Curtas do cachorro esnobe

cachorro-chique

Já perceberam que os posts profundos são seguidos por posts bestas? Faço por querer, senão vocês não me aguentam e vão embora. Porque euzinha, por mim, ficava falando profundidades o tempo todo (cof, cof, cof).

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Ainda sobre posts: já comentei, acho que no twitter, que se não fosse a pressão da sociedade eu seria tranquilamente o tipo de pessoa que dorme às 21h. Tenho que completar: a sociedade e a procrastinação. Mania de só escrever post perto da meia noite.

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Me deram uma dica tão boa e inesperada que fiquei com vontade de criar um post só pra ela, igual fiz no post Dicas e quebra galhos. Mas vai ser muito difícil juntar essa informação num post, então lá vai: para acabar com o problema de calcanhar rachado, passar Vick Vaporub após o banho, como se fosse hidratante.

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Outra inesperada: Estou aguardando para dançar num jantar, toda montada de flamenca. O chef nos oferece a entrada, um pãozinho com patê de beringela. Recuso: “Não posso, por causa do aparelho. Se eu comer agora, vou ficar com os dentes cheios de comida”. Aí ele me responde: “Vai mesmo. Eu sou ortodontista.”

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Meu pé meu querido pé

Não quero nem saber dos cartazes “Eu já sabia” que vocês vão erguer, pra mim foi uma grande descoberta pessoal reconhecer a importância do pé nas condições climáticas. Chuvas tenebrosas se tornaram quase nada pra mim depois que comprei galochas. Bolsa de água quente no pé em dias frios é tão bom que olha, não encontro nem metáforas para comparar. Agora me aguardem quando eu colocar as minhas mãos, ou melhor, os meus pés na bota peluda que encomendei. Minha vida vai mudar. Serei feliz, andarei pelos campos floridos aos pulos e conhecerei meu príncipe. Quiçá pare de reclamar do frio. Tudo porque meus pés, meus queridos pés, estarão quentes.

Curtas de lama e chuva

Meus amigos deram risada ao me ver nesta foto. Se perguntaram que apagão foi esse, como era possível eu totalmente desprovida de vaidade e num lugar cheio de lama. Eu ri e me senti muito querida de terem notado. E a sujeira estava apenas começando.

 

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Conheci a amiga do Alessandro, Claudia. Quem acompanha o Alessandro sabe que ambos têm uma atitude libertária diante da vida, dos relacionamentos e do sexo. O que eu sabia dela é que era uma mulher careca que não curtia se depilar e tirava fotos em poses dominadoras. Aí a encontrei, em carne e osso, igualzinha às fotos e às descrições. Ela é uma dessas pessoas que parece estar muito confortável dentro da pele. Não, ela não seria mais bonita cabeluda ou depilada, simplesmente porque não seria ela.

 

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Alias, fui convidada pra fazer parte da comunidade que eles pretender ter. Quarto e banheiro privativo, o resto comunal. Mal e mal sei se consigo casar de novo, então acho que não é pra qualquer um ser convidado pra viver junto numa comunidade nascente. Fiquei lisonjeada. E disse não.

 

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Não deu pra encaixar no post anterior: esqueci o repelente e meu pé foi cruelmente atacado por pulgas. Fiquei preocupada com a calça que usei no curso e o que está mesmo quase dando PT (Perda Total) é o meu pé. Pensei em postar uma foto disso também, mas ia ser algo tão aviso em maço de cigarros…

 

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Aconteceu uma coisa chata no curso: um dos locais deu em cima de mim. E em cima de outra, conforme soube na volta. Foi rápido e sutil, com ambas. Ele estava no mesmo quarto que eu, e a partir daquele momento eu fiquei receosa. Dormi mal, então tenho certeza de que nada aconteceu. Não deve ser má pessoa e ele mesmo não deve ter visto nada de errado na sua atitude, muito pelo contrário. Mas o mundo é um lugar tão perigoso para as mulheres e os homens às vezes não se dão conta disso.

Pé de bailarina

Quem está de fora não imagina a relação intensa que bailarinos têm com os pés, uma coisa que beira o fetichismo. Vai muito além dos pés suportarem todo o peso e ficarem tensionados quando saem do chão. O padrão de beleza dos pés é tão forte que esse é um dos critérios eliminatórios para entrar na Bolshoi. Enquanto os leigos, durante o espetáculo, olham para o tronco da bailarina, quem entende do assunto olha para baixo.

O pé perfeito possui um peito de pé grande e arredondado. Quando em ponta, o pé deve formar uma linha no mínimo reta e se apontar para baixo é melhor ainda. A tendência natural quando se faz muito esforço com o pé em ponta é ele virar para dentro. No ballet, isso é totalmente proibido. Pode-se dizer que nos exercícios a bailarina está sempre tentando projetar o calcanhar para cima e o peito do pé para fora. Em certos passos, como no arabesque, o ideal é que ela projete o calcanhar para fora de tal maneira que a perna suspensa pareça terminar numa vírgula.

