Vôlei e o score de amor

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Eu odeio vôlei. Poderia escrever um longo post reclamando do vôlei. Odeio tanto vôlei que nunca assisto, que se dane Bernardinho, não quero nem saber, nunca mais fiz um misero saque depois que parei de ser obrigada e de lá pra cá sei que as regras mudaram – na minha época só o time que sacava pontuava, tinha “vantagem” – e nunca aprendi as novas, faço questão de não aprender. Um dos meus traumas com vôlei foi causado pela professora Elisa, minha professora de educação física durante todo segundo grau. A prova de vôlei dela, uma coisa tão absurda que deveria dar direito a denúncia, era assim: cada aluno começava a partida com a nota máxima. Quando a bola caía no chão, alguém era descontado. Geralmente mais de uma pessoa: se caía entre dois jogadores ambos perdiam nota, ou se uma pessoa não defendia bem a cortada, o ponto era descontado dela e de quem cortou. Imaginem que partida emocionante, todo mundo com medo de pegar na bola.

Mas, por incrível que pareça, não foi propriamente o vôlei que me fez lembrar disso, e sim relacionamentos. Não sei se é característico de relacionamentos abusivos, mas me toquei que num par de histórias que conheço e vivi a dinâmica era a mesma dessa prova: a pessoa “amada” começava com pontuação máxima, com os maiores elogios e as características sonhadas. À medida que o relacionamento avança, ela se torna cada dia mais decepcionante, nada daquilo que parecia, etc. O tal anjo caído se esforça pra continuar tão desejável como antes, passa a pisar em ovos, tenta esclarecer, pede desculpas… Só que a pessoa não consegue, os seus esforços são inúteis porque é impossível voltar para a nota máxima. Chame do que quiser, o que sei é que isso não é amor. É um jogo onde só se pode perder.

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Academia, triathlon e escrita

Runner athlete running on road

Não faz muito tempo esse negócio de frequentar academia não tinha a legitimidade que tem hoje e, dependendo do meio, dava até vergoinha de falar. Dizer que você fazia academia era se confessar fútil. Lembro de um dos meus professores da faculdade, um que era especialmente gato, dizendo com o maior desprezo que frequentar academia era tão oposto a ele. Que ano isso, século passado, quarenta anos? Não, já estávamos na primeira década do século XXI. Quando eu comecei a frequentar academia, foi uma descoberta pra mim: como era legal, como todas as aulas eram divertidas, como a gente sai energizado! Tive época de ficar internada lá dentro. Depois fiquei seletiva, e só gostava de poucas aulas, os professores mais mais… agora não suporto nem passar na frente. Hoje conheço um povo que faz triathlon e lembro que uma época tinha vontade de fazer. Eles treinam, sabem seus tempos, comem certinho, sonham com Iron Man. Olho para eles e acho que entendo perfeitamente, que é a mesma euforia que vivi assim que comecei a fazer exercícios e, mais tarde, assim que comecei a dançar. A gente quer ser o melhor, começa a se ver como alguém que “se eu tivesse começado na idade certa, hoje seria…” Acho que essa é a energia que faz movimentar todos os esportes: o entusiasmo de muitos, que um dia sonharam em ser profissionais e se tornam grandes admiradores.

ACHO que eu terminei de escrever o que estava escrevendo. E me vejo sem o ímpeto de publicar que um dia tive. Ser lenta para escrever, demorar tanto e isso se converter em tão poucas linhas e ter sempre algo mais para olhar e nunca ficar bom… tudo isso foi me mudando com o tempo. Talvez eu seja mais uma entusiasta, talvez os únicos que lerão as coisas que eu escrevo são os poucos amigos-vítimas que recebem o arquivo. O mundo não precisa e não sente falta do que eu escrevo. Se um dia eu produzir um único livro bom, isso também não faz diferença. Nossa vaidade quer produção de padaria, um livro ótimo atrás do outro – mas de quantos autores conhecemos apenas um livro, um grande livro, e ele nos preenche por toda vida? Enquanto encontrava as pessoas e elas achavam que eu estou sempre sem novidades, eu sabia que estava cheia delas, cheia de mudanças e planos, vivendo uma vida paralela ao escrever. É um amor e um ganho pessoal difícil de explicar. Publicar e que os outros gostem, não vou negar que deve ter o seu sabor. Mas o processo, ah, que processo!

