Curtas sobre e com eles

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Meu amigo Alessandro recebeu no Sarahah que é muito mais interessante por escrito do que pessoalmente. O que posso dizer a respeito disso, se fosse pra mim: assim espero.

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Meu irmão era o mestre em não brigar. Eu me aborrecia com ele e ele simplesmente não brigava. Reagia como se estivesse bem, porque se pra ele estava, então estava. Tenta ficar irritado com alguém que está de boas pra você ver, é muito difícil.

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Os problemas que tive com aparelho serem foram na terceira semana. Só que quando tento marcar consulta extra é sempre tão difícil e cai poucos dias antes da manutenção, que desisti e me aguento. Desta vez, o dente entortou, a mola passou por cima do arco, elástico saiu, eu ficava ajeitando com o dedo, feia a coisa.

-Você não faz ideia da surpresa que eu e meu aparelho temos para você esse mês.

-O que você andou fazendo de errado?

-Eu não fiz nada, quem fez foi a natureza.

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Já dei uma nota de vinte para o cobrador pedindo desculpas. Ele foi gentil e olhou para mim com enormes olhos verdes. Pensei em falar do quão grandes e verdes eram aqueles olhos e parei. Juro para vocês que ele praticamente batia as pestanas para que o detalhe não passasse anônimo.

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Curtas de silly face

silly-face

Uma coisa que me aborrece bastante em usar aparelho é a sensação de que o dente nunca está completamente limpo. E levando em conta que por mais que se escove é possível que ressurjam sujeiras de duas refeições atrás, não é só impressão.

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Como sou atrasada com séries, só descobri agora a Claire Underwood. Antigamente, correria no salão pra cortar o cabelo igual. Hoje já sei que não adianta, eu não ficaria maravilhosa daquele jeito. Outra coisa que eu aprendi é que cabelo curto em loira é outra história.

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Eu pretendia votar Nulo, aí cheguei na frente da cabine e só tinha botão de Branco. Eu jurava que antes tinha um botão Nulo. Ou não tinha?

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Tem aquele cachorro que lembra a Dúnia. A gente passava lá e ele latia. Aí adotaram outro, de uma raça que lembra boxer, mas ele é pequeno. Agora o filhote fica latindo pra gente, enquanto o pseudo-Dúnia olha tudo com cara de egípcia. É muito engraçado.

Curtas, digamos assim, mais biológicos

a felicidade vem de dentro

Desde que troquei uma obturação enorme, esse dente ficou sensível ao frio de uma maneira que a pasta de dentes sensíveis (que uso desde que coloquei aparelho pela primeira vez) não dá conta. Aí fico com dúvida se mudo para a comum ou se há níveis maiores de dores que eu não estou sabendo.

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Já que toquei no assunto, sabe aquelas pelinhas perto da unha, ou aquelas lasquinhas nos cantos? Por causa da aparelho, não consigo mais tirar com os dentes. Aí fico futucando aquilo até tirar nacos de carne. Ou até chegar em casa.

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Agora sobre barateza: precisava de um sabonete íntimo e achei um da marca do supermercado, que além de já custar mais barato, estava numa super promoção. Adivinhe: nunca tive coragem de usar.

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Não pegar friagem nas partes baixas é um conceito que passou a fazer todo sentido pra mim depois que eu coloquei DIU.

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Sabe a gente come algo que solta o intestino e vai várias vezes ao banheiro? Chega um certo ponto que você sabe que aquele cocô não é do dia anterior, porque já foi. Eu fico olhando para eles e tentando imaginar a data – seria este o junkie food de 2003?

Curtas porque a vida é feita de pequenas vitórias

you can do

Num dia você tem dentes branquinhos e perfeitos e quer morrer de pensar em exibir dentes com braquetes de novo. Nem tanto tempo depois, acha que ganhou um presente porque o ortodontista concordou em, daqui há meses, trocar seis braquetes metálicas por estéticas.

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Meu supermercado voltou a vender Gengibirra, bem timidamente. Achei uma perdida na Páscoa, que abracei e levei como se fosse um ovo kopenhagen. Depois começaram a aparecer uma aqui e outra ali. “Vou aproveitar que não tenho nada pra levar e passar no super pra comprar uma Gengibirra”. Tem que mostrar pra eles que elas fazem falta.

