O ciclista, o dono e a florzinha

flor cabelo

O ciclista pelado: É através do ciclista pelado que eu sei se estou atrasada ou não. No horário ideal, ele está passando na frente da minha casa quando estou saindo. Algumas dessas vezes, eu também estou ciclista. Claro que ele não anda literalmente pelado, não é o Oil Man – pra quem não é daqui, informo que o Oil Man circula pelo centro. O ciclista pelado é um rapaz comum, de barba, na faixa dos seus vinte anos que passa por aqui todos os dias, acredito que a caminho do trabalho. Eu me refiro a ele como pelado porque muitas vezes a temperatura está abaixo dos dez graus, eu mesma pedalando com duas calças, casacos, corta-vento e balaclava, e o sujeito está de bermuda. Pelado.

O dono de pet que odeia falar de cachorro: Antes eu comprava ossinhos pra Dúnia numa loja no centro, mais barata, mas como não passo por ali com frequencia suficiente, tive que me contentar com uma pet um pouco mais cara aqui da região. Circulando por ali, ficam sempre três lindos pastores alemães entediados. Outra coisa muito característica é que sempre tem um problema na conexão, no computador ou sei lá o que, então ele precisa anotar meu cpf na mão. Talvez seja pelo fato de ouvir as mesmas coisas o dia inteiro, mas sempre tentei falar qualquer coisa sobre cachorro -nada sério, papo de balcão- , o cara não apenas me ignorou com só faltou fazer cara de tédio.

A senhora sorridente que gostava de acessórios no meu cabelo: Essa me fez perceber o quanto somos influenciáveis pelos elogios. É a loja onde gosto de comprar a granel. Tinha duas funcionárias, e a mais velha era uma senhora simpática que ficava muito feliz em me ver. Conversávamos sempre. Um dia fui com uma fivela de uma florzinha branca no cabelo e ela ficou encantada, me achou linda. Outro dia também, com uma flor vermelha; na terceira vez não estava usando nada, ela não me elogiou. Quando me dei conta, eu me programava pra sempre colocar um acessório no cabelo quando passava na loja. Um dia fui lá, de flor no cabelo, estava a outra funcionária e duas adolescentes em treinamento. A senhora sorridente se aposentou. Nunca mais passei lá de florzinha.

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Gente dessa laia

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Como as regras anti-spoiler não valem para séries que acabaram há anos, vou falar um dos acontecimentos que eu mais gostei em Mad Men. Don Draper é o protagonista e, como tal, tem a nossa simpatia. E Pete Campbel começa a série como um arrivista detestável – com tempo ele conquista a nossa simpatia. No começo da série, Pete descobre que Draper não é realmente o nome dele do Draper, que há um passado obscuro, que ele mente sobre sua origem. Aí Pete reúne suas provas e confronta Draper na frente do dono da agência. O dono da agência fala: Draper é um dos meus melhores publicitários, fecha contratos de milhões de dólares, não estou nem aí pro nome dele. E Pete fica de filme queimado.

Muitos episódios depois, em outra temporada, surge um funcionário bonito, sorridente, puxa saco e que começa a se destacar. Sem querer, Pete descobre que o sorridente também não é quem diz que é, que suas referências são todas falsas. Aí ele o confronta: Sorridente, eu sei que você mentiu, eu já lidei com essa situação e conheço gente da sua laia, agora sei exatamente o que fazer. O que Pete faz? Se oferece para dar boas referências pro cara ir pra outra agência e sumir.

Não é bonito de se recomendar, não é aquilo que nos ensinam os contos de fadas. Mas, como diria Raul, quem aqui é besta pra tirar onda de herói. Eu tenho a impressão que, com “gente dessa laia”, a melhor coisa é deixa-los chegar onde eles querem – lá encontrarão muitos iguais a se matarão sozinhos.

Personagens noturnos

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A cobradora do tubo à tempos não passa desconforto lá. Sempre está vendo algum programa pelo celular e ri muito, já direto na tomada. Agora, o seu senso de oportunidade me surpreendeu: ela está vendendo casquinha de chocolate com brigadeiro dentro, de vários sabores. A gente vai pagar e estão eles na nossa cara, por 3,50. Eu, que estava sem jantar e levaria mais de uma hora até jantar, não pude resistir.

