[post deletado]

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Escrevi porque estava me incomodando. Porque acordei pensando, fiquei sensível, me levantei pensando, me doendo e escrevi. Escrevi e depois tirei a parte que usava um termo mais claro. Começava com um exemplo bem racional, colocava uma posição sobre o assunto e em seguida eu dizia que não dava, que por mais que soubesse a posição racional não era assim que estava por aqui dentro. Tinha desabafado. Não iam interpretar errado. Quem sabe nem chegasse lá. Se chegasse, ia ser por uma pessoa que gosta de mim e que não seria maldosa no resumo. E, mesmo se fosse, iriam conferir. Veriam aquele primeiro parágrafo racional, eu apaguei a palavra pesada. Não é uma empresa e um monte de gente maldosa, cobras, é outra relação. Não iam maldar. Ia continuar tudo bem, é o meu espaço. Todo mundo na mesma situação ficaria assim. Eu teria empatia. Depois de um dia inteiro meio doendo e olhar para o vazio, tive que sair, pedindo aos céus forças para fazer uma cara boa e fingir um bom humor que não era o meu no dia inteiro. Horas depois, cruzo a porta de casa, completamente outra. Post deletado. Pra quê. Como o Kibe me aconselhou uma vez e com uma sabedoria incrível: não deixe que percebam que você sentiu o golpe.

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Curtas pra reclamar

eu to na internet pra reclamar

Existem duas etapas sobre decidir escrever, uma fácil e a outra difícil. A fácil é “Vou escrever um livro sobre X”. A difícil é tudo o que vem em seguida.

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Um lado meu gosta de flamenco mas outro… pelamordedeus, vocês sabiam que existem outras formas de cultura?

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Existe um caso de amor entre grãos de arroz e aparelho.

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Em algum lugar das regras de etiqueta internéticas facebookianas, deveria estar escrito que não se atualizam eventos do facebook diariamente. Pra isso existe blog.

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Baladas perdem a graça para comprometidos. E festas de casamento – descubro agora – perdem a graça para solteiras quando não há perspectiva de homens interessantes. Crente comigo não dá, MESMO. Sorry.

Epifania nas Lojas Americanas

Eu estava na fila das Lojas Americanas, comprando chocolate. Passei pelo corredor de guloseimas e não devia ter mais do que cinco pessoas na minha frente. Os caixas rápidos tinham pelo menos quatro caixas. Contando o tempo que eu demorei pra me decidir pelos chocolates e o meu tempo na fila, eu devo ter ouvido umas três músicas. Não faço a menor ideia de que CD era aquele. Sempre estou (acho) mais ou menos a par dos sucessos pop do momento, e aquele não era nenhum deles. Só sei que era pop, dançante e repetitivo. Não pude deixar de comentar com a caixa o quanto aquela música era ruim, e ela riu – não sei se porque também achava ou se é porque convém concordar com clientes mau humorados. Mesmo com pouca gente e caixas andando rápido, minha vontade era jogar aqueles chocolates para cima e fugir gritando. Foi aí que eu descobri: o inferno é um elevador lotado num dia quente, onde estamos longe das paredes e a música ambiente é pop, dançante e repetitiva.

´tasquiupariu, que clima!

Tenho nada pra falar não, só quero expressar minha revolta. Primeiro, contra as Claudias e Marie Claires da vida, que fazem reportagens irreais sobre moda inverno. O que são aquelas mulheres de bota e shortinho, ou lingerie decotada por debaixo do casaco? Só se for inverno carioca. Seguindo a mesma linha, quero reclamar de ter ido na C&A esses dias em busca de algum casaquinho e não encontrei absolutamente nada de manga comprida. Um monte de vestidinhos, blusinhas, sainhas lindas que eu teria que usar pra dormir, porque mesmo pra ficar em casa seriam fresquinhos demais. Em terceiro, quero apontar uma grande injustiça de São Pedro. Comoassimbial a tempestade de segunda foi conseqüência do calor que fez no domingo? Domingo de manhã fez vinte e poucos graus; de tarde, já estava frio. Por causa de algumas horinhas de alívio a gente é punido com um rio despencando sobre nossas cabeças? Absurdo, desproporcional!

Por último e não menos importante, quero manifestar minha revolta, meu repúdio, meu ódio aos curitibanos que ficam achando muito bonitinho essa cidade estar mofada e com frio em plena primavera. Basta sair um solzinho que meu twitter se enche de #euquerocuritibadevolta #quesaudadesdofrio e #odeiocalor. Tomanocu, tá?

Live Earth

Meu lado mal-humorado não vê a menor graça nesses eventos que têm por objetivo jogar na cara da gente que o mundo está acabando. Eles mandam a gente trocar as lâmpadas, diminuir os banhos, usar menos a descarga, não sair de carro, parar de usar sacos plásticos e reciclar o lixo. Se você não faz tudo isso, é um monstro que contribui pro efeito estufa, aquecimento global, escassez de água e tudo o que há de ruim.

As pessoas que deixam mangueira de água ligada no jardim durante horas devem mesmo ser conscientizadas. Idem para torneiras abertas enquanto se lava a louça ou escova os dentes. Idem para luzes acessas durante o dia. Idem para um monte de hábitos nocivos. São pequenas coisas, durante longos anos, que prejudicam. Mas, veja bem: são pequenas coisas. Sabiam que 25% da água tratada pela SANEPAR é perdida em vazamentos – a maioria deles da própria SANEPAR? Eu acho que não dá pra colocar no mesmo grau de culpa a energia elétrica que o cidadão comum gasta em casa e o desperdício de um shopping center. Ou pra comparar o gesto de abrir a geladeira com empresas que se aproveitam de taxas reduzidas ou de má fiscalização pra fazer o que bem entendem. Em escala global, não dá pra colocar EUA e Cuba lado a lado.

Se é tudo uma questão de estilo de vida, o buraco é muito mais embaixo. É difícil cobrar uma atitude toda correta de um cidadão que se usar transporte coletivo gasta horas (desconfortáveis) pra chegar a algum lugar; que não tem pra onde enviar o lixo que porventura separe; que não tem dinheiro pra colocar uma placa solar em casa; que vai morrer de frio se desligar o chuveiro enquanto se ensaboa; que não tem privadas adequadas ou sistema de aproveitamento de água de chuvas.