O meu 2019

cartão zen

Se eu tivesse feito meta para 2019, ela não teria sido alcançada. Eu não escrevo metas por sempre achar que dá uma frustração de ler e não conseguir, como se desse má sorte. O que eu colocaria como meta é a mesma que eu colocarei pro ano que vem, digamos assim, a mesma que como Pink & Cérebro tenho repetido todas as noites, há anos.

Foi um ano tão difícil, coletivamente falando. Mas tenho que dizer que não alcancei a meta que estabeleci porque este ano foi além de qualquer expectativa. Foi um ano que consertou o que eu achei que estava quebrado para sempre. Eu achei que morreria se chegasse no fim deste ano sem conquistar nada, na mesma indefinição de sempre só que mais velha, achei que se não acontecesse algo do nível de bola de fogo surgindo dos céus e alterando todo minha perspectiva, eu não conseguiria resistir. Termina o ano que estou no mesmo ponto e com outro sentimento, ou seja, mudei porque o meio não mudou: estou meio assumindo a loucura, a impossibilidade, numa fé sem fundamento, um desespero tão calado que talvez ele tenha morrido e eu que ainda não fui lá conferir o corpo. Quando uma criança quer muito uma coisa e não ganha, primeiro ela esperneia, grita, pode fazer birra se for mimada, propõe, chantageia, esgota todos os recursos, mas no fim ela vai cansar e partir pra outros brinquedos. Eu estou meio como essa criança.

Eu espero de 2020 um tiquinho mais de esperança e sorte.

Keanu Reeves

mussum

A esperança e o otimismo teimoso tem sido meu alimento. Tento manter uma distância saudável das notícias ruins, mas mesmo que eu não veja as diversas versões dos pais chorando em rede nacional, chega até mim nem que seja pela tristeza dos meus amigos. Tem os desmandos do governo, mas aí a luta dos nossos hermanos me anima, mas ler gente dizendo que manifestantes “alguma coisa fizeram” para merecer levar tiro no olho me joga para baixo de novo. Keanu Reeves. Primeiro ano da minha vida que todos os que eu conheço concordam em dizer que foi ruim, que tomara que venha um novo com outra vibe. Digo que quem terminou esse ano normalzinho, sem nenhum problema grave na vida pessoal, sem nenhuma grande despesa ou doença, já terminou no lucro. Eu tenho me segurado, tenho rido de teimosa, nadado porque continuar é a única alternativa. Eu sempre penso nas bactérias que conseguem ficar aparentemente mortas, às vezes durante anos, porque as condições para a vida são desfavoráveis. Penso a cada noite em dar fim neste blog, porque está extremamente difícil escrever, e acabo continuando justamente porque esta extremamente difícil. Tenho me esforçado noite e dia, tenho cumprido meu dever sem a menor esperança de resultado, sem ver nem sombra de luz.

Mas aí, sem esperar, recebi uma boa notícia. Nem é comigo, mas é como se fosse. Bateu um vento na fresta e renovou um pouco o ar. A vida é possível, a esperança é possível, a mudança existe mesmo que imperceptível. Seguimos.

2018, um ano sem firulas

eu interior

Eu lembro de um dos blogs que eu lia, do tempo que existiam apenas blogs para quem gostava de escrever, em que numa postagem o cara contava o quanto foi decepcionante quando se tornou pai. Ele não estava falando da paternidade em si, e sim do ritual da maternidade. A mulher dele teve as dores, eles foram juntos ao hospital, ele se sentou na sala de espera vazia e uma hora depois vieram avisá-lo que ele agora era pai. Ele falava da simplicidade da coisa, a falta até de uma música comovente e um close quando ele recebia a notícia. Meu 2018 foi assim. Um dia eu sentei diante do computador, como faço todos os dias, e decidi escrever algo totalmente diferente do que fiz durante anos. Fiz pra testar, achei bacana, e é isso. Pra mim foi um grande fato, mas não vim aqui dizer que uma editora aceitou e eu vou publicar e tal. Por enquanto foi só isso mesmo, a minha satisfação pessoal.

