Segredos

Eu fujo de segredos e eles me perseguem. As pessoas se impressionam com a minha falta de curiosidade e eu digo que não é nada disso, é que já sei demais. Não preciso e não quero perguntar mais nada. Na verdade, estou fazendo errado, porque quem não se interessa é sempre o candidato ideal para ouvir. O que está sempre querendo que lhe contem, passa a idéia de que fará alguma coisa com essas informações. Aquele que age como se ouvir ou não ouvir não lhe faz a menor diferença, parecerá o depositário ideal das maiores confidências. Eles – os segredos – me aparecem sem aviso. Como farejo uma confidência de longe e nunca faço a pergunta que puxaria todo o fio de histórias – as pessoas desembestam a falar sozinhas, sem maiores introduções. Pode ser quando estou comendo um sanduíche, ou dou uma passadinha no computador pra verificar meu e-mail e lá está: o segredo, a bomba, a confidência. Quando a pessoa quer contar, ela conta, mesmo que ninguém lhe pergunte.

Não é tão divertido quanto parece. É meio como ser o narrador onisciente; posso até ter uma visão ampla dos fatos, mas isso não me faz ter poder sobre eles. Ouvir segredos nos torna parte do problema; o confidente pode ser colocado diante de questões éticas muito difíceis – é diferente ser o que faz ou ser aquele que sabe que o outro fez. Lembro da história de um casal, amigo de outro casal, com filhos em idade em comum. Numa época, a amiga passou a deixar os filhos a tarde inteira com eles, o que era ótimo porque as crianças se adoravam. Até que eles descobriram que o compromisso que a fazia deixar os filhos lá era um amante. Até então, eles a estavam ajudando sem saber – mas o que fazer agora que sabiam? Depois de passarem uma noite inteira em claro, vendo os prós e contras da situação, decidiram não ficar mais com os filhos, mas também não revelar o segredo ao marido traído. No fim, o casal acabou se separando e acho que a mulher foi viver com o amante. Difícil foi quando o ex-marido soube que eles sabiam. Ele se sentiu mais traído com isso do que com a própria traição da esposa.

Deveria existir um código de ética para confidentes informais.

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A Coisa Mais Chata da Internet

Quando o Alessandro insistiu, por dois dias seguidos, que as pessoas deveriam ver o clipe de determinada música, era de manhã. No video dizia: “Oração – A Banda Mais Bonita da Cidade” (me recuso a dar o link), e eu a princípio não soube o que era o nome da música e o que era o nome da banda. O que eu achei interessante no clipe é que eles começam a descer escadas e pude perceber que ele foi gravado numa dessas casinhas de madeira polonesas. Não piso em uma desde que era criança, e isso me trouxe recordações. Quanto à música em si, achei chatinha e até mesmo constrangedora. Desculpem, mas eu achei. E nem estou falando da parte da penteadeira, e sim da pieguice mesmo. Mas, tudo bem, a música tinha uma energia boa e era de manhã. Parei de ver o clipe assim que eles sairam da casa polonesa e dei RT. Aí as pessoas passaram a dar mais e mais RT, de maneira que fui ver de novo. Vai que aparecia algo extraordinário e eu tinha perdido. Não encontrei até hoje.

À tarde, eu já odiava a música. Hoje, mais ou menos uma semana depois, tenho vontade de matar cada um que me vem com essa história de novo. Todos os curitibanos do meu Facebook compartilharam o clipe. As pessoas de outros estados também e até gente em outros países. Porque a internet tem disso, de ser muito fácil gostar de algo, divulgar, comprar uma causa. E cada um, como se fosse novidade, quis dividir isso com os amigos. Pra todo lado, todos os dias, alguém se encanta com essa mesma música e divulga como se fosse o primeiro. Foi igualzinho com a Susan Boyle. Eu, que na primeira vez que a vi chorei diante do micro, já não suportava mais o assunto quando ele foi parar na TV. E Oração nem foi pro Faustão – ainda.

