A luta entre o bem e o mal… em South Park

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Jesus e o Satã são personagens que andam normalmente pela cidade, no desenho South Park. Jesus é um sujeito bem magrinho, pacífico, bata branca e barba. Já Satã tem o dobro do tamanho dos outros, é vermelho, tem um peitoral enorme. Um dia, por um motivo qualquer, os dois decidem se enfrentar de uma vez, num ringue de boxe. Os dois tem semanas para se preparar, e elas são acompanhadas pela cidade toda e pela imprensa mundial. Jesus, pacífico, magrelo, se revela aquele tipo que sofre pra erguer qualquer pesinho, não tem muita coordenação, e seu excesso de bondade faz com que ele não consiga ser intimidante. Por outro lado, Satã faz constante exibições de força, levanta peso com facilidade, destrói, fica cada vez mais forte. Não tem como olhar aqueles dois e achar que Jesus tem alguma chance. O mundo inteiro começa a apostar, e do cara da vizinhança ao pastor, todo mundo aposta que Satã vai vencer. Todas as pessoas na Terra apostam em Satã, apenas uma pessoa aposta na vitória de Jesus. Finalmente chega o dia da luta, e Jesus todo magrelo sobe no ringue, Satã fortão sobe também, transmissão ao vivo. Os dois se posicionam para a luta e Jesus dá um soquinho em Satã, praticamente encosta de leve, e Satã se joga no chão como que inconsciente e fica lá até terminarem os dez segundos e Jesus ganhar por nocaute. Todos ficam indignados, porque obviamente que aquele soquinho não foi nada, Satã se jogou no chão e fingiu. Aí que se revela: Satã foi aquele único sujeito que apostou que Jesus ia ganhar. Ele ganhou uma bolada e ainda jogou na cara – quem mandou duvidar que o Bem sempre vence o Mal?

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Curtas escritos nas estrelas

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Na busca por novos posts no blog, que quase sempre me atormenta quase à meia noite, hora que gosto de postar, comumente quero procurar outros blogs para ver do que eles estão falando e ver se me inspiro. Ultimamente, como era de se esperar, não há um único. Os que continuam vivos postam uma vez por bimestre, sei lá. Só eu continuo aqui. Insanidade, persistência?

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Sei umas coisas de astrologia e sempre usei para consumo próprio. Recentemente, numa conversa em grupo de whatsapp, me vi analisando três mapas. Assim, na brutalidade, olhava e falava o que me dava na telha. Num deles, necessidade de amigos, de contatos, de amor, de dividir, de… e me conscientizei do quanto o meu mapa é solitário. Tem arte, tem literatura, tem até amor universal, mas eu cá e vocês lá.

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O que me remete a amiga que me manda mensagens falando de amizades verdadeiras, duradouras, imagem de amigas bem velhinhas. Tenho vontade de avisar: você realmente não sabe com quem está lidando.

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A cada dia que passo, me pareço cada vez mais com o Touro Ferdinando. Já fui o Sapo Cantor, hoje sou Touro Ferdinando. Pro bem e pro mal, o tempo faz com que o importante se reduza a duas ou três coisinhas.

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Tive um sonho. Nele um ex-crush (uma história que eu me interessei, me aproximei, me encantei, descobri coisas e terminei tudo sozinha) escreveu (era como se fosse numa folha de almaço) que acompanhava vários blogs, cita uma amiga minha que trabalhava com internet e depois coloca um nome que parece Caminhante Diurno. Olho fixamente, a imagem está borrada, eu me esforço, aquela dificuldade dos sonhos. No fim, é um outro nome. Sinto uma dor profunda no coração: meu blog é desconhecido.

Curtas vampirescos

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Já vi muita nostalgia anos 80 mas nunca achei em lugar nenhum alguém fazer referência a um desenho japonês que eu adorava, de um vampiro todo atrapalhado que tinha uma filha bem correta. Num episódio ele inventa uma super cola que fica por dentro do lápis e dá pra ver pela lateral; em outro, ele olha pro sol, vira pó e a filha tem que reconstruí-lo. Só que ele estava com um guarda-chuva na hora e ele reaparece com o guarda-chuva no nariz. Alguém?

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Tinha também um desenho japonês de uma nave que parecia um navio e tinha uma contagem regressiva porque estava procurando outro planeta para a humanidade porque o nosso ia acabar. Nada a ver com vampiros, mas também nunca vi referências e gostaria de saber qual era.

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Voltando aos vampiros. Conversa do meu irmão para o seu melhor amigo, no tempo dos DVDs, da qual rimos muito:

– Estou vendo Drácula de Bram Stoker.

– Eu vi no cinema. Em que parte você está, a Winona Rider já morreu?

– Putamerda, ainda não!!!

Na época nem existia o termo spoiler, quanto mais spoiler falso.

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Nunca vi Entrevista com Vampiro. Fiquei doida pelo livro quando li, doida, doida, doida. Acho que cada época tem seu vampiro galã. Quando anunciaram as filmagens, a autora disse que devia ser o Jeremy Irons e ficou indignada quando colocaram o Tom Cruise. Eu concordei tanto com ela que nunca quis ver.

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Traumas não são como vampiros, tal como sempre se dá a entender. Eles não viram pó instantaneamente quando a luz da razão os atinge. Nem ao menos some depois de um momento de choro catártico. Os traumas grandes, atávicos, que definem nossas vidas são muito mais como Jason, Freddy Krueger, a mãozinha saindo da cova quando todos estão ingenuamente tranquilos.

