Neve?

A última vez que nevou em Curitiba foi em 1975. Eu ainda não era nascida. Meus pais moravam em Manaus naquela época. No álbum de família há fotos dos meus primos na neve, naquelas floreiras da rua XV. Minha tia enviou e minha mãe ficou com inveja, morrendo de calor aos mais de 30º graus perpétuos. Meus pais se conheceram aqui, a família toda da minha mãe vivia aqui, eles voltariam para cá meses depois, então foi apenas o acaso que fez com que a família estivesse tão longe de um evento tão raro e aguardado. Depois, ameaçou nevar muitas vezes, e eu sempre esperando, sem muita fé. Desta vez estão falando em fenômeno climático raro, frio molhado e muitas coisas que garantem que dessa vez a gente não escapa.
Eu não vi neve, mas o Luiz é mais velho do que eu, praticamente um curitibano e o assunto veio à tona quando estávamos com a minha sogra. A neve curitibana é igual aquelas perguntas sobre o que se estava fazendo quando atacaram as torres gêmeas ou quando o Airton Senna morreu  – todo mundo tem algo pra contar, todo mundo se lembra. Então perguntei a eles onde e como foi a experiência de nevar em Curitiba. Mal formulei a pergunta e os dois responderam ao mesmo tempo:
– Eu não pude ver a neve.
– Eu não deixei ele ver a neve.
Olha o trauma: nevou, meu marido e a irmã com a cara grudada no vidro, vendo tudo branquinho, e minha sogra não deixou os dois saírem de casa. O lado mãe-caipira falou mais alto e ela ficou preocupada porque nunca tinha visto aquilo, vai que ficava todo mundo doente. Ô dó.
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