Louca do café

O café do supermercado.
Nem preciso repetir que gosto muito de andar, né? Pra ir é ruim, pela questão do horário e de chegar nos lugares cansada e suada, mas pra voltar pra casa andando é quase de lei. Quanto mais a gente acostuma com um trajeto, mais curto parece que ele se torna. Meus pontos de partida não variam tanto, e gosto de parar no caminho, entrar nos lugares, ver as lojas, comer alguma coisa. Por causa disso, numa distância de cerca de dez quilômetros, devo ter tomado todos os cafés até a minha casa. Eu poderia escrever um guia. Dos lugares mais simples aos bonitinhos, posso tecer comentários sobre como é o café (se tem opção, um carioca) e o salgado (geralmente pão de queijo), passando pelo ambiente e o atendimento. Minha última descoberta é uma padaria ótima ao lado de uma pet, com mesinha pra fora. Quem está com seu cachorro pode tomar um café lá com ele – privilégio esse que nunca terei, pois a Dúnia tentaria roubar o que está na mesa, choraria, latiria para as pessoas, me arrastaria, etc. Ainda voltarei lá. Tem um que tem que descer por uma escadinha e ser atendido por uma velhinha com problemas nas cordas vocais. Desisti de ir por ser isolado demais, a gente fica fechadinho olhando pras paredes e pra isso eu faço café em casa. Sem dizer que a velhinha não aceita cartão. Duas quadras pra baixo tem uma lanchonete/restaurante com atendentes gentis, mas um café ruim de doer. A padaria chique – são duas filiais no meu caminho – serve para fazer boa figura e se sentir bon vivant, mas é cara demais. Sem dizer que o atendimento de uma delas é tão ruim que nunca consegui descobrir se é pra pedir no balcão ou esperar na mesa, porque nenhum dos dois jeitos funciona. Numa padaria perto do supermercado dá pra tomar café vendo TV, o que também tem seu charme. O café do (outro) supermercado é bonzinho, mas a relação custo-benefício fez com que eu me apegasse – pasmem com o meu espírito investigativo – ao café da loja de material de construção. Agora estou indo menos, mas no final do ano passado cheguei a ir três vezes por semana, sempre no mesmo horário. Deve ter sido estranhíssimo, caso alguém tenha me notado. Somente eu e os funcionários sabemos que lá tem um delicioso carioca com pão de queijo por apenas 2,50. E aceitam cartão. A atendente de henna na sobrancelha já nem me pergunta se quero açúcar ou adoçante. Meu sonho é chegar lá e só dar uma piscadinha.
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No lugar errado

Eu entrei naquele grupo de estudos unicamente porque meu orientador havia me obrigado. Eu tentava marcar com ele para discutirmos o meu trabalho e ele dizia que conversaríamos sobre o assunto depois da reunião. Isso apenas me obrigava a ir nas reuniões, porque discutir o trabalho comigo que é bom ele não fez. Depois de tudo terminado e defendido, ainda fiquei no grupo mais um ano, só que me sentia uma intrusa: todos com sede de títulos, artigos e trabalhos, doidos para incrementarem seus Lattes, enquanto eu só queria ser deixada em paz. Estava exausta e nem um pouco disposta a emendar um doutorado. Aí eu saí, fui dançar, conheci o mundo da dança profundamente, perdi as esperanças de ser boa e remunerada dentro dele, voltei com o rabinho entre as pernas. Eu não encontrava prazer na vida acadêmica mas havia sido treinada para ela a minha vida inteira, então poderia dar certo. Numa dessas reuniões do grupo, durante a minha volta, meu orientador pergunta:

– Alguém aqui viu o filme A Partida?
– Eu vi. É lindo!

E estava quase dizendo que havia me emocionado e chorado muito com o filme. Antes que o fizesse, meu ex e futuro (ex) orientador começou a discorrer dos aspectos simbólicos, imaginários, questões tocadas pelo filme, etc. A diferença entre o discurso dele e o que eu quase estava por dizer era um sinal tão tão claro: eu estava no lugar errado.