Mais humor, por favor

Uma decepção insuperável que eu tive com o mundo da dança foi perceber que, mesmo lá, as pessoas se levam à sério demais. Pra mim, todo mundo que subia no palco era meio “povo do teatro”, e como povo do teatro – só falta os próprios também não serem assim! – eu entendia que era um pessoal diferente, que via a si mesmo e ao seu corpo como um instrumento de trabalho a ser modelado, superado, um brinquedo. Eu achava que ser capaz de subir num palco de roupa coladinha dava licença pra tudo. Mas não, por incrível que pareça. No balé e no flamenco existem as fórmulas, que embora possam parecer radicais à primeira vista, protegem. É roupa justinha sim, é rebolada sim, mas a pessoa diz pra si mesma que “é assim que essa dança é dançada” e com isso se protege. Aí a quebra que poderia acontecer não acontece – “faço, mas é no contexto, continuo sendo pessoa direita”. Uma pena! Tente propor algo novo, uma fala, uma história, uma teatralização, pra você ver as caras fechadas. “É que isso não é (insira aqui o nome da dança)”. Eta mundão de continuadores. Amamos a inovação sim, desde que aconteça lá longe, de preferência em outra modalidade artística.

 

Fiquei refrescada quando vi isso daqui (presente da Luciana). Pelo pouco que conheço de atletas, pode multiplicar as travas do pessoal de dança por dois.

Vôlei

Passei boa parte da vida achando que detestava esportes e qualquer tipo de atividade física. Na verdade, o que eu não gostava era de fazer Educação Física. Eu era a típica CDF que ia mal na Educação Física, aquela é que escolhida para a equipe depois que todas as opções boas já se esgotaram e começam a escolher os menos piores. Só muito mais tarde fui entender que meu problema com a Educação Física era que praticamente só nos ofereciam para jogar vôlei, handebol e basquete. E esses três esportes são esportes de equipe. Seja atrás de uma bola, numa reunião ou numa pesquisa, uma das coisas que eu mais odeio na vida é trabalhar em equipe. Me deixem fazendo faxina, me joguem num baile funk, me coloquem nas tarefas mais chatas e burocráticas, só não me obriguem a trabalhar em equipe. Outra coisa que detesto é competição, ter que enfrentar alguém cara a cara pra um sair vitorioso e outro derrotado. As aulas de Educação Física me fizerem crescer achando que todo esporte era assim.

Aí chegou a adolescência, essa época da vida em que nos obrigamos a fazer coisas pra estar em grupo. No meu prédio, o fim de semana era dedicado ao vôlei. Então eu me esforcei pra gostar de jogar vôlei. Descia, corria atrás da bola, sacava, aquela droga toda. Sabe a adrenalina de estar em quadra, de virar o jogo, de mostrar pro outro que somos melhores? Nunca tive. Olhando para trás, acho que só jogávamos tanto vôlei porque os estudantes do CEFET – era quase como ser universitário! – por quem éramos apaixonadinhas gostavam. Mesmo esse período jogando no prédio não melhorou muito meu desempenho no vôlei da Educação Física. Não ajudava, também, o fato de eu ter aula com uma carrasca – a professora Eleonora. Pra vocês terem uma idéia, teve o maior rolo porque ela reprovou uma aluna por meio ponto, uma aluna que havia passado em todas as outras matérias. Imaginem a situação, reprovar de ano porque não foi bem em Educação Física. Não sei como essa história terminou, acho que foi parar na Secretaria de Educação. A prova de vôlei era um jogo onde todos nós começávamos com nota dez. Quando a bola caía, ela descontava um ponto de quem estava perto ou que deveria ter pego a bola, às vezes mais de uma pessoa. E assim ia, até o jogo ou o tempo acabar. Lembro que no último dia de aula de vôlei no segundo grau, quando peguei a bola pra guardar, disse: Essa foi a última vez que eu joguei vôlei na minha vida. E foi mesmo.

De lá pra cá, até mudaram a maneira de contar os pontos, o número de sets, sei lá. Nem na TV eu gosto.

Senna, Ronaldo e outros heróis

A morte do Senna é daquelas datas que todo mundo sabe o que estava fazendo no dia. Eu estava em casa sozinha, lendo. O telefone tocou e minha amiga, dentre outras coisas, comentou “e o Senna, que triste, né?” Aí que eu liguei a TV e soube que ele tinha acabado de morrer. Quando minha mãe e meu irmão chegaram, eu contei pros dois. Meu irmão chorou e ficou com raiva de ser o único em casa que sentiu a morte do Senna.
Assim como não senti a morte do Senna, a ressureição do Ronaldo Fenômeno não me diz nada. Direi agora uma grande verdade, que eu sei que será chocante para alguns fãs:

Quem não é fã de um esporte geralmente não é fã de quem se destaca nesse esporte.

Pra mim o Senna era um cara que ganhava muitas corridas, e tinha sua própria musiquinha quando isso acontecia. O que eu sei do Ronaldo é que ele casou e separou da Cicarelli, engordou, pegou travestis e hoje joga no Corinthians. Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem insiste em querer me fazer saber o que ele faz em campo. Tenho uma antipatia especial por futebol e fórmula 1.

Agora podemos voltar à nossa programação normal.