulano eu podia. Depois de meses sem entrar o encontrei de novo, já separado e com namorada grávida. Pra variar, ele estava quase morrendo. Por um par de coisas, a namorada não queria mais vê-lo. Acalmei, argumentei, mostrei o lado dela, ajudei no que eu pude. E deu certo, porque hoje eles são pais e felizes. Depois dessa última conversa, o fdp nunca mais falou comigo. Mandei felicitações, videos, scraps, e ele fazia questão de responder todo mundo menos eu. Agora que está bem, pra quê, né?

Eu acho o MSN maravilhoso para fazer chats e conversar com amigos que moram longe. Mas vamos combinar que conversar por telefone ou pessoalmente é mais fácil e gostoso ainda? Um dia passei horas digitando com uma amiga de Curitiba, até me tocar da besteira e ligar pra ela. Foi mágico, ela ficou fascinada com a minha iniciativa. Se fosse uma conversa divertida, eu entendo, mas não era o caso. Ela quer falar comigo no MSN pra combinar encontros. Pior ainda: ela é do tipo que usa MSN enquanto trabalha. Eu só entrava a pedido dela, então era assim:

(Eu) que tal amanhã?

Silêncio. Dez minutos passam. Concluo que ela morreu. Ou está sem conexão, o que dá na mesma. Decido ir embora. De repente surge um

(Ela) amanhã eu não posso

E some de novo. E assim vai mais de uma hora, pra uma conversa que não deveria levar nem cinco minutos.

Mas o pior de tudo no MSN são aqueles que você encontra todo dia, e quando voltam pra casa ainda acham que tem que falar com você. Ou quando você passou horas conversando com o fulano num dia e ele quer repetir a dose no dia seguinte. Aí ficam os dois sem ter o que dizer, porque simplesmente não tem assunto novo, não deu tempo! Uma amiga me falou que uma vez estava numa dessas conversas paradas quando o outro soltou “as frutas estão caras esse ano, né?”.

É, pois é.

Porquê tirei meu piercing de nariz

(Como o post O lado feio do piercing de nariz é um dos mais procurados deste blog, resolvi escrever este post com fins informativos)

Eu já esperava por isso. Apesar de ser muito cuidadosa com a limpeza e até mesmo em não mexer no meu piercing com a mão suja, ele vivia infeccionando. O engraçado é que inchava sempre no mesmo lugar, bem em cima do piercing. Talvez por isso ao longo do tempo o furo foi descendo cada vez mais. Sei disso porque o piercing foi feito quase em cima de uma marca de espinha e já estava longe dela – isso com apenas 4 meses! A gente brincava dizendo que um dia o buraco ia encontrar com a narina e o piercing sairia espontaneamente.

Há pouco tempo, depois de chorar muito, o piercing inchou e o inchaço não passava. Formava casquinha no lugar, e debaixo dela sempre saía sangue e secreção. Depois de vários dias e casquinhas, elas pararam de aparecer. Só que ao invés de cicatrizar, o negócio crescia cada vez mais e parecia que eu estava com uma verruga no nariz. Era esponjosa e ainda com sangue e secreção. Depois de mais de uma semana, fiquei com medo e tirei o piercing. Limpei o local, passei remédio, coloquei um band aid (mais por estética, estava bem feio) e no fim do dia já tinha saído quase todo inchaço. No dia seguinte fez uma casquinha resistente e o inchaço passou.

Só depois de tirar o piercing eu vi que ele estava todo oxidado. No estúdio onde fiz o furo me avisaram que o piercing de aço cirúrgico dá menos problema de rejeição do que a prata. Mesmo assim eu continuei com o de prata, porque era o único com pedrinha grande como eu queria. Quem sabe se eu tivesse usado aço cirurgico ou vivesse perdendo e colocando piercings novos, nada disso teria acontecido. Ou talvez o problema seja porque eu tenho uma pele sensível – tenho alergia a sabão e até mesmo ao botão da calça jeans*. De qualquer forma, o furo não está mais visível e eu não tenho coragem de fazer outro.

Eu adorava o piercing, me sentia linda com ele… mas ele sempre foi muito complicado de manter. Tem que ficar sempre limpando, tomando cuidado pra enfiar o dedo no nariz, pra coçar, pra passar a mão no rosto, etc. Depois de tanto trabalho e preocupação, voltar a ter um nariz normal já está bom pra mim.

* Isso é meio comum. Pra quem tem problemas na pele da barriga ou no umbigo, vai aí um conselho simples que uma médica me deu: basta cobrir o botão (na parte que fica em contato com a pele) com um esparadrapo.

