Um problema dos gentis

anti-quisto

1. A vida me coloca numa interação curta com a Pessoa 1. Nesta interação, ela não me trata bem. Apesar disso, eu continuo sendo gentil com ela.

Os motivos de eu ser gentil numa interação desagradável são inúmeros. Já citei em vários lugares uma frase do Hamlet que resume a minha ética sobre o assunto: “Se fôsseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata? Tratai deles de acordo com vossa honra e dignidade.” Ou seja: eu parto do princípio que todos devem ser tratados com o maior respeito e consideração, independente de quem elas são. Pra eu tratar diferente, ela tem que ter saído da regra. E sou meio síndrome das escadas também, não sou do tipo que dispara uma resposta rápida automática quando me agridem (o engraçado é que com brincadeiras eu sou bem rápida). Na dúvida se a pessoa esta num dia ruim, ou eu estou num dia ruim e meio paranoica, diferença cultural, dor no ciático… ou se a pessoa realmente me odeia e decidiu fazer a parte dela pra estragar o meu dia, eu tendo a continuar educada. A possibilidade de arranjar briga quando você trata as pessoas com gentileza é mínima. (#DICA)

MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE EU NÃO NOTEI.

2. Eu e a Pessoa 1 temos algum Conhecido em Comum. Ele decide nos reunir. A Pessoa 1 fica sabendo que há possibilidade de se encontrar comigo e diz: “Claro, gente finíssima, pode marcar!”  Quando chega até mim a possibilidade de reencontrar a Pessoa 1, eu digo Não. Aí o Conhecido em Comum, que não conhece o contexto, me acha uma pessoa dificílima – como pode a Pessoa 1 ter de mim uma impressão tão boa e eu me recuso a encontrá-la? Eu, no lugar dela, também teria.

Eu chego mais tarde, me enrolo, é por querer.

Entro em silêncio onde todos conversam, pego as minhas coisas, evito contato visual, protejo o rosto pela porta do armário aberta. Todos notam minha chegada, mas é raro que tenham tempo de me dizer qualquer coisa, antes de eu mudar de ambiente. Quando estamos a sós, já vi os assuntos mudarem assim que eu chego, numa consideração inesperada; mas se chego cedo demais, e as pessoas conversam livremente, não tenho mais esse privilégio. Eu canto. Canto baixinho, para mim mesma, a música que está na cabeça. Ou mantras. Chegam até mim vozes confusas, capto uma palavra ou outra sem querer. Mas principalmente me chega o tom. Vozes que atingem agudos de indignação, onde são sempre os outros os culpados. Sabem tão pouco e ignoram meu gosto de tal forma que não acreditam quando eu digo que gosto quando o sensor não capta a minha presença e fica tudo escuro. Passam lá e acendem a luz à minha revelia. Deveriam perceber que eu poderia facilmente erguer um braço ou abrir uma porta e nunca o faço. Pelo contrário, eu fecho os olhos para ficar ainda mais escuro e mais íntimo, curto os segundos de privacidade que me restam. Nunca consigo escapar de todo, me esperam. Se contasse que já cheguei a me enrolar durante uma hora inteira e me esperaram. Já estou habituada a me trocar de pé, num cuidado que tive desde o começo por ter notado o quanto os territórios são importantes. As pessoas me têm simpatia. É muito difícil que não me tenham, é minha sina: sou a querida cuja opinião não se leva a sério. Tento me esconder atrás da porta do armário, na proximidade do espelho, em todo meu ritual de me arrumar bem longe, mas nunca me deixam entrar e sair sem falar nada. Alguém se aproxima, me olha nos olhos e me pergunta algo. Me toca, sorri. Pede uma dica, fala de roupa, do tempo. Às vezes é tão sem propósito que fico até sem graça. Fazem isso porque sabem que eu não poderia deixar de ser gentil. Gostam de mim porque sabem que sou gentil. Porque já me flagraram com paciência infinita e carinho por pessoas de quem ninguém gosta muito, sem a menor vantagem e sem saber que me assistiam. Gostam de mim porque sou gentil, porque acho que todos merecem respeito, mas é essa mesma gentileza que nos afasta. Minha gentileza se indigna em pensar em idoso pobre recebendo 400 reais mensais. Minha gentileza não me permite achar tudo bem que gay tenha que andar com cuidado, que negros sejam alvo da polícia. Eu sei como pensam e a maneira como nada do que tem acontecido sequer roça suas peles me choca. A indiferença dos bons, limpos, bem nascidos e de bem me choca. A maneira como as paredes tremiam com o ódio quando falavam que o Lula deveria ser preso e agora tudo está em paz. Gostam de mim e talvez seja bom que gostem, sem dúvida é mais fácil viver assim. É justamente a postura de querer criar mundos puros que nos torna um país tão desigual, então também não me sinto no direito de dizer que não devem. Mas eu me enrolo e me sinto tão longe.

