Uma imagem a zelar

Se o Lula tivesse um perfil oficial no orkut ou um blog oficial e colocasse algo como, por exemplo, aquela foto do Bob Esponja brasileiro, sem dúvida a coisa iria feder. Afinal, uma opinião dele, um reporter maldoso, um olhar sem boa vontade e uma piada podem tomar proporções inesperadas. Uma coisa dessas tornada pública pode afetar até mesmo a imagem internacional do Brasil. Então, o Lula deve ter muito cuidado. Ele carrega um nome que não é apenas o dele, é do país inteiro.

Tudo bem, isso é fácil saber. Minha grande dúvida é sobre o tal Nome a Zelar no nosso dia a dia. Médico, engenheiro, psicólogo, tem nome a zelar? Mãe, tia, prima? Amiga, colega, vizinha? E como saber os limites de tudo isso?

Eu tenho a foto do Bob Esponja brasileiro há meses no meu computador e hesitei muito em colocar – o que vão pensar de mim? Quando me dei conta, estava preocupada com a imagem virtual que podia passar pra meia dúzia de pessoas que lêem o meu blog! De mau gosto ou não, eu ri. E por que isso é menos publicável do que minhas reflexões? Esse tipo de atitude fala muito sobre nós mesmos. Por mais que tente, por mais que admire a sinceridade e ache que se preocupar com a imagem nos torna pesados, eu caio nessa armadilha.

Deve ser por isso que as pessoas jovens, por si só, são mais espontâneas. Porque não são Profissionais Sérios, Senhoras Respeitáveis e Cidadãos Responsáveis. E talvez por isso, a tendência natural de todo jovem seja perder a espontaneidade – na medida em que os anos passam e eles se tornam, também, Profissionais Sérios, Senhoras Respeitáveis e Cidadãos Responsáveis. É possível passar por tudo isso e não se deixar afetar? Ou: até que ponto se deixar afetar?

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NÃO ME ADORE!!!!

Claro que não sou nenhum monstro insensível que não gosta de ser gostada pelos outros. Quando eu uso o verbo adorar, o uso no sentido original do termo, o de adoração religiosa. Digamos que os relacionamentos sejam como uma escala: num extremo, a indiferença, somos meros conhecidos. No outro extremo, a adoração. No meio, o equilíbrio, a mais pura e livre amizade.

Não sei o por quê, se eu provoco isso, se procuro pessoas potencialmente adoradoras ou se esse é um fenômeno comum. O que sei é que conto no meu curriculo alguns casos de amizades em que as pessoas gostavam excessiva e sufocamente de mim. Soa algo até meio lésbico quando conto. Já recebi mensagem de celular assim: Oi Fernanda! Não paro de pensar em você (como o Luiz é romântico, pensei) nas últimas semanas… (ops, um admirador secreto?) Me ligue, quero muito te ver! (tá ficando quente!). Ass: fulana. MERDA, MERDA, MERDAAAAA!!!!!!

Chamo de adoração quando a amiga precisa de você para contar todos os passos, até mesmo o cardápio do café da manhã. Quando você passa alguns dias ou semanas ocupada ou cuidando da vida e, quando percebe, a deixou desamparada/ de bico. Aquela pessoa que te vê todos os dias e mesmo assim precisa falar com você por telefone, orkut, msn… e que no dia seguinte vocês não tem nada pra dizer uma pra outra, mas ainda assim ela quer conversar. De uma simples amiga, você se tornou essencial, necessária, irmã, confidente, superamiga.

Tem gente que gosta disso. A maioria das mulheres gosta disso. Da minha parte, sempre fui um pouco homem. Digo isso pela minha maneira sincera de me irritar, falar na cara e depois de aliviada achar que a amizade continua na mesma. Por ser extremamente independente. Por passar meses sem falar com uma pessoa e gostar muito dela. Por não achar que uma confidência ou favor cria uma dívida de sangue pra qualquer um dos lados. Principalmente, por sair correndo assim que percebo que uma mulher é grudenta.

O dia depois da festa

Se eu posso recomendar algo para alguém que queira fazer uma comemoração é: não comemore em casas noturnas. Não comemore em casas noturnas. Não comemore em casas noturnas! Será que fui clara?

