53484516º vez

Ontem, na academia:


Fernanda: E aí, vai voltar pra faculdade?
Amigo: Não, fiz a matrícula mas não vou freqüentar. Esse ano ainda vou ficar tranqüilo. E você…?
F: Eu tô mandando uns curriculos, mas até agora…
A: Não, não foi isso que eu perguntei! Eu quero saber quando você (faz um gesto mostrando uma barriga de grávida)?
F: ¬¬

Hoje, na médica:

Médica: Quantos anos você tem?
Fernanda: 30.
M: Olha, eu tive meu primeiro filho aos 33, mas eu recomendo ter antes porque depois a gente fica meio sem paciência pra cuidar.
F: ¬¬

E pensar que eu fui achincalhada num congresso feminista porque disse que as mulheres sofrem muita pressão para engravidar – coisa que elas disseram que não existe mais. Ah, tá.

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Não me mostra que eu não quero ver!

Explicação do título:
Tem uma história antiga do Luís Fernando Veríssimo (se eu não me engano, é do livro O popular) onde os vários provérbios se encontram. Tem o ferreiro com tudo feito de madeira, os dois pássaros voando depois que o telhado de vidro quebra… Nessa confusão, tem um cego que passa a história inteira falando: Não me mostra que eu não quero ver, não me mostra que eu não quero ver!

Eu costumo ser confidente da maioria dos meus amigos. A amizade tem essa coisa engraçada, de começar sorridente e assim que a pessoa se apega e passa a confiar em você, a prova desse afeto vem em forma de te contar as coisas mais dolorosas. Talvez por isso eu não abra facilmente vaga para novos amigos, porque os poucos que eu tenho já me dão bastante trabalho.

Ultimamente tenho preferido cair um pouco no conceito das pessoas pra ganhar mais paz de espírito. Tenho percebido que as pessoas gostam de falar sempre dos mesmos problemas. Elas gostam de pegar o confidente e contar os detalhes mais dolorosos: do quanto o tal problema é realmente um problema; o quanto ela está sofrendo; situações horríveis que ela passa por causa de pessoas que se aproveitam desse problema. Aí a gente ouve, se envolve, arranca os cabelos, se preocupa, dá conselhos. A pessoa sai da conversa toda feliz por ser compreendida, faz as mesmas merdas assim que atravessa a rua e depois quer falar com você do quanto ela sofre. Pois é, amizades que se sustentam em confidências são circulares.

Agora, quando estou com amigos e as pessoas começam a dar aquelas deixas – as deixas, aquelas frases incompletas pra atiçar a curiosidade e te obrigar a perguntar o que está acontecendo – finjo que não percebi. E penso: Não me mostra que eu não quero ver, não me mostra que eu não quero ver!

Eu no BBB

Alguma mente sádica – numa dessas conspirações governamentais que pegam os inocentes – saberia o quão cara é minha privacidade e me colocaria no Big Brother sem eu nunca ter me inscrito. Quando eu acordasse, estaria lá: trancafiada com um monte de corpos sarados que falam UHU! pra tudo. Eu, que só dividi o quarto durante poucos anos com meu irmão, me veria dormindo onde não quero, com gente que eu não gosto. Isso sem falar na claustrofobia de um quarto sem janelas. “Maldito!”, eu gritaria numa daquelas tomadas aéreas dos filmes, em que a câmera se afasta do revoltado protagonista de joelhos.

Detestaria cada participante antes de qualquer oportunidade de me apegar, porque não tenho simpatia natural por gente idiota. A tentativa de sair pra meditar ou ficar quieta num instante me daria fama de louca. Os assinantes do pay-per-view detestariam minhas idas à piscina, porque detesto pegar sol. Nas festas, outro fiasco: não rebolo até o chão e seria a única sóbria. Naquelas provas de resistência, iria embora assim que a anunciassem porque não vejo utilidade em ficar tanto tempo de pé, ou pulando ou qualquer besteira do tipo. Sem meu lar, meus hábitos e minhas caminhadas, em pouco tempo eu perderia toda a polidez e viraria uma pessoa irritada e anti-social. Calculo que isso levaria não mais do que dois dias. Já me imagino perambulando o dia inteiro de pijama, cabelo desgrenhado e atacando a geladeira com cara de poucos amigos.

Aqui fora, o Paparazzo me esperaria pra um ensaio sensual recheado de photoshop. E o youtube com videos duvidosos. Este blog seria invadido de internautas à procura da valiosa informação: estarei ou não jogando? Meu marido seria uma prova de que eu não sou gay, embora algumas amizades me condenassem. Minha mãe decepcionaria o Bial por ser incapaz de dar um depoimento lacrimoso; meus in-law seriam valiosos para as revistas de fofoca. E, claro, jamais ficaria entre os finalistas.

Humpf!