se tiver uma chance

Elogio

ela apareceu e me disse

Eu não tenho certeza de quem foi e como foi, mas na minha lembrança mais próxima foi a Nina, no dia que ela me disse que o meu corte de cabelo na ocasião estava fantástico, que eu ficasse nele, estava linda. Aí eu respirei e ela me impediu, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Me disse: não faça isso. Agora você vai querer me elogiar, porque eu te elogiei, como retribuição, e esse elogio não vai ter pra mim o peso que teria, porque eu vou achar que você só está falando pra agradecer. Então fique com que eu te disse e pronto.

Sabe que eu finalmente pude repetir o gesto dela e né que é bom mesmo?

Curtas de etiqueta

Passei na loja no dia e horário mais agitado, e pretendia comprar meu produto escondida e sair correndo. O dono me viu e achei que ele colaboraria com meu intento, com a justificativa perfeita de que havia muita gente. Mas aí ele me acenou animado, como nos velhos tempos, me perguntou o que eu queria, pegou pessoalmente, terminou de me atender. Acho que lhe desejei Feliz Ano Novo, e ele disse que era muito cedo, eu não voltaria lá em um mês? Disse que provavelmente não, que… Então ele deu a volta no balcão e “então pra não correr o risco me dê agora o abraço” e lhe dei um abraço que me deixou com o perfume dele impregnado na roupa. Tive vontade de perguntar se ele enlouqueceu, se ele se lembrava do quanto foi frio nas últimas muitas vezes que passei lá. Vai ver que ele decidiu que depois de três anos eu não merecia mais ser punida pela separação. Vai ver o ex passou lá com a noiva. Vai ver que queria se mostrar pra alguém. Sei lá.

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Sigo por princípio esta citação de Hamlet:

Se fosseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata? Tratais deles de acordo com vossa honra e dignidade. (ato II, cena II)

… e tenho confundido as pessoas nesses nossos tempos rudes. Eu gosto de tratar bem, ouvir confidências, tenho uma memória de elefante a respeito do que as pessoas me contam, gosto que minhas interações sejam o mais leves e agradáveis para ambos. Aí quem reserva seu lado agradável apenas para quem ama, interpreta minhas atitudes como declaração de amor. Só se for amor pela humanidade.

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Sou uma fã nova de Bob Dylan, nova e solitária, porque passei a gostar sozinha lendo um livro. Então eu não sei se, como fã, eu tenho que gostar mais dele cantando do que qualquer outra pessoa. Se tenho, jamais serei alçada ao clube. Este desconhecido, por exemplo, que adorável!

