Velho, velho e gift

Fiquei muito emocionada quando vi esta propaganda com o Elton John. Mandei pra amiga cujo filho está aprendendo guitarra, e sei que ela se identifica muito com o final da propaganda. Pra mim a propaganda toca mais de outra forma, legado é um tema importante pra mim. Talvez por sempre ter tido a tendência de fazer amigos mais velhos. Não falo em legado num sentido financeiro, e sim como história construída, o que você pensa da sua própria trajetória quando olha para trás. Aquele sorrisinho do Elton John no final da propaganda diz tudo. Uma das coisas que me fez querer chacoalhar e gritar no ouvido de algumas pessoas neste período recente da nossa história: o que você pensará a respeito das suas escolhas quando olhar para trás?

Ainda sobre velhice: fui, com amigos, fazer uma apresentação num asilo. Era o mais bonito e bem cuidado e feliz dentro das circunstâncias, mas era um asilo. Um lugar aonde vão pessoas que, na sua maioria, estão impossibilitadas de cuidar de si mesmas. E me vi menos tocada, menos emocionada que os outros. Talvez por já ter acompanhado deterioração física de perto, de saber o quanto o mundo se estreita. Ou, antes disso ainda, eu pesquisei cegos. Uma das minhas entrevistadas, a que tinha a história mais dolorosa, me ensinou que todo mundo tem limitações, a diferença é que a deles está evidente. Acho que para trabalhar com o sofrimento precisa ter uma aceitação muito profunda do que ela me disse.

O último ponto, voltando pra propaganda. Passei a ficar doida por Your Song, como quem ouve pela primeira vez. Meu verso preferido é: My gift is my song/ This one for you. Uma tradução rápida seria: Meu presente é a minha música/ Esta é para você. Mas gift também significa dom. Do mesmo modo, com este blog, me sinto dizendo continuamente: My gift is (to) write/ this one for you.

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Curtas da gengibirra

GENGIBIRRA

… que além de ser o melhor refrigerante do mundo, fica (descobri recentemente) maravilhosa com limão. Se tivesse álcool, já teria que começar a comprar os brindes de Missão Resgate da vida (digam que no resto do país também se pede contribuição no ônibus para tirar as pessoas “do mundo das drogas e do crime”) pra saber onde me internar. E se eu fosse famosa, a Cini mandaria fardos mensais de gengibirra aqui pra casa, porque sou a maior divulgadora do produto deles.

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Sempre achei que ter cabelo curto faria com que jamais me confundissem com evangélica. Mas fui. Uma foi sutil: o dono da academia que eu frequentava falava de brincadeira “queima ele, Jesus” e “Jesus, apague a luz”. Eu achava engraçadíssimo e non sense e adotei. Uma amiga próxima, espírita, que me conheceu lá, levou um tempão com medo do que dizia do meu lado. Acho que tinha fama de crente e nem estava sabendo. Não sei até hoje se quem achou que eu era por causa disso tem uma visão estranha de religião ou eu é que sou muito por fora do que os evangélicos falam.

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A outra foi recentemente. Acho que por causa da crise, pipocaram os carros que vendem coisas aqui no bairro. Sempre ignoro o carro com ovos, perco todas as vezes o carro que conserta panelas, enquanto estava na dúvida o das tortas se foi, aí quando passou o dos salgados quase me atirei na frente dele. Tem sem carne? Presunto é carne. Não moça, salame também é carne. Aí ela me perguntou se eu era adventista. Que raiva que me deu, não se fala isso pra uma cliente que acabou de ser frustrada no seu desejo de se encher de fritura.

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Não comentei aqui pra não dar zica, mas tive um semi-entrevero legal com o meu vizinho, por causa de um muro. Gastei com advogado e tudo, foi tenso. Mas, no fim, deu tudo certo. Aí tive que mandar fazer um teto pra cobrir a lage atrás, que estava vazando, e a obra nem começou e o cara se pendura no muro, indignado, achando que eu ia cobrir a área que até alguns meses estava brigando com ele para manter intacta. Depois, ficou um tempão dando pitaco no trabalho do pedreiro. “Teu vizinho é um chato, né?”, ele me disse no final do primeiro dia de obra. Nem me fale, queridão, nem me fale.