Não sei ainda qual o meu lugar, só sei que não era aquele.

Lugares legais para mijar em Curitiba

Já que Cinco coisas legais pra fazer em Curitiba é um dos posts mais acessados deste humilde blog e que a maior parte dos meus leitores é daqui, decidi ser populista e fazer outro post turístico e de utilidade pública. Se até a piuaí fez uma reportagem sobre banheiros, por que não eu? Vai aqui a lista de onde apelar se você sentir aquele chamado da natureza enquanto estiver passeando:

  • No shopping:

Shoppings são, de longe, o melhor lugar para mijar longe de casa. Eles são sempre acima da média, com papel higiênico e higiene garantidas. Os dois melhores xixis de Curitiba ficam entre o Park Shopping Barigüi e o Shopping Cristal Plaza. Os dois são limpos e bonitos. No Barigüi, o banheiro feminino tem serviço de camareira que fornece agulha e linha e no masculino tem máquina de lustrar sapatos. O Cristal não tem camareira, mas o banheiro tem sofá e é tão bonito que parece que a gente está numa balada. E tem Sentax.

O pior xixi da categoria é* o Shopping Paladium. A sinalização de lá é horrível, então é possível dar uma volta imensa porque as placas não ajudam achar o banheiro. Aí você anda por mais um corredor imenso e acha as pias e lá no fundo ficam as privadas. O banheiro é todo pelado e as lixeiras são de plástico. Nem o trocinho pra deixar o bafo cheiroso (no banheiro perto da praça de alimentação) ajuda a dar um ar menos decadente.

  • No McDonalds

Eu acho que pra uma franquia que ganha tanto dinheiro, os banheiros do McDonalds poderiam ser mais cuidadinhos. Sempre tem papel, é verdade; assim como é muito comum a lixeira estar transbordada. A vantagem é que como muito gente circula por ali, ninguém verifica se a gente é cliente ou não. É entrar e mijar. Tem um no começo da Rua XV e outro mais pros lados da Santos Andrade. Isso sem falar nos bairros.

  • No parque

Não, não estou falando pra fazer na moita. Se eu fosse um blogueirO, quem sabe. Alguns parques tem banheiro com entrada de alguns centavos, como o Parque Barigüi. Isso geralmente garante papel e o mínimo de higiene. No Bosque Alemão, não tem entrada mas o banheiro não é dos piores. Já o banheiro do Parque São Lourenço, da última vez que eu passei por perto, dava pra sentir o cheiro de longe… Já a Ópera de Arame, o Parque Tanguá e o Parque Tingüi, só deus sabe se tem banheiro lá, porque eu não vi.

  • Na biblioteca

Esse foi mais um benefício que o hábito de ler trouxe para a minha vida: descobri que a Biblioteca Pública do Paraná é um bom lugar para fazer xixi. O do segundo andar é menos freqüentado do que o do primeiro. Não só não tem que consumir nada, como tem filmes, exposições, palestras, cursos e ainda dá pra sair com um bom livro! Pra ter dicas de livros, pergunte pro Ale. Só não vale ler no banheiro, porque atrapalha os outros usuários!

Mais alguém aqui quer falar dos banheiros da sua cidade? Então, pode considerar isso como um meme escatológico! 😉

*Errata:
Tinha esquecido do Shopping Estação, de longe o pior da categoria shopping. Dá pra dizer que é um verdadeiro banheiro público: feio, pequeno e fedorento. Se puder, evite!

Cinco coisas legais pra fazer em Curitiba

Ela me passou esse même que tem um tema muito bom: escrever sobre 5 programas legais na sua cidade. Afinal, quem melhor pra indicar o quê fazer do que alguém que mora num lugar? Sempre quando vejo a Ópera de Arame e o Memorial Ucraniano do Parque Tingüi como bons programas pra se fazer em Curitiba, penso o quanto esses guias não são confiáveis. No primeiro caso, porque a Ópera é um parque grande e sem graça, e a estufa é muito pequena e decepcionante; no caso do Memorial, porque pra se chegar lá a gente tem que cruzar o parque todo – dentre as churrasqueiras, cachorros de rua e gente feia – pra chegar numa construção sem graça que não tem nada pra ver.