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Nem te perguntei, Ernani, mas tenho que eternizar isso:

Viu, Fernanda? Tua foto está invadindo todos os espaços do Sul21. Quase todos os blogs foram grilados pela tua foto. Os colunistas devem ser os próximos. Mais umas horas e tua foto substituirá as ilustrações de todas as matérias. Primeiro o Sul21, logo o mundo.
Philip K. Dick poderia escrever um conto com isso.

Meio sacanagem colocar como vitória a ocasião em que invadiram um site que me hospeda, mas não é todo dia que chego perto de conquistar o mundo.

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Eu tinha uma sala de estar envergonhada, tudo meio branco, material de costura pelos cantos, bicicleta numa parede distante. Dia desses enfezei, e resolvi assumir de mim para mim mesma que ninguém nunca vem aqui, muito menos para jantar. E se por acaso alguém aparecer, vai ser um ou outra vez na vida. Reorganizei tudo, transformei num grande atelier de costura e deixei a bike bem visível e de fácil acesso. Cada vez que passo por ali sorrio e me parabenizo.

Aparelho, crush e solidão

te creo

Logo depois de colocar o aparelho, olhei meu reflexo e disse que estava horrorosa. Meu ortodontista defendeu seu trabalho e disse “ah, não fala assim!”. Talvez, de tanto colocar aparelho, ele consiga ver beleza em dentes metálicos. Já eu sentia minha boca enorme, obstáculos, coisas em lugares que até meia hora e dez anos atrás estavam lisas. Eu ainda era aquela, lisa. Coloquei massinha pra dormir, xinguei muito no twitter, economizei sorrisos. E por força, há tantos dias sem nunca ter trégua na sensação, sem poder tirar e nem me recusar a continuar, tenho deixado pouco a pouco de ser quem eu era. Durante quanto tempo a gente consegue resistir e guardar algo que não está mais lá? Falo mais do que um sorriso branquinho – falo do calor, dos assuntos, dos objetos, das expressões nos olhares novos e antigos. Estou falando da vida que muda de forma contínua e em todos os detalhes. Quando estamos infelizes queremos correr, correr, correr. Corri, consegui, agora estou em outro lugar. Nem melhor e nem pior, outro. Aí me pego segurando as lembranças como quem atravessa uma piscina com um papel na mão. Eu não sei mais o que é estar acompanhada. Eu desligo o alarme de manhã, eu apago as luzes da casa à noite. Imito os uivos da Dúnia quando vou encher o pote de água, como diante do computador, verifico os risquinhos na bateria do celular, carrego quilos na mochila em viagens de ônibus pela cidade inteira, em qualquer horário. Um dia não foi assim, eu me lembro; quando eu tinha outro nome essa casa tinha mais gente, eu não conseguia dormir sozinha e comentava em voz alta qualquer coisa interessante que via na internet. Um dia meus pés foram bonitos, meus cabelos enroscavam e a minha pele era macia. Hoje não sei. Olho para essas lembranças e… vai ver que são apenas implantes de memórias, igual dos replicantes. Eu me pergunto qual o ponto de querer um homem. Fora o hábito da carência e da programação feminina, fora o sexo, qual o ponto? Fui acusada de não querer realmente nada com ninguém, senão teria tentado me aproximar do crush. Um crush que nunca esteve longe, em nenhum sentido. Não nego. Agora ele está com namorada e “Olha a prova de que eu não tinha chance, quem gosta de uma perua dessas jamais gostaria de mim!” – digo com a certeza de quem se vê no lado oposto às peruas. Mas qual lado é esse, o que um homem buscaria em mim? Nunca soube direito, nunca fui boa nisso. Eu era recém-formada e morava com a minha mãe a última vez que essa questão se apresentava. E achei, quando me casei, que essa questão estaria resolvida para sempre. Eu me desacostumei em ter quem se importe com os meus horários, me veja nos fins de semana e se apresente como algo meu. Eu estou tão só – às vezes isso é flutuar, às vezes é não existir. A vida tem trocado todas as células e os objetos de quem eu fui, nos mínimos detalhes, até nos que ainda amo. Minha solidão é dor e é incômodo, mas também é meu berço, meu alimento, meu cobertor. Carrego comigo galáxias, desenho em nuvens, choro e sorrio pro vento, à espera de saber o que fazer com tudo isso.