A aniversariante convidou umas 60 pessoas, e fomos apenas eu, o Luiz, a irmã dela e mais um casal. Por sorte, eu já havia desconfiado que teria pouca gente e cancelei a minha fantasia de empregadinha vagaba. Meu visual ninfeta me dava aparência de 18 (18 ainda é ninfeta?) e as meias 3/4 chamaram a atenção. Mas nada que eu não pudesse passar por uma modernosa. O Luiz guardou a peruca e a camisa no guarda volumes e ficou muito confortável de camiseta. Dançamos e nos divertimos.

Quando fiz 1 ano de casamento também convidei umas 50 pessoas para um lugar dançante muito legal. E foram apenas 5 convidados, todos eles da parte do Luiz. Eu tinha mandado fazer um bolo enorme, com uns 10 quilos, e nem tive coragem de mandar servir. Já estava com cara de cemitério na “festa” e quando cheguei em casa chorei tanto, tanto, tanto, que o Luiz quase ameaçou me dar uns tapas pra ver se eu acalmava. Foi o fim do mundo, eu queria morrer. Me senti a mais ridícula, impopular e infeliz das mortais.

Agora, vendo de fora, e depois de alguns outros convites e fiascos de amigos, percebo que não é nada pessoal. A menos que seus amigos sejam todos “baladeiros”, as pessoas ficam com preguiça de pagar não-sei-quanto pra entrar no seu aniversário, mais o estacionamento e as bebidas. Festa que todo mundo vai mesmo foi como uma amiga minha, que chamou o Homem da Pizza. Todos os convidados eram generosamente servidos de um rodízio de pizza por conta da dona da casa. Entupiu de gente. Eu, mesmo sem conhecer ninguém, fui. Acho que só faltaram umas 3 pessoas – por motivos seríssimos, garanto.

Festa :S

Hoje é dia de festa. A aniversariante, no ano passado, resolveu fazer a festa em um local que eu não conhecia. Então, fui informada por outro convidado horrorizado de que se tratava uma casa noturna enorme, instalada num antigo bingo, com chopp à vontade e gente bêbada às 22h. Não fui. E, a outra, o outro… ela convidou quase a academia inteira e só dois foram. Na segunda-feira seguinte, ela estava de bico com todo mundo. Eu joguei a culpa no Luiz, dizendo que ele se recusou a sair da cama – sabe como é, dormimos cedo! Outra brigou com o marido, outro não tinha o filho com quem deixar…

Neste ano ela me perguntou o que eu achava da idéia de uma festa à fantasia. Eu disse que achava ótimo, que sempre tive vontade de ir em uma e nunca fui convidada. Ela se declarou apaixonada por uma casa noturna com vários ambientes – piano bar, videokê, pista de dança. Resolveu unir o útil ao agradável e fazer a festa lá. Fiquei entusiasmada, jurei que ia. Eu e o Luiz fomos na loja e ele reservou uma fantasia de Darth Vaider (ele sempre sonhou em se fantasiar de Darth Vaider) e eu uma de empregadinha-vagaba. Até comprei uma meia 7/8 com renda para curtir o antes e o depois da festa.

É hoje. Outros convidados à boca pequena me confessaram que não vão. O tal convite que ela disse que ia dar pra entrar no aniversário foi só um convite impresso, ou seja, temos que pagar as tradicionais entrada-consumação-estacionamento do local, que custa algo de 15 à 20 reais por pessoa! Mais 20 reais pelo presente… Festinha cara essa! Já tinha avisado a loja que mudamos de fantasia e agora vou de ninfeta – já tinha tudo aqui, será que isso quer dizer alguma coisa? – e o Luiz com peruca black.

E eu acordei febril e não consigo melhorar.

Eu, eu mesma e o André

Meu irmão sempre foi a pessoa mais popular que eu conheço. Não um popular qualquer, daqueles que tem um caderno de telefone cheio de gente com quem ele dá um alô de vez em quando. Popular no sentido de ter muita gente que realmente gosta dele. Até mesmo um ex-namorado meu, depois que passou 5 min na sala com meu irmão, sempre perguntava dele e dizia – “ele nem deve lembrar de mim, mas teu irmão é um cara muito legal!” Quando o André quase morreu no acidente de carro, uma das situações horríveis pela qual passei era ter de atender os amigos dele por telefone – eles queriam que eu os consolasse! – “você sabe que eu amo o teu irmão, eu não me conformo com o que está acontecendo!”

