O milagre

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Eu me preocupei tanto com o assunto, sofri tanto e finalmente entendi: Wanessa Camargo. Explico: é possível chegar com pistolão, com pompa e circunstância, tudo ajudando. Como foi com a Wanessa Camargo. Como foi com tantos autores que tem por aí, que não citarei pra não ser injusta. Mesmo porque, se eu citar e você souber, é porque não é deles que estou falando. Então, tem o pessoa com tudo, que chega chegando, que tem festa, que tem apoio. Mas esses são os raros. O meu destino sempre foi o do comum. A pessoa que não tem ninguém por detrás, que não tem QI, parente, ajudinha e nem ao menos sorte. Essa pessoa faz o possível, tira do bolso, divulga, faz propaganda, vira a mala sem alça que obriga os amigos a lerem, escreverem, comprarem. Mas tanto o do pistolão e o anônimo vão conseguir chegar apenas a um certo limite. O limite do primeiro é maior, mas também é limite. Depois de lançado e divulgado, de se falar tudo o que se pode falar, de se encher o saco tudo o que é possível encher, tem a parte incontrolável, a que eu chamo de milagre. A parte da pessoa chegar em casa e aquilo fazer diferença pra ela. Eu posso obrigar os amigos a comprarem, o pistolão pode induzir as pessoas a comprarem, mas o leitor silencioso na poltrona é que vai saber se aquilo mexe com ele. É o leitor que, espontaneamente, vai abandonar o livro ou achar que aquilo lhe toca profundamente a alma – e espalhar. Isso não se fabrica e é isso o que tem valor.

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Mais prazer

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Todo mundo sabe que pra manter o cachorro comendo ração, nunca devemos dar comida normal para ele. Baste que prove uma vez a comida cozida pra que ele nunca mais se contente com aquelas bolotas secas e de sabor uniforme. Do mesmo modo que você pode se mudar de um apartamento pra uma casa grande com quintal, nunca o contrário, sob o risco de matar o cachorro de depressão. Na escala humana isso corresponde a empobrecer – nossas escolhas ficam limitadas ao dinheiro e um universo de coisas passam a existir apenas para os outros, embora ainda as desejemos. A mulher tinha que ser virgem antes de casar pra não ficar “estragada” e esse estragar nada mais é do que saber um pouco mais do seu corpo e do que ele pede. À mulher que não sabia de nada disso, o marido poderia oferecer o que quiser que estava bom; com a mulher experiente, é arriscado e é preciso se empenhar mais. Envelhecer nos retira potência e olhares; quanto mais isso foi importante, mais dói, mais a pessoa se recusa. Grandes leitores são difíceis de agradar, cada vez mais conhecedores dos mecanismos de escrita, cada vez mais famintos por mecanismos sofisticados. Até mesmo quem tem acesso a um grande professor, quando o deixa, fica na situação difícil de não conseguir ser mais aluno de ninguém. Quem experimenta o amor, aquele grande e marcante, nunca mais quer um mais ou menos. O prazer é a grande força que nos tira da caverna e transforma em sombra tudo o que não faz parte dele.

Nós onze

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Das pessoas que eu conheço, eu sou aquela cuja morte menos impactaria o mundo. Não tenho filhos, marido, namorado, alunos, empregados, nada. Ninguém está sob minha responsabilidade. Eu nem ao menos sou parte importante da rotina de alguém. Mas não se preocupe, isso não é nenhuma carta de despedida.

Eu não sei o que traz vocês aqui. Pra começar, nem sei quantos vocês são. Ao longo dos anos, fui perdendo meu contadores de visitas, e a proporção entre o número de acessos que eles informavam era assim:

Google analytics > Blogger > Facebook > WordPress

Como tenho preferido jogar meus acessos pro WordPress, de acordo com os número que tenho hoje, este blog tem uns dez leitores. Sério. Me parece que tenho um pouco mais do que isso, mas sejamos realistas: o WordPress não está me roubando umas dez mil pessoas. Tem mais gente aí mas não são tantos assim. Outro ponto é que nunca entendo muito a lógica dos posts. Algumas coisas que me deram o maior orgulho de escrever tiveram reações pífias, enquanto outras que fiz meio que só pra constar tocaram pessoas. Então sempre abro o computador sem saber o que me espera.