Outros fatos foram grandes pela sua ausência. A maneira como eu parei de surtar em resolver sozinha os problemas da casa. Por fora, nunca fui de grandes arroubos, mas por dentro era muito difícil; agora sei que com dinheiro e algum desconforto, tudo se resolve. Caminho a passos largos para virar uma Vulcana (estou falando do Spock de Star Trek) e achei bom. De tanto assistir histórias, minhas e dos outros, eu vi que sofrer por amor acaba sendo uma escolha, uma vontade de se sentir agente do destino. Se puder escolher passar um ano enrolada numa história com idas e voltas, noites de lágrimas, disputas, euforias e incertezas, ou passar o mesmo ano sem ver ninguém, mas com o humor e planos estáveis e precisos, qual você escolheria? Eu já descobri há algum tempo e neste ano pus largamente em prática que a sabedoria não é deixar de ter vontade de fazer certas coisas e sim decidir não fazer. É uma mistura de experiência, confiança no seu intelecto, mas também privação e auto-controle. Normalmente eu já leio e estudo muito; neste ano eu atingi altos patamares.

Como deu pra perceber, não foi um ano fácil. Mas foi o melhor com o que eu tinha em mãos.

2016 se fué

2017

Lamento, não vou reclamar aqui dos muitos artistas que morreram em 2016. Não que eu seja indiferente a eles e que muito não tenham deixado a sua marca em mim, mas é que uma das coisas que os últimos anos me ensinaram é a me doer apenas com o que devo me doer. Não gosto mais de brincar de luto – nessa de entrar na onda e começar a reclamar com tudo mundo, de aumentar a importância, a gente realmente acaba se levando a sério e quando vê está batendo no peito e gritando com a multidão. E isso não ajuda. Se ajudasse, ainda vá lá, mas não ajuda. Então fico sabendo, acho triste, mas não quero me envolver mais que isso.

Esse ano foi para mim um daqueles que a gente não gosta. O legal é quando você olha para trás e pode relatar muitas coisas novas, começos promissores, concretização dos planos, alívio de situações ruins. Tem uma coisa que está cada vez mais old fashion que é dar-se um tempo. Penso nos períodos de vestir preto de não tão pouco tempo atrás, ou de rituais indígenas que a pessoa tem que ficar não sei quanto tempo trancada numa cabana. Eu ouvia essas coisas e pensava em opressão, na pessoa querendo usar colorido sem poder, no indiozinho ouvindo o som do dia sem poder participar. Hoje eu sei que mais do que dar um tempo do que precisa de um tempo, alguma coisa acontece por dentro. O preto do traje, o preto da cabana sem luz entra na pessoa, mistura os ingredientes, altera sua alquimia. Nesse processo mágico que não pode ser interrompido, a parte do sujeito é ficar quieto. Como a criança que mandam segurar a chave de fenda enquanto o adulto conserta. Você não sabe o que está acontecendo. Mas saber – outra coisa que tenho aprendido – é uma parte tão pequena do que está acontecendo que nem importância tem. Não tem nada o que saber, não me venham com teorias para explicar. Apenas deixe a natureza agir.

Em 2016 eu fiquei mais equilibrada. Aprendi a ver o processo assustador da depressão chegar de mansinho e interromper antes que seja tarde. Estabeleci rotinas maravilhosas com meu sofá e livros. Voltei a ser muito de quem eu era e há pouco tempo li que “o homem é a única criatura que se recusa a ser quem é” (Camus), o que parece ser um sinal de que estou no caminho certo. Tenho feito minha lição de casa, 2017 vai ser melhor.

