Curtas Ho Ho Ho

Tenho uma séria dificuldade de saber ao certo quando é o natal, já que meus dias continuam muito parecidos. Nem ao menos preciso me programar para comprar pão extra, porque a padaria aqui perto é daqueles lugares horríveis de se trabalhar que nunca fecham, no máximo diminuem o expediente.

.oOo.

Tenho agido como as pessoas em tempo de guerra e estou comendo tudo o que tem no estoque, fazendo combinações criativas e o escambau, tudo para não ter que passar no supermercado até o natal passar. Na última vez que eu fui, sexta-feira, a fila já estava enorme, pessoas abraçadas em latas de panetone, falta de suco de laranja, um horror.

.oOo.

Passar o natal sozinho é assim: no primeiro, na hora H, bate uma depressão, você se sente o mais abandonado. Depois você percebe que essa pena de si mesmo é uma forma de programação. No meio do caminho, você reexperimenta um natal comum e, enquanto está vendo Faustão ou fazendo sala, sente saudades de fazer o que quer em casa. No começo eu punha uma roupinha especial, comprava umas guloseimas. Fui desapegando tanto que no ano passado fui até afrontosa: marquei exame de sangue pro dia 25. Por incrível que pareça, não fui a única.

.oOo.

Tenho uma nova queridinha portuguesa, a Deolinda, que me foi apresentada pelo Ânderson. Pra ouvir música portuguesa é preciso conhecer e aceitar um fato: eles falam “estar pica” quando querem dizer que estão animados, aquela alegria cheia de adrenalina. Não tem nenhuma conotação sexual, é igual o jeito que a gente fala que está com tesão de fazer algo. Falam na música, no show, na maior inocência.

Que vocês também passem um natal muito pica.

Anúncios

Curtas natalinos

Vou dizer a verdade: o post de hoje é de curtas natalinos apenas para eu poder usar a figura ao lado.

 

.oOo.

 

Comprei um chocotone de supermercado, que estava numa super promoção e eles garantiam que tinha a mesma qualidade dos de marca. Fui abrir e claro que tinha uma gotinha preta aqui e outra lá, era praticamente um pão. Mas sabe que estava mais gostoso? Colocam essência e chocolate demais hoje em dia.

 

.oOo.

 

Eu pensava que esse ano escaparia de comprar lembrancinhas. Sempre dei presente pro pessoal da lavanderia, mas agora vou lá bem menos, achei que não ia rolar. Mas me deram presente mesmo assim e abraços, de maneira que tive que sair correndo. Uma das muitas coisas doídas da separação é admitir publicamente que acabou. E, por estranho que pareça, elas eram as que mais me doíam contar (o que nem foi necessário). Ali sempre houve um carinho mútuo, daqueles simples e sinceros.

 

.oOo.

 

Por falar em contar, praticamente mantive meus planos natalinos em segredo, que é pra ninguém sentir pena e querer me levar pra casa. Passei da fase de precisar de companhia a todo custo. Nunca fui muito chegada em natais, mas o povo tem certeza que na hora bate uma melancolia e quem está sozinho em casa necessariamente se entristece. Eu juro que não.

 

.oOo.

 

E já que estou nessa de ignorar data, me darei presente de natal só no ano que vem, com tudo em promoção.

Luzes de natal

Eu estava com o Vitinho no colo, e ambos estávamos na minha rede. Aquela, a minha, o meu lugar preferido da casa desde que eu me entendo por gente. Era dezembro. Eu calculo que tinha vinte e três anos na época, porque estava há meses de conhecer meu futuro marido e ainda não sabia. Vitinho devia ter uns… quantos anos as crianças têm quando já sabem falar e andar mas ainda são muito lindas? Andar não, correr. “Pode reparar” , me mostrou o meu pai, “que qualquer coisa que você peça pro Vitinho ou que ele tenha que fazer, ele vai correndo. Ele não tem paciência pra andar”. Era verdade, ele ia correndo, voltava correndo. Vitinho tinha toda pressa e toda energia. E tinha o corpo moreno magrinho de criança criada à beira da praia sem camiseta, um sorriso que abria à toa e formava uma covinha funda no meio de uma das bochechas. Vou chutar quatro anos, Vitinho tinha quatro anos. Então eu estava na rede com o filho caçula do meu pai, em dezembro, e já havia escurecido. Meu pai acendeu o praticamente único enfeite de natal da casa: um pisca-pisca que descia com uns fios e seguia por toda beirada da varanda. Todas as noites, Vitinho aguardava ansiosamente aquele momento. Aquelas luzes lhe pareciam tão mágicas, e ele ficava na rede comigo olhando pra cima de boca aberta.

