Testimonial

Já me queixei várias vezes da falta que sinto dos Testimonials do Orkut. Acho o Facebook ótimo, mas isso falta. Dá vontade de lançar uma daquelas petições on line – tem pra tanta coisa! – e mandar pro Zuc. Pra mim os Testimonials são a mesma coisa que as dedicatórias dos livros da minha amiga Suzi. Ela tem uns livros com umas dedicatórias lindas, cheguei a ler algumas. As dedicatórias falam de amor e de amizade, revelam um pouco de quem escreve e de quem recebe. Nos momentos difíceis, a Suzi se presenteia com aquelas dedicatórias. É como um “em caso de emergência, quebre o vidro”. Percebo que também é disso que eu tanto sinto falta nos Testimonials. Alguém no mundo registrou quem somos e nos impede de esquecer. Com o coração arrebentado e o mundo dizendo não, fica difícil não cair e começar a pensar: será que é isso mesmo, deixei algo de bom no meu caminho? O escrito é diferente de estar na memória, está materializado. Ano passado, no meu aniversário, meus amigos Marcela e Ânderson capricharam nas mensagens que deixaram no meu mural no Facebook. Eles sabiam que eu estava fragilizada e quiseram me dar – ainda que à distância – um pouco do amor que eu precisava. Chorei muito diante do que ambos escreveram, eles ajudaram mais do que sou capaz de agradecer. Como sabia que com o tempo os recados seriam enterrados (se fossem Testimonials…), fiz meu próprio “em caso de emergência”: copiei num papelzinho e deixei ao lado do meu monitor.

Obrigada de novo, queridos!

 

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Sdds: Orkut

O orkut foi importante para mim, por mais que hoje o renegue tanto quanto as minhas fotos de mullets. Lá fiz grandes amigos, e muitos deles são meus amigos até hoje. Eu os vejo casados, tatuados, morando sozinhos e tenho a dimensão do quanto o tempo passou.  Eu lembro de como eles eram antes, na época que trocávamos scraps e diziam que o meu scrapbook era “uma praça de eventos”. Eu tinha casado há pouco tempo, tinha poucos amigos e me divertir com eles pelo orkut era importante pra mim. Lá eu vi namoros, amizades, casamentos nascerem e morrerem. Conheci muita gente por causa do orkut, e descobri que pessoalmente é sempre outra amizade, outra relação, que a internet é uma realidade paralela. Foi no orkut que assumi que gosto de brincar e não de falar sério, que ter senso de humor precede o “oi, de onde tc?”. Era ótimo ficar fuçando os perfis – de amigos, inimigos, desconhecidos – tentando adivinhar a personalidade pelas comunidades. Eu adorava descobrir comunidades engraçadas, como a “Malufistas que dão o cu”, que diziam que eram pessoas que sofriam duplo preconceito, por sua posição política e sexual ou a “Eu já chorei vendo filme pornô”, que tinha uma descrição tão engraçada que me fazia rir sempre que lia. Eu tinha minhas próprias comunidades, a “Invejosos” e a “Rancorosos”, sendo que essa última era um sucesso. Uma vez fizeram uma comunidade pedindo a minha volta, porque cometi orkuticídio (quem nunca?). Quando voltei (quem nunca?), transformei numa comunidade mutante. Por falar em mutante, uma comunidade mutante de amigos foi recriada recentemente no facebook, como página, mas é claro que não é a mesma coisa – nós não somos os mesmos. Alguns falam mal de quando os brasileiros pervertem a função inicial das coisas em redes sociais, mas eu sempre vi nisso uma criatividade, algo positivo. No início, as brincadeiras eram nas comunidades, depois o negócio virou mandar scrap. E o que dizer dos depoimentos secretos?  Era uma prova imensa mandar um, com a advertência *Apague*. Era entregar um segredo na mão de alguém, precisava ser muito íntimo para mandar testimonial secreto. Pra saber de quem se era íntimo, era só listar com quem se trocava esses depoimentos. Dos depoimentos, alias, é a parte que eu mais sinto falta. Nosso perfil era conhecido não apenas pelo que dizíamos, mas também pelas coisas bonitas que nossos amigos tinham a dizer a nosso respeito. Era de aquecer a alma. Saudades.

Instante

É mágico: num instante que pode durar horas ou anos, pessoas completamente afins se encontram. Nesse momento perfeito, se produz algo belo, fascinante, criativo, divertido e tudo mais que se proponha. Como nada foi feito para durar, se o destino não os separa o tempo se encarrega disso. Picuinhas começam a aparecer e o que era brilhante fica cada vez mais fosco. Mesmo assim, quem estava lá sempre será associado a uma fase bonita. Ficamos abertos e nos apegamos de maneira que em outras circunstâncias jamais aconteceria.