Não mate o mensageiro

 

A gente sabe que as mudanças são necessárias, que elas causam bagunça mas que ela é necessária, que ficamos um tempo sem rumo e que isso é necessário. Mas nada disso faz com que seja um momento ótimo, daqueles que a gente quer evocar quando fecha os olhos. Não posso me queixar do meu 2014 por isso, porque foi um ano necessário. O ano mais difícil da minha vida, o ano que vivi dores que eu desconhecia, eu que achava que já estava bem conhecedora do assunto. Minha vida virou de pernas pro ar e não sobrou quase nada do que eu achava que era essencial pra mim. Mas foi tudo necessário. Me tornei mais humana, passei a ter clareza do que realmente importa, me aproximei de quem merecia e deixei pra lá o que não merece espaço. Foi difícil mas cá estou, viva, e não apenas no sentido biológico. A vantagem de ter ido tão pra baixo, é que 2015 não tem como não ser melhor. Que venha!

A sopa e 2013

Eu tenho fases de me aproximar mais da cozinha e tentar pegar gosto pela coisa. Tenho até uma boa biblioteca sobre o tema. Uma das receitas que fiz várias vezes foi a sopa que reproduzo a seguir. Eu a escolhi porque procurava algo simples e rápido. Sopas, pela própria constituição delas, são coisas bem preguiçosas de comer. Lá vai a receita:

Sopa do sol nascente

Corte 3 cebolas em gomos e refogue; junte 250 gramas de cogumelos e 250 gramas de camarões miúdos. Por último, ponha duas xícaras de repolho cortados em quadradinhos. Tempere com 3 colheres de molho de soja, deixe cozinhar alguns minutos e apague. 
Cozinhe 200 gramas de macarrão de trigo sarraceno (soba, tipo japonês) em um litro de água com colherinha de sal marinho e outra de óleo. Quando o macarrão estiver quase no ponto junte o refogado e deixe cozinhar mais 3 minutos. Sirva com cheiro verde picadinho por cima.
Prato Feito, de Sonia Hirsch (p. 72)

Parece a coisa mais rápida do mundo, né? Eu achava a quantidade de camarão pequena (os bandidos quase somem quando a gente limpa) e punha de uma vez meio quilo. O macarrão eu comprava lá no Mercado Municipal. O problema é que entre picar as coisas, limpar os camarões, refogar numa panela e esquentar água na outra, eu levava um tempão. E ficar um tempão era justamente o que eu não queria. Eu queria uma receita simples e rápida. No caso desta, ela é realmente é simples e rápida, nos finalmentes. O que demora é a preparação.

(No fim, nem foi pela questão do tempo que eu parei de fazer a sopa. Ela é muito boa para ser consumida na hora, mas péssima para guardar. O soba absorve muita água e fica aquele monte de massa)

O meu ano de 2013 foi esse período de cozinha, de preparação. Anozinho chato, viu. Passou (está ainda) arrastando. Se fosse um romance, esse ano seria a barriga. Ou seria aquele período que o autor pula, em que ele diz: um ano depois… Porque se for pra contar pra vocês o que aconteceu, fazer listas, apontar resultados, não tenho nada. Nada que ainda possa ser exibido à luz do dia. Está tudo gestado, decidido, pesado. Eu, que sou do tipo que entre esperar no ponto de ônibus e ir a pé, sempre acaba indo a pé por gostar de se sentir senhora da situação, sofri com isso. Esperar sempre foi contra a minha natureza e cá estou, quietinha. Quietinha por saber que é inevitável, saber que é a coisa certa neste momento. Alguma coisa a gente tem que aprender depois de tomar tanta porrada na vida.

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Eu estava sem saber o que escrever para este post, bloqueada. Aí li a newsletter do Alessandro (recomendo fortemente!), pensei em como seria fazer uma, e várias ideias já surgiram. Quem sabe eu entre nessa. Se entrar, eu aviso aqui.

