Curtas sem black-friday

Não sei se as compras online me estragaram, ou se faz parte de ter vivido muitas coleções primavera-verão, mas o fato é que não gosto mais de araras cheias de roupas. Tudo me parece igual, me dá preguiça de explorar, as sutilezas entre as diversas opções me parecem mais do mesmo. Me pego tendo que ir na loja virtual da loja física pra encontrar lá e, quem sabe, conferir no shopping…

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Decidi revolucionar e dizer Não para todas as confraternizações de fim de ano. Ainda faltam algumas, mas o saldo é positivo. Quando as pessoas percebem que não estou indo para nenhuma, decidem que sou uma pessoa dura de dinheiro e antissocial (verdade e verdade) e não que eu não gosto daquele grupo em particular. Ou seja, muito mais impessoal, ninguém fica ofendido.

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Meu prazer de pequeníssima autoridade tem sido verificar o perfil de gente que pede para entrar em alguns grupos de Facebook que eu herdei. Votou verde e amarelo misógino? Não entra. Eu não recuso, apenas não aprovo, que é pra pessoa não ter certeza de ter sido barrada e ficar alimentando esperança.

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Como disse um amigo meu, passei incólume durante décadas a todos os modismos de brinquedos, aos super heróis, às febres das marcas que exploram a nostalgia dessa nova geração adultecente. Passei, não passarei mais. Estou completamente apaixonada pelo bebê Yoda. Gastar dinheiros em Yodinha eu vou.

 YODINHA

Viver é levar uma bandeja com água num tobogã

Eu estava conversando com uma amiga dia desses, ela estava tentando mudar seu padrão acumulador. Não sei o quanto a cada dela está abarrotada, não acredito que seja até o teto e com o cadáver de um gato sumido por detrás de revistas, mas ela me pareceu bem culpada. Pelo dinheiro gasto, pelo espaço ocupado, pela inutilidade da coisa, etc. Eu estava no celular e odeio digitar pelo celular, então quem sabe se não fosse isso eu pudesse ter lhe dito que lembrava de outra amiga, que para arranjar o emprego dos sonhos saiu de uma cidade no interior de SC e foi para o Rio de Janeiro e trabalhou com o que amava, mas cercada de muita competição e machismo. Ela passou por um período acumuladora também, gastava uma nota em sapatos. Foram alguns anos de Carrie Bradshaw, que também a chatearam. Eu lhe disse: nova, sozinha, numa cidade estranha, enfrentando tudo o que você enfrentou, queria o que, passar sem nenhuma válvula de escape?

Não sei se isso é vida real para quem vive em país subdesenvolvido econômica e culturalmente, ou se dá pra afirmar universalmente: a vida é dura. É uma crise atrás da outra – ou juntas. Na maior parte da vida, somos aquelas pessoas que descem no tobogã segurando uma bandeja (eu via no programa Silvio Santos, mas o vídeo que eu achei é do Ratinho), com esperança de conseguir manter um tiquinho de líquido ali. Estamos sempre tendo que aguentar alguma coisa, nos compensando de alguma coisa. Alguns fazem isso com sapatos, outras com namoros, sei lá. Quando nova, tinha a ilusão de conhecer meus defeitos e superá-los; hoje sei que quem consegue controlar o mecanismo que dispara um só defeito já fez muito nessa vida. Como disse para as duas: se pra comprar um monte de coisas, você apenas ficou um pouco pobre, ainda está no lucro. O grande desafio na vida é não fazer uma besteira irremediável, a si mesmo e aos outros.

Bauman na arara de promoção da C&A

Hanger for clothes

Eu li, acho que no livro da Glória Kalil, que pra saber o valor da roupa é só dividi-la pelo número de vezes que você usou. Essa conta é pra dizer que a peça cara que resiste a muitas modas e se torna essencial no seu guarda-roupa pode ter saído mais barato do que a blusinha vagabunda. Só que eu fiquei cismada em perceber que algumas peças minhas saíam quase de graça, porque acabo favoritando peças que comprei em promoção. Uma calça jeans que usei até esburacar e que, à primeira vista, me pareceu muito roqueira pra mim. Tem uma blusa de moletom, e além de eu não ser chegada em moletom, é rosa.  Tento me livrar dela e não consigo. Ambas estavam naquelas araras da C&A de últimas peças, quase de graça. Fiquei cismada que tipo de coincidência ou masoquismo é esse, e percebi que talvez o que melhor explique isso seja Bauman (!!!).