Eu não uso fones de ouvido

Lembro bem do fascínio que eu tinha quando criança pelo walkman da minha mãe. Ele era cinza, importado e muito moderno – tinha uns 15 cm. Como todo walkman, a fita começava a rodar devagar quando a pilha estava fraca. Os fones de ouvido passavam por cima da cabeça, como um arquinho e a almofada ficava para fora da orelha. Poucos anos depois, também tive um desses. Mesmo antes de inventarem o discman, eles ficaram menores e os fones de ouvido pasaram a ficar enfiados na orelha. Não sei dizer quando, mas em algum momento achei que esses fones fazem um ar gelado dentro do ouvido e me recusei a usar. Olha que a única rifa que ganhei na minha vida foi justamente de um discman. Recusei mp3 de presente e nunca uso o fone de ouvido do celular.

Nunca pensei que não usar fones de ouvido tivesse maiores conseqüências do que preservar minha capacidade auditiva. Mas tem. Vejo que meus hábitos musicais são arcaicos. Apesar de ser bem inserida na web, nunca tive paciência pra ouvir podcast. Não sou uma boa pessoa pra aconselhar sobre o que ouvir, porque demoro pra adotar novas músicas e ouço as mesmas coisas durante muito tempo. Geralmente quando baixo uma música na net é porque já gostava dela. Às vezes baixo várias e monto um CD no formato .cda. Trabalhar com música, andar na rua com música, locais com música o tempo todo… tudo isso me soa como barulho e geralmente me incomoda. Como a música pra mim não é portátil, faço disso um momento separado do meu dia. Vou até a sala, coloco meu CD e geralmente ouço tudo até o fim. E sim, eu ainda compro CDs.

Por mais chocantes e mau humoradas que soem as teorias da Escola de Frankfurt, eles devem ter alguma razão. Mudar a reprodução da música, a portatibilidade da música, o consumo da música… tudo isso interfere de maneira profunda e sutil como nos relacionamos com ela. Nós não temos mais cultura (e nem paciência) para ouvir um concerto de uma hora. A música foi feita pra concorrer com o barulho do trânsito, com os vários sites que você vai abrir enquanto acessa o youtube, o último escândalo daquela celebridade nas revistas de fofoca, discussões na MTV, coreografias que serão copiadas pelos fãs, as tendências da moda, etc . Só isso explica a existência de cantoras como a Rihanna. Dissociado de todas essas informações, aquile som é uma verdadeira tortura.

(O post nasceu de uma tirinha do Laerte. Ela fez com que eu não me sentisse a única)

Contagem regressiva para o fim do mundo

Para muitos, 2012 é o ano do fim do mundo. Não sei quanto a vocês, mas eu simpatizo muito com a idéia e gostaria de realmente acreditar nela. Se o mundo acabar em 2012, isso significa que eu fiz muito bem em não seguir nenhuma das carreiras sérias que abandonei. Estou aproveitando meus últimos anos da maneira mais prazeroza, um verdadeiro carpe diem. O mundo acabar tão cedo também me daria o privilégio de nunca me tornar orfã e menos ainda viúva. As pessoas mais queridas estariam ao meu lado até meus últimos dias, e ninguém teria de lidar com a perda de ninguém. Isso sem falar que eu não enfrentaria a velhice.

Só que algumas teorias não prevêem o fim de mundo puro e simples, e sim a chegada de alienígenas muito evoluídos que virão consertar a Terra. Sou mais a favor ainda. Só é possivel amar a humanidade à distância, porque precisar das pessoas é péssimo. Existem aqueles que dizem que pela Lei do Karma o cego de hoje é um que cegou ontem, ou aquele que não tem o que comer já privou outros de comida. A mim isso soa como Lei de Talião. Nas injustiça do dia a dia eu costumo ver injustiças mesmo. Que venham os aliens de uma vez.

Mostre que me ama

Quando a gente só fala o que há de bonito e bem sucedido na nossa vida, acaba se sentindo um farsante. Ou nas horas ruins se esconde das pessoas porque se sente desconfortável ou continua vendendo a imagem constante de vencedor, numa atitude competitiva. Existem também aqueles que, na busca de uma intimidade imediata (ou como um pedido de socorro), vão se abrindo pra qualquer estranho. É aquele que quando ouve a pergunta “Como você está?” responde a verdade. Aí quem não quer falar com essa pessoa somos nós, porque ela esquece que cada um já tem o seu próprio fardo. Na Bahia existe uma expressão ótima, impraticável aqui em Curitiba, que é “não me conte seus problemas”.

Os relacionamentos normalmente começam com as partes boas, porque é difícil ser conquistado com queixas. Só que a gente não consegue manter o sorriso semanas e meses a fio. Um dia bate um problema e a máscara cai. O outro nos vê mal humorados, cansados, cheios de dúvidas e carentes. Descobre que temos bafo pela manhã e que choramos de orgulho ferido. Esse momento é decisivo numa relação. Ou tudo acaba ou…

A gente só acredita que é amado quando o outro nos vê fracos e não vai embora.