Disfuncional

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Ele foi uma das pessoas mais disfuncionais que eu conheci. Tão disfuncional, com o mundo e com ele mesmo, que se matou. Deixou tudo organizado e se atirou debaixo de um ônibus. Ele conseguia ser feio, ter cheiro desagradável, falar cuspindo e sem noção ao mesmo tempo. Era uma pessoa tão difícil que eu um dia o encontrei na rua e ele estava todo feliz, porque trabalhava num órgão público, desses que pagam uma fortuna, e deram para ele uma função que o permitia passar o dia inteiro fora. Pros teus colegas de trabalho preferirem que você ganhe praticamente sem aparecer é porque a coisa é feia. Eu o encontrava em dois ambientes de aula ao mesmo tempo e nos dois as pessoas se afastavam assim que ele chegava. Arranjava confusão, se achava mais qualificado do que gente quilômetros de distância melhor que ele. Do tipo que vira pra uma mulher e reclama: um bando de mulher de TPM! Só que no meio de tantas manias irritantes, de chegar perto demais, dos assuntos que não despertavam interesse, ele virava pra você e dizia coisas gentilíssimas. Do nada, ele percebia que te notou, valorizava quem você era e fazia, te fazia ganhar a semana. Nenhuma mentira, ele apenas pegava o que via de bom e devolvia, transformava em palavras o que estava no ar e presenteava. Essa estratégia me fazia pensar que, ao contrário do que parecia, ele percebia os efeitos que causava. Era disfuncional, consigo e com o mundo, pouca gente gostava dele, mas havia ali a capacidade de oferecer calor.

Curtas de objection your honor

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Digitadores ficam com LER nos pulsos e o elenco de The Good Wife deve desenvolver lesões relativas a levantar abruptamente dizendo: objection, your honor!

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Primeiro contato e eu não foi polida – não fui grossa, mas não foi bacana. A resposta foi no mesmo tom. Já tinha decidido nunca mais comentar nada, deixar de ler, aí recebo uma mensagem privada gentil, fazendo referência ao meu comentário e me convidando a ler um outro texto. Fiquei muito sem graça, pedi desculpas, disse que havia me arrependido do meu primeiro comentário, agradeci. Aí lembrei porque tenho a política de ser gentil sempre que possível:

  1. A gentileza desarma.
  2. A gentileza nos faz passar menos vergonha.

 

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As pessoas. Elas têm o péssimo hábito de terem defeitos. Alguns nos são insuportáveis e deixamos de falar com elas. Quando não são, a melhor política é escapar, nunca tocar no assunto e fingir que não viu. Por incrível que pareça, o caminho do meio – analisar, jogar na cara, exigir justificativas e pedidos de desculpas – é muito pior.

Convite

Uma vez eu estava conversando com um cara que ia fazer doutorado na Alemanha. Eu perguntei o que ele achava da fama de grossos que os alemães têm. Ele disse que não encarava como grosseria no mau sentido, e sim como uma sinceridade que não estamos acostumados.

– Por exemplo, se eu convidar você pra sair daqui e tomar um chopp comigo, você vai dizer que quem sabe um dia, que hoje você tem um compromisso… sendo que na verdade você sabe que nunca vai sair comigo. Já se fosse uma alemã, ela simplesmente responderia não. É mais grosseiro? Na hora pode ter aquele impacto, mas você sabe com quem está lidando.

Eu senti muito essa nossa tendência a evitar um não quando tentava comemorar meu aniversário com uma festa. No primeiro momento, ao receber o convite, as pessoas quase sempre reagiam com um “Nossa, que legal, claro que eu vou!” Poucas pessoas diziam que não, geralmente quem tinha um motivo muito sólido, como uma viagem. O sucesso era tanto que dava a impressão que minha festa teria uma centena de pessoas, e começava a me preocupar em encomendar um bolo enorme e comprar pratos. Mas à medida em que a data se aproximava, as pessoas começavam a me procurar com todo tipo de problemas – a bisavó está nas últimas, o cachorro comeu uma planta venenosa, o professor resolveu marcar uma prova sábado à noite, etc. Era tanta gente se desculpando e desmarcando que horas antes do aniversário eu me convencia de que não ia ninguém (como já me aconteceu). Eu me pergunto quantas dessas já não sabiam desde o primeiro instante que elas não iriam. Quase todas, provavelmente.