Dukan – um ano depois

As datas não são exatamente as mesmas, mas a apresentação de flamenco me faz lembrar que nessa época eu estava no começo da Dieta Dukan. Várias amigas minhas estavam fazendo e eu comecei a dieta impulsivamente no fim de novembro, sem me dar conta que isso faria com que eu estivesse em dieta em pleno natal e ano novo. A dukan combinou muito comigo porque é uma dieta rigorosa, e eu quando escasqueto com uma coisa vou até o fim. Os resultados são rápidos, mas você não pode se desviar do cardápio de jeito nenhum. No dia da apresentação, marcaram ensaio geral, que se estendeu para além da hora do almoço. Todos assaltando as muitas bolachas e besteiras que tinha na escola e eu me segurando,  porque naquele dia eu estava em PP (proteína pura), ou seja, teria que comer apenas alimentos do grupo da proteína. Lembro e até eu me impressiono. Cheguei no buffet aqui perto de casa por volta das 15h, tonta de tão faminta e comi em poucos minutos três grandes pedaços de salmão. À noite, durante a festinha, levei uma tábua de frios e fiquei só no queijo… O próprio site da dukan havia liberado as pessoa para o que eles chamaram de fase PJ – pé na jaca. Mas eu não quis. Depois de tanto esforço, ia ficar tão aborrecida de demorar mais algumas semanas que preferia manter a dieta em pleno natal e ano novo. Não comi um único panetone, nada, nem um docinho.

 

No dia da apresentação o meu manequim já havia mudado e eu me sentia, pela primeira vez, bonita dentro do figurino de flamenco. Entrei para a fase de manutenção no final de fevereiro. Ao todo, eu emagreci nove quilos. No momento em que escrevo isso, tenho lutado contra um quilo que adquiri nas últimas semanas, com o fim do inverno e as muitas confraternizações de fim de ano. As amigas que me recomendaram a dieta, infelizmente, recuperaram mais peso. Todas foram unânimes em dizer que tenho uma vantagem muito grande na manutenção do peso por não beber álcool. A dukan mudou meu modo de comer no dia a dia, estou sempre de olho nos grupos de alimentos. Meu cardápio básico é o da fase de consolidação, só que com menos rigor. Mantenho o hábito do dia de PP uma vez que por semana que, admito, é sempre um dia mais longo do que os outros…

 

Agora existem várias outras facilidades que não tinha quando eu fiz a dieta, mais livros de receitas, produtos dukan. Nunca quis narrar minha experiência no blog porque não queria que as pessoas me consultassem a respeito da dieta, como fazem com os blogs que contam as experiências pessoais. Acho que pra quem quer seguir o caminho é mesmo comprar o livro e/ou se inscrever no site. E fazer à sério, sem escapadinhas. Comigo deu certo, é isso o que eu posso dizer.

Só um ano?

É engraçado como olhar vídeos e fotografias pode nos fazer recordar exatamente o que sentíamos na época que foram registrados. Eu sabia que nos próximos dias dançaria era o meu segundo tablao de natal, ou seja, estou nessa escola de flamenco há pouco mais de um ano. Mas apenas ontem, olhando as imagens do ensaio do ano passado, eu me dei conta do quanto os meus sentimentos mudaram nesse ano. Eu lembro daqueles ensaios, de estranhar todo aquele clima de confraternização – não era ali que haviam me falado tão mal, me dito que as pessoas eram frias e que ninguém me daria bola? Fui tão bem acolhida, me diverti tanto. Eu não sabia o nome de ninguém e passava aqui e ali, tentando não atrapalhar, tentando encontrar meu espaço. E quanto espaço encontrei! Fiz amigos, me diverti mais ainda, progredi tão rápido! Agora sei o nome de cada um, aprendi a gostar e conhecer tanto aquelas pessoas. Não estou nem um pouco deslocada, muito pelo contrário. Que venga la noche buena!