Instantes assim não podem ser recriados. Você pode pegar as mesmas pessoas e tentar fazer igual, que não será. (Isso me lembra uma frase de Marx: A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa) A única coisa a se fazer é amar essas lembranças e estar aberto para viver outras experiências.

(Homenagem aos dias insanos e felizes que um dia vivi no Orkut)

Mulher vive 10 anos com um travesti sem saber

Às vezes eu me sinto meio assim com minhas amizades virtuais. Especialmente as do orkut. Eu mandava scraps todos os dias e a graça desses scraps era justamente o non sense. Eu nunca vi graça nessas conversas de preencher ficha, em que cada um conta o nome, a profissão, a idade, o local de trabalho e etc. Com meus amigos de orkut, falavamos de histórias loucas, inventadas, que se acumulavam e criavam um universo paralelo. E assim, sobre universos paralelos, me apeguei a certas pessoas.

O tempo passa e você descobre que não sabe nada sobre quem está do outro lado. Que saber que a pessoa é culta, tem senso de humor e que gosta de determinados filmes não é nada. Aí você descobre que preencher aquelas fichas de nome, profissão, etc. é importante. Que em algum momento há a necessidade de falar essas banalidades, porque essas banalidades nos definem. Privar o outro de saber do seu dia a dia, mostrar apenas o lado inventado e divertido, é prolongar uma ilusão.

Eu sou o tipo bobo que se apega, que gosta de conhecer as pessoas pessoalmente. Às vezes descubro que não sei nada e que o outro faz questão de me manter ignorante. Eu sou uma trouxa mesmo.

Vícios

Eu sou dura com meus vícios. Coca-cola, pão francês crocante com manteiga, orkut. Eu nem vejo na minha frente, paro mesmo, fico abstinente. Não é por força de caráter não, é por saber que sou exagerada, jogada aos seus pés, eu sou mesmo exagerada. Desde que vi Super Size Me, no cinema, nunca mais coloquei uma gota de refrigerante na boca. Mesmo, juro. Isso pra me curar do mais de 1 litro de coca-cola que eu tomava por dia. O pão francês crocante com manteiga eu gosto tanto, mas tanto, que sou capaz de comer 10 de uma vez. Verdade. Sorte minha que não tem uma padaria decente perto de casa.

No orkut tinha mais de 15000 scraps e etc. Nem vou entrar em detalhes porque mais de 50% dos meus (5) leitores acompanhou essa época. De vez em quando entro no computador e me pergunto o que está rolando. Ou algum amigo (como o Walter, neste instante) insiste pra que eu volte. Tenho saudades, confesso. Dos amigos, das piadas, de ser uma pessoa virtualmente popular.

Mas… mas… I can’t! Só isso, pessoal, I can’t!

Ex-colegas

É batata: é só pensar em algum tema, que no orkut tem. Não estou falando apenas das comunidades hilárias (que são um capítulo à parte), como também de empresas, ruas, colégios, casas noturnas, linhas de ônibus. Dá pra montar toda a biografia se a pessoa começa a entrar nessas comunidades. Meu irmão encontrou uma do colégio que estudamos na infância, e que fechou poucos anos depois!

Achar um ex-colega acaba sendo a porta de entrada para muitos outros. Foi assim que aconteceu: digitei o nome de uma das poucas ex-colegas cujo nome e sobrenome eu lembro. Daí passei horas no orkut, encontrei todo mundo. Gente que mudou de cidade, de nome, de número no guarda roupa… Algumas pessoas legais, outras nem tanto. Umas se falam e fizeram comunidades particulares. Olhar para as comunidades ou frases e lembrar que era igualzinho há anos atrás. Uma viagem.

Tive vontade de adicionar uma ou outra pessoa. Aí vi que estaria encontrável, como todos os outros, e que em nome de 1 ou 2, teria que adicionar uns 40 que não tenho vontade.

Fechei tudo e com isso fechou-se o passado. É ótimo ter um perfil de nome mutante.

As mentiras que os profiles contam

A parte do about me do orkut é a mais complicada. Eu nunca consegui fazer um muito longo, dizendo as coisas que eu gosto, faço, etc. Já pensei em escrever um falando dos meus defeitos e do quanto sou detestável; mas quando leio isso nos outros, não me parece convincente. Esse negócio de falar de si mesmo, na verdade, é falar sobre as auto-ilusões. Esses tempos o meu about me exibia a frase: Gosto mais de esconder do que de mostrar. Com uma frase, escrevi algo profundamente verdadeiro ao meu respeito. Mais do que isso, acho difícil.