Tudo muito bom, tudo muito bonito. O problema é crescer ao lado de alguém assim. Nós dois temos apenas um ano e 16 dias de diferença (eu sou mais velha). Ao lado dele, eu era o contraste negativo. Se ele era o tranqüilo, o engraçado, o legal e o popular, a mim restava apenas o papel de irritada, chata, sem graça e impopular… Sabe aquela coisa da amiga feia que todo mundo só se aproxima porque ela é a porta de entrada até a bonita? Era assim que eu me sentia ao lado do meu irmão.

Eu passei anos descontado nele toda a inveja que eu tinha. Esse é um assunto em que ele se cala quando tento falar. Depois, assumi meu papel de pessoa chata e impopular. Não procurava mais ser popular e legal porque esses eram os atributos dele. Eu era seletiva e intelectual. Cada um com o seu público alvo.

Agora sou casada e não vivemos mais juntos. Eu adoro o André, ele é mais parte de mim do que qualquer pessoa no mundo. Mas sou obrigada a admitir que essa distância me faz bem. Por minha causa – pela minha inveja, pelas minhas neuras. Aff! Por que adoramos nossa família mas ficamos tão bem quando nos distanciamos dela? Tenho descoberto coisas incríveis ao meu respeito. Descobri que também posso ser engraçada e popular. Não tão ou mais do que ele – e sim engraçada e popular à minha maneira.

Dúvidas

Conheci artistas que diziam demoraram pra começar porque tinham dúvidas sobre se eram capazes de produzir algo belo. Eu tenho dúvidas sobre se seria capaz de dançar. E a Flávia, recém liberta do orkut, tem dúvidas sobre se seria capaz de escrever um blog.

O que sabemos fazer, sobre o que não temos dúvidas? Não temos dúvidas sobre a rotina, sobre o que sempre fizemos, sobre o que aprendemos quase sem sentir. Não temos dúvidas sobre como nos portar da maneira como sempre nos portamos. Eu nunca tive dúvidas se poderia fazer algo belo, pois comecei a esculpir com a argila que minha mãe comprava quando eu era criança. Eu nunca tive dúvidas se seria uma universitária, porque todos na minha família são universitários. Já se dançaria, tocaria ou representaria, tenho muitas dúvidas – ninguém da minha família faz esse tipo de coisa.

Enfim, temos dúvidas do novo. Mas não sobre qualquer novo – sobre o novo desejado. Eu não parei pra duvidar se seria capaz de fazer engenharia. Eu, engenheira? Duvido! Mais do que pela capacidade, pela total falta de afinidade com cálculos. A dúvida que nos corrói é a dúvida sobre o que desejamos. Como uma criança que duvida e deseja andar de bicicleta. Duvidamos porque somos adultos e, em teoria, sabemos fazer tudo o que devemos fazer. Mas, por estar no mundo, nos deparamos com coisas que ninguém nunca nos ensinou.

{Flá, preciso dizer mais alguma coisa?}

Eu orkutizo

A Regina se foi do orkut e com ela minha vida de orkutiana fica menos. Ontem descobri que estavam alterando legendas das fotos e fiquei muito irritada. Depois de zerarem os scraps, mais essa. E, assim como no caso dos scraps, fui uma vítima. Mesmo com tudo isso, é provável que eu seja uma das últimas a sair do orkut. Se um dia eu sair. Minha possível saída estaria condicionada a saída maciça das pessoas com que me relaciono no orkut. A Regina era uma das que estavam no topo da lista. Se por exemplo, a Flávia, o Sérgio e o AP saírem, não sei o que será de mim.

Eu sei e reconheço todas as desvantagens: o tempo despendido, a inutilidade da coisa, as dificuldades de conexão, as ações dos hackers, aborrecimentos virtuais totalmente dispensáveis com loucos virtuais surtados que cismam com a gente de graça. Mas eu não saio do orkut, apesar de todos os motivos. Talvez, a Regina seja mais corajosa do que eu – eu não saio do orkut porque acredito que perderia contato com as pessoas do orkut se saísse. Mesmo conhecendo-as pessoalmente. Mesmo adicionando-as no MSN.

Quantas pessoas na minha vida eram interessantes e especiais e uma simples mudança no cotidiano as retirou para sempre da minha vida? Muitas, talvez mais do que gostaria. Sem ter aquele professor, aquele ambiente de trabalho, aquela tarefa conjunta, é muito difícil manter a proximidade. Sei que não adiantaria tentar correr atrás de marcar encontros ou algo parecido. Nosso vínculo foi quebrado por circunstâncias exteriores.

