Pega sim

rogar praga

Acredito que, fora os Jogos Olímpicos da vida, o que alimenta o esporte são os entusiastas. Não estou falando do jovem que ainda pode ser atleta, estou falando de adultos. Tem os que realmente disputam os primeiros lugares, que submetem todo seu tempo, alimentação e rotina para serem os melhores. São pessoas que só de olhar pra eles dá pra saber, têm o físico moldado. Fora essa meia dúzia, as outras centenas que estão competindo querem mais é superar a si mesmas, um pretexto pra viajar e boas lembranças. São pessoas que tiram do próprio bolso para pagar passagem, comprar equipamentos especiais, as roupas, as taxas de inscrição, hotéis, e a única coisa que ganham é a oportunidade de tirar fotos. A moça dessa história é uma delas. Imaginem o susto: uma mulher que ela não faz ideia de quem era, competindo com ela, começou a desejar em voz alta que ela iria “se machucar e se arrebentar”. “Mas não pegou em mim, graças a Deus!”. Pegou sim, disse nossa amiga em comum. “Mas minha terapeuta de constelação disse que se eu me mantenho positiva não pega!”. Não conheço um que me convença que essa tal de constelação é boa, impressionante. “Pegou sim”, disse a amiga, “tanto pegou que você está pensando em parar de competir”. Minha teoria sobre o que pega e o que não pega: não é à toa que a praga é sempre uma frase afirmativa dita em voz alta. Praga que se preze é dita na cara da pessoa. Pega porque entra pelo ouvido, vira lembrança, é mastigada. Não teria pegado se:

-E aquela louca na competição, que ficou desejando que você se machucasse?

-Desejando que eu…? Ah, verdade. Doida. Tinha esquecido.