Curtas do Teimosão

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Teimosão é o nome de uma marca de grampo. Não é completamente genial?

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Meu orto agora me atende em outro lugar. Agora, ao invés de sair do consultório, passar na biblioteca e comprar alho poró, eu saio da consulta e faço minhas doações ao Hospital Evangélico ou ao Hemobanco e passo dou uma olhada na Tok Stok. Se me permitem uma filosofia barata a essa hora, na vida tudo é assim: nada nunca é 100% bom e nem ruim. A consulta ficou mais perto, mas o alho poró me fará falta.

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Dancei há pouco tempo, como alguns aqui sabem. No final de uma dessas apresentações, teve a dançadinha descontraída do final e vi um brinco no chão. Imediatamente me abaixei bailando e peguei. Só quando estava com a mão no chão me perguntei – será que devia? Assim que a gente saísse do palco a profe pegaria que eu sei. Vi muitos brincos voarem em apresentações de flamenco e sempre achei demais a elegância com que as profissionais se viraram. No meu caso, foi puro TOC. O mesmo TOC que me levou, poucos dias antes do espetáculo, a sair andando pela Tok Stok e pegar uma tampa do chão ali, desvirar um adereço aqui. Só depois me dei conta do que estava fazendo. O segurança deve ter pensado: A louca vem pra loja pra arrumar.

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Por outro lado, vi uma história ótima do Lima Duarte, que ele contou que fez seu primeiro teste pra novela ainda criança. Ele tinha que recitar a fala, mas aí no meio dela deixaram um cinzeiro cair no chão. Ele catou o cinzeiro, colocou no lugar e continuou a fala. O diretor contratou na hora, disse que queria aquela naturalidade em cena. Então, quando minha profe disse que tinha algo pra me dizer, pensei: Ela vai me encher de elogios e dizer que eu me superei porque catei o brinco.

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Não era o brinco. O que ela tinha pra me dizer é que esse ano eu melhorei muito. Aeeee!

Curtas do cachorro esnobe

cachorro-chique

Já perceberam que os posts profundos são seguidos por posts bestas? Faço por querer, senão vocês não me aguentam e vão embora. Porque euzinha, por mim, ficava falando profundidades o tempo todo (cof, cof, cof).

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Ainda sobre posts: já comentei, acho que no twitter, que se não fosse a pressão da sociedade eu seria tranquilamente o tipo de pessoa que dorme às 21h. Tenho que completar: a sociedade e a procrastinação. Mania de só escrever post perto da meia noite.

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Me deram uma dica tão boa e inesperada que fiquei com vontade de criar um post só pra ela, igual fiz no post Dicas e quebra galhos. Mas vai ser muito difícil juntar essa informação num post, então lá vai: para acabar com o problema de calcanhar rachado, passar Vick Vaporub após o banho, como se fosse hidratante.

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Outra inesperada: Estou aguardando para dançar num jantar, toda montada de flamenca. O chef nos oferece a entrada, um pãozinho com patê de beringela. Recuso: “Não posso, por causa do aparelho. Se eu comer agora, vou ficar com os dentes cheios de comida”. Aí ele me responde: “Vai mesmo. Eu sou ortodontista.”

Curtas cismados

Foi olhando para uma das fotos dela – e juro que quase todas foram olhadas rápidas e involuntárias – que eu finalmente entendi o porquê de chamar uma mulher de coelha, porque coelhinha da Playboy. Ela – a mulher a quem meu crush preferiu – é tão loira e perfeita em todos os seus detalhes, tão estudadamente na moda, alisada e pasteurizada, que quando olho para ela não consigo imaginar que no inverno ela vista outra coisa senão um vison imaculadamente branco, bem peludo, e bata delicadamente as pestanas sobre os olhos vermelhos.

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Quando eu vou pagar o meu ortodontista, a ajudante nunca sabe de primeira quanto eu pago. Já usaram a frase de várias maneiras, desde perguntar abertamente qual o valor da minha manutenção a dizer o começo e me deixar completar a frase no final. Minha conclusão óbvia é que nem todo mundo paga a mesma coisa, ou seja, ele deve ter mais de uma tabela. Certeza que eu estou na mais cara. (agora olhe para a figura abaixo e saiba que é a cara que estou fazendo).

cachorro te condena

Tudo porque cheguei através de minha ex-dentista, a que eu tinha deixado de frequentar justamente porque era muito cara.

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Outra sobre a coelha: ela tem a mesma cara em absolutamente todas as fotos. Saca aquelas pessoas que descobrem seu melhor ângulo e nunca se deixam fotografar em outra posição? Boooooring! (ok, parei)

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Eu preciso do meu vizinho mais não gosto dele. Definitivamente não gosto. O que é ruim pra mim, porque era pra falar com ele pra arrumar um pedaço do meu portão e tenho preferido deixar como está. A primeira vez foi quando falei do pedreiro que a vizinha estava pensando em chamar pra fazer nossa reforma, e ele solta um “é, ele é bom, só vai demorar bastante porque ele se descobriu cardíaco e trabalha bem devagar”. Tudo porque ele estava a fim de fazer o serviço. Outro dia no grupo de whats da vizinhança, falaram dos rapazes que vigiam a rua de noite, se eram de confiança – “conversei com eles e me parecem muito principiantes”, meu vizinho disse. Não gostei.

Girafa 5

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A referência à girafa vem daqui.

