Idade

Genética, o fato de ser magra, de vestir roupas esportivas, de estar sempre usando uma mochila com um dinossauro pendurado e de estar fazendo faculdade contribuem para deixar a minha idade meio indeterminada. Mas um olhar atento e sem ingenuidade percebe que não sou nenhuma adolescente.

Certas coisas a gente vai abandonando com a idade. Imperceptivelmente, você começa a se sentir meio ridícula com aquilo. Como a moda de algumas novelas atrás de usar mini-saia com meia 3/4 coloridas. Eu adoro meias 3/4. Morri de vontade de também usar umas bem coloridas com mini-saia. Mas se em alguém de 17 anos aquilo já ficava um pouco estranho, que dirá 10 anos a mais… Não ia pegar bem. Assim como não pega bem usar roupas excessivamente peladas, curtas, coloridas ou baratas demais.

Tem outras coisas ligadas ao temperamento. Uma das melhores coisas de envelhecer é perder aquele monte de complexos e pudores idiotas que se tinha na adolescência, e aqueles que pegamos por osmose da nossa da família. Por isso eu acho meio fora do lugar uma mulher beirar aos trinta e ter muitos pudores para falar palavrão. Ou para ouvir piadas sujas. Ou para fazer sexo com o homem que ela quer. Ou para colocar as roupas peladas, curtas, coloridas e baratas- que não pegam bem, mas que só depois de certa idade que a gente percebe a besteira de deixar de fazer certas coisas com medo do ridículo.
Anúncios

It’s my life

Duas horas e meia para digitar 1 hora de entrevista. Dez páginas no word. Um livro para um trabalho. Três livros inteiros para ler e me interar de uma teoria que desconheço completamente. Releitura de um outro para fazer uma apresentação. Isso sem falar nas aulas de manhã, de tarde, academia, trabalho voluntário, entrevistas, grupo de estudos, cachorro hiperativo e marido.

Nem eu sei como consigo fazer tudo isso. Meu dia é curtíssimo e por mais que eu corra, sempre tenho milhões de coisas para fazer. A ironia é que nunca fui tão popular. E, sim, nunca fui tão feliz.

A volta da Abominável Fernanda das Neves II

Caminhante: Abominável, a internet é essa maravilha interativa. Estamos aqui com centenas de mensagens de seus fãs. Como o tempo é curto, selecionei algumas para que você possa responder ao vivo. Nosso amigo Max, que mora no bairro Boqueirão em Curitiba, diz:
Abominável, sou teu fã de longa data. Você é linda e todas as mulheres de Curitiba deveriam seguir o teu exemplo de beleza e simpatia. Gostaria de saber o motivo de você ter passado 6 meses fazendo o Caminho de Santigo, sendo que as pessoas normalmente o fazem em muito menos tempo.
Abominável: Realmente, as pessoas fazem em menos tempo. É que eu quis aproveitar melhor a paisagem e refletir bastante. Sem dizer que não quis andar muitas horas por dia para não ficar com as pernas muito musculosas. Max, obrigada pelo carinho. Um beijão para você e todos os teus amigos da zona rural!

Caminhante: Nossa amiga Regina, de Brasília, pergunta:

Abominável, também quero fazer essa peregrinação mística, pois sua tua fã e do Paulo Coelho. Mas não tenho um empregado para carregar as malas para mim. Como fazer?

Abominável: Regina, querida, a solução é muito simples: arrume um homem.

Caminhante: Por último, o Renato, do Rio de Janeiro, diz que é teu fã e pede para que você não se esqueça do teu fiel público carioca.
Abominável: Renato, meu lindo, nem precisava falar. Eu amo a cidade do Rio e os cariocas moram no meu coração. Eu tenho uma ligação cármica muito forte com essa cidade. Quem olha vovó, aquela senhora classuda, elegante, educada e saudável, nem imagina que ela é carioca. Um beijão para todos vocês, smack!

A volta da Abominável Fernanda das Neves

Despois de muito tempo longe do seu público, Abominável nos procurou. No seu humilde chalé, localizado em algum lugar das montanhas nevadas de Curitiba, Abominável estava muito à vontade. De pantufas apontadas para a lareira, dispensou o mordomo e a camareira para falar mais intimamente com nossa reportagem. No recinto apenas a personal dog da amável Dúnia, vira-lata russa que habita na casa.

Caminhante: Por que tanto tempo afastada dos holofotes, Abominável?