Curtas pra reclamar

eu to na internet pra reclamar

Existem duas etapas sobre decidir escrever, uma fácil e a outra difícil. A fácil é “Vou escrever um livro sobre X”. A difícil é tudo o que vem em seguida.

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Um lado meu gosta de flamenco mas outro… pelamordedeus, vocês sabiam que existem outras formas de cultura?

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Existe um caso de amor entre grãos de arroz e aparelho.

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Em algum lugar das regras de etiqueta internéticas facebookianas, deveria estar escrito que não se atualizam eventos do facebook diariamente. Pra isso existe blog.

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Baladas perdem a graça para comprometidos. E festas de casamento – descubro agora – perdem a graça para solteiras quando não há perspectiva de homens interessantes. Crente comigo não dá, MESMO. Sorry.

Curtas bobinhos

espacateEu e minha eterna vergonha de comprar vaselina. Comprar camisinha seria mais fácil.

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Quando descobri que tinha Guerra e Paz na biblioteca em edição de bolso, estavam lá os volumes 1, 3 e 4. Supus que o 2 estava emprestado e peguei o 1. Quando devolvi o 1, o 2 já havia voltado e peguei o 3. Aí não tive mais tempo de ler, devolvi, peguei de novo e finalmente terminei. O 4 não estava lá. Porra, outro leitor do Guerra e Paz, você quebrou a corrente!

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O aparelho. As braquetes não são parte da boca. Ela ressecam, grudam na gengiva e machucam. Aí a gente tem que ficar descolando a boca, enchendo de saliva, passando a língua. Ô trem chato.

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Toda noite tenho sentido vontade de tomar chá. A mudança é possível, a humanidade tem jeito sim.

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Sobre os piores conselhos possíveis: os meus. Meus conselhos sempre se encaminharão para pés quentinhos, contas pagas e coração tranquilo. E, definitivamente, não é isso o que as pessoas buscam.

No vuelan

Eu não diria que é uma dor, não uma dor no sentido de dizer Ai, uma pontada ou uma pequena morte. É um incômodo, um não esquecer nunca, uma vontade de arrancar com a mão. Semanas e semanas tendo que fazer a parte chata da vida adulta de ter que ser responsável, reivindicar, correr atrás, tira dinheiro daqui e coloca em acolá. Me vinha à cabeça o dito que a vida adulta vale a pena somente pela permissão que temos de beber álcool e fazer sexo – eu me repetia, então, que diabos estou fazendo, já que não tenho praticado nenhum dos dois. Agora, espero sinceramente, a coisa está se acalmando, e tomara que suma a sensação crescente de que a passagem dos anos é como naqueles filmes que os protagonistas ficam presos entrem paredes que não param de se aproximar. Quase todos os dias me proponho a continuar o Guerra e Paz, mudo de lugar, coloco na bolsa, mas só tenho mesmo levado o livro para fazer turismo. Enquanto isso a amiga ainda vai casar e quer confirmação, as alfaces precisam ser colocadas de molho antes que eu possa comê-las e o mundo insiste em ignorar meus sábios conselhos, que dirá as minhas dores. Mesmo com o incômodo do aparelho, o arrasto fora da cama quando o alarme toca, as disputas insanas entre coxinhas e petralhas, eu quero escrever. Não tenho saco, não tenho inspiração, não tenho tempo, tenho dor e solidão. Tenho dúvidas e lentidão, choro vendo Cosmos e me sinto insuficiente. Mas um dia eu sei que nem vou conseguir lembrar de nada disso que hoje me espreme tanto. Que não vou entender o que havia de tão difícil num conjunto de telefonemas, caras feias e contas que se renovam mês a mês. Eu quero e preciso escrever, nem que seja apenas para justificar todo meu desajuste social. A vida não espera e a gente precisa fazer o nosso com e apesar de tudo.

no vuelan

Girafa 5

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A referência à girafa vem daqui.