Está chegando a hora. Em poucos dias falarei com o orto, que me prometeu uma longa conversa sobre as minhas alternativas de retratamento quando eu voltasse. Eu não sinto dor, mas sinto realmente o meu canino direito sendo pressionado para cima e mastigo quase nada desse lado. Não é o mesmo grau de motivação com que coloquei aparelho pela primeira vez – décadas de espera até o tratamento ficar acessível para mim, dentes da frente tortos e encavalados, uma lista de problemas. Meu antigo orto não era bom, mas tenho que reconhecer que trabalhamos. Arranquei dentes, coloquei banda, dormi com aquele “freio de burro”, elásticos de Mun-ra, fiz de tudo. Naquela época me disseram que no começo eu iria estranhar um pouco, mas que depois me acostumaria de um jeito que nem ia querer tirar o aparelho, ia começar a achar bonito. Não sei como é pros outros, mas eu lembro que detestei minha aparência todos os dias durante os três anos que usei aquele troço.

Mas.

Quando realmente penso nisso, tudo me parece uma grande bobagem. O aperto financeiro, o incômodo nos dentes, eu me sentir feia, nada é o fim do mundo. Não é o ideal, não é o que planejei… mas tudo bem. Vou reclamar muito, como é de direito – e vai passar. Seis meses, um ano (quero crer que não vai ser muito mais do que isso), parecem muito quando a gente projeta um futuro e quando olha pro lado já foi. Talvez seja idade, cansaço, um tico de sabedoria, tudo junto. Problema mesmo é não poder colocar. Que venha o aparelho.

Ortodontista

Três anos, às vezes indo toda semana, não é pouca coisa. Meu ortodontista e a secretária dele, a Lu, me viram com todos os humores e roupas possíveis. Ele era uma das poucas pessoas que ia mesmo quando eu falava que estava fazendo uma exposição. Como eu obedecia rigorosamente tudo o que ele me recomendava, nenhum de nós achou que eu seria aquele tipo de cliente que some durante o período de manutenção, ou seja, quando a gente coloca aparelho móvel e deve aparecer uma ou duas vezes por ano. E, de fato, já se passaram mais de cinco anos e eu continuo dormindo de aparelho.

Mas eu sumi. E a razão é simples e aparentemente boba. É que pouco tempo depois de tirar o aparelho eu saí da vida acadêmica, e fiquei um ano desempregada. Não apenas desempregada: eu fiquei deprimida, sem perspectiva, sem rumo. Foi muito duro. E eu sabia que eles perguntariam como eu estava, nem que fosse apenas por educação. Eu não podia dizer que estava bem. Eu estava longe de estar bem. MUITO longe. Eu sei que poderia simplesmente mentir; mas a idéia de ter que mentir pro meu ortodontista também era deprimente. Outubro chegou e eu fingi que esqueci, só pra não ter que ouvir a pergunta. E assim o tempo foi passando…

Ortodontista – parte II

Hoje fui finalmente ao meu ortodontista. Pela 4 vez, eu fui para a consulta com a promessa de que ele me faria parar de usar o aparelho móvel o tempo todo.

– Está incomodando?

– Incomoda ficar tirando e colocando toda hora pra poder comer, mas o aparelho em si não incomoda.

– Que bom, então você vai continuar usando até a nossa próxima consulta…

Por que eu não protestei? Disse que me recusava a continuar com essa coisa nojenta por mais tempo? Por que não disse que não iria obedecê-lo? Pensei em tudo isso. Eram todas respostas viáveis e ele acataria minha decisão. A grande e inconfessável verdade é que tenho medo de deixar de usar o aparelho móvel o tempo todo. Da sensação esquisita que dá quando fico algumas horas sem ele. Dos pesadelos que tenho dos meus dentes monstruosamente tortos. Agora entendo porque uma amiga que dormia com o seu móvel há mais de 10 anos… (juro!)

Ortodontista cruel

Esperei a vida interia para usar aparelho. Quando era adolescente, eles era muito caros. Meu pai até tinha dinheiro para pagar, mas por puro capricho não pagou. Esperei ansiosa e dolorosamente o dia em que desentortaria meu dente bem na frente.

Quando esse dia chegou, me tornei a paciente exemplar. Mais do que exemplar, eu fiquei paranóica. Se o meu dentista tivesse dito que dormir abraçada com uma jaca ajudaria no meu tratamento, eu teria dormido. Qualquer coisa que ele pedia, eu seguia à risca. Para cumprir as 10 horas diárias usando o extrabucal, chegava a cronometrar. Nos últimos dias, o extrabucal me causava tanta dor nos ombros que eu cheguei a tomar Dorflex. Mesmo assim, só parei quando ele mandou.

Quando ele dizia para arrancar os pré-molares, ia praticamente no dia seguinte à dentista e tirava os dois de uma vez. Tudo para não atrasar o tratamento. Fui obediente no uso dos elásticos de Moon-ra. Sempre que ele me pediu para aparecer no consultório, eu largava qualquer coisa para ir. Quantas vezes minha mochila não ficou assistindo aula enquanto eu ia correndo ao dentista trocar de elástico? E quando tinha a opção de aparecer lá na sexta ou na segunda, aparecia na sexta. Tudo para não atrasar o tratamento. Já cheguei a aparecer lá 3 vezes em uma semana.

Toda essa luta fez com que eu ficasse 3 anos de aparelho. Ironicamente, meus dentes não tinham pressa. Tirei em março deste ano. Minha primeira providência foi tirar uma foto sorrindo, coisa que há anos não podia. Comecei a usar o extrabucal. Ele disse – só tire para comer e escovar os dentes. Eu só tirava para comer refeições grandes. Para os lanchinhos, continuava de aparelho mesmo. Só parei de fazer isso porque estraguei a solda do aparelho e me custou 25,00 reais consertar.

Agora, em dezembro, ele disse que provavelmente me liberaria para usar só à noite. Liguei agora para marcar a consulta e soube que ele vai tirar férias, está sem horário e só vai me atender em janeiro. E eu, como fico no natal, ano novo, fotos com os amigos em São Paulo?

Que vontade de chorar…