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Tem o cara que pega ônibus no tubo logo em seguida. Descemos no terminal e pegamos o mesmo ônibus. Eu desço antes, ele vai até outro terminal e pega mais um ônibus. Não sei a profissão dele, é algo que envolve plantão. Sei que ele gosta de corrida, participa de maratonas, etc. E quando se senta no ônibus, dorme. Mas faz tempo que não nos vemos, tenho saído mais tarde. Já teve uma época que ganhei muitas caronas até em casa e, quando nos reencontramos, ele comentou que eu estava sumida.

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Eu aprendi uma nova linha de ônibus, paro mais perto de casa. Em comparação com a outra, nem me economiza tanto tempo, porque ela dá muitas voltas, mas o trajeto à pé é menor. Dos passageiros, os que têm crachá e uniforme são homens e descem antes. Param muitas mulheres perto dos motéis, acho que são recepcionistas. Uma vizinha, que há anos foi gentil e me deu carona até a biblioteca, também pega e me ensinou a descer direitinho, falando com o motorista. São só dois, daqui há pouco nem precisarei mais falar.

O Popular

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Tem uma crônica do Veríssimo com esse nome, que não quer dizer um sujeito muito amado e sim o cidadão que sai nas notícias, “populares cercaram o local”, etc. Aí Veríssimo vai indo, diz que o sujeito está segurando um pacote, que aparece no canto das fotos, que se um dia tentam pegar o popular ele escapa, o verdadeiro Popular é o outro que está assistindo o primeiro ser preso. É uma crítica, na verdade, da multidão passiva que não se posiciona. Independente da crítica, talvez por ter lido a crônica muito jovem, sempre mantive a figura do Popular com seu pacote na minha cabeça e enxergo procuro por ele no plano de fundo dos entrevistados na rua.

Tempos desses assisti sem querer um ritual importante, e quando fui parabenizar a pessoa que, digamos assim, ganhou o cargo, ela me perguntou quando é que eu me juntaria a eles. Eu sorri e disse que não me juntaria. No post retrasado lembrei do meu histórico de visitante de igrejas. Fui à várias, na esperança de ver coisas diferentes, e quando me convenci que era tudo meio igual perdeu a graça. Ganhava livro sagrado, me punham em listas, me chamavam pra festas, grupos de jovens, todo tipo de pressão sutil ou não sutil e jamais conseguiram. Sorria, desconversava, fingia que não percebia. Mais antigo ainda, lembro quando minha vizinha tinha com mais duas amigas um grupo que ensaiava coreografia da Xuxa para apresentar nas festas da família. Os ensaios eram secretos, para manter o suspense. A única exceção era eu, que podia assistir todos.

Cara, eu sou O Popular.

Curtas vampirescos

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Já vi muita nostalgia anos 80 mas nunca achei em lugar nenhum alguém fazer referência a um desenho japonês que eu adorava, de um vampiro todo atrapalhado que tinha uma filha bem correta. Num episódio ele inventa uma super cola que fica por dentro do lápis e dá pra ver pela lateral; em outro, ele olha pro sol, vira pó e a filha tem que reconstruí-lo. Só que ele estava com um guarda-chuva na hora e ele reaparece com o guarda-chuva no nariz. Alguém?

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Tinha também um desenho japonês de uma nave que parecia um navio e tinha uma contagem regressiva porque estava procurando outro planeta para a humanidade porque o nosso ia acabar. Nada a ver com vampiros, mas também nunca vi referências e gostaria de saber qual era.

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Voltando aos vampiros. Conversa do meu irmão para o seu melhor amigo, no tempo dos DVDs, da qual rimos muito:

– Estou vendo Drácula de Bram Stoker.

– Eu vi no cinema. Em que parte você está, a Winona Rider já morreu?

– Putamerda, ainda não!!!

Na época nem existia o termo spoiler, quanto mais spoiler falso.

