Curitiba 30 graus

(Eu) Agora o bom é que está quente de verdade. Eu vivia passando vergonha na faculdade porque saía com uma roupa toda fresquinha de manhã, crente que ia esfriar, aí o tempo fechava e eu era a única de bermuda na rua.
(Colega) Isso nunca aconteceu comigo. Eu não corro esse risco, eu sempre vou pra aula de calça jeans.

Esse diálogo, na minha opinião, reflete exatamente o comportamento das curitibanas nesses dias de calor. Elas não correm riscos desnecessários (como eu). São mulheres impressionantes; sua força de vontade, pudor e elegância são capazes de superar quaisquer obstáculos, o que dirá de um calorzinho de 30 graus. Ao contrário dos outros anos, em que bastava esquentar um pouco pra chover todo fim de tarde e esfriar, desta vez o sol tem se mantido firme e o céu sem nuvens. Está fazendo um calor nordestino por aqui, juro.

Eu ando toda despudorada pelas ruas de Curitiba – de saia jeans e alcinha. Achou pouco despudorado? Pense que numa sala de aula abafada com mais de 30 pessoas eu era a única nesses trajes. Com esse calor, a maioria das mulheres está de jeans. Camisetas. Botas. Sobreposições. O recorde da foi sexta-feira passada, um dos dias mais quentes do ano. Era meio dia, e eu estava dentro de um ônibus lotado. Devo ressaltar que as janelas dos ônibus aqui abrem pouquíssimo, eles não foram feitos para o calor. E nesse mesmo dia e ônibus eu vi, com esses olhos que a terra há de comer, uma adolescente de calça jeans e jaqueta sintética de manga comprida!

E depois eu estranho que ainda me digam- você não é daqui, né?

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Amigos de orkut

1º fase: O início

Numa comunidade qualquer sobre um tema qualquer, algumas pessoas começam a chamar atenção de outras. Pela opinião, pela cultura, pelo humor, pela forma como escrevem. Essas pessoas começam a visitar os perfis umas das outras, se adicionam, trocam os primeiros scraps.

2º fase: A panela
A comunidade agora é tratada carinhosamente por uma sigla. As pessoas se conhecem pelos nomes, pelos avatares, trocam scraps intensamente e lembram do que as outras escreveram. A atividade no msn é intensa, às vezes em chat, às vezes a sós. Elas postam nos posts umas das outras, fazem referências a assuntos passados, respondem umas às outras, têm piadas internas. Outros membros da comunidade se sentem por fora e enciumados. Dizem que se formou uma panela, que eles se favorecem, que excluem os outros. Panela? Não, somos apenas pessoas com afinidades!

3º fase: O auge
Com tanta afinidade assim, as pessoas começam a planejar um orkontro. Alguém que tem um parente, que viaje a trabalho, que possa dividir um hotel. As pessoas da cidade prometem receber, facilitar, caprichar na recepção. Abrem-se tópicos sobre o assunto, quem pode, como pode, quando. Muitos porquinhos são arrebentados e depois de muitas combinações, chegamos ao auge do auge:

O primeiro orkontro
Não falte ao primeiro orkontro. Ele é lindo. As pessoas estão ansiosas e bem dispostas pra conhecer aqueles com quem conversam todo dia. Scrap, post, msn, webcam, mensagens privadas… nada mais é suficiente. Algumas pessoas já estão perdida e virtualmente apaixonadas. A expectativa paira no ar. Será fulana bonita como nas fotos? Quase nunca é – pessoalmente as pessoas costumam ter mais espinhas e quilos. Mas nada disso é suficiente pra abalar o primeiro orkontro. Nada abala o primeiro orkontro.

O primeiro orkontro vai durar muitas horas e ninguém vai lembrar de comer. São muitas histórias pra contar, pra relembrar, pra esclarecer. Aquelas coisas que você ria sozinho na frente do computador finalmente podem ser compartilhadas com quem sabe o que aquilo significou. Os casais finalmente ficam juntos. Pessoas que eram apenas fotos tornam-se reais. Os que moram na mesma cidade tornam-se amigos. Todo mundo sai torto de tanto rir. E ao voltar para o orkut, tudo se torna muito mais interessante.

