Amigos e exposições

Antes eu era meio tímida na hora de anunciar que eu estava com uma nova exposição; hoje, saio falando pra todo mundo porque sei que é uma das minhas poucas chances de mostrar que eu não faço fontes ou velas. Depois de verem meus trabalhos, ao invés das fontes, as pessoas passam a me pedir cópias do Pensador de Rodin (humpf). Saio por aí convidando todo mundo que eu conheço, mas minha experiência já mostrou que quem realmente vai é aquele amigo do amigo que você convida só por educação. É uma sessão convidar os amigos, vou mostrar o por quê:

Eu já fiz exposição de 2 meses e meio e essa minha última foi prorrogada por 15 dias, mas nada disso importa: independente de quanto tempo dure a exposição, dali 2 semanas do término, as pessoas me procuram – ” Eu me programei pra ir lá nessa quarta, qual é mesmo o horário?”. Este ano eu bati o meu recorde, pois teve um que apareceu lá imediatamente no primeiro dia após a desmontagem. O item horário é outra coisa séria: não importa fazer em um local que fica aberto de segunda à sábado durante 12 horas – as pessoas vão querer passar lá no domingo.

E por falar em local, o melhor é fazer num bem central. Porque se o amigo mora lá perto, passa por lá todo dia ou almoça do lado, existe uma pequena possibilidade dele ir. Digo isso porque sei que se a exposição fica num lugar muito longe (algo acima de duas quadras), eu posso ter absoluta certeza de que ele não vai. Têm aqueles que só querem ir se eu for junto – e é uma verdadeira tortura pra um artista estar do lado de um conhecido olhando suas obras. Ou pior: querem que eu fique o dia inteiro lá, parada, pra quando ele passar – uma tortura pra qualquer pessoa que respire. Com todos esses percalços, ainda tem gente que não sabe porque eu não faço vernissage! Veja bem: aquele maravilhoso comes e bebes com garçom é pago pelo próprio artista.

Depois de tudo acabado, têm aqueles que (provavelmente pra compensar que não foram) ficam perguntando a cada mês – ” E aí, quando vai ser a próxima exposição?”, como se exposição fosse feira livre, algo que tem toda hora…

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5 comentários sobre “Amigos e exposições

  1. Essa eu não sabia; é desconfortável estar presente ao lado de suas obras quando um conhecido as aprecia? Eu pensava que fosse o contrário.Afinal de contas, em se tratando de um conhecido provavelmente analisaria a exposição com uma visão positiva, amistosa, não?Acho que o pior deve ser estar ao lado de um desconhecido – e completamente leigo, ainda por cima – que, desconhecendo o autor e sua presença no local, tece comentários nada agradáveis… deve ser f*.: /

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  2. Ricardo, o que acontece é o seguinte: o amigo vai ver a exposição pronto pra falar alguma coisa positiva, independente do que ele veja. Então, isso já torna a opinião dele “viciada”. Aí o que acontece é que o amigo chega perto da obra e vê em 0,5 segundos e diz que está tudo ótimo. É muito frustrante ouvir um elogio assim! Já o desconhecido que chega perto da obra, é alguém que está falando e agindo com sinceridade. As pessoas tem as reações mais inesperadas. Até hoje nunca ouvi nada realmente desagradável, só brincadeiras que nunca me irritaram. Até hoje, estar perto de um desconhecido na minha exposição sempre foi uma boa experiência.

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  3. Ahn, agora entendi. A opinião do conhecido não é imparcial; acaba sendo tendenciosa só pra te agradar…Aí concordei. Se tem uma coisa decepcionante é receber um elogio “da boca pra fora”, mais como se fosse um (ou uma?) praxe social que uma opinião.

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  4. Legal, é até bom eu saber mais sobre isso, pois estou pensando em bolar uma exposição tbm… Mas com essa quantidade de trabalho, tá foda! Tô querendo ficar light igual a vc, Fer! beijo!!!

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