Eu não sei o que os traz aqui, mas eu sei o que me traz aqui. Pode ser muito lógico para quem está do outro lado, mas não faz muito tempo que me dei conta de que acabei criando uma auto-biografia online. Que a qualquer momento qualquer pessoa tem acesso a anos da minha vida. Esse olhar nem sempre será bondoso, nem sempre colocará as coisas em perspectiva ou vai entender o que eu disse. Basta ter interesse e se dar ao trabalho de ler. Não foi a minha intenção ter uma biografia online, eu jamais teria tido uma ideia tão narcisista, mas aceito. Fico imaginando uma futura sogra, sabe? Minha ex-sogra levou muitos anos pra gostar de mim – ela viu uma moça, indícios de comportamentos, tirou conclusões. Não tinha como ser muito diferente. Quando a gente é jovem, somos muito intenções e possibilidades. São os anos que nos dão trajetória. Então minha futura sogra, depois de me ler, pode gostar ou não de mim, mas jamais poderá alegar ignorância.

Estou lendo sobre o Jango e recebendo o material do Murilo Gun e os dois me fizeram constatar o quão pequeno é o meu alcance. É difícil calcular o impacto que a gente tem; na matemática dá pra confrontar centenas ganhando indevidamente os 77 reais do Bolsa Família ao lado de um desvio de verba de milhões. Na vida real, horas de falação podem ser menos importantes do que um único encontro. Quando e como conseguimos realmente dizer algo relevante, deixar alguma marca no coração de alguém?

Eu não sei o que os traz aqui e nem quantos vocês são. Eu também gostaria de fazer bem ao mundo, de ter um grande projeto, de ser uma influenciadora, gente do mesmo naipe do Darcy Ribeiro. Se fosse apontar duas características de um grande projeto (estou sendo o pai da Little Miss Sunshine agora), eu diria que ele tem que envolver muitas pessoas e ser generoso. E taí meu calcanhar de Aquiles, sempre tive problemas com esse lance de muitas pessoas. Muito por timidez natural, um pouco por acreditar que não precisaria delas. Por isso minha programação de aniversário inclui computador e bolsa de água quente nos pés, igual estou agora. Cada um tem suas facilidades e desafios, lidar com pessoas pra mim sempre foi segundo item.

Não serei mãe, por consequência não serei avó. Não serei professora, então não terei alunos. Que não serei presidente não é preciso dizer, mas eu nem ao menos serei celebridade de internet. Somos só eu e vocês, nós onze. Eu não sei o que os traz aqui, sei apenas o que me traz: a necessidade.

Com inveja de Simone de Beauvoir

O filme mostra que Sartre se interessou por Simone porque ela estava sempre lendo, estudando, escrevendo. Tanto que a apelidou de “Castor”.

 

Eu sempre sou aquela que defende os não-leitores da detração dos leitores, a que se coloca contra essa maneira de dividir o mundo. Sempre sou contra que coloquem o número de livros como medida de inteligência. Sou a que no meio de uma discussão sobre a incultura nacional, no meio de gente onde citar Machado de Assis é coisa de principiante, fala: “Vocês são uns elitistas. Estão colocando algo que sabem fazer bem como medida de superioridade só porque isso os beneficia”. E cito uma frase do Millôr que diz que jogar xadrez desenvolve muito a inteligência de jogar xadrez. Mas ninguém me leva à sério. Talvez não devam mesmo, não sei.

 

Sempre gostei muito de ler, desde criança. Ao longo da vida, passei por fases em que lia mais ou que lia menos, mas mesmo nas fases de baixa eu sempre li mais do que a média – o que, convenhamos, não é difícil no nosso país. Eu me acostumei, aprendi a não esperar, sei que as pessoas a minha volta não leem. Das descobertas incríveis que faço nas minhas leituras, eu sei que não apenas não terei interlocutores, como nem ao menos posso tentar comentar – é um saco o teatral ar culpado de “ler é tão importante, eu deveria ler mais!”, que logo se transforma num “pobre de mim, não leio porque não tenho tempo pra na-da!“. Não discuto, não tento converter ninguém, cada um sabe de si e deixa pra lá. Só que a ideia de alguém se aproximar de mim – quanto mais romanticamente! – por ser leitora e estudiosa é tão impossível que fiquei triste quando vi o filme. A leitura sempre me tornou intimidante para os outros e pessoalmente solitária.