O orkut me propiciou uma turma de amigos muito brincalhões. Pessoas cultas, inteligentes, com humor refinado, com quem consigo falar besteiras que dificilmente alguém do meu dia a dia acompanharia. As pessoas se reunem pelos mais diversos motivos – esse grupo se reune pelo humor. Ocupação tão nobre (ou mais) quanto qualquer outra, mas que normalmente não encontra espaço. Somos de diversos lugares e já brinquei que um grande orkontro com todos só seria possível no céu. Sem o orkut, sem comentar um post ou uma notícia maluca do AP, qual pretexto teríamos? Nos transformaríamos em amigos comuns, que fazem relatórios do seu cotidiano um para o outro? Quando leio alguns momentos brilhantes (como o Eu converso com as Charlies Angels!), não consigo deixar de achar isso uma pena.

Eu não sei. Tenho medo. Chegar em casa e saber que rirei de alguma besteira em algum scrap tem valido a pena. Manter contato com todo mundo tem valido a pena. Sou covarde – gosto dessas pessoas e acho que irei perdê-las se sair. Por isso, eu ainda orkutizo.

Bricolagem

Sim, eu pinto as paredes da minha casa. Primeiro porque é mais barato. Segundo porque contar com o marido pra fazer essas coisas é esperar meses pra que alguma providência seja tomada. Terceiro porque eu odeio pintor/encanador/pedreiro/eletricista/afins na minha casa.

Minha vontade era fazer curso de pintor/encanador/pedreiro/eletricista/afins e ficar totalmente independente. Ia economizar uma grana. E o serviço ia ser muito mais limpo.

Solidão

Estar só sempre foi um vício meu. Talvez a explicação esteja nos longos dias e noites com meu irmão, em casa, enquanto minha mãe trabalhava e estudava. Longos dias e noites e anos, se levarmos em conta que ela fez dois cursos superiores e um mestrado desse jeito. Ou por ter um quarto só meu, enquanto meus irmãos tinham que dividir um só. Não sei. Uma das minhas lembranças mais antigas é a de pegar um copo de coca e ir beber olhando as estrelas. Em pouco tempo, sempre me procuravam do lado de fora das festas.

Conheço pessoas que conseguem estar só acompanhadas. Que quando bate aquele momento introvertido, se introvertem no lugar onde estejam, com quem quer que estejam. Eu nunca consegui fazer isso, não consigo estar ao lado das pessoas e não lhes dar atenção. Para me sentir só, preciso estar fisicamente só. Silenciosamente só. Melhor ainda – acompanhada de um incenso e de uma brisa do cair da tarde.

Sou intensamente sociável quando sou sociável. E sou intensamente sozinha quando só. As pessoas não entendem como alguém que saiu, falou com todo mundo e foi tão divertida não queira repetir a dose de novo, de novo e de novo. Não tenho pique para ser extrovertida durante muito tempo. Como Ying e Yang, uma intensa extroversão me leva imediatamente para o seu polo oposto. E vice-versa.

Digo tudo isso porque estou só. O casamento nos desacostuma a estar só. E agora que estou só, intensa e fisicamente só… é como reencontrar um velho amigo. É como ser quem eu sempre fui. Sempre gostei de estar só.

E quem disse que ter blog é inútil?

Escrever sempre foi um prazer e uma frustração para mim. Gosto de expressar minhas idéias, de talhar um texto, de procurar a palavra exata para exprimir algo. Não é à toa que tenho diário desde os 13 anos. Escrever me ajuda a conhecer meus sentimentos – é como se organizar um texto fosse organizar o meu estado de espírito. Ao mesmo tempo, nunca tive capacidade de criar histórias ou escrever algo longo. Menos ainda sonhar em ter o talento do meu irmão.

Outra coisa frustrante sempre foi escrever para a faculdade. As normas de exatidão, fidelidade e citação de textos cientificos sempre me tolheram tanto que, por mais que tentasse, tudo que eu escrevia ficava sério e chato. Como colocar alma e calor em regras tão estreitas? Ou: Virginia Woolf conseguiria ser Virginia Woolf dentro das normas da ABNT? O que sei é que escrever para a faculdade, ao contrário de escrever qualquer outra coisa, era um parto. Tinha que começar com semanas de antecedência. Ler tudo o que havia sobre o assunto. Copiar todas as citações. Colar uma na outra até disso surgir um texto. Chato, é claro. Mas preciso, exato, científico.