Basta um clique, ou uma hastag, que todos viram revolucionários sem sair de casa. Uma curiosidade: eu percebi, no meu blog e no dos outros, que os comentários tendem a seguir a mesma linha adotada pelo primeiro comentário. E quando esse comentário é uma crítica, todos os outros seguem a mesma linha e a coisa vai crescendo até virar um bullying virtual. Se o post tiver fôlego, depois surgem os defensores do blogueiro. Na internet qualquer simpatia vira amor, que logo em seguida vira ódio, e depois fica uma briga entre pessoas que amam ou odeiam. A velocidade leva a esses extremos. Numa escala pequena, isso aconteceu quando critiquei um banner ateísta que o Milton achou legal; de maneira bem consciente, aconteceu com Duilio (até então desconhecido) ao se colocar contra a Clara Averbuck. A facilidade e a rapidez da internet têm contribuido com atitudes precipitadas, reações exageradas e ódios até difíceis de entender. Como meu pela Banda Blablablá.

Desvantagens de começar o ballet depois de adulto

Dançar ballet, pra muita gente, é um sonho de infância. Antigamente custava muito caro e tem gente que carrega esse desejo durante toda a vida. Então, acho que o fato de resolver uma frustração já é motivo suficiente pra começar a fazer. Isso sem falar nas outras vantagens, como melhorar a postura, a coordenação motora, o senso de ritmo, a força e o alongamento – não é à toa que o ballet é o exercício mais completo que existe. E quem faz ballet fica com facilidade pra fazer quase qualquer outra dança, porque ele é a base da maioria.

Mas nem tudo são flores. Existem algumas experiências comuns a todo mundo que tenta entrar no ballet tarde. Em maior ou em menor grau, todo mundo que começa ballet tarde passará por:

Você vai se sentir gorda

Independente de quanto você pese, no ballet vai parecer que você está acima do peso. Primeiro porque as roupas de ballet foram feitas para mulheres com um tipo físico pouco brasileiro: magérrimas, pernas alongadas e finas, quadril estreito e pouco seio. Se você foge desse tipo, se olhará no espelho e sentirá que o collant não te favorece. Não é à toa que os bailarinos adoram usar preto. O outro motivo é a faixa etária das suas colegas de aula. Uma mulher magra não tem o mesmo corpo de uma adolescente ou uma pré-adolescente magra. Mais ainda adolescentes que aprendem a ter medo de gordura desde cedo e muitas vezes desenvolvem distúrbios alimentares.

Você se olhará no espelho e se sentirá gorda. Você voltará para casa e quererá fazer um regime. Talvez você precise e isso te faça bem, talvez não. O fato é que por mais que você emagreça, nunca será como elas. E isso não é ruim, porque a vida não é só ballet. O que cai bem num collant pode ser horrível lá fora. Lembre-se que o padrão de beleza do ballet é ainda mais cruel do que o de modelos. Uma bailarina de 1,68 e 50 kg foi considerada gorda no Bolshoi.

Você vai se sentir velha e burra

Pra ser uma grande bailarina, é necessário começar cedo. Então, você tem duas alternativas: aprender lado ao lado com alguém muito (às vezes décadas) mais jovem do que você; ou dançar ao lado de alguém com a sua idade, mas com décadas de experiência. Viver uma situação dessas é um grande exercício de humildade. Ver uma criança executar lindamente um movimento que você nem entendeu como funciona é dose. Até seus professores poderão ser mais novos do que você.

Você se sentirá deslocada. Às vezes as pessoas poderão esquecer que você é jovem no ballet, e querer que você tenha uma confiança e um conhecimento que não tem. Ou o contrário: podem te tratar como uma vovó, uma retardada que precisa de milhares de explicações de coisas que deveriam ser óbvias, por achar que você é uma velha inútil. Porque seus professores aprenderam quando criança e não fazem idéia das milhares de regrinhas que fazem o corpo e a alma do bailarino. Eles nunca viveram num mundo onde meia ponta e transferência de peso não querem dizer nada. Assim como você aprenderá a ser bailarina, eles aprenderão a serem professores de adultos.

Você vai se sentir deixada para trás

Uma mulher querendo dançar ballet não é vista como uma criança que sonha em ser bailarina. Pra criança, existe a possibilidade de se destacar, de ser alongada ou não, de ter facilidade com certos movimentos, enfim, os professores se sentem formando alguém para o futuro. Isso não acontece quando a gente é adulto. Você pode receber apenas a atenção básica pra não cometer erros terríveis. Enquanto as outras sofrem com os gritos e marcações, você pode sair da aula sem ter ouvido uma única observação. Numa mistura de preconceito e realismo, vários erros que você cometeu podem ter sido deixados de lado, porque afinal você não vai muito longe mesmo… Mas quem pode dizer de antemão até onde você vai? Ninguém!