– É tão lindo. A gente devia deixar essa luz aí pra sempre.

Aí eu disse que não, que eram luzes de natal. Luzes de natal, assim como outros enfeites de natal, tinham sua graça justamente na sazionalidade. Eles surgiam no final do ano pra demarcar que era natal, e tinham data certa para serem desmontados, que era no dia de reis, que se eu não me enganava era dia dez de… Meu pai intervém, e ignora tudo o que eu havia dito:

 

– Então se você quer a gente deixa essa luz aí pra sempre, filhinho. – e Vitinho sorriu uma covinha profunda.
Meu pai fez muito bem em deixar aquelas luzes ali. Ele já sabia – havia assistido aquele olhar pelo menos quatro vezes – que o pra sempre passa muito rápido.

A falácia do panetone

Quando digo que durante os dez anos de casados meus pais moraram em onze lugares diferentes, as pessoas perguntam se meu pai é militar. Não é. Eles se mudaram tanto porque ele tinha algum tipo de inquietação, que o fazia mandar currículo mesmo bem empregado e atender aos chamados de novos empregos, mesmo que em outras cidades. Isso numa época em que as pessoas trabalhavam na mesma empresa durante a vida inteira. Nunca vi alguém conseguir variar tanto um simples curso de engenharia química. Na minha cabeça, essa faculdade ensinava a pessoa coisas mais diversas, de eletrônica a marcenaria, passando por banho de cachorro. Porque meu pai sempre foi faz tudo, mexia em tudo e tinha trabalhado com um pouco de tudo. Por causa dele nós sabíamos que as empresas de sabão em pó colocam um produto para tornar a água mais turva, ou seja, mais escura. Quem aqui nunca colocou uma roupa de molho e ficou impressionado com a cor escura da água, porque não imaginava que a roupa estivesse tão suja? Pois é.

Com base nessa eclética experiência profissional, minha mãe sempre comprou panetones baratos. Aqueles produzidos pela padaria do próprio supermercado, os mais simples de todos. Ela dizia que meu pai tinha trabalhado numa empresa que fazia panetone, e que tinha visto que os panetones que iam para as latas eram os mesmo que iam para as embalagens simples. Por isso, era a mesma coisa comprar um panetone caro de lata ou comprar o panetone que só vem num saco plástico. Sempre acreditei piamente nessa história e confesso que até olhava com desprezo quem comprava panetone em lata. Uns iludidos, todos eles. Foi apenas a vontade de ter uma lata daquelas que me fez comprar um Chocotone Bauduco assim que eu casei.

Foi como uma revelação. Não era o mesmo gosto coisa nenhuma. Foi como seu eu tivesse provado panetone pela primeira vez na minha vida. Eu, que até então era meio indiferente a essa iguaria, quase comi o panetone sozinha. Era fresco, molhadinho, cheiroso, delicioso. É a melhor coisa do natal, o que me faz esperar por essa data o ano inteiro. Isso sem falar que a lata é uma gracinha.

Até hoje minha mãe nega a verdade.

Presentes

Desde criança eu gosto de fazer embalagens para presentes. Já fiz algumas que ficaram tão bonitas que valia mais a pena a pessoa deixar daquele jeito do olhar o que tinha dentro. Gosto de guardar fitinhas e diferentes papéis pra ter material pra trabalhar. Mesmo quando é só um embrulho, eu faço bem caprichado. Gosto de deixar o papel bem preso sem estragar a embalagem original, e deixar o durex bem discreto. Essa época do ano é especialmente divertida pra mim. Algumas vezes mantenho a embalagem da loja, porque eu sei que as pessoas gostam; quando são feias, refaço. Antigamente, quando a gente pedia embalagem para presente, o funcionário fazia na hora. Se ia ficar bom ou não, dependia só do talento dele. Agora, é tudo padronizado ou eles simplesmente nos dão o papel (adoro!). Eu sempre disse que se tivesse contratação especial para fazedora de presentes, poderia trabalhar no supermercado…

Desde que eu casei, em todos os natais ganho da minha mãe algum presente embalado de uma maneira bem troncha. Eu sorrio por dentro e penso “eu faço falta, né?”

