Último dia de 2005

Tenho uma visão meio rabugenta dessa coisa de mudança de ano. Talvez seja pelo excesso de festas – sempre tento lançar a campanha do Natal em Agosto, para distribuir melhor os feriados. Talvez seja trauma por passar tantas mudanças de ano junto com as visitas chatas e bêbadas do meu pai. Talvez seja a descrença nessa coisa de que tudo vai ser melhor só porque o ano mudou. Uma coisa é certa:

Eu ODEIO ter que ouvir sempre as mesmas piadas nos primeiros dias de janeiro – “faz um ano que eu não te vejo”, “a última vez que isso aconteceu foi no ano passado”… Se eu viver mais 60 anos, passarei 60 anos ouvindo SEMPRE estas mesmas piadas? As pessoas não se cansam nunca dessas brincadeiras???

Se eu me trancar em casa nos primeiros dias de janeiro, será que eu escapo?
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Uma tarde no Estação

Eu poderia dizer que ontem aconteceu o II Orkontro-Curitiba. Não coloco isso porque eu não vejo as coisas dessa maneira. Desde a última visita do Walter ele é, pra mim, um amigo que vive em Aracaju. E com a possibilidade de ele vir morar em Curitiba, talvez em breve ele tenha apenas a alcunha de amigo.

A mãe dele vive relativamente perto daqui. Pegamos ônibus juntos e fomos ao Estação, que estava agradabilíssimo – fresquinho e tranqüilo. Em pouco tempo demos a volta por todo o Shopping porque, como qualquer homem hetero, o Walter não se detém muito diante de vitrines. Fomos ao imperdível Museu do Perfume e ouvimos a propaganda do Lifeboey com a transpiração, o seu corpo exala um odor desagradável, que você não percebe, mas os outros sim! Ele conheceu o meu lado gulosa ao me ver tomar 700 ml de milk-shake de Ovomaltine, após provar do dele. Eu o vi fazer a compra mais rápida da minha vida – ele gostou da camiseta da vitrine, provou e levou.

Sempre tenho a impressão de que sou muito mais popular fora de Curitiba. Aqui, conheço muitas pessoas e, ao mesmo tempo, é difícil encontrar com elas fora do local que freqüentamos juntos. Digo isso porque ontem desejei dividir a companhia do Walter com alguém… tal como a Flávia fez quando estive em São Paulo. Fazer com que ele tivesse mais amigos aqui, porque é muito fácil ser amiga do Walter. Sabe aquela pessoa com quem se pode conversar sobre tudo? Inteligente, sensível, divertido, modesto. Seria um programão sair com o Walter e uma turma. Tenho certeza de que todos iriam adorá-lo. Será que sou eu que sou incapaz nas minhas amizades em Curitiba, ou os nativos que são incapazes de se misturar?

Seja como for (pelo menos no caso do Walter), esse pessoal não sabe o que está perdendo.

Orkontro-Sampa

Nossa, como ela é baixinha!

Essa foi a primeira frase do Orkontro-Sampa. Só pela sacanagem da Flávia em me dizer isso, já dá pra notar o clima dessa viagem! O orkontro-Sampa foi marcado por caminhadas infinitas pelos lugares mais paulistanos: Vila Madalena, Praça da Sé, Centro Velho, Anhangabaú e, principalmente, metrô. Não pude ligar para a Paula. O Gegê me deu a honra da sua companhia apenas durante um almoço – o suficiente para notar o quanto ele é querido, educado e atencioso.

Para ser bem sincera, de todos os orkontros, esse foi sem dúvida o menos orkôntrico. Me explico: todos os orkontros anteriores foram marcados pelo orkut. Falamos muito dos scraps, dos amigos, das DIs, piadas internas. Com a Flávia, o orkut apareceu uma vez ou outra. A coisa mais incrível do Orkontro-Sampa foi o quanto ele não pareceu um encontro de pessoas de net. Saímos – ora só o casal Di Nardo, ora com os amigos, ora com o Luiz – e falávamos sobre a cidade, coisas engraçadas, coisas pessoais, brincavamos. De repente eu tinha de me beliscar para acreditar que aquilo teria fim, que eu não era dali. A Flávia, o Elso, a Darlene, o Carlos e a (sou horrível para lembrar nomes) fizeram com que eu me sentisse apenas uma paulista (ops!) andando por aí com os seus amigos.

