O mar da ignorância

monstro lendo batu nieby

Não são poucos os que tem desanimado. Do meu ponto de vista, um dos muitos motivos para o encolhimento dos blogs é a falta de diálogo, pra quê ter o trabalho de escrever um texto, se expor e levar pedradas. Porque o problema não é discordarem – uma discordância bem fundamentada é até estimulante, mas hoje o debate anda raso como torcida de reality. Pra não nos sentirmos remando contra um mar de ignorância, cada um tem falado com seu próprio grupo, seus amigos, sua bolha. Mas, ao mesmo tempo, justamente agora é importante falar. Se você se retira, o espaço é preenchido por alguém que pode ter muito menos a dizer. E há algo que eu acho muito importante, quase do mundo ideal: não ser agressivo. Eu sou mulher, e me sinto agredida quando apoiam candidatos que dizem que mulheres deveriam ganhar menos e que consideram o estupro uma forma de mérito. Eu me sinto agredida quando desvalorizam negros, nordestinos, pessoas de baixa escolaridade e/ou baixa renda, homossexuais e minorias em geral, porque também me sinto uma minoria. Mas eu sei que o que o outro lado espera de mim é que eu me descompense. Isso só vai reforçar o que já pensam; minha atitude agressiva seria como um “ela começou”, “são todos assim”. Soa meio como Gandhi, eu sei. É a minha pedrinha em meio ao que estamos vivendo, o que eu consigo fazer para não me omitir e conseguir ser feliz. Por favor, leitor, encontre a sua.

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Desamparo aprendido

É uma experiência cruel. Apenas li a respeito, embora tenha trabalhado 1 ano com a Caixa de Skinner.

Um rato saudável é colocado na caixa. Então, em intervalos variáveis previamente estabelecidos, o controlador da caixa ativa a função de choque. Todo o chão da caixa, feito por uma grade, dá um choque no rato com uma intensidade que também pode ser controlada.

De início, o rato procura uma saída. Ele começa a procurar explicações, por assim dizer. Ele começa a acreditar que algo que ele faz seja o causador do choque. Para isso, se baseia em coincidências. Ele tende a atribuir que o último comportamento anterior ao choque foi o causador. Se estava perto do vidro, evita chegar perto do vidro; se estava no lado esquerdo da caixa, evita ir para o lado esquerdo. Todos os seus comportamentos tem por objetivo evitar a dor do próximo choque.

Mas o próximo choque é inevitável. Assim, as primeiras tentativas de evitar os comportamentos nocivos se mostram inuteis. Assim como as segundas, as terceiras, as quartas… Como resultado da experiência, o rato pára de buscar uma solução. Ele fica inerte na caixa, sem realizar qualquer movimento, sem procurar quaquer saída. A este triste estado a que o rato fica reduzido dá-se o nome de desamparo aprendido.

Desamparo aprendido é o completo desânimo quando todas as tentativas se mostraram infrutíferas. É usado para explicar comportamentos depressivos. Depois que eu li sobre o desamparo aprendido, nunca mais esqueci. Ele explica muitas desistências na nossa vida, muitas tristezas, o fim de muitas coisas. Antes mesmo de começar, o ratinho estava fadado ao fracasso, porque tudo o que fizesse seria inútil. O difícil é saber, nos desamparos aprendidos da vida, quando insistimos no insolúvel ou na direção errada.