Espetáculo do Curso Oficina Mix – Joinville 2009

Ueba, olha só o que eu achei! Nos primeiros minutos, eu apareço várias vezes mas nem minha mãe me encontraria sem ajuda: eu estou com um boá vermelho no canto esquerdo na coreografia Broadway, passo correndo com uma bandeira amarela, fico em fila vestida de marinheira, na hora do círculo com os braços estou à direita e sou das primeiras a sair e depois ajudo a empurrar a escada. No resto do video eu não apareço porque estou cantando nas pontas ou dançando na platéia.

É isso. Deu pra matar um pouco a curiosidade?

Offtopic: No início do video toca o instrumental da música oficial do Festival de Dança de Joinville. É uma música detestavelmente grudenta e brega. Passei 10 dias ouvindo isso em todos os lugares e não consigo evitar de cantar o refrão “pra dançar, dançar, dançar e ser feliz/ Festival de emoções do meu país!”. Eu a odeio tanto que às vezes acho que a amo!
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Oficina Mix 2009

A proposta era a seguinte: em dez dias, com 60 bailarinos com a experiência mínima de 3 anos, montar um musical. Para transformar em realidade, a equipe de Caio Nunes, o poderoso coreógrafo da Globo.

Foi como estar numa grande companhia de dança. Logo no primeiro dia tivemos que cantar na frente de todo mundo enquanto André Gabet avaliava nossas vozes. Apresentamos a coreografia que havíamos decorado antes de viajar e fomos divididos em dois grupos. Esses grupos eram mais ou menos constantes. Isso porque havia teste para papéis, coreografias especiais, entradas específicas. Então podia acontecer de você sair enquanto o grupo aprende uma nova coreografia e depois ter que correr atrás do prejuízo. Ao mesmo tempo que todo mundo se ajudava, era cada um por si.

No meio de todo aquele caos e coisas que não saiam até o último minuto, fomos nos conhecendo e o musical se transformando em realidade. No penúltimo dia, ensaiamos no teatro durante 11 horas. Algumas coisas não deram certo e foram cortadas, enquanto outras foram acrescentadas pra aproveitar talentos particulares. Mesmo assim, todo mundo dançou muito, trocou diversas vezes de figurino (eu trocava cinco vezes) e se sentiu valorizado. A primeira vez que o Caio me chamou pelo nome eu levei um susto. Apesar daquela loucura toda, eles tinham o carinho de nunca deixar ninguém de lado, de saber como cada um era. Isso sem falar da imensa paciência. Acho que eles nos xingavam mentalmente, porque nunca vi tanta gentileza em meio a disputas de ego e erros crassos.

Por falar em erros crassos, eu errei muito. Errei dando tudo de mim, errei com vontade de acertar. Ou seja, me descobri uma bailarina medíocre. Eu sei que minha história é bonita por ter começado a dançar tarde (faz exatos 3 anos) e que vocês torcem por mim, mas é verdade. Nunca estive em meio a gente tão talentosa. Que não apenas pegavam as coreografias rápido como também faziam com perfeição e beleza. A mesma coregrafia podia ficar irreconhecível por causa da qualidade do movimento. Mil vezes decidi parar de dançar. A intensidade do curso e a distância de casa foram tão difíceis que tive crise de choro em plena Feira da Sapatilha. No momento mais bailarinísto da minha vida eu achei que não era para estar ali.

Voltei com um DVD da apresentação. Acho que levarei alguns anos para vê-lo. Meu joelho esquerdo ficou ruim durante a viagem e eu nem conseguia descer escadas direito. Mas foi só voltar para casa que ele está quase bom. Segunda tudo volta ao normal, inclusive no ballet. Como diz aquele provérbio alemão: tudo na vida tem um fim. Menos a salsicha, que tem dois.