Olhando para a Flávia, com aquela voz de criança, linda, sempre sorrindo e gesticulando, me perguntei de onde veio a mágica. Não, eu não acredito que tenha havido uma afinidade tão especial e inexplicável assim entre nós duas. E nem posso achar que sou eu – afinal, eu me conheço (acho). O grande segredo do Orkontro-Sampa foi sem dúvida a própria Flávia, com sua capacidade inata de ser espontânea, alegre, e fazer com que qualquer um se sinta bem na sua companhia.

Em resumo, recomendo doses constantes e regulares de Flávia para combater o stress e o mal humor!

Aos meus leitores


Meu voto de boas festas.

E os que ligarem para este blog até dia 26, ouvirão o seguinte recado das nossas atendentes de telemarketing:

A Senhora Caminhante vai estar viajando nos próximos dias, então ela não vai estar acessando a internet e nem estar atualizando o blog. Por favor, queira estar retornando a este endereço eletrônico nos próximos dias. O blog Caminhante Diurno agradece a visita e lhe deseja Feliz Natal!

Orkontros

Encontrar um amigo de net nunca é apenas uma saída entre amigos. É um momento definitivo na amizade – ou ela se aprofunda, ou ela diminui. Não há meio termo. Como disse meu professor, não chegamos ao estágio Matrix; os relacionamentos virtuais, por mais interessantes e verdadeiros que sejam, tem seu ápice no encontro real. Ainda é no real que se conhece realmente alguém.

Por isso, a escolha do local é importante. Se a coisa não rolar, tem que ter uma saída pela direita. Ou um filminho para ver. Acho que foi nisso que o Walter pensou quando marcou comigo no Shopping e já tinha até comprado o ingresso. Nem precisava- tranqüilo, tímido, o Walter e eu conversamos como velhos amigos. Pontos turísticos também são uma boa opção. O Renato abusou desse recurso – me serviu de guia turístico durante dias pela Cidade Maravilhosa. Nasceu uma afinidade tão grande que nenhum dos dois esperava – ele consegue ser tão ou mais sentimental que eu! Em grupos, parece que sempre dá mais certo – como o Grande Orkontro Rio de Janeiro, com as presenças de Bob, Renato de Boca Aberta, Otaner, Milena, Bacon, AP e eu. Rimos muito – histórias da DI que eu conhecia e que não conhecia, loucuras de orkut, fofocas. Alguns deles eu passei a ter contato ali, como o Bob. Sem dizer que eu descobri a verdade sobre a Tia Edna!

Daqui há alguns dias, embarco pra Sampa, para mais orkontros. Já conheço a cidade – o que não invalida uma visita à decoração de Natal da Av. Paulista, que já sei que está linda. Conhecerei amigos que não tem em comum nada além do fato de morarem em São Paulo e serem meus amigos de orkut: a Flávia (vugo Ninja do Photoshop), o Gegê e a Paula (ex-Anônima Verdinha). Será que reuno todos, será que não? Será que dois dias vai dar tempo, ou vai sobrar tempo? Será que vai ser legal conhecer outros famosos como o Elson (namorado da Flávia) e Darlene (amiga da Flávia, que sempre coloca *doida nos scraps)? Será que eu vou gostar deles, e eles vão gostar de mim? Decepções acontecem…

Todo orkontro é a mesma coisa, as mesmas dúvidas. E todos valem a pena ;o)

Evolução de raciocínio

Eu – Antes, quando as pessoas viajavam, elas tinham que arranjar alguém pra ficar com o cachorro. Ou deixavam em casa mesmo. Hoje tem hotel de cachorro, porque se entende que você não precisa passar pros outros esse incômodo quando viaja. Você vai, deixa o cachorro no hotel, paga e pega de volta.
No futuro, pode ser que tenha hotel de bebês.

