Cuma?

 

Mocinha-novinha-gostosa conversando atrás de mim no celular com o namorado: “Quando eu digo pra você tomar no cu, não é que eu queria que você tome do cu. Quando eu digo pra você se foder, não é pra você se foder. É que eu estou nervosa, nunca falei essas coisas à sério. (…) Acho chato você ficar reclamando dessas coisas com a sua mãe, como se eu te tratasse mal. Eu nunca te desrespeitei. Porque eu sei que no fundo do meu coração que nunca te quis mal, então eu nunca te desrespeitei”.

 

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Mulher liga pra marido atrás de mim, tarde da noite, no Inter 2. Ele estava dormindo e rola todo um papo fofo de que ele não precisa esperar por ela. Depois, ela pede pra ele aproveitar e deixar o chocolate em cima da mesa, pra ela comer quando chegar. Depois, solta uma ótima: “A cerveja ainda está aí?” Não, ela saiu pra comprar pão.

 

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Última de ônibus e celular. Tubo cheio, a mulher conversa no viva-voz com o marido. Todos acompanhamos. O ônibus chega vazio, sento, atrás de mim sentam duas mulheres. Uma delas: “Sou contra ficar conversando de celular no ponto de ônibus”. Eu me lembrei de um video:
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Única colega chata e meio encrenqueira da costura. A profe faz trabalhos lindos de patchwork. Fiquei de olho num puxa saco de galinha, com pintinhos e tudo no bolso e não comprei. Era elaborado e por isso caro. O preço era justo mas eu não tinha tudo aquilo pra investir num puxa-saco. Saímos da aula comentando. Ela: “Acho que as coisas que a professora faz muito caras. Tem mais baratas por aí. Ano passado eu comprei uns trabalhos dela, coisa mais linda, mais de sessenta reais. Eu paguei, mas acho ela careira”.

 

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– Eu queria falar com Fulana.
– Ela não está.
– Que horas eu consigo falar com ela?
– Mais tarde.

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Avis rara

Hoje peguei ônibus e foi totalmente inédito que, no meu ponto, subiu um rapaz com seus vinte e poucos. Bonito, de bermuda. Ou seja, não era pedreiro e nem empregada. A região onde eu moro é cheia de prédios de alto padrão e quem visse a frequencia nos ônibus acreditaria que aqui não tem um adolescente, uma criança. É que aqui o pessoal é rico demais, eles não pegam ônibus. O meu professor da auto escola diz que é contra o metrô de Curitiba por causa disso, porque esse pessoal não vai pegar metrô, o lance deles é carro. O rapaz de bermuda hoje sem dúvida tem twitter, facebook, deve ver as discussões sobre o trânsito, sobre meios alternativos como a bicicleta. Vai ver ele acha que está esperando a ciclovia ou o metrô. Enquanto essas coisas de primeiro mundo não chegam, ele vai de carro mesmo.
Lembrei do meu irmão mais velho, que desde que me entendo por gente diz que vai pros Estados Unidos. Vagabundo profissional no Brasil, ele queria ir lá pra ter subemprego, trabalhar duro, economizar e voltar rico. Meu pai, nas respostas ótimas que só ele, dizia:
– Por que você não aproveita e entrega pizza por aqui mesmo? Pelo menos você já conhece o nome das ruas.