Curtas natalinos

Vou dizer a verdade: o post de hoje é de curtas natalinos apenas para eu poder usar a figura ao lado.

 

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Comprei um chocotone de supermercado, que estava numa super promoção e eles garantiam que tinha a mesma qualidade dos de marca. Fui abrir e claro que tinha uma gotinha preta aqui e outra lá, era praticamente um pão. Mas sabe que estava mais gostoso? Colocam essência e chocolate demais hoje em dia.

 

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Eu pensava que esse ano escaparia de comprar lembrancinhas. Sempre dei presente pro pessoal da lavanderia, mas agora vou lá bem menos, achei que não ia rolar. Mas me deram presente mesmo assim e abraços, de maneira que tive que sair correndo. Uma das muitas coisas doídas da separação é admitir publicamente que acabou. E, por estranho que pareça, elas eram as que mais me doíam contar (o que nem foi necessário). Ali sempre houve um carinho mútuo, daqueles simples e sinceros.

 

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Por falar em contar, praticamente mantive meus planos natalinos em segredo, que é pra ninguém sentir pena e querer me levar pra casa. Passei da fase de precisar de companhia a todo custo. Nunca fui muito chegada em natais, mas o povo tem certeza que na hora bate uma melancolia e quem está sozinho em casa necessariamente se entristece. Eu juro que não.

 

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E já que estou nessa de ignorar data, me darei presente de natal só no ano que vem, com tudo em promoção.
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A falácia do panetone

Quando digo que durante os dez anos de casados meus pais moraram em onze lugares diferentes, as pessoas perguntam se meu pai é militar. Não é. Eles se mudaram tanto porque ele tinha algum tipo de inquietação, que o fazia mandar currículo mesmo bem empregado e atender aos chamados de novos empregos, mesmo que em outras cidades. Isso numa época em que as pessoas trabalhavam na mesma empresa durante a vida inteira. Nunca vi alguém conseguir variar tanto um simples curso de engenharia química. Na minha cabeça, essa faculdade ensinava a pessoa coisas mais diversas, de eletrônica a marcenaria, passando por banho de cachorro. Porque meu pai sempre foi faz tudo, mexia em tudo e tinha trabalhado com um pouco de tudo. Por causa dele nós sabíamos que as empresas de sabão em pó colocam um produto para tornar a água mais turva, ou seja, mais escura. Quem aqui nunca colocou uma roupa de molho e ficou impressionado com a cor escura da água, porque não imaginava que a roupa estivesse tão suja? Pois é.

Com base nessa eclética experiência profissional, minha mãe sempre comprou panetones baratos. Aqueles produzidos pela padaria do próprio supermercado, os mais simples de todos. Ela dizia que meu pai tinha trabalhado numa empresa que fazia panetone, e que tinha visto que os panetones que iam para as latas eram os mesmo que iam para as embalagens simples. Por isso, era a mesma coisa comprar um panetone caro de lata ou comprar o panetone que só vem num saco plástico. Sempre acreditei piamente nessa história e confesso que até olhava com desprezo quem comprava panetone em lata. Uns iludidos, todos eles. Foi apenas a vontade de ter uma lata daquelas que me fez comprar um Chocotone Bauduco assim que eu casei.

Foi como uma revelação. Não era o mesmo gosto coisa nenhuma. Foi como seu eu tivesse provado panetone pela primeira vez na minha vida. Eu, que até então era meio indiferente a essa iguaria, quase comi o panetone sozinha. Era fresco, molhadinho, cheiroso, delicioso. É a melhor coisa do natal, o que me faz esperar por essa data o ano inteiro. Isso sem falar que a lata é uma gracinha.

Até hoje minha mãe nega a verdade.