Quem pisa numa sala de aula por vontade própria – muitas vezes gastando do próprio bolso – é mais disciplinada, mais empenhada e tem mais equilíbrio emocional do que aquelas crianças que eles tanto investem. Na freqüência nas aulas, no esforço em cada movimento, na vontade de colocar em prática o que o professor diz, ao buscar outras coisas além das aulas; isso tudo pode mostrar às pessoas o quanto você é sincera e que merece atenção. Por outro lado, sempre haverá uma menina mais alongada, mais rápida, mais bonita e mais jovem. Lamento dizer, mas é para elas que estão reservados os solos, os papéis principais, a maior dose de atenção. Aos menos talentosos está reservado o corpo de baile. E, por mais que fazer parte desse mundo já seja uma felicidade muito grande, devo dizer que – grande, pequena, adulta, criança – se sentir para trás é sempre difícil.
Depois de tudo isso, a pessoa pode se perguntar: vale a pena? Eu vejo que se manter no ballet está muito mais ligado ao nosso nível de frustração do que qualquer outra característica. Ao tentar fazer um movimento e não conseguir, a gente sente vergonha e vontade de se esconder. Mas todas as outras pessoas da sala – os professores e todos os alunos – já passaram por isso. No ballet o imperdoável jamais é não conseguir fazer e sim desistir de tentar. Quem consegue suportar a própria auto-crítica, é recompensado fazendo o impossível.

MSN – Muitos Sem Noção

Começou de mansinho. Antes eu abria meu MSN junto com o orkut, e ficava online. Depois comecei a entrar offline e logo depois ficar on. Até que um dia olhei para o meu MSN e senti um desânimo muito grande e não entrei. E raramente entro. Quando entro, fico offline e saio offline mesmo. Peguei ojeriza. Fale comigo por todos os outros meios virtuais, menos pelo MSN.

Meu trauma começou por causa de um ex-amigo. Ele era do tipo que ficava o tempo todo online e deprimido. Ou só mostrava o lado deprimido pra mim e era legal com o resto da humanidade, não sei. Só sei que eu mal entrava e o cara já vinha me contar que estava down. Um dia ou outro vá lá, mas, poxa, se está tão mal assim sai do MSN e vai chorar! Claro que eu fiquei com vontade de bloquear, mas pra piorar a minha situação ele conhecia um site onde dava pra ver quem nos bloqueou no MSN. Ele o verificava com uma certa freqüencia e ficava (mais) chateado quando via que estava bloqueado. Ou seja, nem bloquear o fulano eu podia. Depois de meses sem entrar o encontrei de novo, já separado e com namorada grávida. Pra variar, ele estava quase morrendo. Por um par de coisas, a namorada não queria mais vê-lo. Acalmei, argumentei, mostrei o lado dela, ajudei no que eu pude. E deu certo, porque hoje eles são pais e felizes. Depois dessa última conversa, o fdp nunca mais falou comigo. Mandei felicitações, videos, scraps, e ele fazia questão de responder todo mundo menos eu. Agora que está bem, pra quê, né?

Eu acho o MSN maravilhoso para fazer chats e conversar com amigos que moram longe. Mas vamos combinar que conversar por telefone ou pessoalmente é mais fácil e gostoso ainda? Um dia passei horas digitando com uma amiga de Curitiba, até me tocar da besteira e ligar pra ela. Foi mágico, ela ficou fascinada com a minha iniciativa. Se fosse uma conversa divertida, eu entendo, mas não era o caso. Ela quer falar comigo no MSN pra combinar encontros. Pior ainda: ela é do tipo que usa MSN enquanto trabalha. Eu só entrava a pedido dela, então era assim:

(Eu) que tal amanhã?

Silêncio. Dez minutos passam. Concluo que ela morreu. Ou está sem conexão, o que dá na mesma. Decido ir embora. De repente surge um

(Ela) amanhã eu não posso

E some de novo. E assim vai mais de uma hora, pra uma conversa que não deveria levar nem cinco minutos.