2012, o ano do fim do mundo

Dizem os cinéfilos que o que faz um filme é o seu final. É por causa do final que acreditamos que aqueles longos minutos, talvez horas, na frente da tela valeram a pena. É o final que diferencia o filme interessante do inesquecível. Um bom exemplo disso seria o filme O sexto sentido, que se é quase todo ele apenas mais um filme de fantasmas e se torna marcante pelo final. Talvez por isso eu não seja capaz de falar que o ano de 2012 tenha sido ruim pra mim, porque estou feliz agora. Passei por muitas turbulências e me arrisquei em coisas que eu jurava que não faria. Talvez o tom do ano tenha sido o corte: cortei e fui cortada muitas vezes. Algumas situações fui eu que cortei, porque não fazia bem a nenhuma das partes. Noutras, o corte foi nas costas, uma facada. Amigos que eu pensei que levaria pela vida inteira também simplesmente me cortaram, porque para eles nossa amizade era apenas circunstancial. Foi um ano que fez jus à idéia de limpeza e expiação que os místicos lhe atribuiam.
Mas também teve começos. Penso nas violetas, que eu sempre morria de dó quando arrancavam folhas saudáveis para que elas florissem mais. Por ter sido cortada eu fui para outras direções. Estou começando tudo de novo de novo de uma maneira nova, com pessoas novas e perspectivas novas. Coisas que me acompanhavam há anos e faziam parte de mim simplesmente deixarão de ser. Vejam que conjugo o verbo no futuro. Em 2012 acabou e pra acabar é sempre mais rápido. Em 2012, também, surgiu a luzinha que diz que tem coisa lá na frente. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. Mais um motivo para dizer: estou feliz. 2012 foi um ano bom pra mim.

2011

Não fazer também é fazer, esperar também é decidir. Talvez 2011 seja o dia que eu mais tenha colocado isso em prática. Sou do tipo que prefere andar meia hora a esperar vinte minutos um ônibus que chega no mesmo lugar em dez. Porque no primeiro caso eu me sinto fazendo algo. Pra chegar nos lugares é um bom exercício, mas não estou falando apenas de ônibus. Minha ansiedade de sentir que estou fazendo algo já me prejudicou várias vezes. Tem um ditado grego que eu adoro, que diz: “O destino conduz a quem consente. A que não consente, ele arrasta”. Então aprendi a me controlar e saber que espernear não faz as coisas serem do jeito que eu quero. Hoje eu não esperneio mais, só faço bico. Amadurecer é assim: é ruim mas é bom.

O ano calmo que eu tive esconde as decisões importantes. Deixei de lado minha carreira acadêmica, aquela mesma que eu já não gostava mas pra onde sempre corria quando sentia medo. Decidi ficar em casa e sentir medo. Assumir certas coisas me permitiu racionalizar minha rotina, que pra ser perfeita só falta que eu seja remunerada por ela. Abri outro blog, estou feliz escrevendo no Livros e Afins e gosto das coisas que produzi por aqui. Escrever se torna cada dia mais importante pra mim. Quem sabe minha ligação com as letras um dia me renda mais do que satisfação pessoal. No flamenco tive alguns dissabores, mas as conquistas foram tantas e tão boas que chega a ser injusto lembrar disso. Fui imensamente feliz à dois, conheci e aprofundei amizades que me renderam momentos ótimos. 2011 foi, sem dúvidas, um ano bom.

De 2012 espero e quero que ele não seja igual a 2011.

2010, um ano de expectativas

Depois de uma vida jogando em situações precárias, por puro amor à camisa, uma dia apareceu aquela oportunidade que todo mundo sonha: um contrato com um grande clube. Era daqueles contratos de sonho, com direito a morar em outro país, regalias, fama, dinheiro. A oportunidade apareceu quando as coisas já tinham começado, então eu teria que esperar até o ano que vem para assinar. A mim restava apenas ter paciência, continuar jogando quietinha, fazer o meu trabalho. Ao longo dos meses, a coisa ia tomando forma e já me sentia praticamente lá. Fazia planos com o dinheiro, as viagens e todas as coisas boas que isso iria trazer para minha vida. A parte chata era ficar em silêncio. Outras oportunidades menores apareceram, e eu não podia me negar e nem contar que estava esperando algo maior. Devem ter pensado que eu sou louca ou muito acomodada.

Tudo corria bem, ou parecia. Fiz a minha parte. Até que na penúltima partida do campeonato eu estava com a bola dominada na pequena área e recebi um carrinho por trás. Não vi mais nada – o estrago foi tão grande que eu perdi aquela bola, a partida, o campeonato, o contrato. E é provável que nunca mais jogue. Fim.

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Fora isso foi um bom ano. Que venha 2011.