Escrevo isso porque ontem tive a experiência bizarra de ler o profile de uma pessoa que não vejo a muito anos – uma cobra, em resumo. Ler o profile dela e as comunidades foi muito estranho – ela estava lá, mas de uma maneira distorcida. Como explicar?

Ela fala no profile que os amigos são a coisa mais importante da vida – e é verdade, considerando que ela é grudenta. Milhões de comunidades dizendo que odeia ex-namoradas, que ama muito, que é ciumenta – verdade! Ela tinha um ciúme doentio! Eu incomodo muito e tua inveja faz a minha fama? Ela era a maior fofoqueira de todas, a pessoa que falava da vida de todo mundo! Comunidades dizendo que odeia mal-comidas, mulher de boné, psicanálise, quem iskrevi axim, gente burra… tudo combina com as milhões de rejeições gratuitas e agressivas que ela tinha. Só faltou uma comunidade pra dizer que ela odeia a Marisa Monte – tudo porque ela viu uma entrevista em que a Marisa disse ter comprado o vestido que estava usando (era uma festa chique) em um brexó.

Limpezas

Os livros de Feng Shui aprovam, os de decoração de ambientes também. Há os que dizem que emagrece, limpa a alma, treina o desapêgo. Enfim, todos aprovam. Quanto a mim, posso dizer que é quase como uma coceira. Peguei o hábito com a minha mãe, mas confesso que sou muito mais do que ela. Estou sempre fazendo limpezas.

Diminuí minha lista no orkut, que hoje tem 29 amigos (deveria ter 31, se a Darlene e o Carlos não tivessem se orkuticidado :X). Minha lista no msn tem 18 – em pouco tempo terá 17, pois estou prestes a apagar um certo viciado em Lost que nunca entra… Na minha casa, com as minhas roupas, com as minhas coisas também é assim. É só parar de usar alguns meses que começo a doar, jogar fora, dar para alguém que goste, me livrar. A única coisa que eu realmente não me desfaço é de livro. Adoro livros. Adoro meus livros.

Até hoje, nenhum ex membro das minhas friendlists reclamou. Alguns tem milhares de pessoas na lista – se eles notarem que alguém sumiu, nem saberão que sou eu. Outros, devem investigar e perceber que foram embora numa chacina geral, que não foi nada personalizado. Outros devem se ofender – acho.

Com muito contragosto tinha adicionado a professora de yoga da academia. Ela não gostava quando eu (raramente) ia nas aulas, mal falava comigo e tudo mais. Alguém me explica com que finalidade essa criatura foi no meu orkut e me adicionou? Hoje nos encontramos na recepção e ela não respondeu ao meu “oi meninas”. Ou seja, talvez nosso relacionamento tenha diminuído de “oi” para ___.

Como dizem os livros de Feng Shui, decoração, organização e tudo mais: fazer limpezas periódicas têm inúmeras vantagens.

PS: Não esqueci da foto da Dúnia. Estamos com problemas com a bateria da maquina fotográfica. Assim que der, coloco a foto da minha neguinha aqui. :o)

Eu, Maria Cândida Chaud


Je suis une femme. Il est assez.

Este é o about me do meu bogus, o único bogus que criei até hoje. Amanhã ou depois essa experiência completaria uma semana – não completará porque darei terminate assim que escrever este post. Era carnaval e eu estava entediada. Comecei a me perguntar se seria capaz de criar um bogus perfeito, um bogus que fosse capaz de conquistar a minha friendlist sem levantar suspeitas de que sou eu.

Estou cansada demais do orkut e cansada demais de tanto trabalhar pra levar essa experiência adiante. Tenho certeza de que conseguiria tudo a que me propus. Este perfil, em menos de uma semana, tem 58 amigos, 7 fãs, 100% de gelinhos e carinhas e faz parte de 56 comunidades, 2 delas moderadas. Ela tem na sua friendlist dois amigos meus – Moya e Gab. E troca scraps com mais dois – Bob e Rômulo.

Como dá pra ver em cima, meu bogus fala francês. Eu (ainda) não sei um pingo de francês – tudo o que ela diz é por causa do Babel Fish. Fui confundida com francesa e até convidada pra ir num show do U2. Recebi muitos convites pra conversar no msn. Dei pitacos na comunidade Lost, sendo que nem propaganda sobre a série eu vi. Fui participativa nas comunidades de São Paulo e disse por aí que moro no Sumaré.