Comecei a escrever este blog para soltar minha escrita. Eu, que sempre sofri para escrever 5 páginas acadêmicas, terei de produzir mais de 100 merecer o título de Mestre. Escrever é como um músculo que não pode ficar parado. Tinha a esperança de com este blog destravar um pouco a minha escrita. Devo dizer – deu certo. Estou radiante. Ontem meu orientador me deu as diretrizes de como transformar as minhas entrevistas em texto. Desde então, quase não saí da frente deste computador – o que não seria nenhuma novidade se eu tivesse o tempo todo ligada no orkut e no MSN. Não paro de escrever minha dissertação! Está ficando limpo e legível, como se eu estivesse escrevendo meu blog. E transformar aquelas entrevistas em texto faz com que eu me sinta uma escritora. Estou realizada, feliz.

Graças ao blog. E graças à você, leitor, que de vez em quando vem aqui dar um pitaco. Obrigada! :o)

Virginia Woolf

O que tenho a dizer é muito simples. De todas as formas possíveis de se escrever em prosa, a que eu gostaria de ter é a de Virginia Woolf. Orlando me conquistou de tal forma que passei anos sem ter coragem de ler mais nada que ela escreveu. Explico: Virginia Woolf inaugurou a prosa em fluxo de consciência. Fluxo de consciência me remeteu a Clarice Lispector. Li Clarice Lispector no 2º grau e fiquei traumatizada. Então, tinha medo de me desgostar da Virginia Woolf. Achava que nada no mundo poderia igualar ao maravilhoso e sonhador Orlando.

Então, no serviço de voluntariado, li Memórias de Um Cão. Emocionante, divertido; quem já viveu com um cachorro fica fascinado. E aquela fluidez e intimidade com as letras que faz o leitor viajar da maneira como ela quer, que congela uma ação até o infinito ou nos transporta rapidamente pelos anos com a mesma facilidade. O encanto persistia.

Agora, por causa do mestrado, estou lendo Um Teto Todo Seu: uma visão rica e profunda da vida num ensaio sobre a mulher e a literatura. São conferências sobre as mulheres – por que não existe um Shakespeare mulher?, ela pergunta. Depois, analisa as condições materiais determinantes na vida das mulheres e a literatura. E faz isso com uma graça, que este tema tão feminista simplesmente derrete nos olhos. Eu adoro Virginia Woolf. Gostaria de escrever como ela.

Ele me remeteu evidentemente àquele livro, àquela frase que havia despertado o demônio: a afirmação do professor sobre a inferioridade mental, moral e física das mulheres. Meu coração tinha dado um salto. Minhas faces inflamaram-se. Eu enrusbecera de raiva. Por tolo que fosse, não havia nisso nada de especialmente notável. Não gostamos que nos digam que somos naturalmente inferiores a um homenzinho – olhei para aquele estudante do meu lado – que respira com dificuldade, usa uma gravata comprada pronta e não se barbeia há 2 semanas. A gente tem certas vaidades tolas.

Virginia Woolf/ Um teto todo seu, p. 43

Celular novo!

Ah, meu celular novo! Em primeiro lugar, sinto uma alegria muito grande em ter me livrado da Vivo. Depois de uns 2 anos de Vivo, retorno à Tim como o filho pródigo – ou seja, com o rabo entre as pernas. Nesses longos e torturantes anos me tornei o terror do 0800 da Vivo. O acesso a net só funcionou depois de briga, briguei porque prometiam baixar tons e só tinha 2 opções (horríveis), briguei quando mudei de pré para pós porque o telefone demorou 1 semana para funcionar (a loja colocava a culpa no 0800 e vice-versa), depois sistema não reconhecia o meu número como existente (embora a conta sempre tenha chegado direitinho). Isso sem falar que o meu celular ficava sem sinal assim que eu chegava em casa. Sim, eu detesto a Vivo. E fiz questão de dizer isso a eles quando cancelei minha assinatura.

A Tim, além de oferecer 90 reais pelo meu aparelho (a Vivo queria oferecer 60 reais), me deu um descontão no celular novo. Troquei o chip com o Luiz e ele fica com o plano mais caro. Ah, meu aparelho, extremamente escandaloso, acende luz, tira foto e tem até estêncil para recortar desenhos e personalizar a capinha. Bem adolescentezão.

Ah, adorei!!!!!!