Natal em agosto!

Todo ano eu acho que o Natal deveria ser em agosto. Neste ano, especialmente, dada a carência de feriados no segundo semestre. Ontem fui na FNAC pegar 5 fotos, às 23h horas, e enfrentei uma fila absurda. E está tudo assim, absurdo, a qualquer hora, em qualquer loja, em qualquer dia da semana. E as festinhas de confraternização? Há dois dias eu não como direito e é como se as minhas férias ainda não tivessem começado. Isso sem falar das comilanças que me aguardam dia 24, 25, 31 e 1. Ai, minha pobre (e eterna) dieta!

Ah, vai, alguém aqui acha que estamos comemorando o nascimento de Jesus? A coisa já começou toda torta, porque a festa do Natal foi criada pra coincidir com um feriado pagão. E eu, que nem cristã sou? Aleatório por aleatório, se o Natal fosse em agosto, ele não ficaria há apenas 1 semana do fim do ano.

(Fiz um filminho bacana no Bombay TV, mas ele dá pau no blog. Entrem aqui e vejam!)

Pré-Natal

A Dúnia precisa de um banho faz tempo, assim como eu de um lápis de olho e um demaquilante. Isso sem falar na vontade de comprar uma camiseta e fazer um fresquinho corte atrás, porque o verão curitibano agora é quente. Mas tudo isso tem sido adiado, porque mal conseguinhos chegar em casa com o trânsito a caminho do shopping aqui perto. Do mesmo modo, o volume de gente nas ruas me faz ter a impressão de que me mudei pra Tóquio ou pra Cidade do México e não estou sabendo. E – horror dos horrores – meu restaurante preferido que estava sempre vazio (o que o torna meu preferido) deu pra receber um monte de gente. Uns incultos que colocam adoçante no suco sem açúcar. Ódio!

O Natal não é minha época favorita. A única coisa que salva é ganhar presente, ou seja, justamente o lado capitalista da coisa. Mas neste ano a festa terá um sabor mais amargo do que os anteriores: minha cunhada ligou esses dias; chorou duas vezes, dizendo que somos todos uma família; que os meus sogros (muito saudáveis, por sinal) já estão velhos e que eu deveria ter piedade deles; e que a filha dela me adora e sempre pergunta por mim. Pra completar, terminou o telefonema dizendo – “venha apenas se estiver com vontade, não se sinta pressionada só porque liguei”. Ah, tá. Acho que finalmente vou mandar fazer uma camiseta com a mensagem Odeio gente.

Presentes de natal

Hoje comprei os presentes de natal para a família de São Paulo. Fui na Feirinha do Largo da Ordem, e comprei lindos quadros com gatos para a minha querida tia e primo que moram juntos, e que adoram gatos. Para a outra tia, de gosto duvidoso, comprei um arranjo de flores secas de gosto duvidoso. Foi difícil decidir entre tantos arrnajos de gosto duvidoso. Tive, então, que realizar uma consulta – “Luiz, de qual desses a tua mãe gostaria?” Ele escolheu o mais duvidoso dos arranjos. Acho que minha tia vai adorar.

Comprar presente para a minha prima foi um problema. Fomos até o Atelier Aberto, onde encontrei antigos colegas de trabalho. A única com quem conversei, lamentou eu ter abandonado a escultura. Não desmenti – afinal, o natal é a época de tornar as pessoas felizes. Comprei um conjunto de bijoux que eu achei lin-do, tanto que comprei um colar igualzinho (só mudou a cor) pra mim também. O brinco eu já tinha. Como a minha prima só veste Triton, só vê MTV, só ouve música em inglês e só um monte de outras frescuras, nada garante que ela vai usar. Como ela não deve usar nada mais barato do que 50 reais, vai ficar com o conjuntinho de 17 mesmo e tá de bom tamanho.