Nota sobre levar bolo

É assim: você convida a pessoa com uma semana de antecedência, faz faxinão na casa, compra um monte de coisinhas gostosas pra servir. Chega no dia, a pessoa arranja churrasco de última hora na casa do namorado e avisa que vai atrasar uma hora. As horas passam e pelo passar das horas você conclui que ela não vem. Legal, né? Tem também a versão: você convida combina com a pessoa pra jogar War e todos aqueles itens de faxina e coisas gostosas. No dia a pessoa não tem a chave de casa, aparece em outro local com atraso, vai comprar o War de última hora no shopping, pra chegar lá e descobrir que aqui o jogo custa mais caro do que no nordeste (!) e decide dar a volta e não te visitar mais.

Ah, preciso falar mais alguma coisa? :X

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Amigos e exposições

Antes eu era meio tímida na hora de anunciar que eu estava com uma nova exposição; hoje, saio falando pra todo mundo porque sei que é uma das minhas poucas chances de mostrar que eu não faço fontes ou velas. Depois de verem meus trabalhos, ao invés das fontes, as pessoas passam a me pedir cópias do Pensador de Rodin (humpf). Saio por aí convidando todo mundo que eu conheço, mas minha experiência já mostrou que quem realmente vai é aquele amigo do amigo que você convida só por educação. É uma sessão convidar os amigos, vou mostrar o por quê:

Eu já fiz exposição de 2 meses e meio e essa minha última foi prorrogada por 15 dias, mas nada disso importa: independente de quanto tempo dure a exposição, dali 2 semanas do término, as pessoas me procuram – ” Eu me programei pra ir lá nessa quarta, qual é mesmo o horário?”. Este ano eu bati o meu recorde, pois teve um que apareceu lá imediatamente no primeiro dia após a desmontagem. O item horário é outra coisa séria: não importa fazer em um local que fica aberto de segunda à sábado durante 12 horas – as pessoas vão querer passar lá no domingo.

E por falar em local, o melhor é fazer num bem central. Porque se o amigo mora lá perto, passa por lá todo dia ou almoça do lado, existe uma pequena possibilidade dele ir. Digo isso porque sei que se a exposição fica num lugar muito longe (algo acima de duas quadras), eu posso ter absoluta certeza de que ele não vai. Têm aqueles que só querem ir se eu for junto – e é uma verdadeira tortura pra um artista estar do lado de um conhecido olhando suas obras. Ou pior: querem que eu fique o dia inteiro lá, parada, pra quando ele passar – uma tortura pra qualquer pessoa que respire. Com todos esses percalços, ainda tem gente que não sabe porque eu não faço vernissage! Veja bem: aquele maravilhoso comes e bebes com garçom é pago pelo próprio artista.

Depois de tudo acabado, têm aqueles que (provavelmente pra compensar que não foram) ficam perguntando a cada mês – ” E aí, quando vai ser a próxima exposição?”, como se exposição fosse feira livre, algo que tem toda hora…

Receber

Há meses estava devendo receber uma grande amiga com a mãe dela aqui na minha casa. Fomos duas vezes na casa delas, passamos o dia todo, comemos, conversamos, rimos… Até que, na última visita, o Luiz disse com aquela convicção de quem não está falando apenas por educação – “a próxima vez vai ser lá em casa!” Não preciso dizer que tive vontade de matá-lo.

Falar é fácil. Antes, meu principal problema em receber alguém era a king size da Dúnia, que me enchia de vergonha. A mesa de plástico na mesa de jantar é algo que eu já consegui abstrair. Eu resolvi o problema do sofá canino – doando-o. O problema é que este lindo monitor samsung de cristal líquido (que olho neste momento) comeu a verba pro sofá. Acrescido a isso um receio de colocar móveis e eles serem destruídos pelo cachorro, minha sala está a mais oriental das salas – uma mesa de centro, 4 cadeiras, uma mesa de plástico. Só.

Esses são os receios gerais. Os receios específicos em receber tão ilustres amigas era a dúvida sobre o que servir. Elas são as pessoas mais macrobióticas que conheço. Eu apenas ensaio, elas realmente vivem de forma natural. Elas não comem nenhum tipo de carne ou algo que contenha conservantes, transgênicos ou açucares. Chá em saquinho, nem pensar. Da última vez que fui lá, me serviram um delicioso (sim, estava delicioso) suco de bambu balinês com melão.

A casa ainda tem marcas de patas e eu ainda não tenho sofá, mas as convidei. Reuni os meus parcos conhecimentos culináricos macrobióticos e fiz doce de arroz integral sem açucar, geléia de banana sem açucar, chapati (pão indiano na chapa) e suco de abacaxi. Elas adoraram o frescor da casa. Adoraram comer sem medo. Sentamos no chão pra olhar as minhas peças. As cadeiras da sala, felizmente, são italianas, exclusivas, modernosas e muito confortáveis. Foi ótimo.

Cada um recebe como pode. E os amigos fingem que não vêem. ;o)