Se fosse dar umas dicas de como criar o bogus perfeito, daria essas:
1- Crie um bogus que tenha haver com você, pero no mucho.
Ser mulher e tentar virar homem é complicado; assim como ser heavy e fazer uma patricinha. Tem que ter uma certa empatia.
2- Descubra a maneira como você escreve e mude um pouco.
Eu sou perfeccionista ao extremo com digitação – meu bogus vivia comendo algumas vírgulas.
3- Coloque uma foto convincente.
Gente linda ou feia demais fica na cara. Famosa nem se fala.
4- Seja coerente.
Ninguém é eclético demais. Em geral, quem ouve uma banda, ouve outra parecida. Por aí vai. Colocar axé ao lado de música erudita não dá. Por isso, para ser coerente é preciso ter…
5 – Conhecimento.
Não adianta dizer que mora numa cidade que nem conhece. Dizer que toca e não saber ler partitura.

Eu orkutizo

A Regina se foi do orkut e com ela minha vida de orkutiana fica menos. Ontem descobri que estavam alterando legendas das fotos e fiquei muito irritada. Depois de zerarem os scraps, mais essa. E, assim como no caso dos scraps, fui uma vítima. Mesmo com tudo isso, é provável que eu seja uma das últimas a sair do orkut. Se um dia eu sair. Minha possível saída estaria condicionada a saída maciça das pessoas com que me relaciono no orkut. A Regina era uma das que estavam no topo da lista. Se por exemplo, a Flávia, o Sérgio e o AP saírem, não sei o que será de mim.

Eu sei e reconheço todas as desvantagens: o tempo despendido, a inutilidade da coisa, as dificuldades de conexão, as ações dos hackers, aborrecimentos virtuais totalmente dispensáveis com loucos virtuais surtados que cismam com a gente de graça. Mas eu não saio do orkut, apesar de todos os motivos. Talvez, a Regina seja mais corajosa do que eu – eu não saio do orkut porque acredito que perderia contato com as pessoas do orkut se saísse. Mesmo conhecendo-as pessoalmente. Mesmo adicionando-as no MSN.

Quantas pessoas na minha vida eram interessantes e especiais e uma simples mudança no cotidiano as retirou para sempre da minha vida? Muitas, talvez mais do que gostaria. Sem ter aquele professor, aquele ambiente de trabalho, aquela tarefa conjunta, é muito difícil manter a proximidade. Sei que não adiantaria tentar correr atrás de marcar encontros ou algo parecido. Nosso vínculo foi quebrado por circunstâncias exteriores.

O orkut me propiciou uma turma de amigos muito brincalhões. Pessoas cultas, inteligentes, com humor refinado, com quem consigo falar besteiras que dificilmente alguém do meu dia a dia acompanharia. As pessoas se reunem pelos mais diversos motivos – esse grupo se reune pelo humor. Ocupação tão nobre (ou mais) quanto qualquer outra, mas que normalmente não encontra espaço. Somos de diversos lugares e já brinquei que um grande orkontro com todos só seria possível no céu. Sem o orkut, sem comentar um post ou uma notícia maluca do AP, qual pretexto teríamos? Nos transformaríamos em amigos comuns, que fazem relatórios do seu cotidiano um para o outro? Quando leio alguns momentos brilhantes (como o Eu converso com as Charlies Angels!), não consigo deixar de achar isso uma pena.

Eu não sei. Tenho medo. Chegar em casa e saber que rirei de alguma besteira em algum scrap tem valido a pena. Manter contato com todo mundo tem valido a pena. Sou covarde – gosto dessas pessoas e acho que irei perdê-las se sair. Por isso, eu ainda orkutizo.

Amigos de Infância

Quando meu irmão mais velho me adicionou há poucos dias no orkut, trouxe consigo uma lista de amigos e comunidades que remetiam à minha infância. Comunidades dedicadas ao lugar onde passava todas as minhas férias, a lista de amigos cheias de gente com quem brincava, fotos de pessoas que eram crianças comigo e hoje tem filhos. Pouco tempo depois, um desses amigos de infância me adicionou. Ele nem desconfia que já tinha ido no profile de toda a sua família…

Assim como não procuro adicionar pessoas que me conhecem lá fora, assim como não divulgo meu blog para amigos não virtuais, não gosto de amigos de infância. Quando esse tipo de situação surge, minha primeira reação é temer que todos os mortos levantem de suas tumbas para me procurar. É a volta dos mortos vivos. Tem sempre alguém que esqueci de matar por aí…

Se ter amigos de infancia é prova de idoneidade, sou uma completa mau caráter. Talvez tenha uma ideia muito ruim de como eu era na infância. Confesso, não foi a época preferidada da minha vida . Não gosto de ouvir que não mudei nada e ter todas as minhas teorias do que sou e do que fui contrariadas. Gosto de pensar que estou sempre começando de novo, que sou radicalmente diferente, todo dia. Que minha infância não diz nada ao meu respeito, que essa gente não tem nada a me dizer.

Gosto de pensar que não tenho início. E nem fim. Go home!