4º fase: A decadência
É difícil dizer quando isso começa. Às vezes começa nos próprios planos para o orkontro, que deixam alguns de fora. Outras vezes magia se quebra depois de ver a pessoa por detrás do perfil. O fato é que as pessoas ficam menos tolerantes. A distância e o amor à distância começa a desgastar os casais. A panela se divide em panelas e as pessoas que moram na mesma cidade têm vantagens sobre os que moram longe. Segredos vêem à tona. Brigas. Ninguém quer que a magia acabe, todo mundo luta pra manter o grupo unido. Mas o fato é que num segundo orkontro as coisas não são tão legais.

5º fase: O fim
Os casais se separam e as pessoas tomam partido. Os posts já não são os mesmos; as pessoas se conhecem tanto que uma frase mal colocada pode soar como uma indireta. Com o esfriamento da comunidade, os assuntos em comum diminuem. Não há renovação e a chance de formar uma nova panela são mínimas. O passar do tempo mostra o lado B das pessoas e amizades se rompem. Daquele grande grupo de amigos, sobram alguns com quem realmente se conversa e uma grande quantidade de passado na friendlist.

Preguiça virtual

Eu já pensei em várias coisas legais pra escrever aqui e estou devendo um monte de conversas com meus amigos por msn. Isso sem falar no artigo que tenho que escrever para o grupo de estudos. Mas I can’t. Eu chego em casa, respondo scraps, e-mails e fico mortalmente cansada. Não cansada de sono, e sim cansada dessa tela, cansada de digitar senha, cansada de navegar. Pela primeira vez em muitos anos eu tenho preferido manter o computador desligado.

Os amigos que me desculpem, mas isso é prova de sanidade! Beijos! 😉

Sexo sem amor

Alguém por acaso conhece alguma mulher como a Samantha Jones, do Sex and the City? Pra quem não conhece a série, a Samanta era uma assumida admiradora do sexo – de carteiro a mega empresário, o importante é que fosse bom. Era muito mais fácil os homens se apaixonarem por ela do que o contrário.

Eu vejo mais mulheres com esse discurso do que mulheres que realmente conseguem aplicar. Chego a duvidar de que isso realmente exista. O que vejo por aí são mulheres podem até começar um caso por brincadeira, mas à medida em que os encontros prosseguem, elas se envolvem. Enquanto isso, os homens permanecem com a mulher só por sexo durante anos a fio. São capazes de saírem com outras, namorarem e casarem (o que nem sempre interrompe a história) com mulheres diferentes do que aquela moderninha com quem ele se dava tão bem.

Em alguns itens toda essa liberdade feminina fui muito desfavorável. As mulheres continuam românticas, continuam sonhando com igrejas e vestidos brancos; elas não assumem esses sonhos pra si e nem para os homens, e acabam se envolvendo em histórias “liberais” – de uma liberdade que na prática só favorece os homens. A homarada tá deitando e rolando e as mulheres cedendo cada vez mais fácil na esperança de serem levadas à sério.

Isso tudo é muito triste. Eu vejo mulheres fazerem sacrifícios imensos para estarem ao lado de um homem, e vejo poucos homens incapazes de lutar por uma mulher. E não adianta querer colocar a culpa nas mães deles…

Doe sua calcinha feia!

Serve também aquela cueca manchada ou o soutien esgarçado. O importante é fazer chegar a quem precisa. Mas quem precisa?

Hospitais públicos precisam. Há pessoas tão pobres que sofrem acidentes e depois que tem suas roupas cortadas (nem sempre é possível retirar a roupa de uma pessoa machucada) não possuem nem roupa de baixo para repor. Por isso, hospitais públicos aceitam de bom grado doação de roupas íntimas.

Descobri isso quando me inscrevi pra ser voluntária do Hospital Evangélico. Não cheguei a trabalhar como voluntária – não consigo nem olhar pra sapo atropelado! – mas freqüentei o treinamento e tive noção da importância que grandes hospitais têm. Roupas velhas vão para pacientes, roupas novas são vendidas e transformadas em dinheiro, revistas servem para matar o tédio ou virar papel reciclado, móveis ajudam a tornar a hospitalização mais confortável… tudo o que você puder imaginar tem serventia pra um bom serviço de voluntariado.

