Pré-Natal

A Dúnia precisa de um banho faz tempo, assim como eu de um lápis de olho e um demaquilante. Isso sem falar na vontade de comprar uma camiseta e fazer um fresquinho corte atrás, porque o verão curitibano agora é quente. Mas tudo isso tem sido adiado, porque mal conseguinhos chegar em casa com o trânsito a caminho do shopping aqui perto. Do mesmo modo, o volume de gente nas ruas me faz ter a impressão de que me mudei pra Tóquio ou pra Cidade do México e não estou sabendo. E – horror dos horrores – meu restaurante preferido que estava sempre vazio (o que o torna meu preferido) deu pra receber um monte de gente. Uns incultos que colocam adoçante no suco sem açúcar. Ódio!

O Natal não é minha época favorita. A única coisa que salva é ganhar presente, ou seja, justamente o lado capitalista da coisa. Mas neste ano a festa terá um sabor mais amargo do que os anteriores: minha cunhada ligou esses dias; chorou duas vezes, dizendo que somos todos uma família; que os meus sogros (muito saudáveis, por sinal) já estão velhos e que eu deveria ter piedade deles; e que a filha dela me adora e sempre pergunta por mim. Pra completar, terminou o telefonema dizendo – “venha apenas se estiver com vontade, não se sinta pressionada só porque liguei”. Ah, tá. Acho que finalmente vou mandar fazer uma camiseta com a mensagem Odeio gente.

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gente, Gente, GENTE!

Eu deveria ter desconfiado. O restaurante vegetariano onde sempre como já está apresentando sinais de superlotação. Vou comer às 13h e parece que estou no horário de pico. Atribuí isso à pura má sorte, ou alguma palestra por ali perto. Tive a terrível certeza ontem.

Tive vontade de comer pizza em rodízio ontem. Saímos daqui umas 19:30, passei no shopping só para pagar uma conta e fomos embora. Estava faminta, só tinha comido uma banana de tarde. O shopping estava lotado e detesto comer em ambientes cheios. Fomos para a pizzaria onde sempre vamos. O estacionamento estava estranhamente cheio. Chegando lá, aquelas mesas enormes, grudadas. Nenhum lugar. Como, além de detestar lugares cheios, eu detesto ficar esperando, fomos para a filial da pizzaria. Não conseguimos nem estacionar. Faminta, dor de cabeça, apertada para ir ao banheiro. Fomos para outro rodízio. Lá, aquelas malditas mesas coladas de novo, um barulho infernal. Já eram 21 h. Famintos e exaustos, decidimos ficar.

De onde surgiu tanta gente? Está todo mundo em férias coletivas? Por que as multidões enfurecidas invadem meus trajetos e meus restaurantes preferidos? Devo me trancar em casa até essa gentarada toda voltar para os buracos onde ficam escondidas o ano inteiro*? Mais importante de tudo: onde está meu sabre de luz???

* excessão para fim de ano e carnaval na Bahia