Leitora

Depois de ler o fantástico Labirinto dos Caminhos que se Bifurcam, de Borges, primeiro eu tive que parar um pouco, atordoada de maravilhamento. Depois tive aquela vontade de mostrar pra todo mundo, enfiar o livro na mão dos que eu gosto e mandar ler. Mas antes disso, enquanto estava lendo, eu me deliciei com uma frase em particular e… São muitos maravilhamentos, mas eu quis uma frase porque eu estava lendo em público, perto de uma amiga, e achei que ler trechos inteiros seria tedioso, então a gente fica em busca de algo curtinho mas lindo o suficiente. Li para ela: “Pensei que um homem pode ser inimigo de outros homens, de outros momentos de outros homens, mas não de um país, não de vaga-lumes, palavras, jardins, cursos de água, poentes.” Quando entraram os vaga-lumes, a cara dela foi para “Hã!?” e me deu vontade de não ler mais nada. Ah, as pequenas solidões! Ela, uma artista, que seria capaz de cair no choro com uma dança ou uma música, não entendeu os vaga-lumes, não se sentiu transportada para o concreto, não captou a beleza do trecho, de sentir um país de modo cinestésico e não como um conceito. Enfim, não vou explicar.
Já li brincadeiras sobre os prêmios literários procurarem os livros mais complicados e ilegíveis, que se é complicadíssimo e ninguém entendeu, é porque só pode ser bom. Eu rio, e acho que de um lado procede. Mas de outro, há o lado de que todo mundo fica mais exigente quando degusta demais de uma mesma coisa. Um dia cheguei em Salvador e comi um acarajé qualquer, achando uma delícia estar comendo acarajé. Depois soube que meu irmão não tinha conseguido comer nem a metade, que acarajé horroroso. Apresenta alguém para um coral ou orquestra pela primeira vez e o sujeito vai achar tudo lindo. Mas vai ouvir aquela música várias vezes e em vários lugares diferentes para não começar a sacar que não é tudo igual, que tem melhores e piores, maneiras diferentes no mesmo trecho. Ler é como tudo, a gente vai percebendo mais e ficando exigente.
Mas as solidões são tão pequenas perto da companhia. Há dias em que chego em casa tão cansada – ou que eu não saio de casa e passo o tempo todo sem ter com quem conversar. Ou que me acontecem solidões banais, como esperar demais o ônibus, estar encasacada num dia que esquentou e com os pés apertados num calçado desconfortável. Ou a solidão por ter dito tchau quando se tinha vontade de pedir pra ficar. São dias que a gente precisa de um presente, um elogio, uma boa notícia. Pra mim, ter um bom livro à espera pode ser tudo isso. Para outros, os livros não significam nada. Eles estão do lado de uma piscina e não sabem nadar, têm fome e não gostam daquele prato. É uma pena.

Paulocoelhando

Sem falsa modéstia, nos comentaristas do Milton Ribeiro tem quem escreva muito melhor do que eu. Gente que sabe transmitir emoções que eu nunca chego perto, que tem uma cultura tão mais vasta do que a minha que nunca os alcançarei, que consegue escrever ficção, colocar personagens, inventar situações, enquanto este humilde blog fica numa egotrip perpétua. No entanto, também tenho consciência de que sou mais lida do que eles. Por essa diferença entre qualidade literária e número de leitores, me sinto uma verdadeira Paulo Coelho nesse assunto. Eles são melhores mas eu influencio mais. Não sei se encho o peito de orgulho para falar isso ou me envergonho por representar a injustiça e a pobreza intelectual do mundo.

Mas é claro que o Paulo Coelho não merece que eu me compare com ele. Estou falando de gente que se faz ler por umas sete pessoas, enquanto eu pra umas oito. Já a quantidade dos que lêem e adoram Paulo Coelho… Como artista que já foi artista sem ninguém saber, como artista que mais ama a arte do que é correspondida, como pessoa que talvez nem mereça se dizer artista, sei que ter o seu trabalho admirado vale muito mais do que qualquer idéia a respeito de qualidade. Não existe confiança ou crítica positiva que resista quando vemos as nossas coisas desconhecidas, encalhadas num canto, pegando pó. Dói demais quando alguém pior do que a gente recebe a atenção que não temos. Burra ou não, quem produz uma obra precisa de audiência. Entre ser Paulo Coelho e ser uma escritora excelente e obscura, eu ficaria com a primeira opção.