Ele -…!?

Eu – É, você poderia viajar de deixar o bebê lá. Não tem que obrigar os outros a cuidarem do bebê pra você. E nem levar na viagem. É só pagar uma quantia e depois da viagem é só pegar o bebê de volta.

Ele – Não é bem esse o sentido da paternidade!!!!!

É. Meu instinto maternal não é lá essas coisas.

gente, Gente, GENTE!

Eu deveria ter desconfiado. O restaurante vegetariano onde sempre como já está apresentando sinais de superlotação. Vou comer às 13h e parece que estou no horário de pico. Atribuí isso à pura má sorte, ou alguma palestra por ali perto. Tive a terrível certeza ontem.

Tive vontade de comer pizza em rodízio ontem. Saímos daqui umas 19:30, passei no shopping só para pagar uma conta e fomos embora. Estava faminta, só tinha comido uma banana de tarde. O shopping estava lotado e detesto comer em ambientes cheios. Fomos para a pizzaria onde sempre vamos. O estacionamento estava estranhamente cheio. Chegando lá, aquelas mesas enormes, grudadas. Nenhum lugar. Como, além de detestar lugares cheios, eu detesto ficar esperando, fomos para a filial da pizzaria. Não conseguimos nem estacionar. Faminta, dor de cabeça, apertada para ir ao banheiro. Fomos para outro rodízio. Lá, aquelas malditas mesas coladas de novo, um barulho infernal. Já eram 21 h. Famintos e exaustos, decidimos ficar.

De onde surgiu tanta gente? Está todo mundo em férias coletivas? Por que as multidões enfurecidas invadem meus trajetos e meus restaurantes preferidos? Devo me trancar em casa até essa gentarada toda voltar para os buracos onde ficam escondidas o ano inteiro*? Mais importante de tudo: onde está meu sabre de luz???

* excessão para fim de ano e carnaval na Bahia

Ortodontista cruel

Esperei a vida interia para usar aparelho. Quando era adolescente, eles era muito caros. Meu pai até tinha dinheiro para pagar, mas por puro capricho não pagou. Esperei ansiosa e dolorosamente o dia em que desentortaria meu dente bem na frente.

Quando esse dia chegou, me tornei a paciente exemplar. Mais do que exemplar, eu fiquei paranóica. Se o meu dentista tivesse dito que dormir abraçada com uma jaca ajudaria no meu tratamento, eu teria dormido. Qualquer coisa que ele pedia, eu seguia à risca. Para cumprir as 10 horas diárias usando o extrabucal, chegava a cronometrar. Nos últimos dias, o extrabucal me causava tanta dor nos ombros que eu cheguei a tomar Dorflex. Mesmo assim, só parei quando ele mandou.

Quando ele dizia para arrancar os pré-molares, ia praticamente no dia seguinte à dentista e tirava os dois de uma vez. Tudo para não atrasar o tratamento. Fui obediente no uso dos elásticos de Moon-ra. Sempre que ele me pediu para aparecer no consultório, eu largava qualquer coisa para ir. Quantas vezes minha mochila não ficou assistindo aula enquanto eu ia correndo ao dentista trocar de elástico? E quando tinha a opção de aparecer lá na sexta ou na segunda, aparecia na sexta. Tudo para não atrasar o tratamento. Já cheguei a aparecer lá 3 vezes em uma semana.

Toda essa luta fez com que eu ficasse 3 anos de aparelho. Ironicamente, meus dentes não tinham pressa. Tirei em março deste ano. Minha primeira providência foi tirar uma foto sorrindo, coisa que há anos não podia. Comecei a usar o extrabucal. Ele disse – só tire para comer e escovar os dentes. Eu só tirava para comer refeições grandes. Para os lanchinhos, continuava de aparelho mesmo. Só parei de fazer isso porque estraguei a solda do aparelho e me custou 25,00 reais consertar.

