Perfil

Ela fazia o tipo atenciosa e gentil. Conhecia todos pelo nome, estava sempre sorrindo e disposta a ajudar. Era verdadeiramente católica e não falava mal de ninguém. Tanto que chegou a ir num congresso e não nos contou que alguém tinha comido alguém em pleno alojamento. Era daquele tipo de extrovertido que ignora qualquer clima ruim no intuito de fazer novos amigos. Estava sempre colocando desconhecidos na conversa; não podia ver alguém no cantinho sem ir trazer pra perto. Em qualquer tempo – e aqui faz mais chuva do que sol – ela era sempre uma boa pessoa.

Se hoje eu não tenho muito traquejo social, imagine antes. Sabia o nome de umas dez pessoas na faculdade inteira, porque o resto não me interessava. Era mais fácil me ouvir rosnar do que dizer bom dia quando meu dia não estava bom. Dizia com todas as letras que odiava cheiro de cigarro, sendo que a maioria dos meus colegas era fumante. Assistia às aulas e ia embora. Tinha fama de inteligente, mas só ia bem nas matérias interessantes. Quando achava a aula uma perda de tempo, levava um livro. Em resumo, eu era um bicho antisocial.

Minha amiga nunca entendeu como eu podia ter amigos sinceros, admiradores e até mesmo um bom conceito; sendo que ela às vezes era chamada de sonsa. Pra falar a verdade, nem eu entendia. Só há pouco tempo percebi que, ao se colocar como uma pessoa difícil, a gente transforma nossa amizade num prêmio. Sempre penso nisso quando leio os comentários mau humorados do @cardoso.
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Outro barro

Sônia Braga, por exemplo. Essa não foi feita do mesmo barro que eu. Algumas mulheres têm uma sexualidade exuberante, que salta em todos os seus gestos, o sexo como uma verdadeira forma de expressão. Alguns vêem como putaria pura mas eu acho que vai além. Penso no curriculo amoroso da Sônia Braga (nacionais: Caetano, Chico, Djavan, Pelé, dentro outros. Internacionais: Clint Eastwood, Robert Redford, Warren Beatty, Mick Jagger, Pat Metheny, entre outros) e imagino que ela deve ser muito interessante e desencanada. Algo que alguém (eu) que não gosta nem que estranhos a olhem demais nunca alcançará.

Qualquer um com grande capacidade de vendas ou de ganhar dinheiro não se parece comigo. Nas novelas qualquer um que se proponha fica rico, mas se tudo fosse tão simples… Não apenas não consigo como até mesmo não gosto de convencer. Vender me deixa tão impaciente que ou eu daria o produto de graça ou mandaria o cliente à merda por ele não reconhecer o valor do que ofereço. Totalmente explicado porque minhas esculturas estão encalhadas – queria muito alguém com esse talento pra me empresariar! Ver o Roberto Justus (representante perfeito do tipo) migrando para a área artística me traz um certo consolo!

Por último, qualquer artista expressivo me faz desejar ser diferente. De Maria Bethânia a Maria Callas, Isadora Duncan a Ana Botafogo, Giotto a Caravaggio, Victor Brecheret a Camille Claudel… há neles coragem e rebeldia, um toque pessoal e universal. Que pitada a mais de alguma coisa esse pessoal têm? Penso que há neles uma necessidade de se expressar mais forte do que o pudor ou senso de ridículo. Quando a gente lê seus nomes com letras douradas, não tem noção do que o que eles fizeram foi desmerecido antes de ser louvado. Que eles se propunham a experimentar, a mostrar mesmo pra quem não pediu, algo meio:
A moça de amarelo é minha ex-professora de contemporâneo. Ela nem vai muito com a minha cara, mas eu a considero uma Artista. Dessas de um barro diferente do meu.

Novo template

Nenhuma justificativa nobre ou ideológica para a mudança. Estava passeando por aí e achei este bonito.

E, como uma coisa leva à outra, mudei meu perfil. Tentei colocar link para os blogs amigos e não consegui – sem dizer que devo ter estragado alguma coisa em algum lugar :S