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Depois de escrever este post, quis saber de alguém que realmente conhece os alemães se a coisa era mesmo como falei. Então procurei a Frau Glaeser, que me mandou um e-mail interessantíssimo sobre a cultura alemã. Transcrevo com a autorização dela:

Oi Caminhante,

antes de conhecer “meu” alemao, eu morria de preconceito – alemaes sao frios, nao demonstram sentimentos, a língua é um horror, blablabla.

Na primeira visita, antes de casar, tive contato com alguns alemaes e me choquei com algumas coisas, como a apatia das criancinhas nos ônibus, fiquei chocada ao ver pirralhinhos de 4 anos de idade sentados, conversando baixo, como se adultos fossem. Vi um molequinho de 3 anos fechar a cara e perguntar pra mae pq eu estava acenando pra ele. E entendi menos ainda quando vi alemaes fazerem festinha pra cachorro, mas fecharem a cara pra criancinhas…

Logo no comeco do relacionamento offline com meu alemao, percebi o quanto ele ficava chateado se eu pedisse alguma coisa pra ele e nao falasse “por favor”. Pra mim era evidente que eu pedia um favor, pra ele era uma tremenda falta de educacao, como se eu estivesse dando uma ordem a ele. E percebi, em outras situacoes, o quanto um “por favor” muda as coisas. Alemao é uma língua gutural, a melodia é descendente, ao contrário do português, em que a mudanca de entonacao transforma uma ordem numa pergunta… Teste dizendo “Traz um copo de água pra mim.” e “Traz um copo de água pra mim?” em português, a entonacao faz a pergunta. Em alemao, nao. Soa igual, a nao ser que vc coloque um “Bitte” no final.

Em alemao fica muito claro o grau de intimidade entre interlocutores – existem pronomes diferentes e as regras de quando usá-los sao bem claras. Sie pra quem eu nao conheco, Du pra quem é família ou amigo do peito, ou pra quem nao liga muito pra convencoes. Interessante que criancas sao sempre Du, mas na adolescência passam a ser chamadas de Sie pelos professores na escola… Outra coisa que eu aprendi e acho muito interessante é que crianca é vista como um indivíduo, que merece respeito. Nao me lembro de ter visto adultos falando com voz diferente com criancas, ainda que pequenas. E os pais falam – e muito – com os pequenos, explicam os mais variados assuntos, em palavras simples mas nao imbecis. Já vi um telejornal para criancas, muito bem-feito, por sinal. E a Der Spiegel, maior revista daqui, tem uma versao infantil. E existem vários programas explicando o funcionamento de tudo o que se possa imaginar. Num domingo de manha vi como era fabricado o poliéster.

Por conta do respeito ao indivíduo, existe o direito a opiniao. E eu, sinceramente, precisei me acostumar a isso. As pessoas perguntam e realmente se interessam pela resposta, debatem o que concordam/discordam e, principalmente, nao se ofendem com o simples fato de vc ter uma opiniao diferente da delas. Pra quem passou a vida inteira fazendo malabarismos mentais e verbais ao ser confrontada com alguém que se ofendia com o fato de eu pensar diferente, foi um choque daqueles… Os alemaes sao beeeem diretos, o que pode ser confundido com grosseria, mas funcionam de uma maneira diferente. Se vc convidar um alemao pra ir à sua casa, ele vai ter perguntar dia e horário. E vai aparecer, ou pelo menos te avisar, com antecedência, caso nao possa. E vai se lembrar do seu aniversário, vai te mandar um email/sms/cartao/telefonar, vai te mostrar de alguma maneira que lembrou de você. E, dependendo do grau de intimidade, vai lembrar do seu aniversário de casamento, por exemplo. Ou te mandar um cartao postal a cada viagem.