Agora, em dezembro, ele disse que provavelmente me liberaria para usar só à noite. Liguei agora para marcar a consulta e soube que ele vai tirar férias, está sem horário e só vai me atender em janeiro. E eu, como fico no natal, ano novo, fotos com os amigos em São Paulo?

Que vontade de chorar…

Presentes de natal

Hoje comprei os presentes de natal para a família de São Paulo. Fui na Feirinha do Largo da Ordem, e comprei lindos quadros com gatos para a minha querida tia e primo que moram juntos, e que adoram gatos. Para a outra tia, de gosto duvidoso, comprei um arranjo de flores secas de gosto duvidoso. Foi difícil decidir entre tantos arrnajos de gosto duvidoso. Tive, então, que realizar uma consulta – “Luiz, de qual desses a tua mãe gostaria?” Ele escolheu o mais duvidoso dos arranjos. Acho que minha tia vai adorar.

Comprar presente para a minha prima foi um problema. Fomos até o Atelier Aberto, onde encontrei antigos colegas de trabalho. A única com quem conversei, lamentou eu ter abandonado a escultura. Não desmenti – afinal, o natal é a época de tornar as pessoas felizes. Comprei um conjunto de bijoux que eu achei lin-do, tanto que comprei um colar igualzinho (só mudou a cor) pra mim também. O brinco eu já tinha. Como a minha prima só veste Triton, só vê MTV, só ouve música em inglês e só um monte de outras frescuras, nada garante que ela vai usar. Como ela não deve usar nada mais barato do que 50 reais, vai ficar com o conjuntinho de 17 mesmo e tá de bom tamanho.

Aula de yoga

Hoje assisti a primeira aula de yoga da minha vida. A professora é instrutora da Uniyoga, do Mestre De Rose. Deu uma aula puxada. Não consegui fazer algumas coisas, fiz outras que nem imaginaria. Todos ficaram satisfeitos, alongados, fortalecidos. E foi uma das experiências mais decepcionantes da minha vida.

Durante minha adolescência, li e reli os livros mais tradicionais de yoga. Além dos clássicos indianos como Bhagavad Gita e Ramayana, Annie Besant, Ramakrishna, Ramacharaca, Vivekananda eram os meus autores preferidos. Gosto de cantar mantras. Fiz muitas ásanas (posturas) em casa, decorei os nomes (em português, todas as em sanscrito para mim se chamam shuxechsixhsxasana), as pranayamas (técnicas de respiração). Sei tudo sobre os caminhos da yoga – hatha, karma, gnani e bakthi yoga. Na minha cabeceira, neste momento, está o livro do professor Hermógenes. Parei de comer carne vermelha e de frango aos 15 anos, por causa da yoga. Mas nunca, nesses anos todos, tinha colocado os pés numa aula de yoga.

Já havia tentado. Minha mãe, também fã de yoga, me dizia que o grande problema é que não basta que alguém aplique as posturas como quem passa um exercício. O instrutor de yoga deve ser yogui – com todas as implicações existenciais do termo. Em resumo: fazer a aula com uma adolescente, que acha muito massa os encontros com a galera do Brasil inteiro que a Uniyoga proporciona, que fala o tempo inteiro durante a aula e ainda por cima é gordinha, foi demais para mim.

Meus sonhos se partiram em mil pedaços hoje. Mestres como Pai Mei e Miyagui não existem mais.

Homens e cachorros

A Dúnia estava cada vez mais espalhada. Quando era pequena, não conseguia subir os degraus. Quando conseguiu subir, ficava com medo de passar pelo corredor. Depois, obedecia quando a expulsávamos. Depois, a coisa chegou a tal ponto, que tinhamos que fechar todas as portas e passar correndo de um cômodo para o outro para que o cachorro não se instalasse.

Como a nossa capacidade de educá-la já tinha ido pras cucuias, resolvemos apelar para meios físicos. O Luiz encomendou um portão de ferro com 1 metro de altura e pézinhos para impedí-la de subir. Eu falei – só pézinho não adianta, ela vai passar. Ele dizia que não, que o portão era pesado. E eu: isso não tem importância; o Quincas (poodle-toy) chegava ao ponto de tomar distância e sair correndo na hora de se atirar contra o portãozinho dele. E o Luiz, claro, fez da maneira dele. Os homens sempre fazem da maneira deles.

