Encontro de Orixás

O que acontece quando uma Iansã hospeda uma Oxóssi? O que aconteceu na minha viagem a Florianópolis.

Quando a Camila me disse que o orixá de cabeça dela é Iansã, eu subitamente compreendi tudo. Assim como eu, a Camila não é praticante de nenhuma religião, mas encontrou no seu orixá de cabeça uma descrição fiel de como ela é. O mesmo digo eu em relação a Oxóssi, o arcaico caçador que é igualzinho a mim – quer dizer, eu sou filha e igualzinha a ele.

Os dois são caçadores, buscadores, fora do cotidiano. Nas nossas longas conversas, no passeio pela cidade, nos assuntos, nas idéias, no que falávamos sobre as pessoas… estar com a Camila foi o melhor da viagem toda. Dramática, conquistadora, fascinante, extrovertida – a Iansã-Camila é um imã de pessoas, de atenções, de oportunidades. Uma embaixadora extra-oficial de Moçambique, sem dúvida. Ela nos faz amar e valorizar a cultura africana – uma cultura que produz uma pessoa dessas não pode ser pouca coisa!!!

Eu, caçadora solitária, tive que lutar muito pra conseguir ser um pouquinho menos fechada. A Camila, senhora dos ventos, elogia, abraça e demonstra carinho com uma facilidade espantosa. Ela gosta de pessoas… e meu eu-Oxóssi gosta de solidão. Ficar ao lado de alguém que preza a intensidade, me fez ver o quanto eu sou correta e responsável. Mais do que de alegria e conversas, eu vivo de solidão.

Estar numa casa com um entra a sai constante de pessoas, com acontecimentos mutáveis, sem horários definidos, compromissos não cumpridos, conversas infinitas… foi algo totalmente contra a minha natureza. Por mais que a conversa seja interessantíssima (e os amigos da Camila são uns amores), eu preciso me recolher; por mais divertida que a reunião seja, eu preciso ficar quieta. E, em termos bem práticos, eu sofri muito com a fumaça de cigarro.

Estar em lar de Iansã foi feliz e sofrido. Iansã é fascinante, Oxóssi é alegre – mas também independente e silencioso.

PS1: Com relação ao congresso feminista, o que tenho a dizer é que as feministas sérias têm a imagem muito prejudicada por conta dos 90% das lésbicas e mal-amadas que abraçam a causa.

PS2: Nenhuma das minhas vacas foi aprovada. Vi uns nomes lá na lista que não sei não… mas tudo bem, a vida continua.
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Visita ao Hamilton

Cultivar os amigos é um problema; quando eles não usam internet, é um problema ainda maior. Tenho sempre mil coisas pra resolver, compromissos cronometrados, lugares pra passar, pessoas com quem falar, aulas para assistir. Sou do tipo que não gosta de janelas nos horários e sempre arruma algo pra adiantar, um texto pra ler. Semana que vem viajo pra um congresso (aquele -> .\o/.) .Pra piorar, não sou fã de vida noturna e sou um tanto quanto apegada a estar com o maridinho… (L)

Mas tinha prometido ajudar o Hamilton, meu único amigo escultor. Ele quer tentar mestrado em Antropologia e de escrever projeto eu entendo. Quando estava pra passar lá, antes das aulas, torci o pé. Ficou tudo atrasado. Normalmente, eu passo sempre perto da casa dele, que fica bem no centro de Curitiba. Meu pé melhorou mas sabe como é, mil compromissos… Minha consciência me dizia: você prometeu, agora tem que cumprir! Hoje o pessoal que ia fazer uma entrega aqui em casa cancelou e finalmente fui.

Quando cheguei, ele ficou muito feliz e me encheu de beijos. Vi seus novos quadros, novas idéias, novas exposições. O yorkshire dele (Billy) me adora e ficava trazendo bichinhos pra gente. Tomamos Tang sabor pêra (bom mesmo! Na minha época ele tinha gosto de tinta…) e ele contou pra mim causos de quando estudou na Argentina. Discutimos o projeto de pesquisa dele, falei de Bourdieu. Discutimos sobre arte, o que deve ser ou que não deve ser…

Em resumo, foi uma tarde agradabilíssima. Minha consciência, pra não se dar por vencida, agora me diz: pra que fazer tanto doce pra visitar um amigo tão querido?