ERRATA: Li o comentário da Ana ao mesmo tempo que recebi esta resposta a um leitor anônimo. Achei tão tão pertinente que resolvi convidar meus leitores a irem lá. Existe realmente um certo prazer em assistir a fragilidade do outro.

Desvantagens de morar em Curitiba

Eu já falei de curitibanidades e programas legais pra se fazer aqui e até onde mijar. Como nem tudo são flores, achei que seria bom também o lado ruim de Curitiba- o que explica porque esta cidade possui dedos gelados.

1. Curitibanos

Para muitos, esse é O Motivo. Tem gente que acha que as qualidades da cidade não compensam o problema de ter que lidar com curitibanos o tempo todo. Esse problema é especialmente grave com nordestinos: primeiro, porque o sotaque nordestino atrai muito preconceito aqui. Segundo, porque o jeitão frio dos curitibanos é mais chocante pra pessoas que vieram de lugares acolhedores. Curitibanos têm cisma com nordestinos, negros, cariocas, paulistas… reza a lenda que eles só gostam de curitibanos mesmo. Pero no mucho.

Que dizer? É verdade sim, os curitibanos são antipáticos. Você pode passar anos encontrando alguém todos os dias, e ele conseguir te ignorar todo esse tempo. Você faz uma pergunta e as pessoas não têm o menor pudor de te deixar no vazio. Eles conseguem ser polidos e até mesmo sorrir de uma maneira tão nojenta que dá de vontade de socá-los. Curitibanos julgam pelas aparências e até por sobrenomes. Dava pra colocar uma infinidade de desvantagens só pra falar disso, então vamos adiante.

2. Clima

É outro motivo que afasta muita gente. Não faz mais aquele frio da minha infância, com semanas e semanas se arrastando pela casa enrolado no cobertor. Mas, mesmo assim, dá pra fazer sofrer aqueles que não estão acostumados. Hesitar em ir no banheiro por causa da água gelada ao lavar a mão, levar o aquecedor de um lado pro outro como um cachorro, dormir com pilhas de cobertas, falar fazendo fumacinha… essas coisas diminuiram mas ainda acontecem. Além do mais, é típico ter rinite, porque a cidade é muito úmida.

A grande variação climática é uma coisa inacreditável. Na maior parte do tempo, a gente vê a previsão do tempo à toda – basta chutar algo entre 5 e 25 graus. E tome sair cheio de casaco de manhãzinha, carregar tudo na mão ao meio dia e vestir tudo de novo no fim da tarde.

3. Motoristas

O trânsito de Curitiba tem ficado cada dia pior. Cada dia mais engarrafado e pegar ônibus não é tão legalzinho quanto a publicidade diz. Mas não é disso que quero falar, e sim da má educação dos motoristas. Pessoas que moraram em outras cidades garantem: o curitibano é o pior motorista do Brasil. Dirigir aqui é muito estressante. Não posso falar direito sobre o assunto porque eu não dirijo. Aqui ninguém gosta de deixar os outros passarem, o que dificulta e muito a civilidade. Seta na hora de virar? Não precisa – quem está atravessando a rua sai correndo e quem está atrás vai acabar notando.
Nem Hitler aguenta o trânsito curitibano!

4. Pobreza cultural

Já ouviu falar daquele escultor curitibano, o…? Ou do melhor grupo de dança curitibano, o…, o…? Não ouviu, né? Porque não tem. Pra algum artista conseguir se projetar, tem que sair de Curitiba. Todos os grandes aqui não são ninguém fora do Estado. E olha que pra ser grande aqui é dificil, por causa das impenetráveis panelinhas. Deve ser algo como Academia Brasileira de Letras, que só aceita membros novos quando alguém morre. Em certas áreas não há a menor renovação. Isso sem falar que o Paraná não possui uma identidade cultural. O máximo que conseguimos projetar é a nossa fama de antipáticos.

Do ponto de vista de quem consome a cultura, também há muito o que melhorar. Pra ver certas coisas, só indo pro eixo Rio-São Paulo mesmo. Ao fecharem a Pedreira, tiraram Curitiba da rota dos grandes shows internacionais. A vida noturna aqui, de acordo com o Saint, é bem fraquinha também. Nem um jornal regional decente a gente tem. A diagramação do nosso maior jornal – Gazeta do Povo – é um sofrimento visual. Algumas coisas tão atrasadas que não tem justificativa.
Tem outras coisas que eu considero ruins: ausência de ciclovias numa cidade que se diz capital ecológica, a dificuldade geográfica em sair daqui (só pra ir de carro pra Santa Catarina e São Paulo – Capital), dificuldades em deixar de ser solteiro(a), dentre outros. Mas nada muito grave, nada que merecesse mais um item. Como meu objetivo inicial era descrever 5 desvantagens, podemos dizer Curitiba saiu ganhando e têm mais vantagens do que desvantagens.