A verdade dos números

Uma vez eu recebi o pedido pra recomendar aqui o blog de uma amiga. Ela achava o blog dela tão pequeno e o meu tão visitado (!?) que não custaria nada. Quando lhe disse que não faria isso assim, por fazer, que cito blogs quando a postagem deles tem a ver com a minha, ela se aborreceu. Deve ter achando egoísmo. Com um certo tempo de blogosfera a gente aprende que certas coisas não se pedem e existem muitos posts falando sobre isso. Eu poderia simplesmente ter copiado um desses links e passado pra ela, mas achei mais gentil explicar nas minhas próprias palavras. Não adiantou.

Não vejo essa questão de recomendar links pelo lado da educação e sim pelo fato de que não adianta muita coisa. Fazer alguém entrar no nosso site é fácil, difícil é fazer a pessoa voltar. De certa forma, cada um tem os acessos que merece. Antes de entrar na vida virtual, é possível alimentar algumas ilusões. A pessoa pode se achar um gênio, um grande escritor, alguém que tem muito o que dizer. Ou um stand up ambulante, com tiradas geniais para as situações cotidianas. Tem uns que se acham grandes exemplos de beleza que as agências de modelo não contratam por uma visão tacanha de mercado. Aí se monta um blog com o material do futuro livro, um perfil engraçadinho no twitter, fotos lindas pro orkut ou facebook. O número de acessos vai gradualmente subindo, surge um fã aqui e outro ali… mas a coisa não vai muito longe, ela não consegue milhares de acessos, nunca.

Eu vi várias coisas viralizarem. Eu vi A Banda Mais Bonita da Cidade, eu vi Nair Bello e Hugo Gloss deixarem de serem perfis misteriosos, passei a seguir o blog do Di Vasca porque chorei de rir com o post do gatinho. Por outro lado, quantos links meus não apareceram por aí? Falei da Clara Averbuck e ela mesma me leu. O Alessandro e o Milton sempre me deram a maior força, me recomendam aqui e ali toda hora. Meu número de acessos sobe quando essas coisas acontecem, e alguns leitores que chegam aqui por acaso acabam ficando. Mas o que escrevo nunca despertou tanto interesse a ponto de ser repassado o dia inteiro. O leitor concorda, pode dar um sorriso, mas não é algo “você tem que ler isso!” de centenas de pessoas. Acho bastante improvável que um dia isso aconteça, não é característico do que escrevo.

Acaba que a net nos diz de maneira clara o que somos, qual nosso nível de inovação, de que maneira atingimos o público. Não dá mais pra culpar as grandes corporações, achar que alguém maldosamente te impede de fazer sucesso, te esconde do grande público. Aqui não tem intermediários. O número de visitas, se não é proporcional, é sempre bem próximo da realidade que você representa. A partir dessas disso é possível tomar duas posições: mudar para conquistar mais público ou assumir que esse é o seu limite. Nem tudo nasce para se tornar uma potência e não há nada de errado nisso. O que não dá é se achar gênio incompreendido.

Um minutinho da sua atenção

Escrever em blog é isso, pedir um minutinho só de atenção. Um texto curto, uma idéia banal, nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou mudar a vida de ninguém. Até colocar o Google Analytics (dica da Anne), eu jurava que só meia dúzia de amigos passavam por aqui. Só depois descobri que a grande maioria é silenciosa. Quando ultrapassei pela primeira vez a marca dos 100 leitores, achava que era sorte, um fenômeno temporário. Mas isso tem se repetido. São vocês!

Obrigada pela sua atenção, querido leitor!

Abrir ou não abrir?

Tenho pensado há algum tempo sobre esse filtro de leitores. A solução ideal, acho, seria se para ler o blog a pessoa tivesse de se cadastrar e não eu ter que autorizar. Sei que perdi alguns leitores por aí porque não tinha como perguntar pra que e-mail mandar a autorização.

Ao mesmo tempo, aqueles comentários idiotas eram bem irritantes. Vejo que isso tolhe um pouco a pessoa que bloga, porque o que a gente escreve fica solto na net e apto a ser comentádo por qualquer um. Não sei se mantenho as coisas como estão, se faço uma experiência…

O que vocês acham?