Deixa pra lá, agora vamos ao meu Top 5 curitibano:

Rua XV de novembro: fica bem no centro, é onde tudo acontece. É o famoso calçadão que o Jaime Lerner criou. Se você seguir pelo calçadão de cima abaixo, vai ver de tudo um pouco: começa na Praça Santos Andrade, com o prédio da Universidade Federal e o Teatro Guaíra. Passa por várias construções históricas, shoppings populares, banquinhos, floreiras, restaurantes. Aí você chega na Boca Maldita, onde tem estátua-viva, artesanato, cantores, manifestações políticas, o prédio do HSBC (onde tem a apresentação de natal) e todas as coisas mais importantes da cidade. O passeio termina na Praça Osório, onde tem as deliciosas feirinhas temáticas (Páscoa, Natal, Junina, etc), onde se vende comida e artesanato. Visitar Curitiba sem ir à XV é não visitar Curitiba.

Feirinha do Largo da Ordem: acontece desde que eu me entendo por gente, todo domingo de manhã. São quilometros de feirinha, que reunem o melhor do melhor do artesanato curitibano. A prefeitura faz uma seleção rigorosa dos trabalhos, pra que ela tenha produtos variados e realmente artesanais. Têm brinquedos, roupas, plantas, discos, bijoux, comida, incenso… não há nada de interessante que não tenha lá. É impossível passar por ali sem ter vontade de comprar alguma coisa. Isso sem falar das lojas das imediações, que ficam abertas e vendem coisas igualmente diferentes.

Restaurante Jagannatha: Curitiba só tem dois restaurantes indianos, e o Jaga é um deles. Só que ele tem a característica de ser um restaurante védico indiano, ou seja, ele é hare-krishna. Nenhuma comida leva carne, alho ou cebola. Como toda comida indiana, ela cheira maravilhosamente bem e você come aquelas coisas deliciosas sem ter a menor idéia do que causa aquele gosto. O ambiente é bem decorado e os preços acessíveis. O dono do restaurante é um argentino figuraça. Embaixo tem uma loja de produtos indianos. Fica perto do Shopping Müeller, dá pra estacionar lá. O endereço é Rua Paula Gomes, 123.

Museu do Olho: ir pra lá tem muitas vantagens. O próprio museu já é um daqueles passeios que levam o dia inteiro. No primeiro fim de semana do mês a entrada (5 reais) é grátis. Sempre tem umas 5 exposições ao mesmo tempo e raramente a gente consegue ver tudo. Sem falar do próprio museu: o túnel lá embaixo, subir na parte do olho, o espelho d’água, o pátio das esculturas. Atrás do museu virou ponto de encontro pra donos de cachorros, que soltam seus bichanos por ali. Pertinho também é o Bosque do Papa, um lugar muito tranqüilo, com as casinhas polacas e doces típicos.

Shopping Estação: eu não poderia deixar de colocar um shopping, porque esse é o programa mais curitibano que existe. Os curitibanos não saem do shopping. Como disse uma vez o Ale, se shopping passasse a ser proibido, os curitibanos construiriam shoppings subterrâneos. O que distingue o Estação é que ele é arejado, tem tunel de água, bichinhos de planta e é todo bonitinho. As lojas lá são o de menos. Lá dentro tem o Museu do Perfume, que muita gente aqui não conhece mas é um programa imperdível. Ele faz uma história dos odores, fala um pouco da fabricação do perfume e na parte de cima tem as propagandas antigas. É o máximo, eu me matei de rir todas as vezes que fui lá.

Agora passo o même para uma Belorizontina orgulhosa, pr’ Aquele que não tem o que dizer nas montanhas, para o mestre cuca Aleatório, os paulistanos dos Criadores de Imagens. E vamos ver o que mais gente tem a dizer sobre Curitiba: Alessandro Martins e Catatau.