Happy end

Não me perguntem como, mas eu tirei 9 naquela prova onde eu chutei o que Lévi-Strauss pensava.

.\o/. <- eu inventei e uma certa Fugitiva não cansa de copiar

Noite completamente às avessas

Na semana passada, vi a seguinte propaganda no restaurante indiano:

“Noite oriental”
1º festival indiano de Dança Samkya em Curitiba
Venha participar de uma Noite Misteriosa com sabor da Índia. Jantar com 10 preparações típicas e sobremesa. Apresentação ao vivo de Dança Samkya – fusão de Danças Indiana, Árabe e Egípcia ao som de Harmônio, Kartala e Mrdanga. Os participantes receberão de cortesia uma aula especial com a Instrutora Internacional Yurami Sarah e sorteio de brindes.

O Luiz não se animou. Eu parti para as chantagens mais baixas – apelei para o nosso aniversário de namoro e ameacei ir sozinha. Tivemos de comprar convites antecipados, pois os lugares eram restritos e tal. O dono nos sugeriu ficar longe do local da apresentação, por causa do barulho; eu pedi o lugar no chão, que gosto de sentar.

Hoje foi a noite. Chegamos às 20 horas, como dizia no convite. O dono lembrava de nós, por causa da minha insistência. Ele percebeu que marcou errado nossos lugares no computador – ele havia me colocado do lado da apresentação e corrigiu o erro. Sentamos e logo fomos servidos por um llasi (suco com iogurte) de frutas vermelhas maravilhoso.

Pronto, acabou aí a parte maravilhosa e começamos a entrar no mundo bizarro. A aula de cortesia é no sábado, no mesmo horário que eu tenho aula. Nós éramos, por causa da localização, os últimos a serem servidos. Até a sopa foi tudo bem, mas na hora da comida eles serviram metade do restaurante e eu fui da metade que ficou olhando – ou seja, o lugar anterior era melhor. A música ao vivo eram 3 hare-krishna que tocam de graça no templo. Meu jantar chegou às 21:30 – e me encontrou de péssimo humor. Depois, nos deram uma bolinha doce do tamanho de um brigadeiro. Eu chiei – cade as 10 preparações indianas? O Luiz contou: 2 llasis, 2 samosas, 1 arroz integral, 1 bolinha preta, 1 pedaço de beringela, 1 preparado de batatas, 1 bolinha e 1 doce cremoso… é, 10 preparações indianas.

Hora da dança: primeiro, 2 alunas que faziam aula há 6 meses. Fizeram uns passinhos tão chinfrins que pensei cá comigo – eu preciso de uma tarde pra aprender isso! Depois, a instrutora. Sabe aqueles misturas que tem o melhor de tudo? É o contrário. Movimentos indianos estilizados, samba (!), dança do ventre e uma bateção horrorosa de pés no chão que eu realmente não sei de onde tiraram.

Eu achei tudo tão ruim, mas tão ruim, que na hora do sorteio de um mês de aulas gratis, eu disse “tomara que eu não seja sorteada”. ‘divinha? Sim, eu ganhei um mês de aula esquisita grátis. E a namorada do dono, que riu da minha cara quando fui sorteada, ganhou também.

Eu e a rede, a rede e eu

Assim que me mudei pra cá, colocar ganchos para a rede foi uma das primeiras providências. Quando meu pai me ofereceu um presente de casamento, não tive dúvidas: pedi uma rede. Ele, como pai, protestou, queria me dar um presente melhor, porque eu estava montando minha casa e etc. Mas eu lhe convenci quando expliquei que sofá eu encontro aqui facilmente – mas onde encontraria A Rede, como só no nordeste tem?

Quando estou bem, quando tenho tempo ou quando, como hoje, não estava bem e tinha tempo, vou para minha rede. O tempo ajudou e depois de semanas de céu cinza, ele se fez subitamente azul e ensolarado. Estar na rede é uma das coisas mais curativas que tem. Hoje, como tinha sol, dormi na rede. Noutros, a cura é olhar o céu sem pensar.

Nos dias de muito calor, não é possível ficar na minha rede ao meio-dia, porque nesse horário ela fica quente demais. Nos dias frios, como hoje, é o horário certo. Quando faz calor, o melhor é deitar de camisola. Quando estou estudando o livro, levo lápis e papel se for necessário. Quando a tarde está melancólica, nada melhor do que música e incenso. Nos dias de frio, uma técnica: deitar na rede completamente enrolada, senão a bunda gela.

Minha rede é meu bem precioso, muito mais importante do que qualquer sofá que eu poderia ter ganhado do meu pai. Aliás, minha sala ainda não tem sofá – isso pode esperar.