Acesso restrito

Como vocês puderam perceber, agora tem uma senha chata pra entrar aqui.

A razão é simples: eu estava cansada de moderar comentários idiotas. Eu nunca pretendi ganhar dinheiro com esse blog e sempre evitei fazer publicidade dele. Não sei o número de visitas que ele tem e nem os IP. Enquanto eram comentários de desconhecidos, achei meio assustador mas não liguei – esse blog é público, ora bolas. Mas o tempo foi passando e tanto postagens atuais como antigas começaram a receber comentários agressivos e/ou mal escritos… e principalmente, comentários de gente que nem leu direito o que eu escrevi! Pra dar uma idéia, fui acusada de chamar os vegetarianos de esquisitos e de ter me casado mal! Pela primeira vez na vida, senti na pele o que é o analfabetismo funcional!

O pessoal do Casa do Galo me sugeriu bloquear por IP. Tenho a impressão que no blogger não existe esse recurso, mas vou pesquisar. De qualquer maneira, por hora ficamos assim. Sorry.

Como trato meus leitores

O Ale me lançou o desafio de falar do meu relacionamento com meus leitores. Dá até vergonha de falar alguma coisa depois de ter lido como ele trata os leitores – um verdadeiro manual de cavalheirismo virtual. Confesso que quando comecei a freqüentar o blog do Ale e ler sobre esse tema, tive vontade de responder os comentários. Conto aqui porque tudo não passou da vontade.

Ao contrário do site do Ale e outros que estão relacionados lá do lado, este blog não busca leitores e nem publicidade. Sempre disse que se um dia ele alcançasse uma centena de leitores eu o explodiria. Mantenho. Este blog nasceu com a intenção de me ajudar a escrever a minha dissertação, e realmente ajudou. Assim que terminei, pensei seriamente em destruí-lo. Por que não fiz? Porque ele se tornou um ponto de encontro com meus amigos, uma maneira de dizer a várias pessoas algo que a distância ou o tempo não me permite falar.

Eu divulgo pouquíssimo esse site e os leitores fiéis que conquistei são surpresa pra mim. Considero esse site auto-bigráfico, pessoal, idiossincrático. Como disse no post anterior, acho muito irresponsável sair por aí dando pitaco em assuntos que não entendo. Se fosse para escolher, gostaria muito de ter um site mais antenado e culto como o Catatau, mas não teria embasamento pra isso por isso prefiro deixar para quem entende.
Como aqui freqüentam amigos, eu acabo respondendo meus comentaristas quando os encontro pessoalmente, quando conversamos por msn, por scrap ou nunca comentando. A Teca pediu pra eu ir pra academia vestida de ovo gigante. A Pessoinha respondeu o post sobre o celular criando uma comunidade no orkut. Problemas técnicos do blogger levaram o Ricardo a comentar meus posts no seu próprio blog e a Flávia a me procurar no msn. Tem gente também que freqüenta e nunca comenta. O Connan é um desses leitores e foi obrigado a comentar por msn uns textos pra eu acreditar que ele realmente lê! Por outro lado, uma postagem que eu considerei inadequada me levou a moderar os comentários, embora até hoje eu nunca tenha barrado mais nada.
Um último motivo que não me leva a comentar é algo meio idealista. Quando faço uma escultura, procuro dar o nome menos explicativo o possível. Procuro não limitar a interpretação de quem vê. As pessoas vêm até mim com interpretações lindíssimas sobre meu trabalho e me perguntam se significa aquilo. Sim, é aquilo, apesar de eu nunca ter pensado nisso. Uma obra, uma vez lançada ao mundo, não pertence mais a quem fez. Gosto de pensar isso sobre os textos. Tenho a impressão de que responder é explicar demais, fechar demais. Que cada um entenda da maneira que quiser e puder.

Quanto a passar a bola pra alguém… se você tem o link relacionado aí do lado, sinta-se convidado 🙂

Aos meus leitores


Meu voto de boas festas.

E os que ligarem para este blog até dia 26, ouvirão o seguinte recado das nossas atendentes de telemarketing:

A Senhora Caminhante vai estar viajando nos próximos dias, então ela não vai estar acessando a internet e nem estar atualizando o blog. Por favor, queira estar retornando a este endereço eletrônico nos próximos dias. O blog Caminhante Diurno agradece a visita e lhe deseja Feliz Natal!