Claro que sempre existe alguém sem-nocao que abusa do direito de emitir sua opiniao e fala o que nao deve. Ou de alguém que interpreta isso de maneira errada, mas, no geral, é menos complicado viver aqui. Um exemplo disso foi a festa de casamento no Brasil – convidei umas 80 pessoas, apareceram 60. Ao completar um ano de casados, fizemos uma outra festa, em Frankfurt, pros amigos alemaes que nao puderam ir. Foi uma festa super íntima, 25 pessoas. E dos convidados, apenas um nao pode ir, pq o filho pequeno tava doente e era algo contagioso. Bacana, né?

Por favor nao entenda isso como uma elegia aos alemaes, apenas o quanto me sinto aliviada por nao ter que me virar do avesso e tentar nao ofender alguém a cada meia hora…

Mais algumas coisas que admiro muito nos alemaes: a fidelidade aos princípios (isso vale pros abracadores de árvores, pros políticos, pras criancinhas escoteiras, pros membros dos clubes de carnaval, que fabricam suas fantasias e vao desfilar num frio de zero grau, só pelo prazer de desfilar), a eterna curiosidade sobre o mundo e seu funcionamento (todo telejornal tem pelo menos 30% de notícias sobre países estrangeiros, sempre; existem vários programas de ciências que mostram de maneira interessante o funcionamento de tudo o que se possa imaginar, como a eficácia de truques domésticos pro leite nao derramar ao ser fervido, p.ex.), o amor pelo debate (meu marido assiste mesa redonda de debate político fora de época de eleicao, dá pra acreditar?), mas o que eu mais admiro é o fato de saberem que seriedade nao se confunde com sisudez.

Papo de velha

Eu achava um saco e totalmente fora de propósito quando alguém vinha se queixar da minha geração. Nunca me esqueci do passeio que fiz àlguma ONG, acho que para a SPVS. Fomos divididos em grupos e enquanto as outras crianças pegaram instrutores legais, o nosso ficou horas tentando arrancar de nós uma coisa que não sabiamos o que era. Lembro dele olhando fundo nos nossos olhos e dizendo “Eu tenho muito medo da geração de vocês.” Enquanto isso, as outras passaram felizes, nos dando tchau através do vidro.

Hoje tenho a tentação de dizer “eu tenho muito medo da geração de vocês”. Nas pequenas coisas, como na crônica falta de gentileza. Um amigo deu meu telefone pra uma colega de jornalismo em apuros – o que já é complicado, mas vá lá, quem nunca fez besteiras por causa de alguém pedindo ajuda. Ela ligou pro meu celular e pediu pra me mandar perguntas por e-mail, sobre ideologia. O tal e-mail não tinha introdução, não tinha nada, só aquelas perguntas mal elaboradas. Como se estivesse mandando aquilo pra uma colega de faculdade, e não pra uma entrevistada com uma baita formação e que ela nem conhece. As perguntavas estavam irrespondíveis de tão ruins (“ideologia é considerada arcaica?”); fui obrigada a fazer um texto que explicava o conceito central desde o início. O que eu ganhei em troca do favor? Uma resposta irritadinha e adeus. Situação semelhante à minha foi de uma amiga, que dá aula numa academia e precisou de uma substituição. Iam lançar uma aula nova e a substituta ligou querendo/exigindo a cópia de um CD. Minha amiga copiou, o marido mudou de caminho pra deixar tudo à tempo. Quando elas se encontraram, a outra nem tocou no assunto. É isso o que eu vejo nessa geração: agem como se tudo o que fazemos por eles fosse nossa obrigação.

Não sei se esse é um problema deles ou se eu também fui assim e não me dou conta. Porque eu vejo que eles simplesmente não entendem, acham que não fizeram nada demais, nunca. Fico imaginando o que deve sair quando essas pessoas interagem entre si, todas majestosas esperando que o mundo as sirva. Acredito que o mundo real não alimente esse tipo de atitude durante muito tempo. É balela dizer pra que ter sucesso na vida é preciso forte, determinado, focado, ambicioso. Pra conseguir tudo o que deseja, tem que saber pedir. E agradecer.