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Nunca vi Entrevista com Vampiro. Fiquei doida pelo livro quando li, doida, doida, doida. Acho que cada época tem seu vampiro galã. Quando anunciaram as filmagens, a autora disse que devia ser o Jeremy Irons e ficou indignada quando colocaram o Tom Cruise. Eu concordei tanto com ela que nunca quis ver.

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Traumas não são como vampiros, tal como sempre se dá a entender. Eles não viram pó instantaneamente quando a luz da razão os atinge. Nem ao menos some depois de um momento de choro catártico. Os traumas grandes, atávicos, que definem nossas vidas são muito mais como Jason, Freddy Krueger, a mãozinha saindo da cova quando todos estão ingenuamente tranquilos.

Personagens amam ser escritores

hemingway-escritorEu sempre achei o cúmulo de falta de imaginação perceber que é muito mais frequente as pessoas quererem ser escritores em livros, ou seja, enquanto personagens de livros, do que na vida real. Ou se eles, escritores, eram assim tão narcisistas de não conseguirem imaginar algo mais motivador do que ter a própria ocupação deles. Aí quando me vi tentando escrever algo mais longo e verdadeiro, o quanto é preciso ter vivência e o quão pouco conseguimos escapar para além do que vivemos. Lembro de um conto do Oscar Wilde com uma descrição tão boba do que é ser um pescador – acordar cedo, jogar a rede, o cheiro do mar – que eu mesma poderia ter feito, aqui da minha cadeira. Porque provavelmente ele o fez da dele. Somente alguém que já foi até o pescador e a rede, melhor ainda se tiver sido um, pra saber dos detalhes. Imagino que a mão seja calejada de uma maneira diferente, que a rede possa cortar as mãos, que cada tipo de pesca tenha um conjunto de procedimentos diferentes. O mundo interior de quem se vê frente a frente com o mar não pode ser o mesmo de quem acorda cedo pra enfrentar trânsito. Mas que mundo é esse, que talvez o próprio pescador não saiba definir em palavras? Então o escritor se vê entre descrições pobres do que ele só imagina ou falar do que realmente sabe porque já viveu. E do que um escritor sabe? De profissões ligadas a escrita. Não é falta de imaginação ou narcismo, é apenas limitação.

Alicia Florrick

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Alicia, do The Good Wife, é uma protagonista atípica. De cara, quando comecei a ver a série, me encantei com Kalinda, a indiana sem coração, que nunca sorri, desejada e indiferente ao afeto de homens e mulheres, competente investigadora da Lockhart & Gardner. Isso sem falar no estilo, de botas de cano longo, saias curtas e jaquetas ajustadas. Depois, me encantei com a poderosa Diane Lockhart, chiquérrima, idealista mas também muito prática, difícil de se dobrar. No time masculino, muitos gritinhos apaixonados por Will Gardner e fico xingando como quem assiste uma partida de futebol cada vez que Peter Florrick aparece. Amo Eli Gold, o esperto chefe de campanha de Peter. E tem a Alicia. O apelo dessa personagem é: Alicia é a humanidade no meio do desumano. Ela pensa no marido que a chifrou, nos filhos, no que é certo, escolhe os casos pelos critérios mais justos. Por ter sido dona de casa, ela traz consigo para a profissão o olhar pelas pessoas, a ingenuidade de quem quer fazer o que é certo. É o sopro de vida necessário em meio à maldade do mundo, aquela pessoa neutra que torna o ambiente competitivo um pouco mais respirável. Mas ser assim dói muito. Todos queremos ter uma Alicia Florrick por perto, só não queremos ser.