De acordo com Bauman, o nosso excesso de opções não nos deixa felizes e sim eternamente insatisfeitos. Porque nunca conseguimos provar tudo para ter certeza antes de escolher. Então, temos as tais relações líquidas, sempre na expectativa de que a próxima será melhor, porque a certeza de ter feito a melhor escolha é impossível. Quando você não tem escolha, simplesmente aceita. Como os casamentos antigos, onde no máximo você escolhia entre o vizinho e o sujeito que frequenta a sua igreja. Minhas peças em promoção me tiram a ansiedade da escolha perfeita, faço mais esforço para me adaptar do que normalmente faria e, como resultado, somos felizes. Isso me lembra quando eu herdava roupas das minhas primas. Quem era rico o suficiente pra nunca herdar roupa não sabe o que é esperar numa peça escolhida por outra pessoa a renovada no guarda-roupa que não poderia acontecer de outra forma. E o quanto isso às vezes é muito legal.

Vendas de humanas

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– E temos estes lençóis aqui, em promoção.

Olho para a pequena tabela em cima dos lençóis. Nela mostra que o preço antigo era R$ 169,00 e estava custando R$ 139,00. Ficamos naquela de “olha esse”, “tem esse outro”. Duas estampas bem diferentes tocam meu coração.

-Mas, não estou conseguindo pensar direito… de quanto é essa promoção?

-Está R$ 139,00.

-Digo, a porcentagem…

-Então, era R$ 169,00.

-…quanto isso é de desconto.

-Trinta reais.

– De desconto?

-Trinta reais a menos. Era 169,00.

Ficamos alguns segundos nos olhando em silêncio, numa guerra de quem tinha mais grilos na cabeça e bolas de feno enquanto fingíamos ser capazes de calcular de cabeça. Eu cheguei até o “multiplicar os 30 por 100 e depois dividir por 169″, mas eu vi que ela nem isso. Por algum motivo, adoro essas porcentagens nos descontos; se for dez, nem acho que realmente descontaram, e quando é 50%, mesmo que seja de R$ 5,00, acho que estou fazendo um baita negócio. Ela começou a olhar para o vazio, ao invés de tentar loucamente obter a informação, que era o que eu gostaria que ela tivesse feito. Quem mandou ser uma pessoa de humanas que não consegue saber se 30 a menos é barato o suficiente ou não.

(É quase 20%. Também sou contra darem desconto quebrado.)

Caixa de correio

caixa de correio

“O problema deste modelo é que ele é tão bom, a abertura tão generosa, que o carteiro deixa boa parte da correspondência da vizinhança na minha casa”, eu disse para a vendedora. Eu tinha em casa a mesma caixa de correio de quando me mudei, ou seja, pra lá de dez anos. Naquela manhã me deu vergonha e a decisão urgente de comprar outra. Ela estava horrível faz tempo, manchada, e com os parafusos que a prendiam no portão todos soltos e enferrujados. Ela ia escorregando para baixo a cada carta que enfiavam. Aí eu a puxava pra cima, arrastando. Me acontece disso, talvez com todo mundo, de ficar com uma coisa feia em casa e não me incomodar, dizer que arrumo quando tiver uma sobra, e um belo dia achar que aquilo é insustentável. Fui numa loja pequena de material de construção, tinha seis modelos e foram longos minutos de indecisão. A questão é que no modelo que eu tinha, de plástico amarelo, a abertura fica no topo, e tudo podia ser enfiado ali sem dobrar. Mas peguei raiva, não queria trocar a velha por uma nova, queria que a troca de caixa de correio também fosse um marco: troquei, comprei sozinha, nova fase, etc. Comprei a mais cara, de metal, maior do que a anterior, só que a abertura é uma janelinha na frente – como ela fica encaixada atrás do portão, fica obstruída pela grande. O carteiro não vai gostar, eu pensei.

