Cordeiro?

Eu não sou do tipo que vai metendo os cascos. Sempre tímida no contato inicial, falo manso, trato todos bem, faço brincadeiras, procuro ser simpática. Sobre curriculos e competências – falo só o necessário ou em último caso. De sogra a colegas de trabalho – ninguém acha que eu ofereço perigo.

Mas tudo isso não quer dizer que eu seja idiota. Que não saiba colocar limites e que não seja confiante o suficiente para saber até onde posso ir. Essa minha atitude tem aquelas vantagens e desvantagens daquilo que achamos que não nos oferece perigo: as pessoas se abrem, mostram o que são. As resistentes se sentem seguras. As solícitas, estimuladas. As dominadoras acham ganharam uma empregada.

Isso está acontecendo com o meu informante na pesquisa. De tão entusiasmado com o tema, acha que vou escrever a dissertação dos sonhos dele. Arranja entrevistados mas nunca me dá os telefones – tudo tem de ser feito por intermédio dele. Ele acha que vai dar pitaco em todas as etapas, em tudo o que eu escrever ou fizer . Minha sogra também pensou assim um dia. Nunca brigamos, é verdade. Agora me pergunte quantas vezes ela colocou os pés na minha casa nesses últimos 3 anos. Duas vezes. E numa delas eu ainda não estava casada.

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