Toma logo essa coca-cola!

Estudamos algumas matérias juntos, e ele era grande em todos os sentidos. Estávamos na cantina, e eu provavelmente disse que não aceitaria um gole de coca-cola porque havia parado há anos. Fui viciada e naquela época evitava qualquer gole pra não beber tudo de novo (hoje não precisa mais, deixei de gostar). Aí ele me contou que uma época fez uma dieta que restringia açucares, e a coca-cola foi junto. Ele estava há uma semana sem tomar coca e andava muito irritado. Tudo estava péssimo naquela semana. Numa briga com a namorada, ela lhe disse:
– Eu não te aguento mais, tudo te irrita depois que você parou de beber coca-cola. Bebe aqui um gole da minha.
– Imagina, claro que não, você que [assunto da briga]
– Não é nada disso, é só a falta da coca-cola. Toma logo essa coca-cola!
Aí ele tomou um gole. E junto com a coca veio uma paz gigantesca, um nirvana. Aí ele teve que admitir que sua irritação era apenas a falta do açúcar.
Não estou contando essa história para falar de vício, ou de desviciar, muito menos pra fazer propaganda. É que às vezes uma pessoa se torna tão chata quando abandona alguma coisa, – refrigerante, carne, cigarro, bebida alcoólica, carro, minion, etc. – se sente tão superior, isso lhe dá “permissão” para discursar tanto e encher o saco dos outros, que dá vontade de falar: então volta que é melhor.
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Leitora em multidões

Escrevi a um amigo pedindo que, por favor, fizéssemos alguma coisa juntos no fim de semana. Eu acho que ele não notou que quando escrevo assim, querendo para já qualquer programa junto com ele, é porque costumo estar meio desesperada, mas tudo bem – quem é que vai adivinhar que uma pessoa que mal pediu ajuda quando tudo explodiu, está tendo crises depressivas um ano depois? Mesmo problema que eu digo para as pessoas que querem fazer a dieta Dukan: enquanto você está emagrecendo, as pessoas dão o maior apoio que você tenha cardápios restritivos. Mas quando você está na fase de manutenção, meses depois e magra, ninguém aceita que você abra mão de uma batata frita. Eu também acho que não tenho nada que me deprimir um ano depois, que merda. Mas diz isso pro meu organismo. Ao meu apelo, meu amigo me respondeu enviando um evento do Facebook, uma festa julina que aconteceria numa igreja ortodoxa nas Mercês.

 

Entendi e fui, sozinha. Esses eventos de Facebook nunca nos fazem ter muita noção do que é. No cartaz dizia que era uma festa tradicional, de muitos anos, então já imaginei multidões, música junina por toda quadra, pessoas com roupa de prenda e dentes pintados (coisa que não tem no nordeste e muito me surpreendeu). Chegando lá, oh não! Era uma festa pequena, bem família. Foi colocar os pés pra entender que todo mundo lá era da paróquia e se conhecia. E todo mundo com biotipo árabe. As músicas também eram árabes. Desculpem a ignorância, mas nunca pensei que veria pessoas com aquele biotipo numa igreja católica ortodoxa. Levantaram a hipótese de serem gregos, mas devo confessar que não conheço o biotipo grego, então será que eram? Enfim, era um pessoal bonito, morenos de olhos claros e narizes grandes. Deu vontade de sair correndo. Comprei um doce de amêndoas (enjoativo) e mandei mensagem pro meu amigo, na esperança de que ele me encontrasse lá. Por hábito, estava com um livro na bolsa. Deixei o celular à mostra e saquei meu livro, no maior clima de “não sou uma louca que veio sozinha, daqui há pouco meus amigos chegam”. Ele não veio, mas foi gostoso pra caramba ler ali. Lia um pouquinho, olhava as pessoas, lia mais um pouquinho. Depois conheci a igreja. Foi um bom passeio, fez o meu dia. Se estivesse em casa, provavelmente estaria muito mal e isso me impediria de ler. Minhas crises fazem com que o estar sozinha seja ruim, mas elas já não são estão intensas a ponto de precisar que as pessoas me deem atenção. Estar entre seres humanos parece que já é suficiente. O que é ótimo, e dá mais independência e não preciso tanto da boa vontade dos amigos – todo mundo tem suas vidas pra cuidar.

 

Eu me lembrei da moça do quadro de Renoir, aquela que discutem no filme Amelie Poulain. Eu me tornei ela, só que com um livro na mão. Eu diria: A moça do copo d´água não suporta estar fisicamente só. Ela fica no meio dos outros para ficar em paz.

 

Amélie – Sabe a garota do copo de água?
Pintor – Sei.
Amélie – Se ela parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
Pintor – Em alguém do quadro?
Amélie – Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
Pintor – Em outros termos, ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
Amélie – Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
Pintor – E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

O macarrão que emagrece

Parecia bom demais pra ser verdade. E era mesmo.