Eu faço doações regulares pro Hospital Evangélico, que foi onde meu irmão ficou e é um lugar que eu confio. Procure um local de confiança e ajude também.

A mesma balada muitos anos depois…

Transporte:

Antes: carona no fusquinha da amiga.
Depois: no carro com o maridão de motorista.

Mesa:
Antes
: “oi, posso deixar a minha bolsa aqui enquanto vou dançar?” e só voltar na hora de ir embora.
Depois
: reservada, com os amigos, em frente à pista.

Dança
:
Antes
: se dançar bem eu aceito. Se não me tirarem, eu danço sozinha!
Depois
: com o maridão e a turma.

Dinheiro
:
Antes
: contado pra entrada e uma única coca-cola – que deve durar a noite inteira.
Depois
: só perguntei quanto custou por desencargo de consciência.

A volta
:
Antes
: manter a compostura diante do porteiro. Tirar os sapatos só no elevador.
Depois
: Dúnia, já pra casinha!

O que não muda nunca: mulheres vampiras versus velhos babões, olhar os outros casais, gente sem noção, encontrar algum conhecido caçando, horror no banheiro feminino, ficar rouca de tentar conversar e cantar junto, calor!, voltar com vontade de atirar as roupas no fogo de tão fedorentas, pés inchados… e pensar – ah! por que eu sou tão preguiçosa e não saio mais?

Pessoas básicas

Uma vez eu trabalhei como secretária em um local que tinha uma alta rotatividade de secretárias. Um dos motivos que isso acontecia era dos mais diferentes: a dona do local ficava enciumada porque as secretárias em pouco tempo se tornarem amigas de todos, enquanto ela não conseguia fazer amigos com anos de convívio. Eu fiquei surpresa quando soube disso, porque a Fulana não era má pessoa. Não é que eu não gostava dela. Ninguém a destestava, assim como ninguém gostava dela em especial. Acho que é justamente aí a raiz do problema.

Ela era daquelas pessoas básicas. Nem tímida e nem extrovertida, nem bonita e nem feia. Usava muito preto, porque é básico e emagrece. As roupas eram sóbrias, ela nunca estava exagerada sob qualquer aspecto. Os assuntos que ela falava eram do dia a dia. Não era excessivamente culta e nem inculta. Não ria alto, não contava piadas sujas, não falava nada politicamente incorreto.

A gente sempre acaba classificando os amigos: tem as pessoas legais pra falar besteiras, pra fazer confidências, pra andar no shopping, pra pedir conselhos, pra falar sobre dietas, pra sair à noite, etc. Ela era tão neutra que na hora que acontecia alguma coisa ninguém pensava em falar com ela. Em resumo, ela era dessas pessoas que podiam desaparecer da terra que não fariam falta.

É como se diz: seja quente ou seja frio, porque se for morno…

Fudeu

Sobre o post anterior, é o seguinte: abriu a vaga pra professor substituto de sociologia na Federal. No ano passado abriu esse mesmo concurso, com 2 vagas. Eu quis fazer, mas como provavel formanda, mestranda e com outra graduação eu não podia porque a única exigência era ser bacharel em sociologia.

Agora o concurso abriu de novo, pra 1 vaga, e eu fiquei muito feliz. Pra vocês terem idéia, no semestre passado eu tirei 3 notas 10. Eu adoro sociologia, adoro dar aula, virar professora da federal seria realizar um sonho. Sem dizer que ficaria lindíssimo pro curriculo na hora de tentar doutorado. Lá na Federal o pessoal me conhece e quase todos gostam de mim. Estava super feliz, confiante, parecia um presente dos céus.

Hoje passei na secretaria e descobri que não posso tentar o concurso por culpa da burocracia. Legalmente, eu não posso ser considerada bacharel até colar grau – mesmo com o certificado de conclusão de curso da própria Federal! Então, por uma questão de algumas semanas (a colação será em abril), continuarei desempregada. Não posso tentar esse ou qualquer outro concurso público por causa de um juramento estúpido e uma assinatura.

Agora com licença, tenho que voltar pra minha cama e me sentir péssima.