Quando trouxe a nova caixa para casa, vi que a vizinhança, ao longo desses anos, já havia trocado suas caixas, que agora eram quase todas do modelo amarelo de plástico com abertura grande. A exceção é justamente minha vizinha louca, que tem uma de metal com abertura frontal também. Depois de colocar minha caixa nova, fiquei igual Odorico Paraguaçu: o carteiro a semana inteira sem dar as caras. Quando apareceu, não fui na janela mas acompanhei auditivamente: a moto parada com motor ligado, a espera dele vasculhando o bolo de cartas, o barulho do metal da janelinha, o portão chacoalhar, barulho, mais barulho, portinhola de metal batendo, a moto indo embora. Quando peguei minha correspondência, o envelope em tamanho A4 estava dobrando raivosamente em três pedaços. O carteiro não gostou, mas é de metal, nova e minha.

Alguma dignidade

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Gosto de fazer compras à noite, as vantagens são inúmeras. Eu já morei num bairro que também tinha muitos prédios, mas todos com lojas embaixo, então havia sempre um movimento em qualquer horário. Aqui não, é uma região muito mal servida de comércio, passo quase o tempo todo por portarias e grades que me permitem adivinhar quadras, salões de festas, garagens. Passam por mim alguns poucos passeadores de cães, pessoas indo e voltando da padaria, vejo acenos de pessoas aos seus caronas já quase dentro dos prédios. Por isso aquele casal chamou minha atenção. Ele, da minha altura, um rosto latino que não soube identificar. Ela, provavelmente da mesma região, com uma enorme gravidez. Um carrinho com um bebê e uma criança. Nossos olhares se cruzam de maneira neutra e sigo para o supermercado, eles para a direção oposta. Quando estou voltando, alternando o peso das sacolas nas duas mãos, os vejo de longe remexendo a lixeira de um dos prédios. Ajeito as sacolas, espero os carros passarem, atravesso a rua e isso lhes dá tempo de fecharem rapidamente a lixeira. Quando passo por eles, voltaram a ser um casal andando com os filhos pela noite. Pensei no que tinha nas sacolas e na carteira, mas a única coisa que eles queriam de mim era a manutenção da sua dignidade.

Curtas de gostos peculiares

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Existem muitas características a serem consideradas numa calça jeans: o cavalo estar na posição correta, nem pra cima e indecente e nem pra baixo calça caindo; não gosto das cinturas que nunca mais subiram e o fiofó vive aparecendo e as costas ficam geladas; qual o índice de gordura corporal necessário para não ficar com o bacon pra cima com essas malditas cinturas baixas? Mais ou menos aquele que a mulher deixa de menstruar; detesto que o botão acima do zíper seja dourado; brilhos e apliques, proibidos. Ou seja:

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Claro que comprar calça jeans é sempre uma tortura, experimento dezenas delas, odeio todas, volto depois, me conformo com a menos pior e costumo andar com as calças sempre meio caindo, porque prefiro assim do que muito apertada. Ah, mencionei que não gosto delas afunilarem embaixo?

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Doce pra mim sempre foi chocolate e sofria se passava mais de alguns dias sem. Aí peguei o hábito de comprar coisas frescas da padaria, experimentando cada dia um doce diferente e agora me dá nojinho de chocolate, sei lá.

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Fiz, meio sem querer, uma quantidade absurda de manteiga com coentro. No fim acabou sendo bom, porque coloco na sopa como se fosse óleo e ela fica com um gostinho de coentro mesmo sem ter coentro. Sim, manteiga de coentro, sem querer.

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Decidi que gosto de séries inglesas e nunca mais recomendar a ninguém. Falei muito bem de uma de matemática pra amiga depois dizer que achou um porre. É que elas são um porre na medida certa: gosto de assistir algo enquanto escrevo. Prefiro que não seja totalmente ficção e que tenha muitas horas, uma continuidade. E se for interessante demais, atrapalha.

Curtas de amar é voltar

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Passo por um ponto de ônibus daqueles feitos de duas coberturas pequenas e um banco sem encosto. Tem um cachorrinho preto que adotou aquele ponto. As pessoas se sentam no banco e ele fica rondando e querendo carinho. Se elas não dão, ele late daquela maneira aguda que só um cachorro contrariado é capaz.

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Me impus, com as cortinas de box, a mesma regra que uso para as roupas: nunca substituir uma velha por outra igual. Faço isso porque senão sou capaz de passar anos a fio com as mesmas peças e as mesmas combinações, algo como o guarda-roupa da Mônica. Só que a atual cortina de box, de todas que eu já tive, é a que eu mais amo: poás rosas e laranjas distribuídos de forma assimétrica. E tem ainda pra vender. Então, para me obrigar a trocar, comprei outra na China e estou deixando a atual embolorar à vontade. Já está um nojo e deus sabe quando chega a outra.