Pra quem não acompanhou a história, foi o seguinte: a Flávia há algum tempo atrás postou uma camiseta que ela tinha feito sobre o tema do design, que é a área dela. Recentemente, uma turma de um curso técnico quis fazer uma camiseta para sua própria turma, e ao invés de brilhantemente fazerem uma linda camiseta, decidiram pesquisar camisetas prontas na internet e quem sabe pegar a já linda camiseta da brilhante Flávia. A Flávia não gostou e discutiu esse assunto no blog dela. Assim como um dia ela ficou sabendo do plágio, eles ficaram sabendo da queixa. O autor do post fez um mea-culpa. Uma colega de turma dele escreveu:

Marta

Ahh.. Ta se achando muito vc eu acho viu!!
A ideia é otima, se esta publicada, você corre o risco de isto acontecer!

Desculpa, mas é o que eu acho!

Bacana isso, né? Fiquei emocionada pela maneira delicada como a moça reconheceu o erro, pediu desculpas pelo gesto impensado, rendeu tributos ao trabalho excelente da Flávia e ainda por cima decidiu nunca mais pegar o trabalho dos outros sem autorização! Tudo isso em tão poucas palavras, quase um haicai!

(Depois a gente diz que a humanidade é uma merda e neguinho diz que a gente é amarga)

A menina que roubava livros

Quando fui comprar o presente de Natal do Luiz, me deram na livraria uns livrinhos, com trechos de alguns lançamentos. Um deles era o primeiro capítulo do A menina que roubava livros. Olha, achei interessante. Uma história narrada pela morte. Mas interessante é o único adjetivo que descreveria esse primeiro capítulo.

Quando fui renovar Os Miseráveis, a moça da biblioteca estava colocando A menina no estande dos Novos e Mais Procurados no mesmo instante que eu cheguei. Como não é todo dia que aparece um best-seller novinho – eu fui a primeira a emprestar! – na nossa frente, peguei. Sim, eu tenho um certo preconceito com best-seller. Ainda mais quando eles são totalmente best-seller. Enfim, eu superei o meu preconceito a ponto de pegar o livro, mas não a ponto de correr para a leitura. A menina ficou ali no meu quarto, intocado durante mais de 10 dias. Como tinha que escolher entre devolver ou renovar nesta quinta, decidi ler de uma vez.

Minha impressão sobre o livro: o maior número de lágrimas por página – tanto na média como no acumulado – em toda a minha vida. E olha que eu já li de tudo nessa vida. Agora pouco eu chorei tanto, mas tanto, que nem sei se consigo voltar a ler o livro hoje. Pros curiosos, acabei de terminar Quarta Parte.

A fórmula secreta

A amizade sempre foi um mistério para mim. O meu amigo mais antigo, o Luciano, é uma pessoa que nunca me liga e nem eu ligo pra ele. Como somos grandes andarilhos, às vezes nos encontramos pelo centro de Curitiba e conversamos a tarde inteira. E nesse esquema estamos há uns 15 anos. Muito mais próxima a mim parecia ser a Keila, que fazia trabalhos de faculdade comigo, me ensinou a gostar de dança de salão e vinha de uma família católica rigorosa. A nossa amizade não resistiu às minhas mudanças – estado civil, profissão, residência, amigos – que, em teoria, me tornaram mais conservadora e, por isso, mais a ver com ela. Tenho também amizades com pessoas que dormem às 19 horas por levarem uma vida regrada e outras que vão pra balada e fazem sexo com estranhos no banheiro .

Há muito tempo descobri que não são os hábitos que nos fazem amigos das pessoas. Desconfiava que eram os sentimentos em comum, como se a nossa superfície fosse mentirosa em relação ao que somos na essência. Com o tempo também comecei desconfiar que também não era isso.

Acho que o que me liga a pessoas tão diferentes e as vezes me afasta de pessoas tão iguais é algo simples e difícil, chamado respeito. Respeito pelo silêncio ou pela necessidade de falar muito; respeito pelas discordâncias e pelas confidências; respeito pelos sumiços, pelas mentiras esfarrapadas, pelas mudanças de humor. Eu consigo ser amiga de pessoas que fazem e pensam coisas totalmente diferentes de mim, mas não posso me manter perto de quem desrespeita as minhas escolhas – mesmo quando a escolha envolve deixá-las de lado.

Abrir ou não abrir?

Tenho pensado há algum tempo sobre esse filtro de leitores. A solução ideal, acho, seria se para ler o blog a pessoa tivesse de se cadastrar e não eu ter que autorizar. Sei que perdi alguns leitores por aí porque não tinha como perguntar pra que e-mail mandar a autorização.

Ao mesmo tempo, aqueles comentários idiotas eram bem irritantes. Vejo que isso tolhe um pouco a pessoa que bloga, porque o que a gente escreve fica solto na net e apto a ser comentádo por qualquer um. Não sei se mantenho as coisas como estão, se faço uma experiência…

O que vocês acham?