Confessional

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Há um episódio dos Simpsons – eles não previram tudo? – em que o Hommer começa a dar aulas à noite, e para tornar as aulas interessantes ele começa a falar da vida conjugal dele com a Marge. A turma era toda de adultos e ele consegue atenção imediata. Um dia ele está no supermercado com a Marge, encontra um dos alunos e ele fala da tintura de cabelo dela. Marge fica chocada, pra todos os efeitos ninguém sabe que ela pinta o cabelo. “Hommer, você anda contando nossas intimidades por aí?” “Olha, ela ficou nervosinha. Lamba o cotovelo dela…”. Ela lhe pede pra parar, ele promete, mas aí chega na aula e ninguém presta mais atenção nele. Aí ele: “Vou falar de um caso que eu ouvi falar, digamos que um homem chamado H, casado com uma mulher a quem chamarei de M…”

Um dia me queixei a um amigo escritor que eu só sabia falar de mim mesma, e ele me disse que, em maior ou menor grau, todos os escritores só falam de si mesmos. Mas eu gostaria de não pertencer ao mesmo time que o Hommer.

Minha Snoopy

Quando eu era criança tinha um cachorro chamado Flock. Eu era fã dos desenhos do Snoopy e ficava muito frustrada do Flock ser totalmente indiferente às casinhas de cachorro. Lembro que numa das tentativas de fazer ele usar a casinha, jogamos um ossinho dentro e meu irmão sentou com as costas na porta, barrando a saída. Depois disso, nem com ossinho ele entrou mais. O Flock olhava para as casinhas com a indiferença de quem acha que aquilo não tem nada a ver com ele. Pra que ficar num espaço pequeno daqueles se ele tinha o quintal inteiro?

A Dúnia me surpreendeu logo no primeiro dia. O adestrador disse que era possível que levasse um tempo, que seria bom deixar coisinhas lá pra ela, não forçar. Eu lembro que pusemos a casinha lá e saímos. Horas depois, quando voltamos, ela já estava lá dentro. Acho a coisa mais linda.

Caminhante

Eu havia saído cedo de casa, e cheguei até mesmo a segurar o guarda-chuva nas mãos. Mas no dia anterior a temperatura havia caído cerca de dez graus, o que me fez voltar para casa batendo os dentes de frio. Pela lógica – lógica do otimismo, claro – achei que a temperatura não cairia absurdamente e choveria ao mesmo tempo. Então, saí apenas agasalhada. Quando voltava no meio da manhã, a chuva forte me pegou desde a saída do ônibus.

 

Parei na padaria que tem no meio do caminho. Naquela padaria eu almoço, eu combino café com amigos, eu compro guloseimas, faço de tudo um pouco, a única coisa que eu não gosto de fazer lá é comprar pão. Todos os funcionários me conhecem de vista e eu a eles. Tenho inclusive acompanhado o engordamento sem fim da gerente, que quando chegou era magrinha e já subiu uns três números no manequim. Nas caixas há mais rotatividade, e tem uma que me chama atenção por ter um ar inteligente. Foi essa caixa, a inteligente, que me atendeu naquele dia.

(caixa) Oi, tudo bem?
(eu) Tudo. Fora o frio e a chuva, tudo bem.

(caixa) É, pra alguém como você que gosta muito de andar, deve ser ruim mesmo.

 

Apesar de não ter demonstrado, eu levei um susto. De onde ela sabia que eu gostava de andar? Se ela tivesse usado o termo “caminhante”, já atribuiria ao blog. Não era por estar sempre lá, porque eles sabiam que eu morava por perto. Ela me disse isso com um olhar significativo, de quem sabe que isso gera a pergunta inevitável:

– Como é que você sabe?

Aí ela me contaria, vitoriosa, que me viu andando sei lá aonde. Pensei num trajeto específico bem longo que faço umas três vezes por semana. Em alguma daquelas janelas, dentre tantos prédios, estaria ela, me observando? Eu queria saber. Poderia ter sido outra pessoa, qualquer um dos outros funcionários, que me viu e contou. Mas como e por que os funcionários conversariam a meu respeito? E se o fazem, eu sou conhecida como: “aquela que vem sempre aqui”, “aquela que conversa com todo mundo”, “a que compra todo nosso estoque de queijo minas”?

 

Uma vez os Thundercats pegaram alguma coisa do Mun-ra e impuseram umas condições para que eles tivessem a tal coisa de volta. Todos pensaram que ou Mun-ra aceitaria os termos – o que seria improvável, pois um vilão tem um nome a ser preservado – ou tentaria atacá-los. Um dos vilões pergunta a Mun-ra qual das duas coisas eles fariam. Ele respondeu: “Nunca faça o que seus inimigos esperam” – e mandou um falso emissário, pra aí sim fazer o ataque, de surpresa.

Eu não tenho (acho) inimigos, mas tal como Mun-ra, não gosto de fazer o que os outros esperam. Por isso não perguntei. Eu disse que realmente, para quem anda muito, quando está chovendo é foda.

Agora ficamos eu e todos para quem contei essa história na curiosidade. Pensei em perguntar quando finalmente reencontrasse a moça, o que aconteceu quando voltei na padaria menos de vinte e quatro horas depois. Ela me atendeu sem me dar bola. Acho que ficou irritada com a isca que eu não mordi. Paciência.