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“Foque na vulgarização da sua página, sítio da Internet, diário virtual para ter mais visualizações e também recomendações da página”. Que susto, ainda bem que era spam.

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Tinha uma loja que eu ia com o ex, comprar coisas pra mim. Ele e o dono ficavam conversando e no final ele nos dava um desconto. Fiquei um tempo sem ir, fui sozinha, ele percebeu e foi profissional, ok. Mas deixei de ganhar desconto. Ok também. No final do ano ganhei uma caneta com a logomarca da loja. Não é que a bandida é uma delícia e adoro escrever com ela?

Na ótica

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Pro mês fechar redondinho, eu deveria não fazer mais nenhum gasto que não fosse o básico, de comida. Ao mesmo tempo, eu estava usando o meu último par de lentes de contato, o que é uma imprudência, e a do lado esquerdo estava teimando de ter um fiozinho que precisava de um mergulho adicional na solução pra sair. Entrei na ótica por impulso, quase certa de que elas não teriam a minha lente, ou me mandariam voltar horas depois, como fizeram as últimas – oito, dez? – que iam mandar buscar no estoque.

“Temos!”, ou melhor, não tinham, tinham no estoque. Só que ao contrário das outras vezes, a vendedora me falou pra ficar, que o estoque ficava há cinco minutos e saiu imediatamente para buscar. Fiquei ali sentada e, enquanto esperava, a outra vendedora estava tirando vários óculos escuros da estante, para limpar. Sem ter o que fazer, comecei a experimentar todos. Peguei um aviador e Uau!, como ficou lindo. Aquele óculos acrescentou uns 2000 reais à minha aparência. Olhei na etiqueta e ele custava 500 e tantos. Larguei na hora, como se fosse uma doença. A vendedora percebeu e me disse que o preço não era aquele, que ele estava numa promoção e custava apenas 140 reais. Peguei de volta, amando muito, quase jogando o óculos que eu estava usando naquele momento – também aviador, só que paraguaio e vermelho – no lixo. Minto, adoro aquele óculos, mas me perguntei se ainda o conseguiria usar no lugar da versão ryca. Minha lente chegou e fazia tanto tempo que eu não comprava que ela não custava mais uns 70 e sim uns 90 e tanto. Quando estava quase finalizando a compra fui avisada que os óculos estavam sim em promoção, mas aquele, justamente aquele, estava menos promocionado que os outros, estava custando 200 reais. Ainda era um bom desconto mas, poxa, 60 reais. Eu, que já estava preocupada com a minha entrada mais que imediata no cheque especial, me senti como quem desperta de um sonho: eu já tinha óculos, o adorava, era vermelho, estiloso e único e não entraria no cheque especial por uma compra impulsiva e desnecessária. Elas ainda tentaram argumentar, dizendo que era único, lindo, que eu nunca mais encontraria um óculos como aquele por aquele preço. Resisti.

Passos depois, entrei numa loja vagabunda e comprei uma camiseta estampadona por 20 reais. Daquelas que soltam tinta até no sutiã.

Curtas bobinhos

espacateEu e minha eterna vergonha de comprar vaselina. Comprar camisinha seria mais fácil.

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Quando descobri que tinha Guerra e Paz na biblioteca em edição de bolso, estavam lá os volumes 1, 3 e 4. Supus que o 2 estava emprestado e peguei o 1. Quando devolvi o 1, o 2 já havia voltado e peguei o 3. Aí não tive mais tempo de ler, devolvi, peguei de novo e finalmente terminei. O 4 não estava lá. Porra, outro leitor do Guerra e Paz, você quebrou a corrente!

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O aparelho. As braquetes não são parte da boca. Ela ressecam, grudam na gengiva e machucam. Aí a gente tem que ficar descolando a boca, enchendo de saliva, passando a língua. Ô trem chato.

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Toda noite tenho sentido vontade de tomar chá. A mudança é possível, a humanidade tem jeito sim.

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Sobre os piores conselhos possíveis: os meus. Meus conselhos sempre se encaminharão para pés quentinhos, contas pagas e coração tranquilo. E, definitivamente, não é isso o que as pessoas buscam.