Vacas de fora

Dia 16 foram encerradas as inscrições para a Cow Parade de Curitiba. Desde que soube da existência desse evento, fiquei babando, me perguntei que tipo de renome um artista deveria ter para ser convidado pra isso. Aí recebi há poucas semanas um aviso por e-mail que a Cow Parade vinha para Curitiba, e as condições para os artistas são as melhores possíveis: fornecem material, local, dinheiro, transporte das vacas. A única questão é tentar ser original tantas vacas depois.

Pirei na vacaquinha. Assim que soube, pensei em centenas de vacas – heroínas, voadoras, estampadas, do avesso, vestidas, incrementadas. Depois, funcionou o lado realista e pensei em projetos de fácil execução, à prova de vandalismos e com o mínimo de dependência de outras pessoas. Chegamos, assim a 4 modelos de vacas. Ao reler a inscrição, descubro que cada artista só pode inscrever 2 vacas. Penso nas melhores e elimino as outras. Eliminei a Vaca de Estimação e a Cowmuflada .

Agora, passeando de novo pelo site, descubro que uma das vacas que mandei era uma idéia tão boa, mas tão boa, que já apareceu na Cow Parade de São Paulo… Sim, estou com vontade de bater minha cabeça no teclado até cansar.

Teoria conspiratória eleitoral

Sabe esses candidatos sem chance e que aparecem na tv descendo a lenha nos outros? Tudo mentira – pelo menos a eleição deles. Eles podem ser subornados ou idiotas que se prestam a fazer isso de graça; o importante é que estão lá pra jogar farinha no ventilador. Ele não tem nome a zelar, pontos no ibope a perder, seu horário eleitoral é baratinho e garantido por lei… Com essa história de legendas pequenas, é muito fácil inventar um candidato sem chance e sem medo de atacar os outros. Eles falam mal em nome daquele grande candidato ou partido, que perderia pontos se apelasse para uma campanha de baixo calão.

Dias como deficiente física

Minha longa experiência de pés torcidos (nem sei dizer quantas vezes já torci ambos) me diz que o melhor é desistir de arrastar os pés por aí e usar bengalas. Elas são baratinhas (R$ 26 o par durante um mês), poupam o pé e dão mais agilidade. O complicado é a perda total daquele saudável anonimato das pessoas normais. A vida é dura para os deficientes, não tem como negar.

Sinto como se realmente tivesse me tornado uma deficiente física. Onde vou, é aquela comoção. As pessoas me olham com pena. São solícitas e se oferecem para fazer coisas. Todos os dias, professores, conhecidos e estranhos me perguntam o que aconteceu comigo. Uma faxineira me deu a dica de que eu precisava ser massageada por uma grávida (!?) para o meu pé melhorar.

É início de semestre e peguei muitas matérias com os calouros, que me olham com pena. Tenho vontade de falar – Ei, só torci o pé!!!!! Sair pra fazer um xixi no meio da aula perdeu toda a sua discrição, por mais que eu sente perto da porta. Agora eu sou um plic (som da pressão da bolinha) plac (som da bengala no solo) constante.

O pior mesmo é constatar que de bengala eu não sou nunca alguém a ser olhada com admiração. Eu já desconfiava, mas hoje tive uma prova irrefutável e patética. Fui pra aula com uma saia rodada que normalmente me renderia elogios… Como não teve aula, fiquei sentada no banco, de óculos escuros, esperando a carona do Luiz. Passou por ali uma colega de pós-graduação e a cumprimentei de longe. Ela me confessou, rindo, que assim que me viu achou que eu estava me fingindo de ceguinha para escrever minha dissertação…

The 80’s show!

aComo estou aqui de pé dodói*, passo um tempão aqui no computador sem ter o que fazer. Então, finalmente pude ver com calma um site que o Otaner me recomendou:

http://www.thebestlegaladvice.com/

Ao contrário do youtube, esse site não dá tags para colocar o vídeo no blog. Então aí vão minhas recomendações:

Loco mia
Fiquei simplesmente emocionada em encontrar este vídeo. Vale a pena rir de novo. Um ícone, um mito. Aqueles leques que impressionaram toda geração. Atenção para os bordados e o sapato de bico fino. E, claro, as maiores ombreiras dos anos 80 – em certos momentos, lembram os bonecos gigantes de Olinda.

