Silêncio compartilhado

Se tem uma pessoa que eu admiro muito é o meu primo, o Quinho. Quando vou a São Paulo e nos encontramos, nossa conversa basicamente é

– Oi, Quinho.
– Oi, Fernanda.

E quando eu vou embora

– Tchau, Quinho.
– Tchau, Fernanda.

Não sei se pra mim um dia precisaram me explicar que ele é assim mesmo, acho que não. Se precisaram, foi há muito tempo. Não sei o que as pessoas normalmente pensam do Quinho, se acham antipático, se ficam incomodadas, se tentam arrancar coisas dele. Eu, como grande preenchedora de silêncios, admiro muito sua capacidade de não fazer isso.
Anúncios

Silêncio

Eu sempre fui do tipo que acordava e colocava uma música, chegava em casa e colocava uma música e antes de dormir ouvia um pouco de música. Aí eu fiquei doente na mesma época que meus vizinhos estavam de mudança e o rádio deles ficava ligado o dia inteiro. Pois bem: eles já se mudaram e eu já estou saudável. Eu ainda não entendi muito bem a dinâmica familiar dessa nova família, só sei que tem um menino que passa o dia inteiro com a empregada e outro vizinho faz todos os serviços de pintura e jardinagem pra casa. E que todos adoram ouvir música. Às vezes, tem uma música tocando no jardim e outra totalmente diferente na cozinha.

Eu tinha uma teoria conspiratória sobre vizinhos ouvirem músicas de gosto duvidoso. Mas num desses dias chuvosos, meus vizinhos colocaram Banana Pancakes do Jack Johnson, igualzinho eu faria. Então, percebi que o problema nem é o teor da música e sim que a música só é boa quando a gente mesmo coloca, no exato instante e volume em que quer ouvir.

Desde que meus vizinhos se mudaram, eu nunca mais consegui ouvir música. Nos raros instantes de silêncio, eu desfruto imensamente.

Muda hostilidade

Sabe quando alguém não gosta de você mas ninguém percebe isso? Pra todo mundo vocês são amigos, mas você percebe que no fundo a pessoa não vai com a tua cara? Você se sente pisando em ovos, não gosta de encontrar a pessoa, mede as palavras quando tem que falar com ela, mas todo mundo que tudo entre vocês é super legal? Pior: quando você tenta dizer isso pra alguém, você fica parecendo paranóico?

Pois é.

PS: Esta é a postagem 300. This is Sparta!!!! \o/

Melhor Carnaval do País

{Já escrevi tanto isso em scraps e por msn que dá uma certa preguiça, mas vá lá!}

Eu adoro Curitiba no carnaval. Nesta época, faço questão de não viajar. Curitiba deve a única capital que declarar em público que você odeia carnaval não soa estranho – muito pelo contrário, a maioria das pessoas com quem eu converso também odeiam carnaval.

O desfile de rua aqui é uma coisa pavorosa, um programa de índio que às vezes as pessoas vão pra dar risada. Temos 3 escolas de samba e elas são constantemente punidas (pelo que vejo no jornal) por não apresentarem o número mínimo de passistas – uns 100, imagino.

De resto, nada indica que estamos no carnaval. Os poucos que gostam de festa, vão para o litoral. Cidade silenciosa, limpa, sem trânsito, quase tudo funcionando normalmente – restaurantes, locadoras, shoppings, supermercados e todos os outros locais de primeira necessidade. Ainda tem a vantagem de que os filmes da Fundação Cultural custam 1 real até quarta.

Não sei se vou assistir um filme no cinema, um DVD, passear num parque… Ah, são tantas opções! Morram de inveja os que estão atormentados pela Banda Calipso!