Humanismo, Nise e Claire

Eu antes não entendia quando se usava o adjetivo humanismo – “Fulano é um humanista”. E não somos todos?, eu pensava. Se não pela religião que nos manda amar uns aos outros, por termos absorvido os ideais de igualdade entre os homens da Revolução Francesa e que são lei. Nise da Silveira, a psicóloga, era uma humanista. Já falei que ando viciada em House of Cards e que acho Claire Underwood uma mulher linda. Aquele cabelo curto num rosto tão quadrado dá uma mistura estranhamente bonita, e ela sempre está impecável em vestidos que ressaltam suas formas; ao mesmo tempo, suas roupas lembram armaduras e parecem falar muito sobre o rigor da própria personagem. Se me permitem avançar um pouco nos spoilers, ela é um excelente contraponto ao marido por ter seus escrúpulos. Enquanto Frank vê as pessoas mais próximas se ferrarem e diz que “batalhas são assim”, “o arrependimento não faz parte”, Claire oscila. Numa mini trama ela pensa em fazer tratamento engravidar. No meio do caminho, ela faz uma maldade com uma ex-funcionária grávida para ganhar uma disputada e logo depois cancela os exames do tratamento. Nenhuma palavra é dita, mas dá pra perceber que por detrás do ato há uma conscientização: não somos boas pessoas. Mas essa dor não é forte o suficiente para deter o egoísmo e a vontade de subir cada vez mais. Volto à Nise. Não vi o filme, mas conheço a história dela. Numa época que paciente psiquiátrico era pra ficar trancado, ela aplicou a psicologia junguiana e viu através dos trabalhos deles os arquétipos previstos na teoria. Loucos não são fáceis, ainda mais naquela época. Detrás de agressividade, sujeira, rótulo, falta de sentido, ela conseguiu ver pessoas. Vivemos uma época que as conquistas sobre direitos fundamentais parecem ter regredido de maneira assustadora. Eu acredito que, na verdade, ainda bebemos muito do passado escravocrata. Depois da frase “não é que eu tenha preconceito, é que” tem se dito as piores sentenças, justificativas de exclusão e violências sob a desculpa de… olha, às vezes sem a menor desculpa mesmo. Os argumentos estão todos aí; o fato de outro ser também de carne e osso e um ser que ama e tem direito à felicidade deveria ser argumento suficiente. De conceito óbvio, o ser humanista, pra mim, acabou se revestindo de caráter de necessidade e pedra fundamental.

Gente-personagem

Talvez pela escrita ser tão importante na minha vida, eu realmente nos vejo como personagens literários. Cada um, inclusive, tem sua nota fundamental, aquela que permeia todas as suas ações e serve de título da obra. Uns têm vida recheada de casos amorosos, outros de reviravoltas financeiras, uns galgam um a um os degraus do sucesso, enquanto outros já nascem com tudo e abandonam para se tornarem Budas… isso para não falar dos proustianos, que precisam apenas do cheiro de bolinhos para sentir tudo com muita intensidade. Então não sei, realmente, como formular uma regra para a vida. Não sei se existe uma solução definitiva, por mais bacana que ela pareça, seja Deus ou carpe diem. O que eu intuo é que protagonistas – e todos somos, pelo menos para nós mesmos – não são para nascer, crescer, casar, ser feliz para sempre e morrer. É o que a gente tenta, não é? Talvez gente-personagem seja feita para quebrar, cair de cara no chão, experimentar pelo menos uma vez a solidão profunda. Avançar velozmente e se descobrir errado, fugir e dar de frente com o próprio destino, como Édipos. Quem sabe a maior tragédia não seja o sofrimento, e sim não saber qual deles abraçar.

(Esta versão, sem legenda, é mais legal)

SIM irresistível

Hoje sou adepta de redes sociais que me fazem detestar qualquer programa que ocupe a tela inteira em detrimento de outras funções do computador, mas quando isso não acontecia eu jogava The Sims. Jogar The Sims – me ocupando com construções, papéis de parede, objetos, personagens com personalidade – era tão divertido quanto um dia foi ter uma casa de bonecas. Minha casa de bonecas era de madeira, de dois andares. Já contei que minha mãe jogou a minha casa de bonecas fora quando a viu de cabeça para baixo, porque estavamos brincando de enchente? O bom do The Sims é que mesmo na versão mais simples (quando eu jogava não existia nem orkut), é possível radicalizar. Uma vez eu matei meu vizinho afogado na piscina -pra isso bastava tirar a escadinha – porque sempre que ele aparecia na minha casa, ia no banheiro e entupia a privada. Sempre. Pra piorar, ele dava preferência à privada-ovo, a mais cara. Era muita falta de consideração, vocês teriam feito a mesma coisa no meu lugar. Outra vez, atraí uma criança pra um quarto cheio de jogos e tirei a porta. Tudo porque ele era filho ilegítimo do companheiro do meu SIM gay, que traiu meu SIM com cunhada.