Pessoas diferentes

O meu Yahoo é em espanhol, da Espanha. Quase todos os dias, quando o abro, vejo isto:

Isso é revoltante, não acham? Aos latinos que tentam cruzar as fronteiras, eles oferecem cães, grandes, tiros e perseguições; ao cidadão espanhol, la lotería de la Green Card. Gente não é tudo gente? Por que a oportunidade de viver e trabalhar nos EUA é banal para o europeu e ilegal para o latino? :X

Ex-colegas

É batata: é só pensar em algum tema, que no orkut tem. Não estou falando apenas das comunidades hilárias (que são um capítulo à parte), como também de empresas, ruas, colégios, casas noturnas, linhas de ônibus. Dá pra montar toda a biografia se a pessoa começa a entrar nessas comunidades. Meu irmão encontrou uma do colégio que estudamos na infância, e que fechou poucos anos depois!

Achar um ex-colega acaba sendo a porta de entrada para muitos outros. Foi assim que aconteceu: digitei o nome de uma das poucas ex-colegas cujo nome e sobrenome eu lembro. Daí passei horas no orkut, encontrei todo mundo. Gente que mudou de cidade, de nome, de número no guarda roupa… Algumas pessoas legais, outras nem tanto. Umas se falam e fizeram comunidades particulares. Olhar para as comunidades ou frases e lembrar que era igualzinho há anos atrás. Uma viagem.

Tive vontade de adicionar uma ou outra pessoa. Aí vi que estaria encontrável, como todos os outros, e que em nome de 1 ou 2, teria que adicionar uns 40 que não tenho vontade.

Fechei tudo e com isso fechou-se o passado. É ótimo ter um perfil de nome mutante.

.\o/.

Meu trabalho foi aprovado pro congresso sobre gênero!

Eu só apresentei o trabalho por exigência do mestrado, o assunto do congresso não tem muito a ver comigo e eu (se tudo der certo!) já nem terei vínculos com o mestrado até lá. Mas, que diabos, é tão bom ser aprovada! De bolinhas de gude a trabalhos acadêmicos: ganhar é muito bom!!!!

.\o/. <- emoticon de sovaco peludo, patenteado por mim. É pra combinar com a temática feminista!

Merda emocional?

Numa sexta-feira dessas levei uma sacaneada básica de uma professora e mal contive minhas lágrimas pelo corredor da faculdade. Como mal continha as lágrimas pelo elevador, coloquei meus óculos escuros. Pela rua, as lágrimas grossas mal eram contidas pelos óculos, de maneira a me obrigar a tomar uma decisão: me desmancharei em lágrimas em público?

Como minha academia fica pertinho, fui para lá e chorei sentada na privada. Desde de criança, nunca tinha sentido tanta urgência em chorar fora de casa. Eu tenho um certo bloqueio com essa coisa de chorar em público; se tem alguém junto, eu acabo sentindo necessidade de segurar as lágrimas. Acho que é consideração com quem tenta me consolar – porque quando choro, eu choro mesmo! Chorei muito, devo ter ficado uns 20 minutos lá, aliviei total.

Reflexão primeira: chorar na privada é mesmo a melhor opção. Tem papel higiênico para limpar o nariz, tem lugar pra sentar. Tem pia pra limpar o rosto. Tem privacidade. Só não recomendo em banheiros com poucas privadas – atrapalha os outros e, por conseqüencia, quem chora.

Reflexão segunda e sociológica: vamos nos banheiros para esconder dos outros nossas funções fisiológicas mais fundamentais; na Idade Média, as funções naturais não eram algo vergonhoso ou a ser escondido. Hoje, a intimidade máxima de um ser humano é quando vai ao banheiro. Entramos lá e saímos, virgens; é tudo tão escondido que é como se não tivessemos excrementos.

Chorar é um excremento social. Nunca podemos estar fracos em público, nossa tristeza é vergonhosa, é um peso. Alguém chorando surpreende os outros, mobiliza todos à sua volta, obriga a um consolo, cria um clima ruim. Por isso, o melhor lugar pra evacuar e pra chorar é em casa. Quando não conseguimos nos segurar em público, o melhor lugar pra chorar é o escondido. Longe de casa, na rua, o único lugar onde a privacidade é inviolável é na privada – o nome já diz tudo.

Chorar na privada tem tudo a ver. Choramos e saímos novos. Assim como ninguém tem excrementos, ninguém nunca é triste.

Nunca esquecer – negras memórias, memórias de negros

Havia lá, no seio do navio balouçado pelo mar, lutas ferozes, uivos de cólera e desespero. Os que a sorte favorecia nesse ondear de carne viva e negra, aferravam-se à luz e olhavam a estreita nesga do céu. Na obscuridade do antro, os infelizes promiscuamente arrumados à monte, caíam inanimes num torpor letal, ou mordiam-se desesperados e cheios de fúria, estrangulavam-se; a uns saiam-lhe dos ventres as entranhas, outros quebravam-se-lhe os membros no choque dessas obscuras batalhas.

Quando o navio chegava ao porto de destino, uma praia deserta e afastada, o carregamento desembarcava. E à luz do sol dos trópicos aparecia uma coluna de esqueletos cheios de pústulas, com o ventre protuberante, as rótulas chagadas, a pele rasgada, comidos de bichos com ar parvo esgazeado dos idiotas. Muitos não se tinham em pé; tropeçavam, caíam, e eram levados aos ombros como fardos. O capitao voltando a bordo, a limpar o porão, achava os restos, a quebra da carga que trouxera: havia por vezes cinqüenta ou mais cadáveres sobre quatrocentos escravos.