Está chegando a hora. Em poucos dias falarei com o orto, que me prometeu uma longa conversa sobre as minhas alternativas de retratamento quando eu voltasse. Eu não sinto dor, mas sinto realmente o meu canino direito sendo pressionado para cima e mastigo quase nada desse lado. Não é o mesmo grau de motivação com que coloquei aparelho pela primeira vez – décadas de espera até o tratamento ficar acessível para mim, dentes da frente tortos e encavalados, uma lista de problemas. Meu antigo orto não era bom, mas tenho que reconhecer que trabalhamos. Arranquei dentes, coloquei banda, dormi com aquele “freio de burro”, elásticos de Mun-ra, fiz de tudo. Naquela época me disseram que no começo eu iria estranhar um pouco, mas que depois me acostumaria de um jeito que nem ia querer tirar o aparelho, ia começar a achar bonito. Não sei como é pros outros, mas eu lembro que detestei minha aparência todos os dias durante os três anos que usei aquele troço.

Mas.

Quando realmente penso nisso, tudo me parece uma grande bobagem. O aperto financeiro, o incômodo nos dentes, eu me sentir feia, nada é o fim do mundo. Não é o ideal, não é o que planejei… mas tudo bem. Vou reclamar muito, como é de direito – e vai passar. Seis meses, um ano (quero crer que não vai ser muito mais do que isso), parecem muito quando a gente projeta um futuro e quando olha pro lado já foi. Talvez seja idade, cansaço, um tico de sabedoria, tudo junto. Problema mesmo é não poder colocar. Que venha o aparelho.

Momento girafa

Fui fazer minha documentação ortodôntica. Está praticamente tudo certo e encaminhado para eu voltar a usar aparelho os dentes. Imaginem minha alegria. Dez anos e muitas caretas de dentista depois, vou ao ortodontista e descubro que o “acabamento” do ortodontista anterior foi ruim e tenho que recolocar meus dentes no lugar. Estou passada. O Orto vai analisar os exames antes de ver o que é possível fazer. Ele me disse que não vai ser tão ruim quanto eu estou pensando – minha expressão corporal enquanto falava com ele estava ótima -, que os aparelhos melhoraram muito daquela época pra cá. Se eu já me sentia ridícula e teen na primeira vez que usei aparelho, imaginem agora, quase entrando na casa dos enta. Sem dizer que vai ser ó.te.mo para minha autoconfiança, agora que fico encalhada de vez. Mas o que tem me matado é o lado financeiro mesmo: quanto vai custar isso, que cintos terei que apertar, o quanto meu orçamento aguenta? Então digamos assim: estou 4,5 nos estágios da girafa.

Aftas

Eu adquiri grande know how nesse assunto na época em que usava aparelho. Eu tinha 1 afta por mês; às vezes, quando estava me curando de uma na frente, surgia uma atrás. Levando em conta que eu usei aparelho durante 3 anos, dá pra ter idéia da quantidade de aftas que eu tive. Diziam pra mim que eu tinha muita acidez, que eu era estressada, que eu me alimentava mal… mas a culpa era do aparelho mesmo, porque bastou tirar que eu parei de ter tanta afta.

Agora, minhas teorias particulares sobre aftas:
* aftas nascem em feridinhas na boca. Depois fica aquela coisa das bactérias se alimentarem continuamente dos tecidos – que é a própria afta;
* aftas perto dos lábios pioram com o batom;
* aftas pioram com açúcar;
* o ciclo de uma afta dura mais ou menos uma semana, independente do que você passe nelas. Testei os melhores remédios de afta e descobri que nenhum fazia minhas aftas curarem mais rápido. Sendo assim, é melhor usar os que doem menos.

Tem um remédio pra afta chamado Gengilhone, uma pomada. Um dia, estava de saco cheio de sentir dor, e resolvi eliminar os intermediários e colocar um gengibre na boca. Funciona. Nesse momento em que escrevo, estou com um no lábio. No começo arde, mas depois anestesia a boca que é uma beleza. E é antiséptico também.

Incoerência ou Eu e minhas nóias

Quinta-feira da semana passada foi o dia pela qual tanto esperava. Um ano pra ser mais precisa. Depois de um ano usando o aparelho móvel todo o tempo, retirando apenas pra comer e escovar os dentes, finalmente ouvi do meu ortodontista que agora devo usá-lo apenas para dormir. Isso, dormir, à noite. Sem mais instruções, sem número mínimo de horas por noite.