Se eu não me engano, essa cunhada era a CUNEGUNDES, em caixa alta mesmo. Foi um SIM criado pela minha mãe. Não sei direito que características de personalidade ela colocou. Foi algo irrepetível. A CUNEGUNDES era de touro e gostava muito de rir. Ela ria em todas as conversas, pra todo mundo. Então todos os outros SIMs se apaixonavam instantaneamente por ela (será que na vida real funciona?). Pior: eles eram correspondidos. A CUNEGUNDES nunca dizia não. Então era só eu me distrair comprando abajures novos ou atendendo um telefonema que a CUNEGUNDES já estava beijando alguém, e dali a pouco estava de sobrenome novo. CUNEGUNDES casou mais do que Liz Taylor. Ela não tinha preconceitos: ela pegava parentes, homens, mulheres, gays. Nesse balaio é que ela gerou um filho com o companheiro do meu alter ego SIM homem gay. Deu tanto trabalho conquistar aquele loirão e ela simplesmente foi lá e… Mas eu descontei no filho, porque não tive coragem de fazer nada com CUNEGUNDES. Até a mim aquela piranha conquistou.

5 personagens marcantes

Já que faz tempo que ninguém me envia um même, inventarei um. Vou colocar aqui 5 personagens da literatura que, de alguma maneira, foram marcantes.

A eleição de personagens já retira da lista alguns livros bons. Em autores como Saramago ou García Marques, há uma grande história faz com que os personagens sejam coadjuvantes. Ou no caso do Kundera, eu classificaria todos os personagens como marcantes e me sentiria injusta de escolher apenas um. Com Dostoiéski, me vejo um pouco em cada um, como se fossem arquétipos. E se tivesse lido Camus há menos tempo, provavelmente ele estaria na lista, mas agora não sei citar ninguém dos livros dele em especial.

Feitas essas ressalvas, vamos à lista em si:

5º lugar: Marley
Um dia eu vi na livraria a edição especial com fotos do Marley que não aparecem na edição comum. E me emocionei lá, de pé. Fui no Youtube procurar por ele, olho pra todos os da raça dele com mais simpatia. O livro nos faz amar o Marley como se fosse nosso – e amar ainda mais o cachorro que temos ao nosso lado.

4º lugar: Liesel
Como pode uma criança sofrer tanto e seguir em frente? É como se a resposta pra ela pudesse garantir que a gente também consegue ir em frente apesar da morte e da dor da separação. Dá vontade de pegar a Liesel no colo e levar pra muito longe…

3º lugar: Brás Cubas
“Se bela, por que manca? Se manca, por que bela?” Como não gostar do cínico e verdadeiro Brás Cubas? Só mesmo quem gosta de se ver muito melhor do que realmente é. Eu li o livro e me perguntei se eu não seria como ele e não estou sabendo.

2º lugar: Capitão Birobidjan
“Iniciamos agora a construção de uma nova sociedade” – essa é a máxima do Capitão. E é repetida durante o livro inteiro, porque é difícil construir sozinho. Sem dizer que o livro é muito engraçado. Não sei se pela teimosia, pelo ideal marxista, pela persistência em tentar levar sentido pra tudo o que faz… fiquei encantada com o Capitão e agora vivo querendo iniciar a construção de uma nova sociedade também.

1º lugar: Orlando
Por fora, a vida de Orlando muda de maneiras que ninguém conseguiria. Muda de idade, gênero, atividade, vive centenas de anos… Por dentro, Orlando tem um olhar apaixonado pela vida – às vezes melancólico, outras vezes divertido – algo que parecia não existir fora de nós. Anos sem importância podem ser resumidos em uma frase, enquanto uma paixão pode consumir capítulos inteiros. Orlando é o meu amor literário da minha vida.

Eu passo a bola pra: Imagens, DoritosBaka, Alessandro Martins, Rota de Fuga e Pseudoblog.