Curtas sobre comprar roupas

tc3aanisTenho uma amiga que acha que eu tenho “estilo”, e diz que gostaria que eu a acompanhasse quando ela fosse comprar roupas, para dar minha assessoria. Olha, se eu pudesse, eu não me levaria pra comprar roupas pra mim, quanto mais para os outros.

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Já disse que tenho temperamento TOC, então o que ela provavelmente chama de estilo são minhas obsessões – um código inconfesso de implicâncias que inviabilizam certas escolhas. Que o diga o meu ex, que costumava dormir no sofá das lojas quando eu precisava comprar jeans. Eu experimentava todos os modelos da loja  – 30, 40? – pra escolher uma. Isso se gostasse.

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Meu problema é que não compro mais ou menos, a roupa precisa me agradar em todos os itens. E com o passar dos anos, a lista só aumenta. Antes, bastava o tamanho estar certo. Agora tem que ter bom caimento, manifestar o meu eu mais interior, combinar como que eu tenho no guarda-roupa, ser atemporal, verde jamais, tem caber no orçamento, ser adequada à minha rotina, ficar bem no meu tipo físico…

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Levei muitos anos sem comprar tênis – e praticamente só uso tênis. Antes minha mãe comprava pra mim, o que era fácil porque bastava ela experimentar e comprar um número maior. Depois meu (ex)marido passou a comprar, porque minha capacidade de enxergar a beleza interior de um tênis despencando parece ser infinita. Há pouco decidi me livrar de um que eu amava, uma cópia de All Star de cano alto preto com franjinhas. Enquanto ele furou embaixo, o segredo era não usar nos dias de chuva. Agora começou a descolar da sola. Pena.

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Uma regra que procuro seguir, e talvez ela seja a minha única contribuição realmente valiosa em termos de moda: não ter no guarda-roupa peças que te embarassem de alguma forma. Se a roupa não cai lá muito bem, ou é meio breguinha, ou é feia mas tãããão confortável, o melhor é se livrar dela. Senão a gente usa. Comprei impulsivamente uma bolsa feita de calça jeans que está indo pra doação. Alias, já falei que também odeio comprar bolsa?

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Adoraria que não apenas comprassem tênis pra mim: meu ideal seria que me vestissem.

Curtas natalinos

Vou dizer a verdade: o post de hoje é de curtas natalinos apenas para eu poder usar a figura ao lado.

 

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Comprei um chocotone de supermercado, que estava numa super promoção e eles garantiam que tinha a mesma qualidade dos de marca. Fui abrir e claro que tinha uma gotinha preta aqui e outra lá, era praticamente um pão. Mas sabe que estava mais gostoso? Colocam essência e chocolate demais hoje em dia.

 

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Eu pensava que esse ano escaparia de comprar lembrancinhas. Sempre dei presente pro pessoal da lavanderia, mas agora vou lá bem menos, achei que não ia rolar. Mas me deram presente mesmo assim e abraços, de maneira que tive que sair correndo. Uma das muitas coisas doídas da separação é admitir publicamente que acabou. E, por estranho que pareça, elas eram as que mais me doíam contar (o que nem foi necessário). Ali sempre houve um carinho mútuo, daqueles simples e sinceros.

 

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Por falar em contar, praticamente mantive meus planos natalinos em segredo, que é pra ninguém sentir pena e querer me levar pra casa. Passei da fase de precisar de companhia a todo custo. Nunca fui muito chegada em natais, mas o povo tem certeza que na hora bate uma melancolia e quem está sozinho em casa necessariamente se entristece. Eu juro que não.

 

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E já que estou nessa de ignorar data, me darei presente de natal só no ano que vem, com tudo em promoção.

Olha, moço, é que

Logo no início do vídeo tem o cara que fica se explicando pro farmacêutico, e um amigo meu farmacêutico disse que é bem assim, que tem quem vai se explicando e não tem necessidade nenhuma disso, ele lá está interessado na vida de todo mundo que vai lá? Mas esse é justamente o pedaço do vídeo com que me identifico. Há anos, quando fui fazer teste alérgico, eu estava com uma parte da minha pele, perto das axilas, marrom e meio grossa. A médica olhou e falou – Não é nessa linha aqui que passa o teu maiô? Acertou em cheio, eu estava com reação alérgica de contato com a alça do maiô (!). Aí comentei com uma amiga e ela me sugeriu passar vaselina pra tampar os poros, e me explicou que quem faz travessia faz isso para se proteger. Achei que não custava tentar e comecei a passar. Foi tirar com a mão, nunca mais tive. Só que isso me leva, de tempos em tempos, a comprar pote de vaselina na farmácia. Ninguém tem nada a ver com isso, o farmacêutico lá quer saber da minha vida e etc., mas quem disse que eu consigo me conter? “Olha, moço, eu preciso comprar isso porque tenho ALERGIA DE PELE, é pra tampar os poros, não é pra… eu inclusive nem…”.