Abominável: Eu sei que as pessoas sentiram muito a minha falta. Me afastei porque eu want to be alone. Saí a procura do meu eu interior de dentro. Eu cheguei no Brasil na semana passada, estive no Caminho de Santiago.

Caminhante: Que magnifico! Foi enriquecedora a experiência?

Abominável: Muito! Desde então sou uma pessoa de ego menor, me desapeguei muito. O Caminho nos mostra a futilidade das coisas. Quem precisa de uma BMW, roupas Daslu, empregados? Basta uma malinha e alguém para carregar…

Caminhante: Alguém para carregar?
Abominável: Newman, meu criado pessoal carregou a mala para mim, era muito pesada. Uma mulher, como eu, não pode se expor a esse tipo de humilhação!

Caminhante: Claro, claro. E que outras lições você tirou dessa viagem arquetípica em busca do eu interior interno?
Abominável: Estava falando com meus empresários esta semana sobre isso. Quero que outras pessoas tenham a oportunidade de se enriquecer como eu. E que possam fazê-lo com mais conforto. Estou pensando nas milhares de peregrinas que passam lá e só tem aquelas coisas antigas no caminho. Alguém tem que construir um shopping lá. É um nicho de mercado para a qual ninguém está atento!

Caminhante: Oh, é verdade!

Tacos na chuva

Fale alguma coisa!- disse o Renato

Só nesse momento percebi que o Renato havia dito umas três coisas e eu só me limitei a ouvir. Eu tenho esses lapsos involuntários de vez em quando. Tento evitar- isso deixa as pessoas sem graça- , mas quem me conhece bem sabe. Quando estou tão à vontade, quando estou tão eu mesma e, principalmente, quando estou aproveitando bem o cenário. Estava vivendo um momento daqueles memoráveis: chovia pingos cada vez mais grossos. O céu de Curitiba estava azul bem escuro, quase anoitecendo. O ar estava fresco e nenhum pingo de atingia, pois eu estava sentada numa barraquinha de rua com um amigo muito querido, que comia o 2. taco da sua vida. Em toda a minha vida nesta cidade, nunca devo ter vivido algo assim. Nunca estivesse nesse local, tranqüila, feliz, com um amigo, vivendo uma chuva. Era algo muito, muito especial.

Ter uma história na cidade tem dessas coisas. Os momentos diferentes se tornam raros. Eu passo pelas ruas com pouca novidade e a rua XV em especial eu atravesso todos os dias. Olho para os lugares dessa cidade e digo: foi aqui que eu casei, foi aqui que eu estudei, passo aqui todos os dias… assim como digo: meu irmão ficou nesse hospital quando sofreu acidente, aqui eu levei um fora, aqui eu chorei… A história da cidade se confunde com a minha, o que faz com que meus sentimentos por ela sejam bem ambiguos às vezes.

Foi a primeira vez que recebi alguém na minha casa, que apresentei a cidade a um turista. Assim como nunca sabemos nada sobre nós mesmos, que impressões causamos, que idiossincrasia nossa chamou a atenção dos outros, é a mesma coisa mostrar a cidade da gente para os outros. No Rio, me chamou a atenção todos os canudos estarem protegidos por papel… qual detalhe terá chamado a atenção do Renato?

Reinício

Há 1000 anos atrás eu tinha um blog, “o mais incrível”. Quando eu o explodi, repentinamente, foi uma balburdia só. Recebi scraps no meu orkut reclamanto muito- meus fiéis 3 leitores acharam aquilo um crime.

A verdade é que aquele blog fazia com que eu me sentisse uma mala. Não que eu não seja (confesso, eu me acho uma mala), mas é que eu não sou de todo ruim. Entre uma crise de ansiedade e outra eu conto umas piadinhas para tornar o convívio comigo mais simples. E não costumo fazer citações a torto e direto quando converso com alguém pessoalmente.

Como fazer um blog sem ser chatíssima? Me parece que o blog mostra uma faceta tão microscópica, mas tão microscópica que ela se torna uma mentira. Como se alguém fosse sociável, profundo, sensível ou qualquer coisa o tempo todo. Ainda não sei se o blog é o cumulo da intimidade ou o cúmulo do faz de conta. Se falar para a platéia invisível nos faz sinceros como nunca fomos, ou apenas reforça o teatro das ilusões que gostamos de passar. Não sei.

Aos meus novos 3 leitores um aviso: eu não sou (tão) chata assim.