Eu já tinha apelidado meu aparelho de Nojentinho. Só quem usou sabe o chato que é, na hora de lanchar, ter que virar ou falar pras pessoas – Só um instante, tenho que tirar meu aparelho móvel! Era essa a minha maior implicância. Quanto a dormir ou esquecer, isso sempre foi muito tranqüilo pra mim. Meus próprios dentes me cobravam, com uma sensação esquisita, quando eu passava algum tempo sem eles.

Alias, esse é o meu problema. Meus dentes reclamam aquela sensação esquisita, e isso me faz colocar o aparelho de novo. Sim, eu que queria tanto me livrar do aparelho móvel, coloco-o espontaneamente ao longo do dia! Não em público, claro. Ele agora parece querer se juntar ao óculos e às havaianas, como parte do ritual de coisas-que-visto-quando-estou-à-vontade-em-casa. Sem dizer que essa coisa de que meus dentes vão se acomodar ainda me dá o maior medo. Como assim, ACOMODAR? Meu dentista diz que ele vai adotar a mordida mais confortável. E se eles ficarem feiamente confortáveis????

Conheci uma menina que dormia com seu móvel há mais de 10 anos, por puro medo dos dentes entortarem. Espero não chegar a tanto.

Ortodontista – parte II

Hoje fui finalmente ao meu ortodontista. Pela 4 vez, eu fui para a consulta com a promessa de que ele me faria parar de usar o aparelho móvel o tempo todo.

– Está incomodando?

– Incomoda ficar tirando e colocando toda hora pra poder comer, mas o aparelho em si não incomoda.

– Que bom, então você vai continuar usando até a nossa próxima consulta…

Por que eu não protestei? Disse que me recusava a continuar com essa coisa nojenta por mais tempo? Por que não disse que não iria obedecê-lo? Pensei em tudo isso. Eram todas respostas viáveis e ele acataria minha decisão. A grande e inconfessável verdade é que tenho medo de deixar de usar o aparelho móvel o tempo todo. Da sensação esquisita que dá quando fico algumas horas sem ele. Dos pesadelos que tenho dos meus dentes monstruosamente tortos. Agora entendo porque uma amiga que dormia com o seu móvel há mais de 10 anos… (juro!)

Ortodontista cruel

Esperei a vida interia para usar aparelho. Quando era adolescente, eles era muito caros. Meu pai até tinha dinheiro para pagar, mas por puro capricho não pagou. Esperei ansiosa e dolorosamente o dia em que desentortaria meu dente bem na frente.

Quando esse dia chegou, me tornei a paciente exemplar. Mais do que exemplar, eu fiquei paranóica. Se o meu dentista tivesse dito que dormir abraçada com uma jaca ajudaria no meu tratamento, eu teria dormido. Qualquer coisa que ele pedia, eu seguia à risca. Para cumprir as 10 horas diárias usando o extrabucal, chegava a cronometrar. Nos últimos dias, o extrabucal me causava tanta dor nos ombros que eu cheguei a tomar Dorflex. Mesmo assim, só parei quando ele mandou.

Quando ele dizia para arrancar os pré-molares, ia praticamente no dia seguinte à dentista e tirava os dois de uma vez. Tudo para não atrasar o tratamento. Fui obediente no uso dos elásticos de Moon-ra. Sempre que ele me pediu para aparecer no consultório, eu largava qualquer coisa para ir. Quantas vezes minha mochila não ficou assistindo aula enquanto eu ia correndo ao dentista trocar de elástico? E quando tinha a opção de aparecer lá na sexta ou na segunda, aparecia na sexta. Tudo para não atrasar o tratamento. Já cheguei a aparecer lá 3 vezes em uma semana.

Toda essa luta fez com que eu ficasse 3 anos de aparelho. Ironicamente, meus dentes não tinham pressa. Tirei em março deste ano. Minha primeira providência foi tirar uma foto sorrindo, coisa que há anos não podia. Comecei a usar o extrabucal. Ele disse – só tire para comer e escovar os dentes. Eu só tirava para comer refeições grandes. Para os lanchinhos, continuava de aparelho mesmo. Só parei de fazer isso porque estraguei a solda do aparelho e me custou 25,00 reais consertar.

Agora, em dezembro, ele disse que provavelmente me liberaria para usar só à noite. Liguei agora para marcar a consulta e soube que ele vai tirar férias, está sem horário e só vai me atender em janeiro. E eu, como fico no natal, ano novo, fotos com os amigos em São Paulo?

Que vontade de chorar…