Lua minguante

Uma das coisas mais esquisitas que eu ouvi a meu respeito é que eu sou lua minguante. É menos misterioso do que parece – eu nasci num dia de lua minguante, então teria características de lua minguante. É um pressuposto duvidosíssimo, eu sei, me atribuir características só porque a lua estaria de um jeito quando eu nasci. Mas aí ele me disse: “Você não é daquelas pessoas de lua cheia que chega num lugar e chama atenção, que faz amizades, que tem naturalmente toda sorte voltada para si”. E, poxa, não sou mesmo. Não sou uma pessoa de grande popularidade e brilho pessoal; eu já sabia que não era um sol, agora descobri que nem uma lua cheia eu sou. Tentei dar uma pesquisada sobre o assunto, o que eu sei das fases da lua é o que todo mundo sabe. Não achei nada das pessoas serem como luas. O que posso concluir, pelos cortes de cabelo e pela lua no céu, que ser lua minguante é ser introvertido e nada luminoso. Poxa, acho que sou mesmo.
A gente ouve um monte de coisas durante a vida, boas e ruins, e ignora tantas. Aí ouve que é lua minguante e se identifica, se dói. Eu sou tímida, canso de dizer que sou tímida, e tento achar que é tão século passado confundir timidez com arrogância. Mas parece que não é. Veja o que eu descobri: apenas agora, dez (!!!)  anos depois, a família do Luiz descobriu que eu sou uma pessoa legal, que tenho bom coração. Eles vieram me falar: “a gente tinha uma ideia tão diferente de você, totalmente o contrário do que você é”. Se eles me achavam o contrário de uma pessoa legal de coração bom, conclui-se que pensavam as piores coisas ao meu respeito. E as pessoas que disseram isso nunca haviam me dirigido a palavra. Nunca falaram comigo e me julgavam da pior forma. Tem aí, claro, o dedo de parentes de Curitiba falando mal de mim. Por mais que eles tenham falado, a fama pegou. A mesma fama que eu tinha, quem sabe, faculdade. Quase todo mundo da minha sala me detestava, nenhuma delas tinha ao menos se dado ao trabalho de falar comigo. Anos depois, uma ou outra me deram uma chance, ou porque fui simpática no corredor, ou porque caiu no meu blog sem querer. Aí descobrem, muito tempo e quilômetros percorridos, que eu sou uma pessoa legal, que não sou nada daqu… Que porcaria de imagem é essa que as pessoas tem de mim!?
De onde eu concluo que sou péssima de primeiras impressões. Falta de brilho é pouco, devo ser um buraco negro. Veja bem – as pessoas levam anos pra gostar de mim e eu não cultivo amigos de infância. Ou seja, estou ferrada, ainda por cima dou tiro no pé. Agora não sei se deveria procurar mais as pessoas ou se minha presença só piora as coisas. Aposto que vocês só gostam de mim porque entraram primeiro em contato com o que eu escrevo e não com quem eu sou. Isso se gostarem. Com licença que eu vou ali me matar e já volto.
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