Mas o pior de tudo no MSN são aqueles que você encontra todo dia, e quando voltam pra casa ainda acham que tem que falar com você. Ou quando você passou horas conversando com o fulano num dia e ele quer repetir a dose no dia seguinte. Aí ficam os dois sem ter o que dizer, porque simplesmente não tem assunto novo, não deu tempo! Uma amiga me falou que uma vez estava numa dessas conversas paradas quando o outro soltou “as frutas estão caras esse ano, né?”.

É, pois é.

Desvantagens de morar em Curitiba

Eu já falei de curitibanidades e programas legais pra se fazer aqui e até onde mijar. Como nem tudo são flores, achei que seria bom também o lado ruim de Curitiba- o que explica porque esta cidade possui dedos gelados.

1. Curitibanos

Para muitos, esse é O Motivo. Tem gente que acha que as qualidades da cidade não compensam o problema de ter que lidar com curitibanos o tempo todo. Esse problema é especialmente grave com nordestinos: primeiro, porque o sotaque nordestino atrai muito preconceito aqui. Segundo, porque o jeitão frio dos curitibanos é mais chocante pra pessoas que vieram de lugares acolhedores. Curitibanos têm cisma com nordestinos, negros, cariocas, paulistas… reza a lenda que eles só gostam de curitibanos mesmo. Pero no mucho.

Que dizer? É verdade sim, os curitibanos são antipáticos. Você pode passar anos encontrando alguém todos os dias, e ele conseguir te ignorar todo esse tempo. Você faz uma pergunta e as pessoas não têm o menor pudor de te deixar no vazio. Eles conseguem ser polidos e até mesmo sorrir de uma maneira tão nojenta que dá de vontade de socá-los. Curitibanos julgam pelas aparências e até por sobrenomes. Dava pra colocar uma infinidade de desvantagens só pra falar disso, então vamos adiante.

2. Clima

É outro motivo que afasta muita gente. Não faz mais aquele frio da minha infância, com semanas e semanas se arrastando pela casa enrolado no cobertor. Mas, mesmo assim, dá pra fazer sofrer aqueles que não estão acostumados. Hesitar em ir no banheiro por causa da água gelada ao lavar a mão, levar o aquecedor de um lado pro outro como um cachorro, dormir com pilhas de cobertas, falar fazendo fumacinha… essas coisas diminuiram mas ainda acontecem. Além do mais, é típico ter rinite, porque a cidade é muito úmida.

A grande variação climática é uma coisa inacreditável. Na maior parte do tempo, a gente vê a previsão do tempo à toda – basta chutar algo entre 5 e 25 graus. E tome sair cheio de casaco de manhãzinha, carregar tudo na mão ao meio dia e vestir tudo de novo no fim da tarde.

3. Motoristas

O trânsito de Curitiba tem ficado cada dia pior. Cada dia mais engarrafado e pegar ônibus não é tão legalzinho quanto a publicidade diz. Mas não é disso que quero falar, e sim da má educação dos motoristas. Pessoas que moraram em outras cidades garantem: o curitibano é o pior motorista do Brasil. Dirigir aqui é muito estressante. Não posso falar direito sobre o assunto porque eu não dirijo. Aqui ninguém gosta de deixar os outros passarem, o que dificulta e muito a civilidade. Seta na hora de virar? Não precisa – quem está atravessando a rua sai correndo e quem está atrás vai acabar notando.
Nem Hitler aguenta o trânsito curitibano!

4. Pobreza cultural

Já ouviu falar daquele escultor curitibano, o…? Ou do melhor grupo de dança curitibano, o…, o…? Não ouviu, né? Porque não tem. Pra algum artista conseguir se projetar, tem que sair de Curitiba. Todos os grandes aqui não são ninguém fora do Estado. E olha que pra ser grande aqui é dificil, por causa das impenetráveis panelinhas. Deve ser algo como Academia Brasileira de Letras, que só aceita membros novos quando alguém morre. Em certas áreas não há a menor renovação. Isso sem falar que o Paraná não possui uma identidade cultural. O máximo que conseguimos projetar é a nossa fama de antipáticos.