Oliveira Martins
historiador português, séc. XIX

Toda primeira sexta-feira do mês, no museu do olho, a entrada é grátis. Fui lá encontrar um amigo, nos desencontramos, fui para a exposição. O museu é enorme, e sempre tem umas 3 exposições ao mesmo tempo. Optei por ignorar as outras e ver somente a Negras Memórias. Excelente, ambiciosa, uma verdadeira aula de história.

Mapas e um pouco de história da chegada dos negros e sua influência no Brasil Colônia

Pinturas de negros e por negros. A arte plástica negra nunca deslanchou, apesar do talento de seus representantes.

Interessantíssima essa mesa enraizada. Não guardei o nome de quem fez.

Esculturas em madeira de artistas negros contemporâneos.

Essas são do Expedito Rocha, escultor paranaense que – assim como eu – estudou com o Elvo. Ele trata a madeira como se fosse uma renda, é incrível!

Eu junto do painel com capas de discos dos negros na MPB. De Pixinguinha a Pelé.

A amiga da linda

Tem sentimentos antigos que voltam à tona de um jeito que a gente se sente de novo aquela criança/adolescente que passou por aquilo. Me explico: ontem estava conversando com um amigo que elogiou de cima abaixo uma amiga nossa em comum. Do linda à inteligente, passando devidamente pelo legal e divertida, ela realmente merece tudo isso. Ela é invejável – culta, estilosa, inteligente, divertida, viajada e tudo mais que a gente deseja e pra se consolar diz que é impossível ter tudo. Pelo menos aparentemente, ela é tudo. Bem, vamos parar de falar nela.

O que eu voltei a sentir é aquele sentimento de ser a amiga da linda. Não sei porque cargas d’água eu fui a melhor amiga de muitas mais lindas do prédio ou da sala durante a adolescencia. Uma coisa simplesmente ó-t-i-m-a para a auto estima: os meninos se aproximavam de mim como uma ponte pra falar com ela; quando ela estava por perto, eu era totalmente ignorada; as pessoas não sabiam o meu nome, somente de quem eu era companhia. Às vezes me perguntavam coisas como “em que andar vocês moram?” – eu falava o dela e quando ia começar a falar o meu, o sujeito já nem estava mais ouvindo.

Enfim. Mesmo hoje, passados tantos anos e tantas outras experiências que me ensinaram a me valorizar, lembrar disso foi voltar um pouco a ser aquela adolescente. Passei a ter HORROR a idéia de encontrar com minha amiga e meu amigo juntos. Não suportaria ficar ao lado dela, com toda aquela expectativa de conhecê-la, vê-la, verificá-la, senti-la… enquanto eu fico lá, como representante das mortais comuns. Fico imaginando que eu vou abrir a boca e ninguém vai me ouvir, que tudo o que eu fizer vai parecer uma sombra, que só vai faltar me esquecerem trancada no carro. NO WAY!

Quem mandou?

Hoje: prova de Antropologia e História, com consulta aos textos. Apenas três questões. Um aluno perguntou se podia fazer sem consulta; a professora disse que sim e que o avaliaria com mais complacência. Muitos decidiram fazer sem consulta, inclusive a CDF que vos fala. Guardei todos os textos na mala e sentei na primeira fila, como deviam fazer os sem consulta. Quando leio a 2º questão, surpresa terrível: a questão falava especificamente de um capítulo do Antropologia Estrutural; aquele texto que eu não li porque já tinha lido há anos atrás em outra matéria; aquele texto cuja aula eu estava dispersiva e com sono; aquele texto que eu enchi de desenhos atrás e coloquei aqui no blog.

Respirei fundo e foi. Escrevi as criticas às teorias que o Lévi-Strauss criticou naquele texto. Só não sei se ele concorda comigo.

Fios brancos

Parece que foi ontem quando eu me assustei que no topo da cabeça havia 3 fios brancos persistentes. Na época, até os apelidei. Eu disse pra mim mesma que ainda era muito cedo pra ter fios brancos, e que aquilo não combinava comigo. Estava convencida que de aquele erro pararia; fio brancos, definitivamente, não tinham nada a ver comigo.

A cada dia que passa, eles tem menos a ver comigo. Mas eles fazem questão de ignorar as minhas roupas coloridas, meu bom humor, minhas mudanças. O que era apenas uma pequena família no topo da cabeça, transformou-se num verdadeiro clã, espalhados pelos mais diversos pontos e – horror! – agora invadem a franja. No meu cabelo, castanho escuríssimo, eles ganham destaque facilmente. Já não ajeito o cabelo de algumas formas impunemente em público – há certas puxadas, certas regiões, certas maneiras de prender que são totalmente proibitivas.

Hoje me rendi e forcei o Luiz (que acha besteira essa cisma com fios brancos. Claro, em homem é besteira!) a arrancar vários. Enquanto puder arrancar, enquanto o tingimento for apenas uma opção, ficarei assim. Ter fios brancos já é velhice demais, quanto mais retocar raiz. Brrrr!