Para quem não nasceu com o pé correto, existe a chinerina. Com insistência, disciplina e dor (eu já provei), ela ajuda o pé a se curvar cada vez mais, até a articulação ficar saltada. E por falar em dor, esse critério de pés bonitos da bailarina é como os pés pequenos das chinesas: só coberto. Porque para quem usa ponta demais, os resultados são feios. Não é incomum a unha do dedão cair por causa da pressão.

Chamem o Dr. House!

Meu amigo acordou com o dedão do pé esquerdo inchado. Como não viu roxo nenhum, continuou a levar a vida normalmente. Dois dias depois, com o pé todo inchado e sem conseguir andar direito, foi ao ortopedista. Após examinar o pé e concluir que não havia lesão, o ortopedista explicou o inchaço da seguinte maneira: meu amigo provavelmente andava muito estressado, e tensionava o pé. Então, o inchaço era a somatização do stress no pé.

Sem se sentir estressado no pé, meu amigo procurou uma podóloga e descobriu que tinha apenas uma unha encravada.

Comentário sério: depois quando a gente procura terapias alternativas, é taxado de idiota e pouco científico.

Comentário jocoso: o amigo leitor pode alegar stress no pé na próxima vez que precisar tirar uma folga. Tem respaldo na medicina.

Não dá pé!

Eu já me conformei: não adianta passear pelas vitrines em busca de lindas sandálias com tirinhas. Elas nunca cabem no meu pé. Nunca, nunca. Quando eu compro sandálias, tenho que me conformar com as que fecham, porque 98% delas ficam folgadas. Os sapatos abertos que eu tenho são de elástico e meia hora depois estou arrancando aquilo com medo de ter gangrena no pé. Ter extremidades magrinhas dá nisso.

Agora, quando eu comprei uma meia em forma de sapatilha e a tira ficou mais de 3 dedos sobrando de tão folgada, aí deu raiva mesmo. Pô, nem meia eu posso usar em paz?

Dias como deficiente física

Minha longa experiência de pés torcidos (nem sei dizer quantas vezes já torci ambos) me diz que o melhor é desistir de arrastar os pés por aí e usar bengalas. Elas são baratinhas (R$ 26 o par durante um mês), poupam o pé e dão mais agilidade. O complicado é a perda total daquele saudável anonimato das pessoas normais. A vida é dura para os deficientes, não tem como negar.

Sinto como se realmente tivesse me tornado uma deficiente física. Onde vou, é aquela comoção. As pessoas me olham com pena. São solícitas e se oferecem para fazer coisas. Todos os dias, professores, conhecidos e estranhos me perguntam o que aconteceu comigo. Uma faxineira me deu a dica de que eu precisava ser massageada por uma grávida (!?) para o meu pé melhorar.

É início de semestre e peguei muitas matérias com os calouros, que me olham com pena. Tenho vontade de falar – Ei, só torci o pé!!!!! Sair pra fazer um xixi no meio da aula perdeu toda a sua discrição, por mais que eu sente perto da porta. Agora eu sou um plic (som da pressão da bolinha) plac (som da bengala no solo) constante.

O pior mesmo é constatar que de bengala eu não sou nunca alguém a ser olhada com admiração. Eu já desconfiava, mas hoje tive uma prova irrefutável e patética. Fui pra aula com uma saia rodada que normalmente me renderia elogios… Como não teve aula, fiquei sentada no banco, de óculos escuros, esperando a carona do Luiz. Passou por ali uma colega de pós-graduação e a cumprimentei de longe. Ela me confessou, rindo, que assim que me viu achou que eu estava me fingindo de ceguinha para escrever minha dissertação…

Veieira

Há 1 ano atrás estava eu correndo pra não perder o horário entre uma aula e outra e PIMBA! dei uma bicuda fabulosa no meio fio. Na hora doeu, no dia seguinte também estava doendo e como passou um mês inteiro doendo, fui no acupunturista. Eu fiz uma lesãozinha num ponto da parte da frente do pé e o ideal seria que eu passasse um mês inteiro sem colocar o pé no chão. Como isso não era possível, que eu evitasse sapatos de salto ou movimentos que forcem aquela região.

Ontem, a pequena combinação de movimentos de Balance + 30 min de esteira + 1 hora de bota com salto, e hoje estou com meu pé direito inchado. Assim, sem mais nem menos. Ontem ele estava normal e hoje não consigo colocar o pé no chão. Sabe como é, depois de certa idade, o corpo não se restabelece como antes.

Estou velha.