B-52
Outro campeão no item exagero. O cabelo que mataria de inveja a mulher de Al Bundy; o tipo físico do vocalista era comum naquela época. Invejável o vestido de bolo de noiva da mocinha à esquerda. Atenção para as cores neutras e básicas de todo cenário.

Olivia Newton John
Nem ouso contar a história do clipe pra não estragar a surpresa. Veja até o fim. É uma das coisas mais politicamente incorretas que eu já vi. Ah, bons tempos aqueles!

Starship
Clipe de alguma vergonha na carreira de John Cusak e Kim Cattrall (a Samantha do Sex and the City). Deve ter inspirado a música também inacreditavelmente ridícula do Dominó, chamada Manequim – Manequim, teu sorriso é um colar de marfim/ vou te seguindo, Manequim/ e nem dá bola pra mim…

Bangles
Mais ridículo do que o nome da música (Walk like an egyptian) é descobrir que as pessoas assistiam o show fazendo aquela mãozinha. Vejam o clipe e aprendam a complicada coreografia. Se as pessoas nas ruas fazem, você também é capaz!

As ultra-românticas!
Quem não dançou uma delas, nas festas americanas? A maioria é trilha de filmes, não deixe de ver: Air Supply, Tracy Chapman, Toto, Carly Simon, Chris de Burgh, Berlin, Bryan Ferry, Gazebo, Heart, KC & The Sunshine Band, Nikka Costa, Lionel Richie, Peter Cetera, Steve Wonder…

*seria o segundo post reclamando disso, então resolvi poupar os leitores. Torci, fez barulho, está verde-aroxeado e estou de muleta. :/

O Fim

Não existe regra para O Fim. Mesmo para a mesma pessoa, O Fim não parece ter padrão fixo. Por isso, ele é difícil de prever e, pior ainda, de se produzir.

Algumas vezes, O Fim apenas concretiza algo que havia acabado há muito tempo. Um incidente, uma decepção de meses ou até anos, e que tentou ser contornada. Mas não foi – insidiosamente, ela foi corroendo em silêncio e apenas quando O Fim surge as coisas ficam claras. Por isso, às vezes um declarado fim banal tem por detrás um motivo muito sério, mas que todos pensavam que tinha sido superado.

Às vezes O Fim surge tímido, numa tentativa que ninguém acredita. Parece apenas um tempo, um afastamento… mas que por algum motivo nunca mais volta. A vida mudou imperceptivelmente e O Fim surge, sem maiores dores e mágoas. O mais comum parece ser quando O Fim surge tranqüilo apenas para um dos lados – o outro luta e sofre para que não seja O Fim. Mas luta em vão. Porque há fim e O Fim.

A falta de controle sobre O Fim é um problema. Porque às vezes O Fim é desejado mas nunca é alcançado. Algumas pessoas tem mais difículdade em colocar um Fim do que outras. As mais firmes criam O Fim assim que decidem que esta é a melhor alternativa. Outras, produzem vários fim, que apenas desgastam e fazem com que ela perca todo respeito diante das outras pessoas. Porque O Fim e o fim, quando forçados, têm em comum o efeito de produzir sofrimento. Ninguém fica indiferente diante do fim.

Eu sou uma diva!

(ou, pelo menos, me acho uma)

You Are Miss Piggy

A total princess and diva, you’re totally in charge – even if people don’t know it.
You want to be loved, adored, and worshiped. And you won’t settle for anything less.
You’re going to be a total star, and you won’t let any of the “little people” get in your way.
Just remember, piggy, never eat more than you can lift!