Através dos meus olhos

Vou falar de uma cena da que, pra mim, é a melhor série de todas as séries já filmadas: Six Feet Under. Pode ler sem medo, nem vou revelar a história.

No início da série, Claire é uma adolescente ainda. A família dela é dona de funerária e ela, ruiva natural, não tem aquela beleza típica. Ela não é a lider de torcida e nem a popular do colégio. Ou seja, ela é como quase todo mundo, quando adolescente: ela se acha a última das últimas, feia, desejeitada, esquisita e todos aqueles pequenos grandes dramas da fase. Seu irmão mais velho, Nate, tem uma namorada, Brenda, que por sua vez tem um irmão com quem ela é muito próxima, Billy. Cada vez que Billy aparece na tela, a platéia feminina suspira. Porque ele é louco (literalmente), sexy, apaixonado, artista, fora dos padrões. Seu olhar é ao mesmo tempo carente e perigoso, ele tem algo de felino e sensível. Na cena que eu adoro, a Claire adolescente-problema-desajeitada está conversando com Billy, cheia de dúvidas e problemas sobre quem ela é e o que fazer da vida. Inesperadamente, ele lhe diz:

– Se você pudesse se ver através dos meus olhos, saberia a mulher linda que é.

Às vezes eu acho que é isso que nos falta, como mulheres. Saber como um homem nos olha. Porque somos muito de cismar com uma parte do corpo, que não é tão carnuda ou é excessivamente carnuda, e achamos que essa parte nos define. Que quando um homem nos olha, nos reduz àquela parte “defeituosa”, exatamente como nós fazemos. E não é assim, não é necessariamente assim.