Do ponto de vista de quem consome a cultura, também há muito o que melhorar. Pra ver certas coisas, só indo pro eixo Rio-São Paulo mesmo. Ao fecharem a Pedreira, tiraram Curitiba da rota dos grandes shows internacionais. A vida noturna aqui, de acordo com o Saint, é bem fraquinha também. Nem um jornal regional decente a gente tem. A diagramação do nosso maior jornal – Gazeta do Povo – é um sofrimento visual. Algumas coisas tão atrasadas que não tem justificativa.
Tem outras coisas que eu considero ruins: ausência de ciclovias numa cidade que se diz capital ecológica, a dificuldade geográfica em sair daqui (só pra ir de carro pra Santa Catarina e São Paulo – Capital), dificuldades em deixar de ser solteiro(a), dentre outros. Mas nada muito grave, nada que merecesse mais um item. Como meu objetivo inicial era descrever 5 desvantagens, podemos dizer Curitiba saiu ganhando e têm mais vantagens do que desvantagens.

O lado feio do piercing de nariz

Eu falei das minhas dúvidas aqui e contei aqui que coloquei piercing no nariz. Como a Flávia disse, com o tempo o piercing se torna mais uma maneira como os outros nos vêem, porque a gente esquece que está usando. Mas o piercing, especialmente de nariz, tem características que requerem um pouco mais de cuidado. Não é nem de longe como fazer um furo na orelha. O corpo não acostuma com um metal no nariz.

1. Colocação

Quando me disseram que dava pra sentir a dor da colocação, não fiquei com medo. Afinal, sempre fui doadora. Fui pro estúdio sozinha, conversei com o cara, ele limpou e marcou uma marca de espinha pra colocar o piercing bem em cima (mas não ficou) e eu fechei os olhos quando ele pegou o troço pra perfurar. Nossa, aquilo doeu TANTO! Só depois eu fui ler que o nariz e a língua são os lugares mais dolorosos pra colocar piercing. É uma pele grossa, então sentir a perfuração ali não é pouca coisa. Durante alguns instantes senti como se tivesse um palito de dente na minha pele. Aí ele fez uma manobra, enfiou o dedo no meu nariz (pensou que trabalhar com piercing era fácil?) e tudo tinha acabado.

2. Dias depois…

Pra quem está vendo, o nariz não fica inchado mais que um dia ou dois. Mas pra quem é dono do nariz, ele dói durante semanas. Não dá pra encostar no piercing, não dá pra tirar meleca, não dá pra enxugar o rosto, não dá pra nada. É como se o nariz ocupasse metade do rosto. Pior ainda quando a dor diminui um pouco. Aí a gente esbarra no piercing de bobeira e fica gemendo. Acordei no meio da madrugada com dor porque tentei coçar o nariz.

Limpar o piercing nesse período é um problema. Uma amiga que pôs no umbigo recebeu a recomendação de girar o piercing, coisa que não me disseram. Nos primeiros dias aquilo dói demais e mal dava pra encostar, quanto mais girar. Isso sem falar que o cara fez uma espiral por dentro do nariz, o que não me dava muito espaço para manobras. No início o buraco fica grande e isso dá medo. Eu sentia gosto de Protex na boca quando limpava o piercing. Apelidei o buraco de Minha Terceira Narina.

3. A troca

Uma amiga disse que não trocava o piercing porque tinha dificuldade de achar o buraco. Achei aquilo engraçado quando ouvi e nem um pouco engraçado quando troquei de piercing. Meus planos eram não trocar nunca, mas um belo dia acordei e a pedrinha estava preta. Levei mais de 40 minutos na operação. Primeiro, pra tirar. Eu estava tão bem colocado, que não sabia pra que lado manobrar. Na hora de colocar o novo, drama total. Eu não conseguia achar o buraco de dentro. Minha hipótese é que o buraco ficou meio de lado porque eu não rodava o piercing. Depois de escangalhar todo meu nariz, descobri que só consigo colocar o piercing reto e tenho que entortá-lo por dentro.

Aí, como fui eu que coloquei e entortei com as minhas próprias mãos (tentei com um alicate mas não tive coragem), eis que o piercing caiu de novo com o nariz ainda escangalhado. Parecia cena de filme de terror trash: aquele buraco todo largo, saindo água e sangue e eu enfiando um metal nele de todas as maneiras possíveis. Era aquilo ou desistir do piercing. Eu, que tenho horror a sangue, nunca pensei que seria capaz de fazer um negócio desses. Tudo pela vontade de continuar a ter piercing. Dizem que refazer o furo depois que fecha é muito mais doloroso do que na primeira vez – e a primeira já foi traumatizante o suficiente!

PS: Colocar o piercing durante o banho é mais fácil. Vai por mim.