F

Minha letra e minha assinatura mudaram muito com os anos, mesmo porquê até uma certa idade os professores viviam me mandando escrever em cadernos de caligrafia. Uma característica constante na minha assinatura é o traço longo no F, cobrindo o resto do nome. Um dia vi uma figura de um livro de Grafologia, que mostrava esse tipo de traço como um grande guarda-chuva protegendo as pessoas embaixo. É sempre complicado fazer essas relações de forma mecânica, mas podemos dizer que meu F é uma característica de pessoas superprotetoras.

Eu só tive clareza do que essa superproteção significava quando meu irmão sofreu acidente de carro. Não gosto de CSIs da vida, não gosto de nada que envolva sangue. Corpo perto de mim só se for bem fechadinho e funcionando. Eu nunca tinha entrado num hospital e não gosto de passar nem na frente deles. O acidente me obrigou não apenas a entrar no hospital, como na UTI, a lidar com médicos (passei a odiá-los desde então), limpar traqueostomia, tirar pus de sonda na barriga e tudo o que aparecia pela frente. As enfermeiras achavam que eu era uma delas. Isso sem falar que estar num hospital público obriga a gente a estar sempre matando algum leão pra ser atendido.

Nada como uma situação de crise pra aumentar nosso auto-conhecimento.
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