Política interna

Uma vez eu tive um amigo louco que andava muito grudendo. Aí escrevi sobre isso aqui, ele leu e deu piti nos comentários. Na época não consegui apagar e tive que apagar o post inteiro – o que foi uma pena, porque era um texto bem legal. Apesar do resultado positivo – porque o tempo provou que aquela amizade não valia a pena – desde então adotei a prática de jamais escrever aqui sobre alguém quando a coisa ainda está quente. Não por medo de perder amigos, mas sim porque certas coisas não merecem atenção.

Brigas podem se estender eternamente se os dois insistem em ter a palavra final. E fazer isso virtualmente fica mais ridículo ainda. Eu levo muito à sério lei de Murphy que diz: Nunca discuta com um idiota. As pessoas podem não saber quem é quem. Nas brigas que me meti, reconheço minha parcela de idiotice: se percebo que certos contatos vão dar merda, por que não me afastei antes? Conclusão: se não fui inteligente a ponto de evitar o confronto, posso pelo menos não ser idiota a ponto de publicizar.

Cortar o mal perto da raiz

Eu não sei como tem gente que mantém o mesmo corte de cabelo durante anos. Sério. Chega um certo tempo que eu não a-go-en-to olhar pra minha cara no espelho. Ao longo dos anos, já fiz de tudo com o meu cabelo. De mudança de cor à permanente. Confesso que isso de mudar de cor não é muito a minha praia – eu não gostava do cabelo quando me olhava no espelho e tinha difículdade em combinar as roupas. Ao mesmo tempo, percebi (e foi confirmado pela minha cabelereira) que cabelos curtos ficam apaixonantes nas loiras, porque as nuances do corte aparecem mais. Nessas horas me dá vontade de ficar com o cabelo de outra cor.

Não tenho mais aqueles rompantes de querer o cabelo de uma determinada atriz. Não sei se não tem nenhum corte inovador por aí ou se fui eu que percebi que não vou mais ficar parecida com elas. Adoro os cabelos desestruturados, mas o meu é fininho e não fica desse jeito nem com gel. Ao mesmo tempo, ele não é tão comportado assim. Crescer, apesar da torcida do público masculino, está fora de questão: além de não combinar com meu eu interior mais interno de dentro, o meu cabelo é fininho e fica muito ralo se deixo ele crescer muito. Fica parecendo aquele cabelo sem graça que a Xuxa tinha nos anos 80.

À distância, gosto muito do cabelo da Victoria Beckham, mas na real eu acho que ia andar o dia inteiro com um grampo na cabeça. Já tive muito o estilo Halle Berry, mas não quero mais contar tão curto e tenho um certo complexo com as minhas orelhas (o que sempre me impediu de adotar um Sinead O ´Connor nos dias mais radicais). Tenho uma certa atração pelos mais longos na frente e bem curtos atrás, o que me condenaria a uns 6 meses sem cortar se eu decidisse fazer.

Enfim, não sei se mudo ou continuo com um semi chanel curto de franja. Alguém tem algum corte bem legal (e viável) pra me sugerir?

A verdade está lá fora

Recém-saída da universidade, com 21 anos, eu achei que iria bombar no mercado de trabalho. Durante toda a minha vida fui boa aluna sem precisar fazer esforço. Meus professores, meus colegas de faculdade, todo mundo achava que eu era ótima. Só faltou alguém dizer isso pro mercado de trabalho, que me ignorou. Meses mandando currículos e esperando telefonemas que nunca aconteciam acabaram com a minha auto-estima.

Um dia, no meio de todo aquele tumulto, cheguei pra minha terapeuta junguiana e me dei alta. “Descobri que o meu sintoma é fazer terapia”. Pela cara, vi que ela ficou surpresa e não gostou muito. “Descobri que eu tenho que pensar menos e viver mais. Tem coisas que não se resolvem pensando, analisando; e é isso o que eu faço o tempo todo. Eu tenho que viver, me arriscar e agüentar o tranco”. Fizemos uma sessão de despedida, onde ela disse que as portas estavam sempre abertas. E apesar da descrença de nós duas, eu nunca mais voltei.

Hoje, estou ainda mais qualificada e ignorada pelo mercado de trabalho. Eu não sabia que trabalho, dinheiro e profissão se tornariam problemas eternos para mim. Desde aquela época, minha auto-estima oscila entre Dona do Mundo e suco de beterraba. Mas não tenho nada a acrescentar ao que falei naquela sessão. A vida é assim mesmo, cheia de altos e baixos. Quando a gente está no alto, curte; quando está no baixo, se recolhe esperando por dias melhores.