 

Quando comecei a fazer a Dukan, descobri através do site que existe um macarrão de caloria negativa, ou seja, ele emagrece. Podem pesquisar por aí, o nome do macarrão é konnyaku. Em resumo, ele é feito de uma alga oriental de difícil digestão, então o organismo gasta mais calorias para digerir do que ele fornece. Colocando um molhinho sugo e acompanhamentos bem leves, dava pra comer como se não comesse. Melhor ainda: era permitido na fase de proteína pura. Acho que eu não comia massa há um mês, aquilo me soava como o paraíso. Quer coisa melhor? Eu fui atrás.

 

Aí começaram as estranhezas. Fui no mercado municipal durante uns dois fins de semana. Eu encontrei o macarrão, muito conhecido pelos japoneses. Todos me falaram basicamente a mesma coisa: tem em bloco e em forma de macarrão, aqui está, leve pra você. Ele cheira estranho mas é assim mesmo, ele não está estragado. E se você aguentar o cheiro, volte aqui e compre mais. Uma amiga minha disse a mesma coisa, que não tinha conseguido aderir por causa do cheiro. Comprei uma semana, comprei outra, e achei neutro, não tinha cheiro de nada. Que bom, todo mundo com problema com o cheiro e eu não tinha. Ia passar o resto da vida comendo macarrão que emagrece.

 

Até que eu fui no municipal e naquele dia não tinha em formato de macarrão. Acho que compraram tudo para as festas de fim de ano, não sei. Sobraram apenas os blocos. Os blocos eram exatamente a mesma coisa, só que não estavam cortados em forma de macarrão. Se eu já tinha comido tantas vezes e não estranhei o cheiro, que mal tinha? Comprei o bloco bem feliz.

 

Quando voltei pra casa e comecei a cortar, senti o tal do cheiro. Não era um cheiro estranho, era um cheiro familiar, orgânico… até que me dei conta que o cheiro parecia muito o de carne crua. Imaginem, um macarrão com cheiro de carne crua. Pior ainda se pensarmos que eu não como carne vermelha há décadas. Fui em frente, cortei e fiz o macarrão. Só que na hora de comer… Aquele cheiro tinha impregnado o macarrão, as minhas mãos, a minha narina. Comecei a ficar com tanto nojo…

Agora, macarrão pra mim é só o do convencional, o gostoso, o que engorda.

Dukan – um ano depois

As datas não são exatamente as mesmas, mas a apresentação de flamenco me faz lembrar que nessa época eu estava no começo da Dieta Dukan. Várias amigas minhas estavam fazendo e eu comecei a dieta impulsivamente no fim de novembro, sem me dar conta que isso faria com que eu estivesse em dieta em pleno natal e ano novo. A dukan combinou muito comigo porque é uma dieta rigorosa, e eu quando escasqueto com uma coisa vou até o fim. Os resultados são rápidos, mas você não pode se desviar do cardápio de jeito nenhum. No dia da apresentação, marcaram ensaio geral, que se estendeu para além da hora do almoço. Todos assaltando as muitas bolachas e besteiras que tinha na escola e eu me segurando,  porque naquele dia eu estava em PP (proteína pura), ou seja, teria que comer apenas alimentos do grupo da proteína. Lembro e até eu me impressiono. Cheguei no buffet aqui perto de casa por volta das 15h, tonta de tão faminta e comi em poucos minutos três grandes pedaços de salmão. À noite, durante a festinha, levei uma tábua de frios e fiquei só no queijo… O próprio site da dukan havia liberado as pessoa para o que eles chamaram de fase PJ – pé na jaca. Mas eu não quis. Depois de tanto esforço, ia ficar tão aborrecida de demorar mais algumas semanas que preferia manter a dieta em pleno natal e ano novo. Não comi um único panetone, nada, nem um docinho.

 

No dia da apresentação o meu manequim já havia mudado e eu me sentia, pela primeira vez, bonita dentro do figurino de flamenco. Entrei para a fase de manutenção no final de fevereiro. Ao todo, eu emagreci nove quilos. No momento em que escrevo isso, tenho lutado contra um quilo que adquiri nas últimas semanas, com o fim do inverno e as muitas confraternizações de fim de ano. As amigas que me recomendaram a dieta, infelizmente, recuperaram mais peso. Todas foram unânimes em dizer que tenho uma vantagem muito grande na manutenção do peso por não beber álcool. A dukan mudou meu modo de comer no dia a dia, estou sempre de olho nos grupos de alimentos. Meu cardápio básico é o da fase de consolidação, só que com menos rigor. Mantenho o hábito do dia de PP uma vez que por semana que, admito, é sempre um dia mais longo do que os outros…

 

Agora existem várias outras facilidades que não tinha quando eu fiz a dieta, mais livros de receitas, produtos dukan. Nunca quis narrar minha experiência no blog porque não queria que as pessoas me consultassem a respeito da dieta, como fazem com os blogs que contam as experiências pessoais. Acho que pra quem quer seguir o caminho é mesmo comprar o livro e/ou se inscrever no site. E fazer à sério, sem escapadinhas. Comigo deu certo, é isso o que eu posso dizer.