Curtas de supermercado

* Não sei o que será da minha vida se um dia tiver um supermercado pertinho de casa. Pro meu eu ando tanto, tem mato, tem subida, tem casas, tem comércio, tem tanta coisa no meio do caminho, que é sempre um passeio. Meio sem saber o que fazer, precisando matar um tempo razoável? Supermercado.

* O papel toalha fica ao lado do carvão, faz sentido pra vocês? Acho que só pra quem inventou essa arrumação. Quando vi uma moça igual barata tonta e perguntando pro funcionário, quase soltei um Ahá!, porque tinha passado pelo mesmo problema.

* O conjunto em promoção de shampoo e condicionador é tão em conta que é quase o preço de apenas um item. Levo. Só que na vez passada, e na vez anterior a essa, já havia aproveitado outra promoção igualzinha. Agora estou colecionando shampoos (só os shampoos).

* Em um supermercado tem o cacau em pó sem açúcar, enquanto no outro tem tilápia congelada e servem café, enquanto o terceiro é nóis, é onde compro sempre e sei onde tudo está. Sempre pensei que ficar com o coração dividido só valia para pessoas e cidades.

* Eu gosto de tratar bem quem me atende, mas com caixas de supermercados chega às raias da compulsão. Não sei se eu é que vou demais pra lá ou se é porque sei que essa profissão é das mais estressantes, o que sei é com eles a vontade é mais forte, vai além da educação. Puxo papo, pergunto, converso, se deixar faço um stand up ali na hora. Só relaxo quando arranco um sorriso. Às vezes funciona, às vezes não.

Notas mentais pra pra lá de julho

* Preciso comprar jeans.
* Preciso comprar partes de cima mais elegantes do que camisetas.
* Preciso superar o tal desapego ou processo depressivo em relação a comprar roupas, antes que passe a ficar vergonhoso. Ou: vergonhoso demais.
* Encontrar mulheres divorciadas que já estão “muito tempo há procura” é tão…
* Investir numa situação meio (nhé) não-é-como-eu-queria porque (nhé) ele-é-legal e (nhé) quem-sabe-com-paciência-e-insistência a coisa fique aceitável (nhé nhé nhé) ou esperar (quanto?) uma situação mais o meu número em todos os sentidos?
* Serei eu ainda capaz de me apaixonar da forma como quero que se apaixonem por mim?
* Permitirá o destino que eu possa me dedicar à escrita ou… ?
* Meu Deus, a árvore continua empurrando o meu portão. Mais um pouco ele não abre. Ou cai.
* Amanhã eu resolvo. Amanhã, amanhã.

Precisar não precisa

Comprar pela internet é uma experiência interessante. Há meses não sei mais o que é comprar roupa em loja, nem olho mais. Em compensação, o Ali Express faz mais sucesso do que o google no meu navegador. A única coisa que eu não compro pelo site é sapatos, mais por eles serem taxados quando chegam no Brasil do que por qualquer outra coisa.

 

Aí você precisa de peça específica, vê a roupa, quer tê-la. Vai mudar sua vida, será essencial no seu dia a dia, vocês se tornarão as melhores amigas. Espera ansiosamente os descontos ou o dia mais adequado do cartão e compra. Aí demora. Antes, minhas compras levavam pouco mais de um mês pra chegar; com o aumento do volume (o carteiro me disse que eles estão de “xing-ling” até o teto) e a greve dos correios no meio do caminho, agora tem levado uns três meses.

 

Três meses pra uma roupa que era essencial. Você não sai pra comprar outra porque, afinal, já comprou. Mas também não está usando. Quando a roupa finalmente chega, você nem lembra mais do porque de tanto furor. De lá pra cá, usou as roupas velhas sem o menor problema. Prova de que, no fundo, nem precisava.