Agora, com portão, a cena patética é outra. Cada dia temos que inventar maneiras diferentes de burlar a teimosia e a inteligência da Dúnia – que já aprendeu a empurrar o portão de lado, a puxar madeirinha, a empurrar de frente, etc. E depois de cada vitória, ela vai direto deitar no sofá da sala de TV.

Ela só não ri da nossa cara porque cachorros não riem.

Churrascos e eu

Não vou. Chega. As pessoas insistem, falam das saladas (alface e tomate), dos pães, da presença, do companheirismo. Eu digo não com suavidade, incisivamente, explico. Nunca adianta – mas também nunca vou. O churrasco da academia vai ser dia 11, aqui perto. Do dono da academia, passando pelas recepcionistas e os professores, até a faxineira – todos pedem para que eu vá. Não seja má, Fernanda. Sou. O ano passado eu não fui e não vou neste de novo. Ainda mais com o preço de 12 reais.

Eu não como carne há 13 anos. Nesses anos, fiz concessões. E sempre é a mesma história – a salada é horrível, sou obrigada a comer uma quantidade absurda de pão e a carne me enoja. Mas tudo isso é a parte suportável. A parte insuportável é a maneira como as pessoas ficam horrorizadas e eu viro o assunto da mesa. Apelam para a minha saúde, dizem que é por isso que sou tão branca (somado ao fato de há anos eu não tomar sol, quem sabe). Os ânimos se alteram. Insistem, querem que eu prove. Fazem uma campanha pior do que se eu fosse fumante. Tudo para mostrar que adoram comer carne, que não conseguiriam imaginar suas vidas sem carne, que eu não comer carne é uma afronta. Paciência.

A bobona aqui já estava há anos sem ir a churrascos, churrascarias e afins quando resolveu abrir uma honrosa excessão à família do maridinho. Meu sogro fazia o churrasco em casa e eu era vítima de todas as coisas acima descritas. As horas passavam longas e torturantes, como sempre o é quando estou junto da família dele. A gota d’água foi quando me levaram para uma churrascaria onde o chão era tão engordurado que parecia uma pista de patinação. Idem para a mesa. Quando estava pela 3º vez me servindo do nhoque com gosto de cabelo, a tia do Luiz se aproximou de mim e me soltou uma indireta – de que sou uma anoréxica e por isso nunca como nada.

Quantas vezes temos que passar pelas mesmas merdas até aprender a não abrir excessões?

Cordeiro?

Eu não sou do tipo que vai metendo os cascos. Sempre tímida no contato inicial, falo manso, trato todos bem, faço brincadeiras, procuro ser simpática. Sobre curriculos e competências – falo só o necessário ou em último caso. De sogra a colegas de trabalho – ninguém acha que eu ofereço perigo.

Mas tudo isso não quer dizer que eu seja idiota. Que não saiba colocar limites e que não seja confiante o suficiente para saber até onde posso ir. Essa minha atitude tem aquelas vantagens e desvantagens daquilo que achamos que não nos oferece perigo: as pessoas se abrem, mostram o que são. As resistentes se sentem seguras. As solícitas, estimuladas. As dominadoras acham ganharam uma empregada.

Isso está acontecendo com o meu informante na pesquisa. De tão entusiasmado com o tema, acha que vou escrever a dissertação dos sonhos dele. Arranja entrevistados mas nunca me dá os telefones – tudo tem de ser feito por intermédio dele. Ele acha que vai dar pitaco em todas as etapas, em tudo o que eu escrever ou fizer . Minha sogra também pensou assim um dia. Nunca brigamos, é verdade. Agora me pergunte quantas vezes ela colocou os pés na minha casa nesses últimos 3 anos. Duas vezes. E numa delas eu ainda não estava casada.