Homens e cachorros

A Dúnia estava cada vez mais espalhada. Quando era pequena, não conseguia subir os degraus. Quando conseguiu subir, ficava com medo de passar pelo corredor. Depois, obedecia quando a expulsávamos. Depois, a coisa chegou a tal ponto, que tinhamos que fechar todas as portas e passar correndo de um cômodo para o outro para que o cachorro não se instalasse.

Como a nossa capacidade de educá-la já tinha ido pras cucuias, resolvemos apelar para meios físicos. O Luiz encomendou um portão de ferro com 1 metro de altura e pézinhos para impedí-la de subir. Eu falei – só pézinho não adianta, ela vai passar. Ele dizia que não, que o portão era pesado. E eu: isso não tem importância; o Quincas (poodle-toy) chegava ao ponto de tomar distância e sair correndo na hora de se atirar contra o portãozinho dele. E o Luiz, claro, fez da maneira dele. Os homens sempre fazem da maneira deles.

Agora, com portão, a cena patética é outra. Cada dia temos que inventar maneiras diferentes de burlar a teimosia e a inteligência da Dúnia – que já aprendeu a empurrar o portão de lado, a puxar madeirinha, a empurrar de frente, etc. E depois de cada vitória, ela vai direto deitar no sofá da sala de TV.

Ela só não ri da nossa cara porque cachorros não riem.

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